4/15/2026
4/13/2026
Seara Nova - Revista
A revista "Seara Nova" foi fundada em Lisboa em 1921 por iniciativa de Raúl Proença e de um grupo de intelectuais republicanos. O primeiro número foi publicado a 15 de outubro de 1921, após um conjunto de reuniões preparatórias realizadas nesse ano.
Na sua fase inicial, a revista assumiu-se como uma publicação de “doutrina e crítica”, com objetivos pedagógicos e políticos, procurando aproximar a elite intelectual portuguesa da realidade social.
Após o golpe de 28 de maio de 1926 e durante a Ditadura Nacional e o Estado Novo, a Seara Nova tornou-se um dos principais órgãos de oposição democrática ao regime, apesar da censura e de dificuldades financeiras. Ao longo das décadas seguintes, desempenhou um papel relevante na resistência intelectual e na renovação do pensamento da esquerda portuguesa.
A revista manteve publicação relativamente regular até 1979, atingindo então os números 1598/1599. A partir desse ano passou a editar apenas um número anual para manter o título ativo, situação que se prolongou até 1985, quando regressou com uma nova série.
Posteriormente, retomou a publicação periódica, passando por diferentes fases e formatos, incluindo uma reorganização da numeração a partir de 2004.
4/10/2026
4/06/2026
As Pupilas do Senhor Reitor
"As Pupilas do Senhor Reitor" - Um Clássico da Identidade Rural:
Publicada originalmente em formato de folhetim em 1866, a obra "As Pupilas do Senhor Reitor", de Júlio Dinis, permanece como um dos marcos fundamentais da transição entre o romantismo e o realismo na literatura portuguesa. Ambientada numa aldeia minhota em meados do século XIX, a narrativa explora o contraste entre a simplicidade da vida rústica e as influências, por vezes desestruturantes, do meio urbano.
A história centra-se em duas irmãs órfãs, Margarida (Guida) e Clara, conhecidas como as "pupilas" por estarem sob a tutela e proteção do bondoso reitor da aldeia. A trama desenvolve-se através dos seus paralelos amorosos com os filhos do abastado lavrador José das Dornas: Pedro e Daniel.
Pedro e Clara: Representam a face mais impulsiva e, por vezes, frágil da juventude. Pedro é um homem do campo, trabalhador e sério, enquanto Clara é descrita como alegre e despreocupada, vivendo intensamente o presente sem medir consequências.
Daniel e Margarida: Daniel personifica o conflito entre a cidade e a aldeia. Após anos a estudar Medicina no Porto, regressa à terra natal com a arrogância de quem se sente superior ao meio rural, negligenciando a promessa de infância feita a Margarida. Esta última, por sua vez, simboliza a virtude e a abnegação, actuando como professora e mantendo-se fiel aos seus princípios.
O romance é célebre pela sua capacidade de retratar o quotidiano de uma comunidade portuguesa oitocentista, povoada por figuras memoráveis como o excêntrico e tradicionalista Dr. João Semana. Através do desenrolar dos conflitos amorosos e sociais, Júlio Dinis defende a ideia da "regeneração pelo amor" e a harmonia dos valores tradicionais face à modernidade.
Dada a sua riqueza descritiva e popularidade, a obra foi alvo de diversas adaptações, incluindo a versão cinematográfica de 1960 realizada por Perdigão Queiroga, cujo cartaz, acima, ilustra a estética da época e o impacto duradouro desta história no imaginário nacional.
A obra foi ainda motivo para duas telenovelas brasileiras, uma de 1970 e outra de 1994.
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