9/30/2010
Leite pasteurizado
Os Flintstones – 50 anos
O Google na sua página de abertura está-nos a lembrar que hoje completam-se 50 anos sobre a criação de “Os Flintstones”, a popular série de animação produzida pela Hanna – Barbera e que desde então tem deliciado gerações.
Recorde o artigo que já trouxemos à memória em 16 de Julho de 2008. [ Link ]
9/29/2010
Outono
Tão rápido como chegou, o Verão foi-se de mansinho e deu lugar ao senhor Outono, austero e experiente, habituado a colher o que a Primavera brotou e o Verão amadureceu.
Não tardou, pois, que o senhor Outono pusesse mãos à obra e num ápice convocou as gentes do campo para a azáfama das colheitas por campos e soutos, montes e vales. Espigas de milho doiradas e maduras já enchem os cestos e amontoam-se nas velhas eiras; Os pesados cachos de uvas maduras, pintadas a ouro ou a púrpura, já enchem lagares onde brotarão mosto e vinho.
É verdade que as esfolhadas ou desfolhadas, como se diz na minha aldeia, já não reúnem o povo numa roda viva de trabalho, contentamento e cantigas; Já não há xis ao milho-rei e o serandeiro já não aparece discreto com o ramo de alfádega ou rosmaninho e as raparigas já não querem partir as unhas e as suas esfolhadas são outras.
No lagar já não há pernas despidas numa dança de ombros unidos ao som da sanfona ou da concertina. Certamente que num ou noutro local remoto deste nosso Portugal, mas no resto, as máquinas pouparam-nos o esforço mas roubaram-nos a alegria do colher e transformar com as mãos.
O senhor Outono já não é o que era e até ele já parece mais desconsolado, desanimado com a partida que os tempos lhe pregaram. Já nem as suas roupagens de tons quentes nos consegue aquecer a alma ou extasiar o olhar. Ficamos, pois, indolentes, à espera do senhor Inverno, que com mais frequência se atrasa, mas que há-de-chegar, frio e molhado, a remeter-nos, já não à lareira e adormecer no morno das brasas ou ao ritmo de histórias e lendas, mas ao sofá a matar o tempo olhando a televisão até que o sono diga: - Boa-noite!
- Outono – José Malhoa – Museu do Chiado - Lisboa
LANDER – Desodorizante stick
Ah, já agora...ainda hoje, depois do banho matinal, uma aplicação ligeira de Lander nos sovacos. Espero que no escritório ninguém se queixe, caso contrário vou ter que lhes falar do passado nobre de tão clássico produto que me garante 24 horas sem odor corporal. A avaliar pelo cartaz, só tenho pena que no escritório não trabalhem mulheres.
9/28/2010
Opilca – Sem sinal de pelo
Cartaz publicitário de meados dos anos 60. A marca, Opilca, um creme muito popular usado nas depilações, hoje em dia já não um exclusivo das mulheres pois a depilação tem cada vez mais adeptos no género masculino. Modas.
À data do cartaz publicitário, o creme Opilca era uma marca da Olivin GmbH, por sua vez adquirida em 1975 pela Henkel. A Opilca tem sido representada em Portugal, desde 1962, pela F.Lima.
9/26/2010
Brinquedos de lata da PEPE e AML - Armindo Moreira Lopes
Também de Alfena - Ermesinde, a AML - Armindo Moreira Lopes & Filhos, L.da produziu entre os anos 40 e 70 fantásticos brinquedos em chapa que ainda hoje resistem não só no nosso imaginário como nos sótãos ou mesmo em montras e prateleiras de muitos saudosistas e coleccionadores. Encerrou as portas em 1975 depois de 37 anos a produzir brinquedos,
- Fascículo 1 da colecção “Brinquedos de outros Tempos”.
- O Bugatti, hoje distribuido com o CM.
- Cartaz publicitário dos brinquedos Payá.
- As minhas camionetas, da AML.
- Moto com carrinho – Outro dos emblemáticos brinquedos da AML
- Cavalinho com carroça – Outro nostálgico brinquedo da AML (ou da PEPE?)
Link interessante: História da JAJ, JATO e PEPE (Almatoys)
9/24/2010
Detergente AJAX – O do cavaleiro branco
Hoje trago à memória o detergente AJAX. Para o efeito publico um belo e colorido cartaz publicitário de meados da década de 1960.
É verdade que esta marca ainda existe e faz parte da habitual panóplia de artigos de limpeza de qualquer casa (para pavimentos, louças sanitárias e vidraças), mas a sua longa história e popularidade merecem uma referência especial.
Para além da qualidade que lhe é reconhecida nos produtos actuais, e que já nesses tempos apregoava a tripla acção proporcionada pelos grânulos brancos, azuis e verdes, na variedade de detergente para a roupa, este produto, propriedade da Colgate-Palmolive, lançado em meados da década de 1940, tornou-se popular pela forte publicidade que com frequência passava na rádio e TV para além de ser presença habitual em jornais e revistas.
Dessa publicidade, ficou sobretudo na memória o reclame que no início dos anos 70 passava na RTP onde surgia um cavaleiro branco, típico da Idade Média, montando um cavalo igualmente branco, empunhando uma lança que emanava uma espécie de raios que imediatamente tornava branca a suja roupa de uns miúdos traquinas que brincavam à luta no chão.
Esse cavaleiro branco tornou-se ainda mais popular porque, em miniatura de plástico dentro dos pacotes, era oferecido como brinde. Hoje em dia é uma peça rara e muito procurada por coleccionadores dos chamados "bonecos monocromáticos", também oferecidos com regularidade por outros detergentes como o JUÁ e até mesmo por marcas de gelados como a OLÁ e a RAJÁ.
O AJAX inicialmente era produzido em pó, idêntico ao igualmente popular OMO. Mais tarde o AJAX também passou a ser produzido na forma líquida, à base de amoníaco.
Finalmente, confesso que em criança relacionava esta marca com a equipa de futebol holandesa, o AJAX de Amesterdão, então com outra importância e notoriedade já que em 1970, 1971 e 1972, com jogadores fabulosos como Johan Cruijff, Johan Neeskens, Piet Keizer e Sjaak Swart, entre outrosvenceu a Taça dos Campeões Europeus. Mas isto já dava para outras memórias.
- Artigos relacionados, ou não:
Detergente JUÁ - A Régua Mágica e outros brindes
Detergente OMO - OMO lava mais branco!
Detergente OMO
OMO – Detergente que lava mais branco
9/23/2010
Meias C.D – Com C.D quem ganha é você!
Este slogan é um bom exemplo da força que a publicidade consegue imprimir numa marca e produto, tornando-o popular mesmo decorrido mais de meio século.
Dentro dessa memória das meias ou peúgas C.D, publicamos ainda um cartaz publicitário do final dos anos 60. Neste caso, as meias de senhora, as Mitoulle, “uma fabricação francesa”, conforto, elegância e comodidade numa única peça.
Pelas informações colhidas, a C.D existe desde 1946 e pelo menos na actualidade é fabricada pela Lucatextil, de Cascais. Ainda é sinónimo de qualidade. Pertence ainda à empresa a marca Goldfox, criada em 1980, especializada em meias e collants de criança.
9/21/2010
Quadro rústico – Camilo Castelo Branco
(clicar para ampliar)
Lendo este belo quadro rústico, de Camilo Castelo Branco, encontro nele um retrato fiel do tanque de água de casa de meus avôs, à sombra da frondosa ramada de vinho “americano”, palco de tantas brincadeiras e fantasias. Fico assim com a impressão que o nosso tanque era exactamente como o de Camilo ou, o dele igual ao nosso.
Na realidade o tanque da casa de meus avôs, era um tanque duplo, onde a água do principal descaía alegre e cansada de sabão para um tanque secundário e adjacente, cujas águas no Verão eram aproveitadas para regas nas hortas. Nas mais das vezes, a água, porque era e ainda é de nascente, empurrada pela gravidade desde o monte, jorra dia e noite e onde cai, junto a cepas de videira e a um renque antigo de sabugueiro, forma uma pequeno charco onde existiam rãs. Noutros tempos, tínhamos ali à mão uma aula de biologia, vendo os girinos desenvolverem-se até ao estado de rãs até coaxarem alegres nas noites quentes de Verão. Hoje em dia, ainda há rãs, embora mais raras, e, claro, as galinhas, ainda andam por ali a piquenicar, e, imagine-se, de vez em quando, seguida das bolas douradas, os pintos.
Na correria dos tempos, porque hoje em dia tudo é a “assapar”, ainda há coisas que não mudarem e funcionam como portais ou máquinas do tempo, por onde ainda é possível entrar ou viajar até à nossa infância e reavivar as memórias dela emanadas como se o ontem ainda seja o presente.
9/18/2010
Family Ties – Quem sai aos seus
A RTP Memória está a passar diariamente (por volta das 21:00 h) uma das mais emblemáticas séries de TV produzida pela NBC entre 1982 e 1989. Foram 7 longas temporadas sendo realizados 180 episódios (pela lista da IMDB apenas 176), alguns com duas partes.
Em Portugal passou originalmente na RTP, também nos anos 80, certamente com desfazamento de episódios relativamente à exibição nos Estados Unidos.
Esta série é por demais conhecida mas é justo que seja aqui referida como parte das nossas memórias.
Sendo que “Family Ties” tem a tradução de “Laços Familiares”, confesso que nunca percebi o título adoptado em Portugal (Quem sai aos seus…), que neste aspecto até nem costuma inventar. Pior do que isso fizeram no Brasil, onde a série foi baptizada de “Caras & Caretas”. Anedótico. De todo o modo, o título foi sendo mudado nos muitos e diferentes países onde foi exibida sempre com êxito.
A história gira à volta de uma família típica americana da classe média alta, os Keaton. O chefe da família, Steve Keaton, é um produtor numa estação de televisão e a esposa, Elyse Keaton, é arquitecta. Os episódios decorrem num percurso normal de uma família normal, com as discussões (muitas vezes ideológicas e políticas, sobretudo entre o pai, de esquerda, e o filho Alex, conservador), os desentendimentos, a educação, o humor (omnipresente), o amor e os afectos, o lazer, os estudos, o trabalho. No fundo a família Keaton pode muito bem estar em qualquer uma das nossas casas.
O que sempre me agradou e deslumbrou na série foi o percurso e a evolução da família. Foi quase uma década de série e por isso é notória a mudança física dos intervenientes, sobretudo nos filhos da família e de modo especial de Jennifer onde a meu ver se nota mais a transformação. Quase dez anos amadurecem um adulto e transformam uma criança num jovem adulto. Esta quase metamorfose, física e social, é um dos pontos fortes da série e que a tornam num ícone e emblema das séries de TV de todos os tempos mas seguramente dos especiais anos 80.
“Quem sai aos seus…” tornou-se de facto muito popular bem como os seus intérpretes. Michael J. Fox, que interpretava o filho mais velho, Alex, foi sem dúvida um dos que tirou mais partido dessa popularidade até porque ainda durante a série (1985) teve o papel principal no filme “Regresso ao Futuro” com duas continuações em 1989 e 1990, que foram um êxito. Fox teve uma longa carreira no cinema e televisão mas em 1998 revelou que padecia da “doença de Parkinson”, a qual o tem vindo a debilitar. Afastado do cinema, criou uma fundação que desenvolve esforços no tratamento e na pesquisa que um dia possa conduzir à cura desta doença.
Personagens e intérpretes:
| Elyse Keaton Steve Keaton Alex P. Keaton Mallory Keaton Jennifer Keaton Andrew Keaton | Meredith Baxter-Birney Michael Gross Michael J. Fox Justine Bateman Tina Yothers Brian Bonsall |
- Uma das aberturas da série (diferentes nas temporadas)
- Os Keaton.
9/15/2010
Santa Eufêmia – Paraíso – Castelo de Paiva
Hoje, dia 15 de Setembro, fui comprir uma tradição pessoal já com muitos anos. Fui à romaria de Santa Eufêmia que se realiza anualmente nos dias 14, 15 (dia grande) e 16 de Setembro, na freguesia de S. Pedro do Paraíso, concelho de Castelo de Paiva.
Esta santa, tem muita tradição em Portugal e a ela, sensivelmente por esta data, são dedicadas festas e romarias em algumas das nossas aldeias.
Por cá, das grandes romarias da nossa região e arredores, nomeadamente a Senhora da Saúde, em Carvalhos-Pedroso-Vila Nova de Gaia, S. João no Porto, Senhor da Pedra, em Gulpilhares - Vila Nova de Gaia, a Senhora da Saúde, em Gestoso -Vale de Cambra, S. Cosme, em Gondomar, S. Simão, em Urrô - Penafiel, S. Domingos da Queimada, Raiva - Castelo de Paiva, Senhora das Amoras, em Oliveira do Arda, Castelo de Paiva, Festa das Colheitas, em Arouca e Festa das Fogaceiras, em Santa Maria da Feira e outras mais, pessoalmente considero que a romaria de Santa Eufêmia na freguesia do Paraíso, em Castelo de Paiva, será aquela que ainda conserva as características quase genuínas herdadas e transmitidas de há muitas décadas, relatadas pelos nossos avós e bisavós. A contribuir para isso, o facto de se situar numa região relativamente interior, ainda muito caracterizada pela agricultura e também pela localização do arraial, que, ao contrário do que é normal, não está no alto de um monte (como S. Domingos da Queimada) mas sim num baixio encravado entre duas vertentes da serra e desenvolve-se em vários sucalcos ladeados de ruas estreitas.
Por conseguinte, a parnefália de enormes e ruidosos divertimentos, roulottes de vendas e grandes tendas comerciais, desde africanos a chineses, ciganos e marroquinos, que fazem parte da mobília das festas e romarias actuais, ali não têm lugar nem espaço e os vendedores ocupam os lugares desde há várias décadas. Apenas existe uma pequena pista de carrinhos, quase sempre parada e uma ou outra tenda de ciganos a vender roupas, mas no essencial todo o restante negócio está revestido das tais características tradicionais, assumindo plano de destaque a venda de doces, onde a primazia e a excelência recaem nos afamados doces de Serradelo, de fabrico familiar numa vizinha aldeia, próxima do Monte de S. Domingos da Queimada, e também os doces de Entre-Os-Rios, Sardoura e Pedorido, tudo aldeias ribeirinhas do rio Douro. Também marcam presença as tendas de cestaria, frutas, com destaque para uvas e melão de “pele-de-sapo”, enchidos, presunto e fumeiro, artesanato e brinquedos. Também ali já é possível beber o primeiro “vinho-doce” e comer as primeiras castanhas assadas
Apesar de tudo, a tradição e a fama da romaria de Santa Eufêmia assenta na devoção à santa, com pagamento de promessas, na actuação duas bandas de música (este ano com as bandas de Rio Mau - Penafiel e Bairros - Castelo de Paiva, e também nas afamadas barracas de comes-e-bebes onde o enorme bife de carne de vitela da raça arouquesa é rei, mas também a vitela estufada, dobrada ou feijoada. Normalmente são seis ou sete grandes barracas e quase sempre a abarrotar de gente esfaimada. Tanto na véspera como no dia, são milhares os forasteiros que chegam do concelho, Castelo de Paiva, mas também dos municípios vizinhos como Arouca, Santa Maria da Feira, Gondomar, Penafiel e não só.
Noutros tempos, recordo-me de nas imediações do proprio arraial se efectuar a matança de gado e mesmo ali, crucificadas num pinheiro, as rezes eram esquartejadas e cortadas em grandes bifes que depois eram fritos e acompanhados com batata e cebolada bem frita. Hoje em dia já não se mata ali o gado mas mata-se a mesma fome e a qualidade da carne é a de sempre bem como os modos de a preparar e servir. Impressiona, de facto, ver todo o movimento (durante o dia e pela noite fora) à volta das barracas improvisadas e numa luta com os enormes bifes bem regados com o grosso vinho verde da região de Paiva. Os clientes não conhecem idades nem classes sociais e misturam-se na mesma fartura os senhores doutores e engenheiros, vindos das cidades e vilas próximas (já por lá vi governadores civis, presidentes de câmaras e vereadores) com os operários e lavradores. Perante aquele quadro de abundância, seria difícil fazer alguém acreditar que estamos numa época de crise e fustigada pelo desemprego e falta de esperança no futuro.
Vê-se também muita gente e casais de idosos, que cumprem religiosamente votos, promessas e hábitos de décadas e para eles a Santa Eufêmia é um dia tão grande e alegre como um Natal ou Páscoa. Na freguesia é ponto de reunião de famílias que improvisam mesas onde os bifes serão a premissa da amizade fraternal. Os romeiros pagam as promessas, acendem velas e participam na missa e na procissão. Pelos músicos da Banda de Bairros, ouvem uma peçada de música e ficam com olhos enublados pelas emoções e sons da “1812” de Tchaikovsky, que não compreendem mas sentem. De seguida, já com a alma e o coração lavados, estendem uma ampla toalha no chão, à sombra de um carvalho, oliveira ou plátano, e espalham o farto farnel caseiro, com o a panela do arroz envolto em jornais passados, ainda a fumegar de quente e bom, este sim, de comer e chorar por mais. Na véspera são muitos os peregrinos que em ritmo de fé sobem as encostas do Arda e chegam a pé, ainda por devoção e promessas, percorrendo várias dezenas de quilómetros, vindos de aldeias vizinhas ou bem mais afastadas.
Quanto a Santa Eufêmia, que se diz protectora sobretudo de quem tem males de pele, era descendente de uma família nobre da Calcedónia, cidade próxima de Bizâncio, actual Istambul na Turquia, por preservar na sua fé a Cristo, foi mártir aos 15 anos, em 304 DC, morta por enormes leões numa cena de martírio no tempo das grandes perseguições aos cristãos, pelo imperador romano Diocleciano.
O seu corpo foi recolhido pelos cristãos e depositado numa pequena igreja. Mais tarde, em 620 DC a cidade foi alvo das invasões pelos persas pelo que o corpo da jovem mártir foi deslocado para outro local e guardado numa nova igreja mandada edificar para o efeito pelo imperador Constantino. Posteriormente, já com o imperador Nicéforo, voltaram as ameaças aos cristãos ao seu culto e símbolos pelo que com medo, os devotos de Santa Eufêmia voltaram a fazer nova mudança do corpo para lugar incerto. Depois disso, reza a lenda que a seguir a uma noite de violenta tempestade o sarcófago com a mártir desapareceu e em Julho do ano 800 acabou por dar á costa do mar Adriático, junto a Rovinj, na Croácia. Os locais abriram o sarcófago e nele observaram o corpo de uma bonita rapariga, vestindo um luxuoso vestido e junto dela, um pergaminho com a inscrição HOC EST CORPUS EUFEMIAE SANCTAE... (este é o corpo de Santa Eufémia, virgem e mártir da Calcedónia, filha de um nobre senador, nascida para o céu em Setembro 16, ano 304 AD...).
Os habitantes locais tentaram retirar das águas o sarcófago mas apesar dos esforços, a tarefa estranhamente parecia impossível e acabou por ser um rapazinho guiando uma parelha de bezerros quem o retirou facilmente e então foi depositado na igreja local, onde na actualidade na sua bela catedral se venera o corpo intacto da santa e mártir a qual atrai anualmente milhares de peregrinos e turistas.
Deixo alguns registos fotográficos da Santa Eufêmia e da sua romaria, em Paraíso, Castelo de Paiva.
9/12/2010
O papel-de-lustro
O papel-de-lustro, essas follhas delicadas com cores brilhantes e garridas, fazem parte do imaginário do meu tempo de escola primária, nomeadamente na quarta classe onde se realizavam alguns trabalhos manuais, hoje dito manualidades.
No meu tempo, o exame da quarta classe constava de uma componente escrita (durante a manhã) e outra oral (da parte da tarde) e era realizado perante um colectivo de dois ou três professores, numa aldeia próxima, pelo que implicava uma jornada especial para as crianças, que quase sempre estranhavam a mudança de ares e, diga-se de responsabilidades. Nessa altura, também se acrescente, o exame da quarta era uma coisa a sério e não estou a ver que hoje em dia um mísero 9º ano (que agora se atribui às carradas a troco da narrativa de uma experiência de vida) chegue aos calcanhares dos conhecimentos então adquiridos com a 4ª classe da escola primária.
Ora uma das obrigações do exame era apresentar ao júri um determinado trabalho manual e aqui o uso do papel-de-lustro era um material a considerar embora ao nível do exame fosse de esperar algo mais substancial e não apenas recortes, colagens e dobragens (com o clássico vira-vento ou barquinho).
Hoje, por um acaso, ao comprar alguns materias de papelaria, dei de caras com o papel-de-lustro e não deixei de ficar surprendido que ainda se fabrique (pela Ambar) e use. Os tempos conduzem à utilização de ferramentas electrónicas nas escolas pelo que não deixa de ser quase anacrónico que o papel-de-lustro sobreviva, embora certamente com menos importância, digo eu. Julgo que se usa sobretudo ao nível da Pré-Primária.
- Papel recortado sob papel de lustro
- Trabalho com papel de lustro recortado
- O meu papel de lustro, ainda fresco
- Tópico relacionado (ou não):
Rendas de papel
9/11/2010
Protex – Cuida dos seus pés
Aqui há uns anos, creio que em 1993, falei com uma velhinha da aldeia, a saudosa Ti´Ana Alves, então com 90 anos, que me relatou que diariamente, depois de recolher o leite pela porta de alguns lavradores da aldeia, fazia um percurso de 15 km, levando à cabeça uma bilha com 30 litros, ganhando um tostão por litro, que por vezes era todo prejuízo quando nas pedras do caminho que serpenteava o monte se desequilibrava. A mesma pessoa, durante muitos anos, uma vez por semana fazia um percurso de quase 60 km (ida e volta) a Silva Escura - Sever do Vouga, levando à cabeça um recipiente com natas de leite para o fabrico de manteiga, igualmente por rigorosos caminhos, carreiros e atalhos.
9/10/2010
Lápis Viarco – O primeiro dia de aulas
Há dias trouxe aqui à memória os lápis-de-cor Viarco. Hoje, complementarmente, volto à carga porque, precisamente neste dia, recomeçaram as aulas para o meu filho mais novo, que irá frequentar o 8º ano. Depois de umas longas férias, de pura malandrice e ociosidade, foi naturalmente nervoso, mal-disposto, enfim, stressado, menos corajoso de que o último forcado a enfrentar o touro na arena, levantando-se da cama já no limite do atrasado, quase quase a perder o autocarro.
Vejo nesta situação e disposição, face à escola e ao começo das aulas, a imagem típica do nosso actual sistema de educação e por conseguinte dos estabelecimentos escolares e todo o sistema: Pouco ou nada apetecível e aliciante: Professores pouco professores, desconsiderados e desautorizados na arte de formar, educar e disciplinar, alunos de um modo geral pouco ou nada interessados, quase sempre stressados, encarando as suas vidas como as mais infelizes do mundo apesar de tudo ser a seu favor. Sabem que não precisam de se dedicar nem saber muito para passar e fazerem parte das estatísticas do tão querido "sucesso escolar"; Um reles “satisfaz menos”, sobrevalorizado, é quanto-baste. Não precisam de ser obedientes ou disciplinados, porque também a isso ninguém os obriga e por conseguinte, usando o tal pensamento polémico de Saramago, num outro contexto, quase que diria que "hoje em dia a escola é um bom exemplo de maus costumes” e formadora de uma sociedade rasca e à rasca. Mas pronto, esta é uma realidade dos nossos dias, aquela que a sociedade ajudou a estabelecer e é com ela que temos que lidar. Apesar disso, há quem veja essa realidade com optimismo e com cores bem coloridas. Ao menos isso.
Quanto aos lápis-de-cor Viarco, cujas cores não servem para pintar esta realidade da vida, até porque não tem a cor cinzenta, remetem-me para um outro tempo, para os meus primeiros dias de aula, naqueles em que “alegres como cucos em ninho alheio” recebíamos os livros, os cadernos, a sebenta e o material escolar, como os lápis, de grafite e de cor, a borracha, a lousa, as folhas de mata-borrão, etc. No reavivar desta memória, ontem voltei a abrir as minhas caixas de lápis-de-cor da Viarco, das pequenas, de 6 cores, que desde então guardo religiosamente. São quatro caixinhas, todas com motivos diferentes, e que, em segunda dose para além de uma caixa recebida na escola, o meu saudoso padrinho me ofereceu por ocasião do meu aniversário, creio que pelos 7 anitos. O cheiro, o aroma a lápis ainda lá estão como se a minha meninice tivesse sido ontem.
Foi bom recordar e abaixo partilho as mesmas.
- Tópicos relacionados:
Lápis Viarco
9/09/2010
Malhas Ameal – Moda jovem para a sua idade
Já aqui falámos nas malhas Ameal. Hoje voltamos a trazer à memória um outro cartaz publicitário desta marca, igualmente publicado em 1973.
É verdade que nesse data ainda faltava quase um ano para se dar a revolução do 25 de Abril de 1974, que veio escancarar as portas à liberdade, mesmo nos excessos que paralelamente conduziram à libertinagem, uma espécie de liberdade na sua interpretação e fruição extremas, mas mesmo assim já se respirava alguma ousadia ao nível da publicidade, como se verifica por este cartaz, numa espécie de prenúncio da futura Primavera que viria abafar a prometida marcelista.
9/08/2010
Modess – Johnson & Johnson
Cartaz publicitário de meados dos anos 60 ao produto de higiene íntima feminina, MODESS, da Johnson & Johnson.
O Modess, um penso ou absorvente higiénico exterior, foi lançado em 1927, por isso já com uma longa história, mas desconheço a notoriedade actual deste artigo em particular, face a outras marcas importantes e populares no nosso mercado, como a EVAX-
James Wood Johnson, um dos três irmãos que fundaram a empresa Johnson & Johnson no longínquo ano 1886. De lá para cá a Johnson & Johnson, orginária da cidade de New Brunswick, estado de New Jersey, Estados Unidos, tornou-se numa grande empresa, um nome de prestígio em todo o mundo onde está sediada em cerca de seis dezenas de países e emprega quase 120000 pessoas. A sua grande estrutura divide-se em quatro sectores dedicados aos produtos farmacêuticos, médico-hospitalares, OTC-Nutracêuticos e e de Consumo. Os seus produtos e marcas são comercializados em cerca de 180 países e são sinónimo de qualidade. Marcas como Careffre, Band-Aid, Cotonetes, Johnson´s Baby, Listerine, Neutrogena, Nicoderm, Resprin e Roc são apenas alguns exemplos de uma extensa lista de produtos de qualidade, muitos dos quais líderes nos respectivos segmentos comerciais.
- Shamppo e loção Johnson´s Baby, um dos produtos mais populares, usado para bébes e para adultos. Um produto e marca de sucesso da Johnson & Johnson.
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Tampões Tampax - A liberdade da mulher moderna
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