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1/30/2011

Espaço 1999

espaço 1999

espaço 1999 personagens

espaço 1999 cromos

Para quem gosta de ficção científica e astronomia, como nós gostamos, a série de televisão Espaço 1999 é merecidamente uma das séries de culto.

Passou originalmente na RTP, no tempo do “preto-e-branco”, em 1976, aos sábados, e episódio a episódio fascinava-nos aquele mundo de tecnologia e que remetia a um tempo futuro que ainda estava distante. Recordo-me que este era um dos exercício que fazia com frequência, ou seja, fazer as contas a quantos anos então faltavam para o de 1999 e por conseguinte qual a minha idade nessa altura. Faltavam, pois, 23 anos, e então achava que isso era uma eternidade. Mesmo assim, apesar do Homem já ter pisado a Lua, nunca achei muito plausível que duas décadas depois já fosse possível ter uma base lunar e dispor da tacnologia avançada ali demonstrada. Se em vez de 1999 fosse um 2099, quem sabe.

Não nos vamos alongar nos aspectos técnicos da série, até porque, felizmente, está bem referenciada na web e há bons sítios a ela dedicada.

Para além da memória que guardo da série, do dia-a-dia da base lunar e seus habitantes, prisioneiros numa lua violentamente arrancada da órbita terrestre e à deriva pelo espaço profundo, guardo ainda uma caderneta, com 400 cromos, que nessa altura coleccionei. Foi uma edição da Agência Portuguesa de Revistas, e os cromos eram fotogramas de diversos episódios da série.


1/26/2011

José Mourinho – Pai e filho de espírito no banco.

 

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José Mourinho, o treinador português recentemente eleito pela FIFA como o melhor treinador do mundo, é por demais conhecido nesta sua função que começou ao serviço do S.L. Benfica, seguindo-se U. de Leiria, F.C. Porto, Chelsea, Inter de Milão e agora Real Madrid.


Faz hoje, 26 de Janeiro, 48 anos, pois nasceu em 1963. Grosso modo, tem a minha idade.


Todavia, pouco conhecida é a sua curta e insignificante carreira de futebolista.
José é filho de Félix Mourinho, um bom guarda-redes dos anos 60/70, ao serviço do V. de Setúbal e Belenenses (de 1969 a 1974). Seu pai enveredou depois pela carreira de treinador tendo passado pelo Vitoria de Setubal, Belenenses, Rio Ave, Estrela de Portalegre, União da Madeira, União de Leiria, Varzim, Benfica de Castelo Branco, Sporting da Covilhã e Amora.

A pouco mais de meio da época de 80/81, Félix Mourinho, já no papel de treinador, veio substituir o Fernando Cabrita nos comandos do Rio Ave, então na 2ª Divisão. A verdade é que o clube de Vila do Conde acabou por subir. Na época seguinte, já na divisão principal, uma das aquisições foi precisamente o filho José, de 18 anos, que na altura estudava no ISEF e no tempo livre treinava e fazia parte da equipa de reservas. Todavia, apesar de treinar mas nem sempre jogar mesmo pela equipa suplente, José Mourinho foi convocado para a equipa principal num jogo disputado no Restelo, contra o Belenenses. É verdade que José Mourinho não arredou do banco mas ficou para a história, que de resto só ganhou notoriedade depois do reconhecido êxito como treinador.

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- Félix Mourinho (pai de José Mourinho) guarda-redes do C.F. Belenenses


1/25/2011

Moussine – A maquilhagem da mulher moderna

 

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Cartaz publicitário de Junho de 1961.  Moussine, uma marca  de mousse de maquilhagem que se perdeu no tempo, mas então muito apreciada.

O que nos chama mais a atenção é o facto do apelo à ”mulher moderna”. Ou seja, cada tempo tem o seu conceito de modernidade, fosse nos anos 60, seja agora em pleno séc. XXI. Todavia, a questão da maquilhagem continua porventura ainda com maior actualização e poucas são as mulheres, modernas ou nem por isso, a não dispensar uns retoques.  Muito mais do que isso, estão na moda os “enchimentos” e às tantas já nem sabemos se apalpamos  a “xixa” natural ou se um naco de silicone embrulhado em pele.

Pode-se, assim, concluir que nestes tempos que correm a modernidade assenta sobretudo em pressupostos da imagem, do antes parecer do que ser.


1/24/2011

Sabonete Luz – Jane Powell

 

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Cartaz publicitário, de 1961, ao clássico sabonete Lux, o usado por 9 em cada 10 estrelas.

Pelo Santa Nostalgia já demos a conhecer várias estrelas que usavam Lux, mas desta feita, a estrela retratada era a bela actriz Jane Powell.

1/23/2011

Bomba H – Revista de Humor

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Numa época em que não abundavam as publicações de conteúdo erótico ou pornográfico, ou, existindo, com um acesso algo clandestino, dificultado e reservado, em Portugal, principalmente depois do 25 de Abril de 1974, foram surgindo algumas revistas num formato baseado no humor mais ousado, recorrendo normalmente a fotografias de beldades com as maminhas a descoberto ou com cartoons humorísticos, quase sempre de produção estrangeira. O slogan: “Uma explosão mensal de humorismo internacional”.

Uma dessas revistas, de que bem me lembro e que guardo alguns exemplares, era a Bomba H, em formato de bolso, propriedade de Mário Assunção e José Martins Ramos, com Mário Assunção a director e António Gomes de Almeida a chefe-de-redacção.

A Bomba H tinha publicação mensal, com tiragens entre os 5000/10000 exemplares, e terminou em 1978, ao fim de 176 números.

Esta revista misturava numa “salada” de erotismo soft os bonecos dos cartoons, com pequenos textos e fotografias, tudo a preto-e-branco, excepto a capa e contra-capa que eram a cores.

Não surpreende assim que a Bomba H fizesse parte dos aliciantes dos adolescentes, que, claro está, a mantinham afastada dos olhares dos pais.

Hoje em dia, esta constatação não deixa de nos fazer sorrir pela leveza dos conteúdos face a revistas generalistas e ao alcance de qualquer criança, como as populares Maria, Ana, TV 7 Dias e outras mais, onde alguns conteúdos frequentemente roçam a alarvidade e a pornografia.


1/20/2011

Festa das Fogaceiras

 

Hoje, 20 de Janeiro, é feriado municipal em Santa Maria da Feira, tendo lugar no centro da cidade a secular Festa das Fogaceiras, resultante de antigos votos ao Mártir S. Sebastião.

A origem da Festa das Fogaceiras

A “Festa das Fogaceiras” apareceu-nos datada de 1505, altura em que o País foi fustigado por uma “epidemia brava e cruel”, a peste. Então os Condes do Castelo e da Feira, ramo nobre criado em 14 de Janeiro de 1452, apelaram ao Mártir S. Sebastião para que acabasse com o morticínio dos Feirenses, prome¬tendo-lhes a realização de uma festa anual, onde o “voto” seria a “fogaça”!

Até 1700 - data em que o Condado do Castelo e da Feira se extinguiu por falta de descendência, passando os seus domínios para a “Casa do Infantado” - a “Festa das Fogaceiras” foi promovida pelos senhores das Terras de Santa Maria da Feira, habitantes do paço intra-muros do Castelo.
Daí, e durante quatro anos, a festa foi suspensa, reatando-se a tradição de seguida, e até 1749, por iniciativa das famílias mais abastadas do Concelho. Verificou-se entretanto novo surto de peste e em 1753, por Alvará de 30 de Julho, o Infante D. Pedro, irmão de D. João V, determinou à Câmara Municipal que assumisse definitivamente a realização da “Festa das Fogaceiras”, para o que dispenderia 30.000 réis!

Esta determinação foi justificada com a vontade do povo e a existência “imemorial” do voto.
Por isso, o voto foi cumprido pela Câmara Municipal até 1910, altura em que, invocando-se a separação entre a Igreja e o Estado, a festa passou a ser realizada por autoridades civis, a título indivídual, e pela Santa Casa da Misericórdia.

No dia 15 de Julho de 1939, a Câmara Municipal deliberou retomar a responsabilidade de realização da festa, decisão que se mantém agora como atribuição assumida pelo poder autárquico concelhio.

As “fogaças do voto” foram inicialmente distribuídas pela população em geral, depois pelos pobres, mais tarde pelos presos e pelas personalidades concelhias, em fatias chamadas “mandados” e hoje entregues à autoridade religiosa, política e militar regional que tem jurisdição sobre o Município de Santa Maria da Feira.

fonte: Link

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Fogaça – Um pão doce, com base de farinha e ovos, caracterizado pelo golpe superior em cruz, que depois de cozido resulta nos 4 coruchéis representativos das 4 torres do Castelo da Feira.


1/18/2011

A insegurança dos nossos dias

 

Desde há vários meses que o programa da RTP1, "Praça da Alegria", no ar diariamente entre as 10:00 e as 13:00 horas, com apresentação de Jorge Gabriel e Sónia Araújo, dedica sensivelmente os últimos 40 minutos da emissão a analisar e a reflectir sobre vários casos vindos a público, com impacto social e frequentemente decorrentes de situações de criminalidade, quase sempre ligados à segurança, ou falta dela.


Ontem, por exemplo, abordou-se o caso recente de uma senhora idosa, que vivendo só, foi assaltada com alguma violência, atada, amordaçada e abandonada no chão frio da casa, tendo-lhe sido roubada uma elevada quantia, a maior parte pertencente a um filho da vítima.


Habitualmente estes casos são superiormente analisados por especialistas convidados, como o médico-legista Dr. Pinto da Costa, o advogado Dr. Paulo Santos, o Juiz Rui Rangel e o médico psicólogo e sexólogo Júlio Machado Vaz.
Uma grande parte das intervenções estão disponíveis no YouTube pelo que facilmente se pode apanhar os fios às meadas de muitas das situações dissecadas.


Tudo isto para se constatar que não raras vezes, principalmente pela análise experiente do Dr. Pinto da Costa, todos estes casos, nomeadamente ligados à criminalidade, revelam um forte desprezo pela vida e pessoa humana, nomeadamente os ocorridos contra pessoas idosas, fragilizadas na incapacidade física e na solidão, bem como a uma falta de valores e princípios cívicos que afecta o grosso da nossa actual sociedade.


Louva-se, evidentemente, a análise destes casos na televisão pública, mas não temos dúvidas que a insistência neste conceito de rubrica, que põe a nu a insegurança, a criminalidade e muitas vezes a ineficácia da autoridade e a lentidão e benevolência da Justiça, formatada legalmente num quadro favorável ao criminoso e pouco ou nada protector quanto à vítima, deve sobremaneira desagradar a muitos, incluindo a sectores do Governo e sobretudo a sectores de uma certa sociedade liberal e progressista que em nome de supostos critérios de defesa contra preconceitos, liberdades e garantias,  vêem na classe criminosa um grupo de coitadinhos a quem se deve relevar as suas acções e conceder-lhes todas as oportunidades de recuperação.

Todos esses sectores têm conduzido o país a um crescente clima de insegurança e criminalidade, cada vez mais organizada e violenta bem como a um código penal onde a morte premeditada e agressiva de alguém, independentemente da quantidade de vítimas, é, quando é, penalizada com pouco mais de uma dúzia de anos de prisão.


Quando viramos as atenções para o recente e mediatizado caso da morte do jornalista do jetset, Carlos Castro, e quando se constata que pela lei do Estado de Nova Iorque, o assassino confesso, no mínimo, salvo inimputabilidade do foro psiquiátrico, não se livrará de 25 anos de cadeia, correndo até o risco de apanhar perpétua, é que chegamos à conclusão que neste capítulo Portugal ainda é uma república das bananas onde compensa e vale a pena ser-se criminoso, porque o risco é reduzido e o castigo é lento e benévolo.


A este respeito, dizia há dias o Dr. Pinto da Costa, para a maior parte dos crimes, mesmo que apanhado em flagrante, o criminoso que actua em Portugal fica com a ridícula obrigatoriedade de se apresentar semanalmente às autoridades, por exemplo, à Quinta-Feira, ficando com o resto do tempo livre para se dedicar ao que melhor sabe fazer, ou seja, atentar contra os elementares direitos dos cidadãos, seja quanto ao património seja, o que é mais grave e frequente, contra a integridade física e a vida de treceiros, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos. Não surpreende, pois, que recorrentemente cheguem notícias sobre indivíduos que num mesmo dia são apanhados diversas vezes na sua actividade ilícita, alguns dos quais em liberdade condicional ou já sujeitos à medida de coação de termo de identidade e residência. Banaliza-se assim o sentido de justiça e da sua aplicação.

Pode-se, pois, invocar mil motivos, pretextos e razões sociais ou culturais  para se defender ou relativizar o papel dos criminosos, mas não se pode ignorar que na maior parte dos casos, este tipo de gente só compreende a linguagem da violência gratuita pelo que, para boa compreensão, tem que se dialogar em consonância, com justiça implacável, dura e efectiva, mesmo que isso possa custar investimento em mais autoridade, meios de segurança e prisões. A liberdade e a sua garantia só deve fazer sentido se a ela na justa proporção corresponder o direito, o dever e a disciplina. A política dos paninhos quentes e do politicamente correcto tem conduzido aos resultados que se vêem e só não não se apercebe disso quem não lê, não vê e não ouve os seus ecos diários nos diferentes suportes da comunicação social, mesmo sabendo-se que esta só dá conta de uma ínfima parte.

Até quando?


1/17/2011

O direito à indignação

 

Estou revoltado! Indignado! E não é por ser segunda-feira.

O Estado e quem nele nos governa, os seus organismos e entidades tentaculares que corporizam a chamada administração pública, por regra quase nunca me merecem considerações positivas porque quase nunca cumprem os desígnios da sua génese de serviços públicos, de serviço ao cidadão enquanto pessoa, mas antes funcionam como uma enorme fábrica com linhas de montagem intrincadas, complexas e programadas para fazerem a vida negra, já não aos cidadãos porque não nos tem em tal conta, mas aos contribuintes, essa categoria de gente amorfa, com uma identidade de 9 algarismos onde a única relação admitida é a contabilidade, as contribuições, os impostos, as finanças.

Em suma, desta relação estritamente numérica, não sobra tempo nem espaço para o lado humano, para a razão ou a emoção. A um contributo ou dever financeiro, o Estado e toda a sua máquina retribui com indiferença, com frieza. Se nos tem que responder, elenca e fá-lo com regulamentos, portarias, leis e despachos. Ora isto é penoso porque quando temos que responder a alguém que nos diz que somos um merdas, sabemos como responder e que argumentos usar. Mas o Estado responde-nos com uma qualquer alínea c) do ponto 3 do art.º 56º da Portaria 345e catrapuz, barra dois mil e tal de tantos dos tantos. Ora uma linguagem assim deve ser descodificada porque o Estado fala-nos como se estivesse num constante período de guerra e tudo o que nos revela e transmite é codificado. Com esta forma de comunicação, não há relação que aguente e daí que o Estado viva num processo contínuo de divórcio com os seus cidadãos e vice-versa. Designações como Estado Social, proximidade ao cidadão, desburocratização, etç, são meros artifícios, capas ou camuflagens, fazendo-nos lembrar aquelas telas publicitárias que com cenários paradisíacos escondem fachadas de edifícios em ruínas em muitos dos nossos espaços urbanos.

Mas não me custa partilhar aqui o motivo deste estado de revolta, de indignação porque, estou certo,  é comum a centenas ou milhares de pessoas.

Direi que tenho uma filha no segundo ano de um curso superior, que como uma grande maioria dos estudantes portugueses, candidatou-se à atribuição de uma Bolsa de Estudo. De forma relativamente descomplicada e justa, obteve-a no ano transacto, até que o Estado, em nome dos cortes e poupanças, porque é exímio a poupar no farelo para esbanjar na farinha, decidiu ligar o complicador que é como quem diz, apertar a malha da peneira. Ou seja, ao processo de candidatura, aberto creio que em Maio de 2010, mandou-o dar uma volta e decidiu alterar a regulamentação como lhe é característico, uma espécie de árbitro que a meio de um jogo decide mudar as regras. Qualquer coisa justificada desta forma:

A entrada em vigor do Decreto-Lei nº70/2010, de 16 de Junho, impôs alterações ao nível do formuláriode candidatura a Bolsa de Estudo. O referido Decreto-Lei, determina, no Artigo 25º, a “reavaliação extraordinária da condição de recursos”.

Deste modo, em Setembro lá abriu um novo sistema e tudo teve que voltar ao princípio. As candidaturas a serem feitas numa plataforma online, com uma complexa rede de dados e informações e uma lista de documentos requeridos, desde logo um documento assinado pelos membros do agregado com vista à autorização de consulta de dados na Segurança Social, como se o Estado precisasse disso. Apesar desse “salvo-conduto”, foram solicitados documentos de prova de abonos e rendimentos que, como seria expectável, foram quase sempre recusados aos balcões das delegações da SS. O Estado e a sua Administração Pública no seu melhor, numa teia intricada de redundâncias, de recusas e acusas mútuas, numa calda de burocracia tão necessária à sobrevivência da sua massa de funcionários.

Apesar das dificuldades iniciais, a candidatura e documentos foram devidamente submetidos. O processo entra em estado de análise, uma espécie de hibernação de um qualquer urso ou lagarto. A vigília à caverna foi quase diária na expectativa do despertar da besta.

Foi assim durante mais de 3 meses e meio, “sem xús nem mús”. De repente o urso acorda estremunhado, mesmo às portas do Natal (se calhar com o cheiro quente das rabanadas) já com os estudantes em férias, e apressado notifica os candidatos, anunciado-lhes a boa nova que há documentos em falta (não requeridos como necessários no processo de candidatura) e que têm 5 diazitos para os apresentar. Que se despachem! Que vão bater à porta das repartições, esses templos sagrados do bom atendimento, simpatia e disponibilidade, porque não há tempo a perder.

Por desmazelo ou falha do sistema, a verdade é que um grosso dessas notificações chega às caixas de email dos candidatos já passado o prazo, isto em plena véspera de natal.

Face à inesperada notificação de Indeferimento da candidatura, é feito o procedimento de Oposição, com a argumentação devida e submetidos os tais documentos. Passados mais uns dias, no início do ano, o urso, refeito do despertar atribulado, lá vem notificar que concede um prazo de 5 dias para apresentação dos documentos em falta, já que os submetidos (certidões de prédios) não estão conforme. Pretendem que seja apresentada certidão por parte do Serviço de Finanças, que esclareça devidamente o que cada elemento do agregado possui, mesmo os menores. Com a "atenciosidade" própria das nossas repartições públicas, travei uma dura batalha para conseguir tal documento, uma espécie de batalha de Aljubarrota, onde tive vontade de resolver a questão à maneira da famosa padeira Brites de Almeida.

Mesmo assim, com toda esta "franca colaboração" do serviço público, o tal documento lá foi submetido bem dentro do tal prazo de 5 dias.

Renascia assim a legítima esperança de que a coisa se ía resolver. Mas não: No dia 14 último, friamente, é feita a solene notificação que a candidatura foi liminarmente indeferida com base na instrução incompleta do processo. Ou seja, entre o dia 6/1/2011, data de submissão do documento em falta, dentro do tal prazo concedido, e a data da notificação final, a 14 de Janeiro, não houve qualquer contacto ou notificação quanto à falta ou inconformidade de documentos, legitimando um pressuposto de que tudo estava conforme. Puro engano.

Creio, assim, estar justificada esta revolta, esta indignação, até porque advém de outras constatações, especulativas, é certo, mas que encaixam: Todo o processo de candidatura foi concebido num pressuposto de dificuldades, levando uma grande percentagem de candidatos a desistirem, por impaciência ou incapacidade de responder e apresentar a documentação suplementar, não prevista no início. Basta fazer a leitura das listas finais de atribuições para se perceber o alcance dessa ratoeira.

Foram três meses e meio em espera, em stand by, para depois, às portas do Natal, em período de férias, notificaram de forma apressada requerendo documentos que têm que ser arrancados a ferros na mesma administração pública.

Por outro lado, face à importância do assunto, não se percebe de todo que a notificação seja feita apenas por email, sem qualquer outro meio complementar, como poderia ser uma carta registada ou até mesmo um corriqueiro SMS. Todo o processo montado remete-nos para aquelas típicas cenas de filmes de assaltos a um banco ou a um museu, com o alvo envolto em armadilhas e uma teia de raios ou feixes laser que logo que tocados inadvertidamente accionam um ruidoso ALARME, ALARME, ALARME, no caso substituídos por um não menos estridente INDEFERIDO, INDEFERIDO, INDEFERIDO.

Mesmo quando se consegue transpôr toda esta sofisticada tecnologia, não ao alcance de qualquer cidadão, o Estado recorre às clássicas mas eficazes cascas-de-banana, largadas no trajecto de quem a ele recorre. Em suma, um árbitro tendencioso, que para prejudicar uma equipa não hesita em inventar um penalti fora da área, nem que seja no último segundo do prolongamento.

É este o nosso Estado. Para além de tudo, indiferente a indignações.

Face a tudo isto, com a esposa em situação de desemprego de longa duração, há anos sem qualquer subsídio, com a implacável prestação de crédito à habitação a bater pontualmente à porta de casa, com um segundo filho menor no ensino  básico, com tudo o resto que caracteriza os gastos de uma normal família, urge fazer algumas opções e uma delas passará pela suspensão do curso e dos estudos. Se considerarmos que no ano transacto, a Bolsa rondou os 300 euros mensais, e mesmo admitindo uma expectável redução, estará assim em causa uma verba a rondar os 2500 euros, bastante significativa, diga-se, dentro do tal contexto e das próprias dificuldades que os portugueses em geral vão ter durante os próximos anos.

Para além do mais, os noventa e poucos euros que desde Outubro têm sido transferidos a título de “adiantamento” certamente que vão ser reclamados.

Desculpem o desabafo!


1/16/2011

O Mosquito

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No dia 14 de Janeiro de 2010, portanto na última sexta-feira, passaram 75 anos sobre a publicação do 1º número de O MOSQUITO, jornal de banda desenhada fundado  por António Cardoso Lopes e Raúl Correia, dirigido ao público infanto-juvenil. A publicação depressa se tornou um caso sério de popularidade e para isso em muito contribuiu o baixo preço praticado (50 centavos), comparativamente a publicações semelhantes existentes à época (Mickey - 1$50, Senhor Doutor - 1$50, Tic-Tac - 1$00 e O Papagaio - 1$00).

Arrancou assim em 14 de Janeiro de 1936, com uma tiragem de 5000 exemplares. O jornal, com o slogan “O semanário da rapaziada”, era distribuído pelo Diário de Notícias o que também explica a propagação. Devido ao sucesso imediato, ao 6º número a tiragem foi aumentada para o dobro (10000 ex.) e em pouco tempo (Dezembro de 1942) a periodicidade passou de semanal  para bi-semanal, atingindo tiragens de 30000 exemplares (60000 por semana). Das 8 páginas iniciais chegou às 16. No período de maior expansão, a publicação tinha muitas assinaturas as quais correspondiam a cerca de 15% das vendas.

O Mosquito publicava banda desenhada dos bons autores portugueses, mas sobretudo de origem inglesa já que esta era mais acessível em termos de custos e direitos do que a americana.

A publicação durou 17 anos a que corresponderam 1412 números, para além de suplementos como A Formiga, dirigida às raparigas, Almanaque e outras, tendo o seu desfecho a 24 de Fevereiro de 1953, numa altura em que vinha perdendo mercado para outras populares edições, nomeadamente O Cavaleiro Andante, iniciada em 1952, outro ícone da banda desenhada em Portugal.  Apesar disso, a quebra de rendimento já vinha a ocorrer desde o final dos anos 40, em grande parte devido à ampla introdução no mercado de revistas  de BD provenientes do Brasil. As tiragens começaram a caír e a publicação encerrou com números à volta de 7000 exemplares.

 
Depois disso, já nos anos 60 e 70, houve algumas tentativas, dando origem às 2ª, 3ª e 4ª séries, com poucos números publicados, mas os tempos e o mercado já não eram os mesmos e a coisa não teve continuidade.

Nos anos 70, ainda à volta do título e da popularidade, o jornal O Cuto editou uma série de compilações com a designação Enciclopédia O Mosquito, que deu lugar a 10 números. Nos anos 80, em jeito de homenagem a alguns dos emblemáticos desenhadores da publicação, como E.T. Coelho, Jesus Blasco e Jayme Cortez, surgiu o Almanaque O Mosquito, que teve várias edições anuais.


Finalmente, nos anos 80 (1º número em Abril de 1984) apareceu em formato revista, de propriedade de Carlos & Reis, L.da e dirigida por José Chaves Ferreira, designada de 5ª série, que deu lugar a 12 números.
Por tudo isso, O Mosquito é um dos nomes incontornáveis das publicações de banda desenhada em Portugal fazendo justamente parte da sua História e marcou de forma indelével várias gerações de portugueses.

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1/14/2011

Bom dia! Como passou vossa excelência?

 

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Hoje em dia vivemos numa sociedade chamada global e para isso têm contribuído sobremaneira as tecnologias de informação e comunicação, como a internet e suas ferramentas. Agimos e interagimos e a blogosfera e as redes sociais, pelas suas características, têm neste particular uma importância relevante. Resumindo, aparentemente nunca estivemos tão próximos, tão em contacto uns com os outros, e todavia, para lá do biombo, do monitor ou ecrã que nos divide desse mundo global mas virtual, nunca estivemos tão afastados, tão solitários e simultaneamente expostos e vulneráveis.

Neste mundo de relações sociais mas virtuais, alguns conceitos e valores estão completamente subvertidos. Veja-se, no caso da rede social do momento, o Facebook, onde o conceito de amigo ou amizade anda pelas ruas da amargura. Ali os amigos contam-se aos milhares e os pedidos chegam como a sardinha na canastra, compacta e uniforme, descaracterizada e sabe-se lá por que motivos. Ali os gestos de amizade medem-se pelas banalidades e trivialidades e poucos são os que realmente cultivam a verdadeira amizade ou interagem com algo que se aproveite. O Facebook é assim uma espécie de laranja mecânica, de casca grossa e sem qualquer sumo por mais que se esprema.

Para justificar e compreender a banalidade a que hoje chegou o valor da amizade, temos que olhar ao nosso redor, na nossa casa, na nossa família, aldeia, bairro ou cidade. Mesmo considerando as escassas excepções que sempre hão-de existir para confirmar a regra, hoje em dia não nos conhecemos. Podemos até ver com regularidade o nosso vizinho da frente, do lado, de cima ou de baixo, mas muitas vezes não passa disso. Saímos à rua, cruzámo-nos com pessoas, conhecidas ou desconhecidas, mas não os olhamos de frente, olhos nos olhos, não lhes fazemos um simples gesto de saudação, não lhes sorrimos nem balbuciamos um simples olá, ou um viva. Quando muito, olhamos para o lado ou para o chão ou até atalhamos caminho ou fingimo-nos distraídos a olhar para o infinito ou com o nariz na montra. Esta indiferença vale tanto para crianças como para adultos ou idosos. Pelo contrário, e relativamente aos idosos, a nossa tendência será até num sentido de repulsa e escárnio, principalmente se para além dos aspectos de decadência física, revelarem um aspecto de desmazelo e abandono.

Frequentemente, mesmo na minha pequena aldeia, reparo que durante a celebração de uma Missa, as crianças ocupam os lugares, sozinhas ou ao lado dos pais, mas mesmo tendo uma pessoa idosa ao lado e em pé, não têm a cultura e a educação para lhes oferecer e ceder o lugar. É claro que a culpa não é das crianças, mas dos pais e da educação e valores que lhes transmitiram.

Não deixo, pois, de evocar os meus tempos de criança, em que na mesma situação, sabíamos oferecer e ceder o lugar aos mais velhos, mesmo que não fossem propriamente doentes. E quando o fazíamos, ficava no peito e no coração um sentimento de dever cumprido.

Diariamente, ao levantar e ao deitar, havendo oportunidade, pedia-se a bênção dos pais. - Dê-me a sua bênção, meu pai! - Deus te abençoe!

Este procedimento aplicava-se para com os padrinhos de baptismo ou para com os avós.

Sempre que se passava por alguém na rua, havia lugar para um "Bom dia", "Boa tarde" ou Boa noite". Também um "Até amanhã, se Deus quiser", ou "Vá com Deus". Já nem falo noutros procedimentos mais formais ou sociais, como o subalterno tirar o chapéu na presença de alguém com estatuto social ou profissional mais elevado. Nesses tempos havia essa distinção, é verdade que por alguma cultura de subalternidade mas também por educação e reconhecimento próprio para quem de facto exercia cargos e profissões importantes.

É claro que se pode relacionar estes hábitos com uma certa cultura religiosa ou cívica, ou mesmo cultural, mas mais do que isso revelavam quase sempre uma base de respeito pelos pais, pelos mais velhos e por todos em geral, mesmo desconhecidos. Actualmente, porém, tudo isso foi abandonado e hoje pautamo-nos pela indiferença de tratamento, respeitamo-nos muito pouco e tratámo-nos como estranhos, como desconhecidos. Por isso, a forma de nos dirigirmos a um simples mas digno operário é exactamente a mesma do tratamento dado a um professor, um médico, um sacerdote, um ministro ou um magistrado. A pretexto de princípios de suposta igualdade e contra supostos preconceitos, nivelamos tudo, mas por baixo. Como costumo dizer, de algum exagero do 8, passamos para o exagero do 80.

Com toda essa igualdade, essa indiferenciação de estatuto e condição, perdemos o respeito pelos outros e até por nós próprios. Ao ensinamento velhinho de que devemos saber ocupar o nosso lugar, não deixamos de classificar essa máxima como desajustada e fora de prazo porque considerámo-nos todos ao mesmo nível, não porque o não sejamos na essência humana, mas porque perdemos os valores e os parâmetros que balizavam alguma diferenciação de tratamento. Exemplificando com o caso da escola, dos alunos e professores, estes, outrora considerados mestres e por quem se nutria respeito mas também admiração tanto pela pessoa como pela dignidada da função,  hoje tornaram-se vulgares funcionários, desprezados e desconsiderados, impedidos de exercer a autoridade e disciplina e por conseguinte expostos à má educação e desaforo do sistema, dos pais e alunos de toda a espécie, pepinos crescidos sem quaisquer torcimentos.

Chegamos assim a um ponto onde qualquer laivo de boa educação cívica e moral, mesmo a que bem herdada de nossos pais e avós, tornou-se obsoleto, desnecessário e até motivo de risada, de escárnio ou de espanto.

Tenha, pois, cuidado, ao passar na rua e saudar alguém com um jovial "Bom dia!" pois, mesmo que o conheça, poderá olhar para si de forma espantada e intrigada.

Para o bem e para o mal, as coisas chegaram a este ponto de caramelo e em grande parte justificam a fonte de muita da actual violência gratuita e o desprezo pela vida e condição humanas.


1/13/2011

O Justiceiro - Knight Rider

 

Está a passar na RTP Memória uma das típicas séries de televisão produzidas nos Estados Unidos, uma das muitas que caracterizaram os anos 80. Trata-se da série "O Justiceiro", no original "Knight Rider", com o conhecido actor David Hasselhoff, que mais tarde reforçou a sua popularidade com o papel do nadador-salvador Mitch Buchannon, numa outra série de culto, o "Marés Vivas", também conhecido pela participação da bombástica Pamela Anderson.


Michael Knight, interpretado por David Hasselhoff, é um agente ou detective especial cuja personalidade e identidade lhe foram atribuídas depois de ter sido dado como morto num combate na guerra do Vietnam, onde era soldado. Secretamente foi salvo e transfigurado num bonitão (quem diria), pronto a combater o crime e os criminosos na “sela” do seu “cavalo”.

Na série, Michael Knight, está profundamente ligado ao seu fabuloso automóvel, o KITT (um Pontiac Banshee IV – General Motors), preto, todo especial, repleto de sofisticadas tecnologias, incluindo um computador de bordo que falava e interagia como se de uma pessoa se tratasse. O KITT (Knight Industries Two Thousand) era o resultado do desenvolvimento de inteligência artificial da FLAG - Foundation for Law and Government, cujo representante, e cooordenador das missões, era o Devon Miles, interpretado por Edward Mulhare. Para além destes personagens, existia também a Dr. Bonnie Barstow (Patricia McPherson), a mecânica chefe que tratava da "saúde" do KITT. Este papel foi ainda repartido na 2 temporada por April Curtis (Rebecca Holden). Aliás a série está polvilhada de mulheres bonitas, o que não deixa de ser natural.


A série teve a sua produção de 1982 a 1986, com 84 episódios correspondentes a 4 temporadas.
Confesso que nunca me entusiasmou sobremaneira, pois toda aquela tecnologia (demasiado avançado mesmo nos padrões actuais) afigurava-se-me como quase patética, nomeadamente quando o botão do "super turbo" era solução para tudo, tanto para ultrapassar como para sobrevoar os adversários boquiabertos. Parecia-me tudo demasiado inverosímel, ligeiro, previsível, mas, apesar disso, bem à americana, ou seja, com bom efeito.
Mas, pronto, reconheço que a série foi muito popular, sobretudo junto do público feminino que não deixava de suspirar pelo, dizem, bonitão do Michael Knight.


Como seria de esperar, a série teve várias sequelas já nos anos 90 bem como de vez em quando é reposta em alguns canais de televisão, como aconteceu já na TVI, em 2009, com o remake “O Novo Justiceiro”, com 17 episódios, com várias alterações ao nível do elenco.

Não há amor como o primeiro.

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O vídeo com o tema de abertura: Link


1/12/2011

Barbapapa – Uma família colorida e maleável

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Quem não se recorda da série de animação, "Barbapapa"?
Tratava-se de uma família muito especial, uma espécie de bonecos de borracha ou de massa cujos corpos se moldavam em certos objectos ou características. Não tinham pés, sendo assim uma espécie de bonecos" sempre-em-pé".

Apesar dessa característica estranha, a série tornou-se muito popular e querida entre nós, quando passou na RTP na primeira metade dos anos 70.
Dentro desse sucesso, a antiga Agência Portuguesa de Revistas editou em 1975 uma caderneta composta por 210 cromos.

A série voltou a passar já nos anos 80, então a cores, pelo que se ressaltava o colorido característico dos diversos personagens, já que os havia para todas as cores.
O personagem principal era o pai, o Barbapapa, em cor-de-rosa. A sua esposa, a Barbamama, paradoxalmente, era de cor preta. Os filhos do casal tinham nomes adequados às suas aptidões físicas ou intelectuais e tinham várias cores, como o verde,o azul, o amarelo, vermelho, laranja, cor-de-rosa e preto.

Estes curiosos bonecos saíram da imaginação e arte da aqruitecta e ilustradora francesa, Annete Tison e do pofressora norte-americano, Talkus Taylor, isto no início da década de 70. Antes da televisão, o personagem nasceu na forma de livro infantil.

A série de televisão foi co-produzida pela Holanda e Japão, com realização de Kôichi Sasaki, Katsuhisa Yamada, Atsushi Takagi e produção de Tôru Hara. Foram realizados 93 episódios de 5 minutos cada, 45 na primeira temporada e 48 na segunda temporada.
 
Uns anos mais tarde, já na década de 1990, foi produzida uma nova versão.
É claro que a série estava dirigida ao público infantil pelo que a criançada regalava-se com as peripécias e habilidades dos bonecos simpáticos e coloridos.

Personagens e características:

Barbapapa: É o pai da família. Tem a cor rosa.
Barbamama: A mãe da família. Tem a cor preta e sempre ostenta flores na cabeça, como todas as "garotas" da família.
Barbabela:  A mais vaidosa, sempre preocupada com a aparência. Tem a cor lilás.
Barbaclic:  Extremamente curioso, gosta de ciências. É azul.
Barbacuca: É estudiosa e gosta de livro. Tem a cor laranja.
Barbalala: Gosta de música. Tem a cor verde.
Barbaploc: É o desportista da família e gosta de bancar o detetive. Tem a cor vermelha.
Barbatinta: Gosta de pintura. É preto e o único barbapapa com pêlos.
Barbazoo: É o amigo dos animais e plantas. Tem a cor amarela.

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1/11/2011

A velha e a nova Inglaterra

 

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Cartaz publicitário do princípio dos anos 70, num incentivo às viagens a Londres.  O texto que acompanha o cartaz faz referência a alguns dos símbolos ou ex-líbris da capital inglesa, nomeadamente o Palácio de Buckingham, a Torre de Londres e outros locais. Para além disso, na imagem estão representados alguns dos aspectos sociais e quotidianos que marcavam a cultura e a moda de então. Os jovens, vestidos num registo hippye, com cabelos compridos e soltos, as mini-saias, em contraponto à imagem conservadora da “velha Albion”. O aspecto do rapaz, com calças de ganga, cabelo, bigode e óculos à epoca, remete-nos para um forte símbolo da Inglaterra desses anos, exactamente John Lennon, figura carismática da banda (de Liverpool) The Beatles.

Por tudo isso, o cartaz é todo ele uma evocação fiel e nostálgica de um período caracterizado por uma revolução cultural e de costumes, desde o sexo à moda, iniciada já na década de 60.


1/10/2011

O tempo das coisas

 

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Aqui há dias, um pouco antes da passagem de ano, assistia na RTP a uma das costumeiras e triviais reportagens da época, numa qualquer pastelaria, numa espreitadela sobre a confecção do popular bolo-rei. Para além de tudo o que se viu e ouviu, retive a afirmação de que apesar desta ser a época alta, todavia o bolo-rei confecciona-se e consome-se todo o ano. De facto assim é, como também é verdade realativamente a muitos produtos de origem sazonal ou identificados com épocas específicas.

É o caso do bolo-rei, conforme referimos, mas também o pão-de-ló e as amêndoas, tradicionalmente ligadas à festividade da Páscoa, as rabanadas, ligadas ao Natal, etç, etç.
No caso das frutas: Noutros tempos, no nosso país, morangos e melões vendiam-se nos meses de Verão, as cerejas em Maio e Junho, as castanhas, nozes e figos no Outono e por aí fora.
Hoje em dia, pelos efeitos da globalização, desenvolvimento das tecnologias de produção, confecção e armazenamento e conservação, temos quase tudo isso em qualquer dia do ano.


Certamente que esta abundância e disponibilidade por si só não têm nada de negativo mas, verdade se diga, perdeu-se muito do encanto próprio dessas coisas, quase como uma magia desvendada ou um segredo revelado. Dito de outro modo, as coisas vulgarizaram-se, tornaram-se rotineiras sem qualquer deslumbramento. Perderam assim o sabor e o aroma.


Consequentemente, as coisas e as situações tendem a cair numa espiral de vulgaridade que vai aumentando. Veja-se o caso do Natal, que outrora confinado à quadra, hoje já se começa a revelar em princípios ou meados de Novembro, porque o consumismo e os aparelhos que o sustentam assim o determinam.
Por conseguinte, perdeu-se para sempre o tal encanto e deslumbramento das coisas que aconteciam na altura própria em todo o seu explendor, como o concretizar de um desejo. Se desejávamos cerejas, tínhamos que esperar pelo tempo delas; Se desejávamos grelos ou melões, tínhamos que aguardar pelo tempo deles. Era assim com tudo. Mas tudo mudou.


Sinais dos tempos em que deixou de haver tempo para a espera, para o ritmo próprio dos ciclos da natureza e da vida.


1/05/2011

Ainda Boas Festas

 

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Publico aqui um simples rabisco de um Pai Natal, atrapalhado com os presentes, que cheguei a esboçar para dele fazer um dos meus postais de Natal. À falta de tempo, ficou a meio do que pretendia mas mesmo assim fica por aqui a lembrar que a quadra natalícia só termina amanhã com o Dia de Reis, outrora um importante feriado, a exemplo do que actualmente sucede em Espanha. Infelizmente, entre nós, este dia apresneta-se quase sem significado apesar de em termos simbólicos o Dia de Reis ou a Epifania, ser entendido como o momento maior em que o Menino Jesus foi reconhecido como Deus Menino.
É claro que pela importância que pessoalmente ainda dou à data,  cá por casa amanhã, embora sem a mesma importância ou ênfase, voltará a haver consoada, novamente com a caldeirada de bacalhau e as rabanadas de vinho.


Censos – Há 40 anos

 

Está a arrancar a campanha dos Censos 2011, a levar a efeito pelo INE – Instituto Nacional de Estatística, estando já abertas as candidaturas para os recenseadores (o que pessoalmente já fizemos). Será o XV Recenseamento Geral da População e do V Recenseamento Geral da Habitação, o que, desde 1864, tem acontecido com regularidade de 10 em 10 anos.

Pela primeira vez os inquéritos serão processados via internet, o que não deixa de ser uma situação normal tendo em conta a crescente dependência desta plataforma de comunicação e informação face aos serviços e entidades da administração pública.

A propósito, publicamos hoje um artigo de Março de 1970 relacionado aos Censos desse ano, correspondentes ao XI Recenseamento Geral da População, o que não deixa de ser interessante por se verificar os meios informáticos assegurados na altura, cujo computador e unidades periféricas foram alugados nos Estados Unidos, por 450 contos mensais, uma fortuna.

À distância de 40 anos percebe-se que o desenvolvimento na área da informática foi imenso e não surpreende que hoje em dia um simples computador portátil tenha mais capacidade de cálculo, processamento e armazenamento do que uma enorme unidade que então ocupava uma grande sala e requeria vários operadores e que se vangloriava de processar 63000 caracteres por segundo, o que de facto na altura era obra.

 

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(clicar nas imagens para ampliar)

- História dos Censos


1/03/2011

Este blog não adoPta o acordo ortográfico

 

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Por regra, fazemos por escrever correctamente o português. Exceptuando uma ou outra situação, por vezes decorrente de uma edição apressada e sem revisão ou pela gralha provocada pela falta ou troca de um ou outro caracter teimoso; que nos julguem os leitores mais capacitados mas entendemos que por aqui o português ainda é português.
Esta introdução serve para avisar ou prevenir os leitores, pelo menos os habituais, que este blog, propositada e esclarecidamente, não vai cumprir o acordo ortográfico da língua portuguesa que dizem já ter entrado em vigor, precisamente no arranque do novo ano.


Para além das razões que os entendidos consideraram como justificáveis para o novo acordo, e foram sobretudo políticas, porque a variante científica foi omitida ou desprezada, não concordamos com as mudanças e a sua amplitude. De resto, pela discussão pública suscitada, viu-se que a sociedade portuguesa sempre esteve dividida nesta questão. Ficou afastado, pois, um concenso que deveria ter existido.

Não estamos de acordo com o acordo, desde logo porque pensamos que a língua mãe deve ser a matriz e quaisquer ajustamentos ou correcções devem fluir na sua direcção e não o contrário, ou seja, a língua mãe a adaptar-se a situações em que, essencialmente por um mau uso, ela foi degenerada ou adaptada. Por outro lado, consideramos que as diferenças ou variações existentes ao nível da grafia e oralidade entre os diversos países dos PALOP, nunca em momento algum foram pretexto, embaraço ou dificuldade na compreensão e entendimento mútuos. Compreendemos a questão e a justificação de que uma língua tem uma natureza viva, logo evolutiva, mas o que está em causa neste acordo e seus motivos é fundamentalmente de carácter mais económico do que cultural ou linguístico. Por outro lado, se deste acordo resulta uma suposta aproximação ao Brasil, também é verdade que nos afastamentos da origem latina e das línguas delas provenientes. Depois, como diria alguém, creio que a jornalista Inês Pedrosa, “…o acordo não vai unificar nada. Apenas estão a substituir umas diferenças por outras.”.

Finalmente, não restam dúvidas que este último acordo foi desequilibrado e resulta sobretudo numa cedência ou subjugação ao Brasil, portanto a língua a subalternizar-se aos interesses decorrentes de aspectos aconómicos.
Muitas outras razões existem para na generalidade não concordarmos com este acordo, mas para já ficam estes motivos como fonte do nosso desalinhamento, que, de resto, estamos certos será extensível a muitos autores.

Para além de tudo, acreditamos que muitos dos nossos leitores, do Brasil, compreenderão esta posição e em momento algum encontrarão no facto e na postura uma dificuldade de acesso ou compreensão. Obviamente, continuarão a ser bem-vindos.

PS: Já dentro do contexto da entrada en vigor do acordo ortográfico, veja-se o caricato à volta do “Lince”, o tal conversor adoptado pelo Governo, que parece que já está (bem à portuguesa) a fazer “merda”. Não nos surpreende que este Lince, tal como o verdadeiro, o da Malcata, seja uma espécie rara e em extinção.


1/01/2011

E tudo recomeça…

 

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E pronto...Não custou nada!
Cá estamos no ano de 2011, acabadinho de chegar. Faz-nos lembrar quando compramos um novo telemóvel em que lhe damos mil cuidados para se manter brilhante e impecável e até hesitamos em remover a película protectora do ecrã. Durante os primeiros dias anda todo embrulhadinho, mas volvidas duas ou três semanas, lá está ele como todos os anteriores, pousado em qualquer sítio, sujo, desmazelado, repleto de riscos e mossas de algumas quedas.


No fundo é mais ou menos isto: Nos dias que antecedem a passagem de ano somos bombardeados com um chorrilho de votos de um bom e próspero ano novo, uns sinceros outros apenas de forma maquinal. Creio até que o caminho que o Natal tem vindo a percorrer, muito consignado na matriz comercial e consumista, tem esvaziado a celebração do seu verdadeiro sentido e isso também reflecte-se na forma como o desejamos. Assim, os votos de boas festas, feliz natal e feliz e próspero ano novo, regra geral são desejos vazios, sem corpo e sem alma, expressados de forma rotineira e maquinal.


Ao fim e ao cabo, no que ao ano novo diz respeito, bem sabemos que regra geral tudo vai continuar na mesma e do ano velho, como quem muda de casa, transportamos toda a mobília e todos os problemas que tínhamos às costas a 31 de Dezembro. Bem podemos pensar que será sempre bom que pelo menos se aproveitem os também habituais votos de saúde, paz e amor. Porventura será nesta trilogia onde residirá alguma da esperança ao mudarmos de ano. Se é verdade que nos podemos manter fiéis ao amor, e dependemos de nós para o cultivar, já a saúde é um dom que dependendo também de nós, da forma como nos cuidamos nos diferentes aspectos da mente e do corpo, ela também depende do que a sociedade pode fazer por nós; A sociedade, o Estado e por conseguinte o seu sistema de Saúde. Aqui, quem tem dinheiro continua a ter um melhor acesso.


Bem sabemos com o que vamos contar ao nível da nossa governação, atolados em dificuldades, com um enorme desemprego, uma imensa dívida pública que cresce a olhos vistos, impostos gravosos e cortes orçamentais nos diversos sectores. Como alguém me dizia, a diferença substancial entre os antigos e os novos tempos, é que nos outros as pessoas viviam de acordo com as suas possibilidade e nestes vivem bem acima das suas possibilidades. Se queremos perceber a origem das nossas dificuldades, não haja mistificação quanto a esta leitura.


É esta a realidade. Logo depois de rebentados os últimos foguetes, tombadas no chão as rolhas do champanhe e curadas as bebedeiras do reveilon, os portugueses entrarão nela de queixos, como um forcado acagaçado que teme o cornos do bicho enfurecido que tem diante de si.
Não queremos abandonar a esperança e tudo o que possa significar. Ela ainda é uma das poucas âncoras que nos podem estabilizar neste fundo arenoso e instável que é o estado a que o país chegou.


Haja optimismo, mas até este voto pode ser vazio de sentido.


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  A Kolynos foi uma empresa e marca norte-americana de dentifrícios fundada em 1908, na cidade de New Haven, Connecticut. A fórmula do creme...

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