4/08/2009

Páscoa - Tradições, usos e costumes

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Estamos já à porta da Páscoa, seguramente a maior celebração do calendário da liturgia da religião católica, embora o Natal, pela sua natureza e tradição, seja vivido de uma forma mais abrangente, talvez porque na primeira esteja envolvida a Paixão e morte de Cristo e na segunda, o Seu nascimento.

Na realidade, numa perspectiva humana, a vida sempre esteve impregnada de festividade e de alegria. Pelo contrário, a morte, é em si própria uma fatalidade da génese humana, sempre associada a momentos de dor, de luto, de perca e tristeza, do desprendimento final e forçado das coisas terrenas. É certo que há culturas que encaram a morte de uma forma mais natural, em algumas situações até com alegria, mas mesmo na religião católica, onde se crê que a morte é apenas uma passagem para uma outra dimensão, espiritual, essa foi sempre uma realidade muito pouco compreendida e cultivada, mesmo à luz da Ressurreição de Jesus Cristo. 
 
Seja como for, a Páscoa é uma celebração que comporta em si mesma dois estádios de vivência antagónicos: A morte e o triunfo da vida sobre a mesma pelo que nela prevalece sobretudo a alegria.

Tal como o Natal, a celebração da Páscoa está repleta de tradições, desde as religiosas até às pagãs, bem como a inseparável culinária e gastronomia a ela associadas.
Na parte religiosa, toda a quadra é iniciada no Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa, relembrando a entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém, entre aclamações num ambiente de júbilo e louvor, num simbolismo contraditório do que iria suceder nos dias precedentes. 

Quantos dos que O aplaudiram triunfalmente às portas de Jerusalém, nesse Domingo, dias depois O incriminaram e gritaram para ser crucificado, julgando-O ao nível de um reles salteador e criminoso?
Na Quinta-Feira Santa, comemora-se a celebração da Última Ceia, de Cristo com os seus discípulos e toda a sua carga simbólica como instituição da Eucaristia. Depois a retirada para o Jardim das Oliveiras, o abandono dos discípulos na sua dolorosa vigília e a traição de Judas. De seguida o aprisionamento, o interrogatório, a negação de Pedro, o flagelo e a condenação de Jesus, culminando toda a carga dramática  com a Sua morte por crucificação, ladeado por salteadores também condenados, depois de percorrido todo o doloroso caminho do Calvário.

Para além da celebração e vivência de todas estas etapas, muitas terras têm fortes tradições associadas, como seja a reza da Via Sacra, quer nas igrejas quer percorrendo os percursos chamados de calvários, ainda presentes em muitas freguesias.

Na minha aldeia o Calvário é constituído por 17 cruzeiros em granito, dispersos na berma da estrada num percurso de cerca de 1500 metros, desde a igreja matriz até a uma capela localizada numa parte alta da freguesia. Estes 17 cruzeiros (14 estações mais as três cruzes, simbolizando Cristo ladeado pelos salteadores), neste quadra são envoltos com um pano roxo, cor associada à Paixão. 
 
Há terras onde estas faixas são colocadas, durante a Semana Santa, numa das janelas ou porta de cada casa,  sendo, depois da Ressurreição, já no Domingo de Páscoa, substituídas por cruzes floridas.
São, de facto, muito diversas as tradições por este nosso país fora, variando de terra para terra.
Já no dia de Páscoa, ainda sobrevive a tradição da Visita Pascal, também conhecida por compasso.
Na minha aldeia, noutros tempos era apenas um compasso (uma cruz) a percorrer todos os lugares, mas na actualidade, ajustada à sua dimensão, são três os compassos saídos durante todo o dia. Claro que noutras terras mais populosas os compassos são em maior número.

Ainda quanto à minha aldeia, as entradas de casa, junto ao portão da rua, são pavimentadas com alecrim, verdura e flores, como sinal de que se pretende receber a vista da Cruz, grinaldada, simbolizando Cristo Ressuscitado.

Finalmente, há a tradição do Juiz da Cruz, no nosso caso, eleito quatro anos antes, durante a Missa de Dia de Reis. Para além de outras incumbências e encargos, o Juiz é o portador da Cruz e no dia seguinte, segunda-feira, organiza o chamado Jantar do Juiz da Cruz, que por acaso até é almoço. Os convidados são apenas homens casados. Noutros tempos, este banquete era oferecido na própria casa do Juiz, contribuindo os convidados com géneros alimentares, como arroz, açúcar, ovos, galinhas, etç, mas nos tempos actuais, para comodismo de todos, esse serviço é feito num restaurante da zona e a contribuição para ajuda das despesas é feita em dinheiro.

Pelo meio, há a salientar todo o leque de doçaria caseira, desde a regueifa doce, até ao pão-de-ló, doces de coco, doce de amêndoa, biscoitos, etc. Não podem faltar as amêndoas revestidas a açúcar e, claro, o bom espumante português.
Na minha família subsiste ainda a tradição de, logo após a passagem do compasso, o que no caso sucede a meio da manhã, comer-se carne de porco caseira (orelheira e queixada), fumada e acompanhada de pão-de-ló e regada com espumante.

Recordo que, nos meus tempos de criança, os dias que antecediam a Páscoa eram dedicados quase exclusivamente à limpeza anual da casa e a cozinha transformava-se literalmente numa pastelaria, sendo, entre outras doçarias, confeccionada de modo artesanal a saborosa regueifa. Era uma delícia quando a mesma saía do forno a fumegar. Na minha tarefa de ajudante de minha mãe e minha tia, barrava com manteiga derretida as belas regueifas e polvilhava ligeiramente com açúcar granulado. 

Estas regueifas eram depois armazenadas em caixas de madeira, envoltas em brancos lençóis de linho, pelo que passado mais de um mês ainda se consumia regueifa com sabor a fresco.

A quem não desperta vivas memórias e nostalgias este tempo festivo da Páscoa?

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4/07/2009

Viagens pelos livros escolares - 3 - O alcaide do castelo de Faria

 

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(clicar para ampliar)

 

O Alcaide do Castelo de Faria, é uma das inesquecíveis histórias que muitos portugueses aprenderam das páginas do livro de leitura da terceira classe, ao longo de mais de um década, entre finais dos anos 50 e até meados dos anos 70.
Simultaneamente, este é um episódio da nossa história, imortalizado pela pena de Alexandre Herculano, na sua obra "Lendas e Narrativas". Será, pois, uma lenda, como muitas que povoam a História de Portugal, mas certamente não andará longe da verdade.


O episódio demonstra o valor da fidelidade e da coragem, mesmo numa situação dramática e que, no caso, custou a vida a Nuno Gonçalves.

Hoje em dia, todos sabemos que alguns dos valores aprendidos e incutidos pelos antigos livros escolares, pelos nossos professores e em casa pelos nossos pais, são meros fantasmas de um tempo que já lá vai. Valores ou princípios de fidelidade, respeito e disciplina, entre outros, andam pelas ruas da amargura e nalguns casos até são considerados retrógados e conservadores.

A fidelidade vale o que vale, isto é, pouco ou nada, e nem sequer apenas num plano do casamento, mas em muitas outras situações. O respeito perdeu-se completamente, não só pelos outros, a começar pelos mais próximos, crianças e idosos, como por nós próprios. A disciplina, essa há muito que lhe fizeram o funeral e nem é bem vinda em qualquer sector da sociedade, incluindo a escola. Para o fomento da disciplina é necessária autoridade e esta sabemos que pouco importância já tem, sendo mesmo escassa a quem supostamente a deveria usar em benefício comum, ou seja, as forças de segurança.

Face a isto, este episódio do alcaide do castelo de Faria, como muitos outros que realçam velhos valores, morais e cívicos, soa-nos já a uma velharia, que ainda pode ser vista e apreciada mas inadequada ao uso para que foi concebida.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

 

*****SN*****

4/06/2009

Espelho meu.... - Correntes na blogosfera

 

Santa Nostalgia

O Santa Nostalgia teve o privilégio de ser indicado como um dos 9 blogues supostamente capazes de divertir, encantar, inspirar e impressionar alguém. Neste caso, o Manuel do excelente blogue "Coisas do Arco da Velha", que nos integrou numa boa companhia.
Modestamente, o Santa Nostalgia não pretende tanto. Quando muito divertir e encantar, porque pretendemos que as nossas memórias, partilhadas por cada um maior número de visitantes, de pessoas, sejam uma espécie de encantamento divertido, ainda que nostálgico. Já quanto a inspirar e impressionar alguém, certamente que não. O Santa Nostalgia é demasiado simples e modesto para almejar a ser fonte de inspiração para quem quer que seja. Pretendemos ser nós próprios. Podemos ser mais um, mas que o sejamos na diferença e na simplicidade. Só neste contexto podemos comprender o aumento diário no número de pessoas que nos visitam.


Como já dissemos, em resposta ao Manuel, não somos muito de alinhar nestas chamadas correntes da blogosfera, em que alguém premeia um grupo de blogues e por sua vez estes devem publicar o logo identificativo do prémio e dar continuidade à corrente, multiplicando-se assim as referências ao referido prémio. É conhecido que este tipo de expediente interessa sobretudo a alguém espertalhaço, isto é, a quem introduz ou despoleta o suposto prémio, angariando dessa forma uma carrada de links que por vezes servem objectivos pouco claros ou interesseiros, como publicidade e outros. Não sei se será o caso.


Seja como for, neste episódio particular, o prémio (Splash Award) o prémio vale pela qualidade de quem nos elegeu, o "Coisas do Arco da Velha".
Sem a preocupação de dar resposta em concreto à corrente, não nos custa deixar aqui alguns bons blogues que, para além de já constarem da nossa lista de lugares, são pontos de visitas regulares. A saber:

Coisas do arco da velha

BIC Laranja

Rua dos dias que voam

Ilustração Portuguesa

Blasfémias 

Aspirina B

 

Poderia indicar aqui dezenas de bons blogues, que habitualmente acompanhamos, das mais diversas áreas, desde a política ao desporto, passando pelas artes e humor, mas, para o caso, o combóio afrouxou neste apeadeiro e aqui nos apeámos.

 

*****SN*****

Tenente Columbo

 

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Depois de ter falado aqui sobre o detective Hercule Poirot, essa fantástica personagem das novelas policiais de Agatha Christie, hoje trago à memória outra série televisiva que pessoalmente me agradou e porque de certa forma marcou uma época e inovou o conceito clássico dos filmes policiais, de crime e mistério.


Trata-se de Columbo; Tenente Columbo, da Divisão de Homicídios da Polícia de Los Angeles, interpretado pelo inesquecível Peter Falk.
A série é composta por duas longas metragens, consideradas piloto, em 1968 e 1971 e 43 episódios distribuidos por 7 temporadas. Os episódios de um modo geral era longos, entre 70 a 90 minutos, ou até mais.
Posteriormente foi ainda desenvolvida uma série especial composta por 8 episódios, de 1991 a 2003, mas já sem o êxito da série anterior. Notava-se uma perda geral do fulgor inicial, mesmo por parte de Peter Falk.


A série foi exibida na NBC americana de 1971 a 1978. Em Portugal passou, creio que, no final dos anos 70, claro que a preto-e-branco. Em 2005 foi reposta na RTP Memória. Espero que volte a ser exibida pois na ocasião não tinha assinatura da TV Cabo.


O Tenente Columbo apresentava-se como uma figura carismática mas de aspecto vulgar e desmazelado. Com a sua postura ligeiramente curvada, sempre de gabardine encardida e a fumar ou a mascar  um longo charuto, Columbo esmiuçava de forma insistente e persistente, num soberbo jogo de nervos, tipo gato-e-rato, todos os contextos da investigação de forma aparentemente inócua. Esse ar de insignificante e até um pouco cabeça-no-ar, acabava por ser uma arma. Ficou conhecida a sua última questão nos interrogatórios, já quando voltava as costas: Ah, só mais uma coisa... (Just one more thing...) Esta última pergunta, por um motivo ou outro, quase sempre se revelava fatal para os interrogados e crucial para o desfecho da história.


A estrutura de cada episódio fugia às habituais regras deste tipo de filmes. De facto, cada caso começava com a preparação e concretização do crime, incluindo o fundamental alibi do criminoso, pelo que desde logo o espectador ficava a par da autoria e da forma como tudo aconteceu.
Seguidamente a esta fase, entrava em cena o Tenente Columbo e o interesse da história transmitia-se à forma como o espectador acompanhava a evolução da investigação, os avanços e os recuos bem como o raciocínio do inteligente polícia até ao culminar da trama, com Columbo a solucionar o crime. No fundo, era como se o filme fosse visto ao contrário. Seja como for, a fórmula resultou em pleno e a série foi um êxito a nível mundial.


Os casos eram tratados com muita densidade. Cada crime era executado de forma imaginativa e quase perfeita, habitualmente por pessoas bem colocadas na sociedade, inteligentes, frias e calculistas, pelo que era grande o desafio do Tenente Columbo.

Columbo não tinha qualquer parceiro, como acontece em Sherlock Holmes ou Poirot.
Uma das curiosidades da série é que nunca foi mencionado o primeiro nome de Columbo, embora em alguns episódios, são mostrados alguns close-ups à sua cartera de identificação de polícia, pelo que no respectivo cartão é possível ler-se Frank. Será por isso, Frank Columbo.

 

*****SN*****

Vestuário - roupas dos anos 60 - 4

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Colámos hoje mais alguns interessantes modelos de roupas características dos meados dos anos 60. São propostas para Outono/Inverno onde proliferam os elegantes sobretudos, quer nas jovens quer nas crianças.

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4/03/2009

A hora de Alfred Hithcock

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A Hora de Hitchcock é uma fantástica antologia de thrillers apresentada pelo grande mestre do suspense e do mistério, Alfred Hithcock.
Serão emitidos 32 episódios de crime e de bizarro, onde o bem e o mal se confrontam numa linguagem inteligente e fascinante, envolvendo o telespectador de uma forma tão intensa, sendo o final sempre inesperado...
De segunda a sexta-feira, pelas 21.00h.
(fonte: RTP Memória)
Depois de exibida a série "Hercule Poirot", esse fantástico herói nascido da fértil e engenhosa imaginação de Agatha Christie, a RTP Memoria começou ontem, 2 de Abril, a passar a antologia  "A Hora de Hitchcock", que se resumirá a 32 filmes do mestre do suspense. Pena que esta antologia não seja exibida na totalidade dos seus episódios. Talvez esteja reservada para outra altura.
Sobre Hitchcock pouco haverá a dizer de tão conhecido que é. Mesmo os seus filmes são intemporais e volta e meia passam pela TV.

Emblemas e distintivos de clubes - 9

associacao desportiva de esposende

Associação Desportiva de Esposende


associeacao desportiva e cultural de lobao

Associação Desportiva e Cultural de Lobão


sport clube baira mar

Sport Clube Beira-Mar


sport clube torreense

Sport Clube União Torreense


4/02/2009

Bandeira de Portugal

bandeira de portugal trindade coelho

A Bandeira de Portugal, seu significado e simbolismo, bem como uma forte marca do conceito de Pátria,  é um dos temas recorrentes nos antigos livros escolares, nomeadamente do tempo do Estado Novo.
A bandeira tem um significado republicano e nacionalista. A comissão encarregada da sua criação explica a inclusão do verde por ser a cor da esperança e por estar ligada à revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891. Segundo a mesma comissão, o vermelho é a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre (...). Lembra o sangue e incita à vitória. Durante o Estado Novo, foi difundida a ideia de que o verde representava as florestas de Portugal e de que o vermelho representava o sangue dos que tinham morrido pela independência da Nação. As cores da bandeira podem, contudo, ser interpretadas de maneiras diferentes, ao gosto de cada um. (fonte: wikipedia)
"...As cores da bandeira podem, contudo, ser interpretadas de maneiras diferentes, ao gosto de cada um". Bonitas palavras!
Esta é uma verdade indesmentível. Efectivamente, à custa de um quase extermínio do conceito de Pátria  tal e qual era fundamentado pelo Ensino no Estado Novo, hoje em dia somos tudo menos patriotas. Poderia ser uma alternativa, mas até o nacionalismo deixou de ser politicamente correcto e compreende-se perante uma realidade de um país que de há muito deixou de ser independente face ao contexto da União Europeia. Faz mais sentido o federalismo ou até o globalismo.

Por isso, Pátria e Nacionalismo são palavras malditas e tudo o que delas se possa fundamentar como génese de uma ideologia. Não têm lugar nos novos ensinamentos, nos novos manuais. O lápis da censura ainda risca, passados que estão quase 40 anos após a revolução.

Neste contexto, a Bandeira de Portugal tornou-se num mero objecto decorativo, sem qualquer valor intrínseco. É ainda utilizada como elemento clubístico, no âmbito das selecções nacionais em competições estrangeiras, sobretudo no futebol, convivendo com bebedeiras de vitórias ou ressacas de derrotas. A sua sobrevivência  é assim um pouco devida ao futebol, esse desporto de muita paixão e pouca razão.

Ainda me recordo do meu Juramento de Bandeira, ainda no tempo do serviço militar obrigatório. Então, como noutros tempos, o dever, mais do que um voluntarismo do corpo e da alma, era uma obrigação, mas, apesar de tudo, sentida. Hoje já nem isso. Ainda por estes dias vi na televisão uma cerimónia de Juramento de Bandeira. Muito comoventes as juras de defesa até à morte, de soldados (homens e mulheres) bem assalariados e que enveredam pelas actividades castrenses à falta de emprego fora dos quartéis, porque os tempos são de crise e o país (sai daqui Pátria!) está atolado num lamaçal de governantes e políticos que de competência só têm o interesseiro zelo pelas suas proprias vidinhas fartas.

Presume-se, pois, que o amor a esta coisa parecida com um país, que não Pátria, tem um preço e se este for pago em notas, tanto melhor, pois o sangue, suor e lágrimas pertencem a outros tempos, a um passado que se quer esquecer e amaldiçoar; tempos sangrentos de espadadas em Aljubarrota ou Valverde ou até mesmo de rajadas de metralhadora na Guiné, Angola ou Moçambique.

Outros tempos, outras vontades e realidades. Umas para melhor, outras nem por isso.

Cartas de amor

cartas de amor

Vai longe o tempo das cartas de amor.
Com o desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação, hoje consignadas nos computadores, no generalizado uso do correio electrónico e mensagens instantâneas, bem como o vulgarizado telemóvel, os pombinhos namorados estão em permanente contacto, quase 24 sobre 24 horas.
Conversas, mensagens, e toques, por tudo e por nada, por algo importante, poucas vezes, e por banalidades, quase sempre, fazem parte do dia-a-dia dos namorados de agora.

De há vinte anos para trás, porém, tudo era substancialmente diferente: Ninguém tinha telemóvel, nem computador nem internet. Havia o telefone fixo, mesmo assim em poucas casas e telefonar para casa do pombinho ou da pombinha era quase sempre um tiro de sorte, pois a quem se ligava podia não estar e por conseguinte a chamada ser recebida pelos pais ou irmãos, o que, convenhámos, na maior parte dos casos era um inconveniente.

Neste contexto, escrever cartas de amor era um dos recursos muito utilizados. A carta servia assim para falar do dia-a-dia mas também expressar sentimentos de saudade e de paixão, muitas vezes com a coragem que fugia nos encontros pessoais. Servia também para marcar o encontro do próximo fim-de-semana.
Claro que escrever boas cartas de amor, não era para qualquer um. Muitas vezes à falta de inspiração, juntava-se a dificuldade na escrita e no português. Uma carta carregada de erros podia em alguns casos abafar como erva daninha a pureza dos sentimentos a transmitir. Deste modo, as cartas poderiam ser resumidas, telegráficas ou longas e expressivas.
Depois havia quem usasse uma simples folha arrancada a um ordinário caderno da escola mas também quem utilizasse papel próprio, daqueles com desenhos suaves como marca-de-água e com envelopes a condizer. Muitas vezes perfumados. A caneta ou a esferográfica também era importante. Pessoalmente, mesmo para a minha namorada, minha actual esposa, escrevi dezenas de cartas, especialmente no tempo de tropa e gostava de escrever com caneta de tinta permanente. No final de cada carta arranjava sempre tempo para um breve poema ou um desenho.

Finalmente, após a carta ser entregue no correio, num qualquer marco postal ou entregue em mão ao próprio carteiro da zona, era a expectativa e a ansiedade quanto ao momento em que a carta seria recebida pelo(a) destinatário(a). Por sua vez, quando se recebia carta da outra parte, o coração saltava de expectativa. Muitas vezes era a rotina, a continuidade do namoro. Outras, porém, era uma carta inesperada, como o rompimento do namoro. Pela forma mais fácil de tratar este assunto, os rompimentos geralmente eram comunicados por carta.

Para além deste aspecto, quanto ao modo de comunicação dos namorados, recordo-me que estava mais ou menos instituído o tempo e a forma de namorar. O Domingo era de facto o dia reservado aos namorados, mas por norma só da parte da tarde e só até ao jantar. Durante a semana a Quinta-Feira era o clássico dia para o desougo, pelo que era permitido um bocadinho de namoro depois da hora do jantar.

Finalmente, pelo menos em ambientes de aldeia, onde estes usos e costumes sociais sempre foram mais vincados e conservadores, o que se compreende, de um modo geral não era permitido às raparigas saírem nos carros dos rapazes. Quando muito, acompanhadas por alguém da casa. Depois de algum avanço no namoro, poderia ser permitido namorar dentro do carro, mas junto à casa dos pais da moça.

É claro que se recuarmos ainda mais no tempo, não muito, na primeira fase a rapariga namorava mas quase sempre acompanhada por um irmão mais pequeno, uma espécie de vigia. Junto à porta ou à janela, quando o namoro se prolongava já depois do sol-posto, a mãe da moça, mandava alguém da casa colocar junto dos namorados uma vela acesa, em sinal de que já era tarde e urgia recolher. Muitas vezes, depois de entrada em casa, a rapariga ouvia o sermão e eventualmente, dependendo da gravidade do atraso, um bofetão.

Um ponto assente no sistema de namoro, mesmo na fase da sua procura, eram sempre os rapazes que se deslocavam, pela terra ou terras vizinhas, de lugar em lugar, pelas romarias, bailaricos e desfolhas. Noutros tempos a pé, de bicicleta e mais recentemente de motorizada ou de carro.

À luz da situação actual, tudo é diferente, não só nos meios (toda a gente tem carro, computador e telemóvel) mas sobretudo nos comportamentos. Hoje são elas a assumir a conquista, os engates e vão mesmo apanhá-los a casa. Já não se namora ao pé da casa dos pais. Vão para o mais longe possível, frequentam bares, discotecas e logo a partir do primeiro dia já dormem juntos. Tudo isto não só na fase de maioridade mas sobretudo na adolescência e até quase em criança.

É claro que muitas destas mudanças são positivas, mas, pelo meio, ao nível comportamental, sobra todo um conjunto de situações complexas, quer ao nível da instabilidade das relações quer ainda no aspecto de saúde, porque aumentaram as gravidezes indesejadas, os consequentes abortos, transmissão de doenças, mães solteiras, mães adolescentes, divórcios, uniões de facto, etc.

Como costumo dizer, são tudo situações inerentes à mudança dos tempos. Certamente que sim, mas é fácil admitir que no meio de tanto progresso e avanço das sociedades, nem tudo se salda por um mar-de-rosas.

Pelo menos, para trás ficaram as cartas de amor. Serão apenas um fetiche ou uma excentricidade. Já não faz sentido a cantiga: "Cartas de amor, quem as não tem..." Hoje será: "Cartas de amor, poucos as tem..."
Cartas de amor,
Quem as não tem?
Cartas de amor,
Pedaços de dor
Sentidas de alguém.
Cartas de amor, andorinhas
Que num vai e vem, levam bem
Saudades minhas.
Cartas de amor, quem as não tem?

4/01/2009

Caderneta de cromos de caramelos - Campeões da Bola - 1961/62 - A Francesa

 

campeoes da bola a francesa capa

campeoes da bola a francesa int

Hoje trazemos à memória a caderneta de cromos de caramelos, "Campeões da Bola", uma edição da casa "A Francesa".
A caderneta está referenciada como sendo de 1960, mas as equipas representadas não coincidem com as épocas próximas (59/60 ou 60/61), o que de resto era uma situação relativamente normal nas colecções da altura, quer devido a estratégias de mercado, quer pela baixa de custos das edições que habitualmente aproveitavam as fotografias das épocas anteriores. De resto, tenho indicações de que será uma edição referente à época 61/62.


Na caderneta estão representadas as seguintes equipas:
Benfica, Sporting, FC Porto, Boavista, Belenenses, Atlético, SP. Covilhã, Académica, Olhanense, Lusitânio Évora, Salgueiros, GD CUF, Beira Mar, V Guimarães, V. Setúbal, Sp. Braga, Sp. Farense e FC Barreirense.


Analisando a lista dos clubes participantes na época 59/60, verifica-se o seguinte:
Na caderneta estão a mais as equipas do Salgueiros, Sp. Farense, Olhanense, Beira-Mar e o FC Barreirense. Por outro lado falta o Leixões.
Comparando com a época seguinte (60/61), a caderneta tem a mais o Boavista, o V. Setúbal (que desceram da época anterior), o Sp. Farense, o Olhanense e o Beira Mar. A equipa do Leixões continua a faltar.

Ao analisar a época 61/62, estão a mais o Sp. Farense, Sp. Braga, FC Barreirense, Boavista e V. Setúbal. Volta a faltar o Leixões.


Continuando a verificar as épocas imediatamente anteriores e seguintes observam-se de novo discrepâncias, desde logo porque a caderneta contém 16 equipas e os campeonatos dessa época, desde 46/47, eram a 14 equipas. O Campeonato foi alargado para 16 equipas a partir da época 71/72.


Contrariamente ao que era norma na época, a maior parte dos cromos desta colecção reproduzem o cenário natural, predominando, por isso, o azul do céu.

Esta caderneta de cromos de caramelos, a exemplo de todas as edições congéneres, são muito raras e valiosas.

 

*****SN*****

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