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6/28/2026

Maidenform - Uma experiência nova...

 


Cartaz publicitário - 1985


Sobre a marca:

Quando pensamos na evolução da moda, o foco recai quase sempre nas silhuetas exteriores, nos vestidos de alta-costura ou nas tendências que dominam as passarelas. Contudo, a verdadeira revolução do vestuário feminino no século XX começou nos bastidores,  mais especificamente, na roupa íntima. No centro desta transformação esteve a Maidenform, Inc., uma marca que não só desafiou os padrões estéticos da sua época, como redefiniu a engenharia do conforto feminino.

No início da década de 1920, a tendência dominante era a silhueta flapper (ou melindrosa). A moda exigia um visual retilíneo, quase andrógino, o que obrigava as mulheres a utilizar faixas e ligaduras apertadas para achatar o peito. Foi neste cenário que Ida Rosenthal e a sua sócia, Enid Bissett, proprietárias de uma loja de alta-costura em Manhattan chamada Enid Frocks, perceberam que os vestidos de luxo que confecionavam simplesmente não assentavam bem com aquela estrutura artificial.

Para resolver o problema, começaram a embutir nos vestidos um suporte inovador: um sutiã simples com duas bolsas separadas que apoiavam as formas naturais femininas. O marido de Ida, William Rosenthal, que tinha dotes de escultor, aperfeiçoou o design utilizando tecidos mais macios e um centro elástico. Quando as clientes começaram a pedir para comprar a peça separadamente, os fundadores perceberam que tinham um negócio revolucionário em mãos.

Em 1922, nascia a marca Maiden Form (mais tarde agregada como Maidenform), um nome escolhido precisamente para contrastar com o visual masculino (boyish form) em voga. Em 1925, a empresa foi formalmente constituída e, no ano seguinte, transferiu as suas operações de fabrico para Bayonne, Nova Jérsia.

Sob a liderança técnica de William Rosenthal, a Maidenform patenteou inúmeros designs que hoje consideramos banais, mas que na altura foram pioneiros: os sutiãs de amamentação, os modelos de linha longa, os sutiãs para silhuetas mais robustas e, crucialmente, as costuras de elevação (uplift). A marca foi também amplamente reconhecida como a primeira a comercializar tamanhos de copa verdadeiramente ajustados.

Para além do design, William revolucionou a produção industrial de lingerie ao criar linhas de montagem especializadas, onde cada costureira se dedicava a uma parte específica da peça (como as alças, as costas ou as copas). A complexidade era tal que, em meados do século, um sutiã básico da marca continha pelo menos 20 componentes individuais, podendo chegar aos 50 nos modelos mais elaborados.

O crescimento da Maidenform foi tão vertiginoso que, no final dos anos 1920, a empresa já fabricava cerca de meio milhão de sutiãs anualmente. Mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, quando as restrições de matérias-primas eram severas, a marca manteve uma quota de algodão garantida pelo governo dos EUA. A justificação oficial de Ida Rosenthal era audaz: as operárias fabris que utilizavam sutiãs com bom suporte sentiam menos fadiga durante as longas jornadas de trabalho. Em paralelo, a empresa adaptou as suas linhas de produção para fornecer paraquedas e os célebres coletes de transporte para pombos-correio militares.

Por volta de 1950, a marca detinha cerca de 10% do mercado norte-americano, produzindo milhões de peças por ano em dezenas de estilos e milhares de combinações de tamanhos e cores. Nos anos 60, estimava-se que 30% das mulheres nos Estados Unidos possuíam pelo menos um sutiã Maidenform no seu guarda-roupa.

A Maidenform garantiu o seu lugar na cultura pop através de estratégias de publicidade memoráveis e, por vezes, controversas. A mais famosa delas foi a campanha de "sequências de sonhos", lançada em 1949 sob o mote "I dreamt I... in my Maidenform bra" ("Eu sonhei que... no meu sutiã Maidenform"). Ao longo de duas décadas, os anúncios impressos mostravam modelos em locais públicos vestidas apenas com o sutiã da cintura para cima, desempenhando papéis dinâmicos e aventureiros — desde tourear a discursar perante um júri.

Nas décadas seguintes, a empresa tentou navegar pelas mudanças sociais e pela ascensão do movimento feminista. O marketing evoluiu de uma perspetiva focada na dona de casa tradicional dos anos 50 para retratos de mulheres independentes com carreira nos anos 60 e 70. Contudo, nem todas as campanhas foram bem-recebidas: nos anos 80, anúncios televisivos com atores famosos (como Pierce Brosnan ou Christopher Reeve) a falar sobre lingerie, e anúncios posteriores que utilizavam trocadilhos visuais, atraíram protestos de grupos de defesa dos direitos das mulheres, que acusavam a marca de perpetuar o sexismo.

A Maidenform permaneceu como uma empresa familiar e de gestão fechada durante cerca de 75 anos. Após a morte de William Rosenthal em 1958 e o AVC sofrido por Ida em 1966 (que faleceu em 1973), a liderança foi assumida pela filha do casal, Beatrice Coleman. Sob a sua gestão, a marca modernizou-se, introduzindo novos tecidos elásticos (como a Lycra), expandindo o catálogo para coleções coordenadas de cores (como as famosas linhas Sweet Nothings) e adquirindo marcas concorrentes de relevo, como a Flexees (modeladores) e a Lilyette (copas grandes).

No entanto, o final dos anos 1990 trouxe desafios financeiros severos. Uma combinação de endividamento gerado por aquisições, perda de quota de mercado para concorrentes agressivos e dificuldades na transição para a publicidade televisiva forçou a empresa a declarar falência (Capítulo 11) em julho de 1997.

A resiliência da marca provou-se quando esta emergiu da falência em 1999, apoiada por fundos de investimento. O negócio reestruturou-se, transferiu o fabrico para o mercado internacional e abriu o seu capital na bolsa de valores em 2005. O capítulo final da sua independência ocorreu em 2013, quando a gigante do vestuário Hanesbrands Inc. adquiriu a Maidenform por 575 milhões de dólares, solidificando o legado desta "grande dama" da indústria da moda íntima.

6/13/2026

Kolinos - Pasta dentífrica

 



A Kolynos foi uma empresa e marca norte-americana de dentifrícios fundada em 1908, na cidade de New Haven, Connecticut. A fórmula do creme dental foi criada pelo dentista Neal Jenkins e produzida em escala industrial pela "Kolynos Company". O nome da marca tem provável origem latina, derivado de "collino", que significa untar com, friccionar ou esfregar.

O produto começou a ser importado para o mercado brasileiro em 1917, ano em que foi publicado o seu primeiro anúncio no país (na revista *Selecta*) com o slogan "limpa os dentes e a escovinha também". Devido ao grande sucesso de vendas, a empresa acabou por construir uma fábrica no Brasil, tornando-se líder da categoria. A sua identidade visual caracterizou-se pela fidelidade às cores verde e amarela na embalagem.

No final da década de 1990, a marca foi adquirida pela multinacional norte-americana Colgate-Palmolive por um montante de 1,040 milhar de milhão de dólares (dos quais 760 milhões de dólares foram destinados especificamente ao mercado brasileiro).

A transação gerou fortes protestos por parte de empresas concorrentes, em especial a Procter & Gamble (P&G). Argumentava-se que a fusão faria com que a Colgate passasse a deter cerca de 79% do mercado de higiene bucal no Brasil, o que comprometeria a concorrência saudável. O caso tornou-se um marco nas discussões sobre a lei antitruste e na atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Como consequência do processo de fusão e das exigências regulatórias, a marca Kolynos foi descontinuada no mercado brasileiro em 1997, sendo substituída pela recém-criada marca "Sorriso".

A Kolynos é frequentemente apontada como um caso de sucesso extremo na fixação de marca. Mesmo após ter sido retirada de circulação em 1997, permaneceu durante anos como a marca de pasta de dentes mais lembrada pelos consumidores brasileiros nas sondagens "Top of Mind", tendo perdido a liderança para a sua substituta, a "Sorriso", apenas no ano de 2003.

Em Portugal a marca teve pouca relevância e praticamente não é lembrada.

6/12/2026

Pós Keating - O exterminador da bicharada

 


Cartaz publicitário do ano de 1930


O anúncio refere-se aos célebres "Pós de Keating" (Keating's Powder), um dos insecticidas mais famosos do século XIX e do início do século XX. O produto tornou-se um verdadeiro fenómeno global de marketing e higiene doméstica.

A marca foi criada por Thomas Keating, um farmacêutico/químico britânico sediado em Londres , cuja actividade remonta ao final do século XVIII ou início do século XIX.

Durante o século XIX, a farmácia de Keating sustentava-se com dois produtos principais: pastilhas para a tosse no inverno e o pó insecticida no verão.

 O produto era exportado para todo o Império Britânico e distribuído internacionalmente. Em Portugal, o registo e a distribuição destas marcas estrangeiras ganharam força nas últimas décadas do século XIX e início do século XX, altura em que este anúncio específico em português foi publicado, apresentando-o como "O Rei dos Insecticidas".

Ao contrário dos pesticidas sintéticos modernos, o pó de Keating era feito à base de piretro (frequentemente comercializado na época como "Pó da Pérsia" ou "Persian Insect Powder". Tratava-se de um pó obtido a partir de flores secas e moídas de certas espécies de crisântemos (Chrysanthemum cinerariifolium).

O piretro contém compostos naturais (piretrinas) que atacam o sistema nervoso dos insectos por contacto, sendo altamente eficaz contra pulgas, percevejos, baratas, formigas e traças, mas apresentando baixa toxicidade para mamíferos e seres humanos.

O produto era tão popular que, durante a I Guerra Mundial, muitos soldados levavam pacotes de pó de Keating para as trincheiras para combater as infestações de piolhos e pulgas.

O negócio original de insecticidas começou a declinar nas décadas de 1920 e 1930 devido à melhoria geral das condições de saúde pública e, mais tarde, ao surgimento de insecticidas sintéticos (como o DDT). Curiosamente, a empresa familiar Thomas Keating Ltd. acabou por se reinventar, transitando para a engenharia de precisão e ferramentas, existindo ainda hoje no Reino Unido sob o mesmo nome, mas dedicada à fabricação de instrumentos científicos de alta tecnologia.

5/26/2026

O que tu queres é Sugus

 


Sugus é uma antiga e popular marca de rebuçados e de um modo ou outro já terá ajudado a adoçar a boca de muita gente.

Procurando na rede informações sobre a sua história, dizem que foram criados por 1931 na Suíça, pela empresa de chocolate Suchard. O nome escolhido, "Sugus", deriva do verbo escandinavo suge, que significa chupar,, e ficaram mundialmente conhecidos pela sua textura macia e invólucros coloridos que indicavam o respetivo sabor.

Terá sido um dos primeiros rebuçados a incorporar sumo de fruta natural. Após a II Guerra Mundial, o sucesso levou à sua internacionalização, chegando a países como Portugal, Argentina e Brasil.

A marca foi adquirida pela Kraft Foods em 1990 e, mais tarde, em 2004, os direitos do doce passaram para a Wrigley Company. 

Em Portugal os rebuçados Sugus chegaram a ser fabricados pela TOFA, empresa a que também pertencia a Tofa Cafés.

Uma das suas características identitárias refere-se ao formato do invólucro do conjunto e dos próprios rebuçados, paralelepípedos, de base quadrada.


foto: wikipedia

5/19/2026

Leixões S. C. Época 1968/1969

 


Equipa do Leixões Sport Clube da época de 1968/1969.

Em cima, da esquerda para a direita: Fonseca, Nicolau, Barros, Adriano, Gentil e Geraldinho.

Em baixo, pela mesma ordem: Ricardo, Horácio, Bené, Neca e Jorge Calado.

Na classificação do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão, esta equipa de Matosinhos classificou-se em 11.º lugar entre 14 clubes, com 21 pontos. 26 jogos, 7 vitórias, 7 empates e 12 derrotas. 21 golos marcados e 30 sofridos.

Nessa época, o Campeonato foi conquistado pelo SL Benfica, com 39 pontos, seguindo-se FC do Porto e Vitóra de Guimarães.

5/13/2026

Boavista Futebol Clube - 1975/1976

 


Boavista Futebol Clube, da época de  1975-1976.

Uma fantástica equipa que ficou em 2.º lugar do campeonato, a 2 pontos do campeão Benfica. Na tabela classificativa seguiram-se Belenenses, F.C. do Porto e Sporting.

Esta mesma equipa venceu a Taça de Portugal nessa época em confronto final com o Vitória de Guimarães, por 2-1. Já na época anterior, de 1974/1975 venceu na final o S.L.  Benfica por 2-1. Repetiria a proeza na Taça vencendo em 1978/1979 contra o Sporting, com direito a final e finalíssima.

Em cima, da esquerda para a direita: Carolino, Mário João, Taí, Alberto, Celso e Botelho.

Em baixo, pela mesma ordem: Francisco Mário, Mané, Salvador, Acácio e João Alves.

Era treinador o carismático José Maria Pedroto.

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