8/30/2013

Cursos por correspondência – Garanta o seu futuro

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-Cartaz ao curso de guitarra, publicado em meados dos anos 70.

Os cursos por correspondência têm já várias décadas de implementação no nosso país, sobretudo de variações ou adaptações de empresas espanholas. É o caso da CCC – Centro de Estudos (Centro para la Cultura y el Conocimiento S.A.) que tem uma história de mais de 70 anos. Como seria de esperar, algumas das mais relevantes empresas do género sobreviveram e adaptaram-se aos tempos e tecnologias de cada época e assim chegaram aos nossos dias, caso, entre outras, da referida CCC e da CEAC.

Ambas as empresas, a par de outras como a CEC - Álvaro Torrão, o CIT – Centro de Instrução Técnica, esta com mais de 50 anos de actividade, e ainda a CETOP - Centro de Ensino Técnico e Profissional à Distância, tiveram um grande desenvolvimento sobretudo nos anos 70 e 80, explorando nessas épocas uma nítida falta de oferta e sobretudo de acessibilidade à formação superior e técnica.
Sem questionar a qualidade dos cursos e seus métodos de ensino e respectivos resultados na qualidade e quantidade de pessoas formadas, até porque creio que não lhes era reconhecida qualquer certificação ou equivalência com os cursos oficiais do ensino público, a verdade é que em grande parte os mesmos funcionavam a partir de uma forte estratégia de marketing e publicidade.  Com  frequência as revistas da época traziam publicidade de várias empresas.

Desfolhando uma popular revista datada de Março de 1984 verifico que na mesma edição estão publicados 4 anúncios (CCC, CETOP, CIT e CEC – Álvaro Torrão). Ambas ofereciam um amplo leque de opções desde os clássicos cursos de línguas até a formação em culinária, corte-e-costura, secretariado, electricidade, fotografia, electrónica, informática, desenho e pintura, etc, etc. Da CCC até fazia parte no seu rol, o emblemático curso de guitarra clássica, que entusiasmado subscrevi no princípio dos anos 80; Obviamente sem resultados, mas aliciado pela “generosa” oferta de uma guitarra (sim, grátis), mas que na realidade não passava de um reles instrumento, pouco maior que um cavaquinho, sem qualquer qualidade, muito abaixo do que hoje designamos por chinesice. Ainda o tenho arrumado no sótão, mais empenado que uma cavaca das Caldas.


Curiosamente, na mesma CCC, passados mais de trinta anos ainda subsiste o curso e a mesma “generosa” oferta de uma guitarra. Esperemos que seja um pouco melhor que a que recebi. É claro que perante a desilusão da qualidade da guitarra e da pouca qualidade do curso, difícil porque sem o acompanhamento presencial de um professor, acabei por desistir pelo que tive que devolver os poucos livros de apoio que havia recebido.
No fundo, nessa época os cursos por correspondência eram uma quase pura ilusão de mudança do nosso futuro, prometendo o êxito e independência profissionais, uma garantia reforçada pelo monte de panfletos de propaganda que se recebia a pedido de informações grátis e sem compromisso. Mais pela curiosidade, acabei por pedir informações de uma carrada de cursos pelo que acumulei uma boa quantidade de papelada.

Talvez pela sua natureza de forte propaganda, ainda hoje os cursos por correspondência, agora ditos à distância ou e-learning, se calhar já sem motivo para tal, são vistos como algo a merecer desconfiança. Porventura, com as potencialidades das novas e actuais tecnologias de informação e comunicação, acredito que estes cursos terão uma qualidade adicional porque é possibilitado um acompanhamento técnico mais directo, mas nas décadas de 70 e 80 certamente que terão sido mais as parras do que as uvas.  Seja como for, os cursos por correspondência, e sobretudo pela propaganda e publicidade que produziram fazem ainda parte das nossas memórias fortemente ligadas a essas épocas.

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- Cartaz do CCC – Anos 80

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- Cartaz do CETOP

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- Cartaz dos cursos AFHA do CIT. Anos 70.

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- Cartaz do CIT – Anos 80

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- Cartaz do CEC – Álvaro Torrão – Anos 80

8/29/2013

Férias 2013 – Casa Visconde de Chanceleiros

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Tal como referimos no artigo anterior, nesta última semana de férias, depois da vastidão do Alentejo, fomos passar uns dias por terras do Alto Douro Vinhateiro. Por recomendação de amigos e da excelente referência do TripAdvisor, estivemos na Casa do Visconde Chanceleiros, a 3 Km do Pinhão, na encosta da margem direita do rio Douro.

Da mais de centena de comentários de clientes que por ali passaram nos últimos tempos, estrangeiros na sua larga maioria, bastará ler alguns para se ficar com uma ideia muito descritiva e  positiva do local, da casa e do serviço. A tudo quanto se pode ler, pouco mais há a dizer senão apenas reforçar as impressões positivas.  A casa, mesmo sem vista directa para o rio Douro, pois na sua frente há uma baixa mas longa encosta que o esconde, usufrui de uma vista característica da região, com as belas encostas e suas vinhas dispostas em socalcos.

As instalações, do estilo rústico e algo provençal, são amplas e confortáveis. Os quartos estão dispostos em casinhas individuais, com entradas e terraços próprios. Todo o espaço envolvente é acolhedor, com jardins e vegetação, com sebes de alecrim, rosas e lavandas, incluindo as videiras, nesta altura com generosos cachos de uvas que se podem comer à vontade, e as tão características oliveiras. De resto, a quinta não tem produção comercial de vinho mas produz o seu azeite que é utilizado no serviço gastronómico da casa.

A Casa do Visconde de Chanceleiros dispõe de uma bela piscina, um confortável jacuzzi, sauna, dentro de uma pipa, court de ténis e outros elementos para desporto e lazer. Os jantares, sob reserva no próprio dia, são preparados de forma familiar na ampla cozinha rústica, que se pode frequentar, e para além do prato principal, incluem entradas e deliciosas sobremesas e sempre acompanhados por excelentes vinhos, portos, brancos e tintos, de quintas da zona. Fantástico o tinto da Quinta do Tedo, localizada a escassos quilómetros dali. Tanto os jantares como os pequenos-almoços são servidos na ampla varanda voltada a sul a qual permite um ambiente de repouso e harmonia com toda a envolvente. Não faltam recantos e esplanadas para desfrutar de uma bebida ou conversa, em conjunto ou de forma mais íntima.

É verdade que nesta  zona do Alto Douro há igualmente espaços semelhantes, baseados nas quintas vinhateiras, e porventura até mais baratos, mas esta casa vale sobretudo pela harmonia de todo o conjunto e ambiente informal em que ao fim de poucas horas nos sentimos como parte de uma família e não meros clientes. Mesmo no serviço dos bares, com self-service, basta tomar nota do que se consome, não havendo qualquer controlo para além da seriedade de cada um. Tanto a patroa, Úrsula, como a governanta, a Adelaide, bem como o restante pessoal, são de uma simpatia extremas.

Resumindo, foram uns dias deliciosos e marcantes. Caro para o nosso normal nível de vida, é verdade, mas adequado a uma ocasião especial que se queira inesquecível.  Para quem não se quiser ficar apenas pelo aconchego e tranquilidade da casa e do que dela se pode usufruir, é possível percorrer a zona em pouco tempo, visitando quintas, em que muitas oferecem serviços de degustação e venda de vinhos, azeites e mel, como também dar um salto a localidades como Sabrosa, S. Martinho de Anta (terra de Miguel Torga), Tabuaço, S. João da Pesqueira, Favaios, Alijó, etc. Por outro lado, locais mais divulgados como Vila Real, Peso da Régua e Lamego estão relativamente próximos. Os acessos são bons e fáceis e em pouco mais de uma hora, se por auto-estrada, chega-se do Porto à região.

Por tudo quanto se disse mas sobretudo pelo quanto se experienciou, recomenda-se esta Casa do Visconde de Chanceleiros, mas no mínimo para duas ou três noites de modo a absorver o clima de familiaridade mesmo que a vizinhança seja na sua maioria composta por estrangeiros.

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8/23/2013

Férias 2013

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O Santa Nostalgia tem sido pouco produtivo nestes últimos dias devido ao merecido regime de férias. Ainda há uns dias para aproveitar. Na próxima semana andaremos por terras do Alto Douro, e espera-nos por algumas noites uma confortável cama numa conhecida quinta vinhateira na zona do Pinhão.

Nesta semana, que está a acabar, foi uma visita pela zona nascente do Alto Alentejo: Évora, Estremoz, Vila Viçosa, Alandroal, Terena, Reguengos de Monsaraz, Monsaraz, Alqueva, Mourão, Olivença (sim, é portuguesa), Elvas, Portalegre, Marvão, Castelo de Vide, Nisa, Vila Velha de Ródão, entre outras, foram terras e locais que mereceram a nossa visita. É verdade que apanhamos o inferno alentejano com 42 de temperatura (34 às 23 horas em Mourão), mas valeu a pena. Ficamos com os olhos e a alma repletas de Alentejo, mesmo que tenha sido uma correria. As noites foram passadas na Vila Planície (Telheiro – Monsaraz) e no Hotel El-Rei D. Manuel (Marvão – fotos acima).

De todos os belíssimos locais visitados, repletos de História, se tivesse que escolher os mais marcantes, sem dúvida Marvão, Castelo de Vide  e Monsaraz. Numa nota de 1 a 10, Marvão, com nota 10, será porventura uns dos locais mais belos deste nosso Portugal, até pelo aspecto cuidado da zona histórica, o que, infelizmente, é pouco vulgar no nosso país. Castelo de Vide é também uma preciosidade mas, pelo menos no burgo medieval dentro da muralha, bem como zona envolvente, salta à vista o desleixo e a necessidade de obras de requalificação. Também espectacular é a bela Olivença (que os espanhóis teimam em não devolver).

Apesar da situação, que julgamos nunca se ir resolver,  porque coragem e coerência não são qualidades dos governantes, são notórias as marcas da pertença de Portugal, pelo menos no património já que na cultura poucos serão os que efectivamente terão interesse em que a cidade seja devolvida à administração portuguesa. Pela parte dos espanhóis, obviamente, puxam a brasa à sua sardinha.

8/18/2013

É Domingo…é Verão e estamos em férias: Vai uma Laranjina C?

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É Domingo…é Verão e estamos em férias: Vai uma Laranjina C?

Embora já não se fabrique, a “Laranjina C”, uma marca de refrigerante, ainda faz parte da memória colectiva de muitos e bons portugueses, sobretudo a decorrente das vivências dos anos 60 e 70.

Pela leitura de algumas referências à sua história, ficamos a saber que esta marca nasceu na empresa Francisco Alves & Filhos, de Venda do Pinheiro, Mafra, com origem no ano de 1926. Para além de refrigerantes, a empresa da região oeste produzia também os míticos "pirolitos" mas a "Laranjina C" devido à sua comercialização a nível nacional e às consecutivas campanhas publicitárias, com incidência na televisão a partir dos anos 60, era sem dúvida um dos seus principais produtos.

Com a evolução do mercado, em meados dos anos 70 a empresa estabelece um acordo comercial com a Gesfor Aktiengesellschaft, com sede no Liechtenstein, e passa a produzir e a comercializar a marca "TriNaranjus", a tal sem borbulhas (sem gás), que veio também a popularizar-se a ponto de ser determinante para o fim da produção da "Laranjina C". Posteriormente, já nos anos 90, a Francisco Alves & Filhos veio a ser adquirida pela Cadbury-Schweppes Portugal, SA.

A referência ao Dr. Trigo, no cartaz publicitário acima (dos anos 60), reporta-se ao farmacêutico espanhol, de Valência, o criador da bebida, o qual em 1935, na Feira de Marselha, França, a apresentou publicamente sob o nome Naranjina, uma adaptação comercial ao termo naranja (laranja em castelhano).

A invenção do Dr. Trigo foi logo adquirida por Léon Beton, de Boufarik na Argélia, país que então era uma colónia francesa, e que ali começou a utilizar na sua preparação as saborosas e frescas laranjas, sem quaisquer adições de corantes e conservantes, premissa essa que foi explorada nas acções de publicidade.

Essa bebida foi rebaptizada para Orangina, marca registada nessa ano de 1935, nome que ainda se mantém apesar das várias alterações ao nível da propriedade, até porque já depois de ter sido transferida da Argélia para França, em 1962, após a independência daquele país do norte de África, a marca foi adquirida pela empresa francesa Pernod Ricard, em 1984.

Por sua vez a Pernod Ricard vendeu os direitos da Orangina à Cadbury-Schweppes, em 2001. O rol das transacções não ficou por aqui e a Cadbury-Schweppes vendeu a sua participação europeia para o fundo de investimentos da  Blackstone e Lion Capital.

Finalmente, em 2009, as respectivas participações foram vendidas à japonesa da Suntory.  Pelo meio, já nos anos 90, a marca esteve para ser vendida à poderosa Coca-Cola Company, negócio gorado pelo governo francês e fundamentado pelo perigo de concentração e monopólio do mercado.

Veja: História da Orangina

8/12/2013

Leituras para a 3ª classe - Livro escolar

 

Como o tempo corre! De facto passam já mais de 4 anos após a data em que trouxemos à memória o manual escolar “Leituras para a 2ª Classe”, de Clotilde Mateus e J. Diogo Correia, uma edição da Editora - Livraria Enciclopédica de João Bernardo, com sede na Rua da Cruz dos Poias, 95 - Lisboa. Hoje, volvido todo esse tempo, trazemos à tona dos dias o livro irmão, o correspondente à 3ª Classe, uma edição de meados dos anos 30. Tem as mesmas características do da classe anterior, nomeadamente o formato (144 x 190 mm), mas com mais páginas (156). Tem igualmente belas ilustrações, algumas impressas a cores.

 

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8/11/2013

Pomme Jeans – Texarte Têxteis

 

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Cartaz publicitário da segunda metade dos anos 70 à etiqueta “Pomme Jeans” da Texarte Têxteis, SA.R.L.

São escassas as referências sobre esta empresa e marca, sabendo-se que em princípio continuará em actividade e com fábrica e sede em Pousada de Saramagos, uma freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, muito ligada à indústria têxtil.

A propósito desta relação com os têxteis, outra conhecida empresa do sector e da mesma localidade é a Riopele que chegou a dar nome a um clube desportivo (Grupo Desportivo Riopele), fundado em 1958, e que nos anos 70, época de 77/78 chegou a militar no Campeonato Nacional de Futebol da 1ª Divisão. Contudo não se aguentou nas “canetas” para além dessa época e foi descendo de escalão até que acabou terminar em meados da década de 80. Por curiosidade, nessa época alinhava na equipa do Riopele o Jorge Jesus, o actual treinador da equipa principal do S.L. Benfica.

8/09/2013

Corn Flakes da Nacional

 

Já tivemos a oportunidade de falar da Nacional, fábrica portuguesa de produtos alimentares, então a propósito das bolachas Imperial. Hoje trazemos à memória um cartaz publicitário do produto Corn Flakes, dos anos 80, o qual ainda hoje continua a ser muito popular, fazendo parte da ementa do pequeno-almoço de muitos portugueses.

A Nacional é uma empresa centenária, fundada em 1849, por João de Brito, autorizado a utilizar a denominação Nacional pela raínha D. Maria II, por proposta do Duque de Saldanha. Volvidos 30 anos, os herdeiros do fundador constituem a empresa com a denominação de Companhia Nacional de Moagem dando início à utilização dos cereais em produtos como massas alimentícias, bolachas e rações para alimentação animal.

Já no séc. XX, às portas dos anos 20, num contexto político conturbado, a empresa altera a designação social para Companhia Industrial de Portugal e Colónias (C.I.P.C.) decorrente  da fusão da Nova Companhia Nacional de Moagem com a Companhia Nacional de Alimentação.

Desde então e até aos nossos dias, a empresa conheceu as naturais alterações e transformações próprias do mundo empresarial, quer ao nível de instalações e equipamentos, quer na renovação de imagem e embalagens, bem como da sua estrutura social, mas também adaptando-se ao mercado e ao sector, com a introduções de novos produtos, dando resposta aos modernos hábitos de consumo, sempre com um espírito de inovação e modernidade de modo a respeitar regulamentações e índices de qualidade mas a competir com empresas e grupos importantes à escala global que também operam no mercado português. Por tudo isso, pela sua longa história mas sobretudo pela qualidade e diversidade dos seus produtos, a marca continua a fazer jus ao feliz slogan “o que é Nacional é bom!”.

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8/08/2013

Passarola Voadora


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 Rezam as crónicas que neste dia de 8 de Agosto, em 1709, portanto há precisamente 304 anos, o padre português Bartolomeu Lourenço de Gusmão, depois de algumas prévias experiências falhadas, fez subir o seu balão ou balonete de ar na Sala de Audiências do Palácio Real. O engenho subiu lentamente até ao tecto onde se manteve por algum tempo e depois desceu suavemente.

As experiências continuaram posteriormente, já no exterior e com aparelhos maiores, tendo sido devidamente testemunhadas por pessoas idóneas, pelo que este feito ficou registado para a História como pioneiro no longo percurso do sonho do homem em poder voar. Apesar disso, a capacidade de elevar um objecto com pessoas a bordo está documentalmente atribuída aos irmãos franceses Jacques e Joseph Montgolfier. Este feito também é considerado a Bartolomeu de Gusmão, já que se diz que terá voado  cerca de 1 km entre o Castelo de S. Jorge e o Terreiro do Paço, em Lisboa, mas de facto faltam as provas que o atestem.

Seja como for, este feito atribuído e reconhecido ao padre jesuíta, nascido em Santos, no Brasil, então colónia portuguesa, mereceu-lhe um lugar na História da Aviação e o seu engenho foi posteriormente desenhado de forma fantasiosa, quase como uma nave, em formato de grande pássaro, pelo que ficou conhecido como Passarola Voadora. Na realidade não se sabe ao certo o formato adoptado, sendo plausível que tivesse sido semelhante ao utilizado pelos franceses uns anos mais tarde.

Quanto à Passora Voadora ela acabou por ficar um pouco no nosso imaginário colectivo e com frequência era citada em manuais escolares, como nesta página do meu livro de leitura da segunda classe, sobre os caminhos do ar, numa bela ilustração de Luis Filipe de Abreu. Também quem não se lembra do poema “Pedra Filosofal” de  António Gedeão, passada para uma bela canção por Manuel Freire, em que é citada a Passarola Voadora?


caminhos do ar luis filipe abreu passarola voadora

8/07/2013

Feira de S. Mateus - Viseu

De 9 de Agosto a 20 de Setembro deste 2013, será a duração da popular Feira de S. Mateus, na cidade de Viseu. Mais do que uma feira tornou-se num festival de música de Verão como muitos outros, com entradas pagas. É um estado permanente de diversão. Tem um programa exageradamente extenso (quase dois meses) mas à custa disso é considerado dos maiores eventos do género no país.

São 620 anos (ou 621?) de Feira e como diz a organização (...A Feira é um símbolo de Viseu. E os símbolos precisam de adquirir a capacidade de se reinventar e adapter a tempos novos e diversas realidades e circunstâncias. Esse é o grande desafio: procurar o compromisso entre os anos passados e os anos do futuro; fugir do obsoleto e agarrar as oportunidades culturais, económicas e sociais, criando uma marca que exiba uma região.)


É claro que nestas coisas, o conceito de reinventar é sempre “pau para toda a colher” e nele cabe o que se quiser que caiba. Naturalmente que cabe muita coisa boa e positiva mas também muita tralha, muita palha e alguma exploração à mistura.

Apesar disso, mas também por isso, a Feira de S. Mateus é de facto um evento símbolo da cidade, do centro e do país e em tempo de férias oferece-se-nos como um templo à farra e diversão.
Recordando outros tempos, em que a Feira se realizava mais tardiamente, e com menor duração, publicamos aqui o cartaz da edição do já longínquo ano de 1976.

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Outros cartazes:

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8/06/2013

Ponte Salazar – Ponte 25 de Abril

 

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Passam hoje 47 anos (6 de Agosto de 1966) sobre o dia da inauguração da emblemática Ponte Sobre o Tejo, não oficial mas popularizada com a designação de Ponte Salazar, ligando as margens norte (Lisboa) e sul (Almada). O nome foi rebaptizado para Ponte 25 de Abril, logo após a revolução dessa data em 1974. Poder-se-ía perfeitamente ter mantido o nome oficial (Ponte Sobre o Rio Tejo) mas o exacerbismo pós-revolução assim o ditou numa tentativa de reescrever a História.

A ponte sobre o rio Tejo será porventura um dos elementos arquitectónicos, em certa medida já um monumento, mais conhecidos de Lisboa e de Portugal, logo um dos mais fotografados, sobretudo com Almada e o monumento ao Cristo Rei como cenário numa das margens.

Ironicamente, num período em que se acusava Portugal e o seu regime como sub-desenvolvido e atrasado face à Europa, a ponte surgiu como elemento tão necessário quanto emblemático, como que a desmentir os acusadores da incapacidade do país. Rapidamente tornou-se motivo de orgulho nacional e depressa passou a fazer parte de muitas das páginas dos manuais escolares de História e Ciências.

Transpôr o largo Tejo pela sua ponte, tornou-se também motivo e objectivo de passeios e excursões de gente vinda da província, do Minho ao Algarve. Pessoalmente, também de autocarro, tive essa experiência pela primeira vez por volta dos 16 anos.

Apesar da construção da ponte Vasco da Gama, inaugurada em Março de 1998, a qual passou a desviar um grande fluxo de trânsito da cidade de Lisboa, a verdade é que a ponte 25 de Abril, para muitos ainda a ponte Salazar, continua a ter um papel fundamental para o sistema viário da Grande Lisboa até porque também engloba a ligação ferroviária, prevista desde a sua construção mas apenas concretizada em Julho de 1999.

Dados históricos e técnicos sobre a ponte: LINK

8/04/2013

Nivea solar…e t-shirts

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aqui falamos do Nivea creme. Hoje, um cartaz de 1977, com o NIVEA leite solar, com a curiosidade de integrar um cupão que permitia a habilitação a uma de 2000 camisolas  de verão.

Não deixa de ser interessante que o termo t-shirt, então ainda pouco popularizado, fosse substituído pela designação de camisola de verão.

A expressão gráfica nesta peça de vestuário desenvolveu-se ainda nos anos 60 (então com técnicas de tinjimento, com expressão sobretudo no movimento hippie), e nos anos 70,  mas só nas décadas seguintes se globalizou e alargou a contextos diferentes e hoje em dia é um inesgotável filão de merchandising que toca e interessa a quase todas as empresas e marcas bem como se tornou em elemento e tendência de modas.  Basta ver pela web a quantidade de empresas que disponibilizam serviços de venda de t-shirts personalizadas para se perceber que esta peça de roupa, em formato T, originalmente uma simples peça de roupa interior, se tornou tão vulgar e global, usada de forma transversal por diferentes gerações, povos e culturas. Tanto pode ser observada num qualquer desfile de moda, ambiente de jet-set como num índio em plena selva amazónica ou num indígena africano.

8/02/2013

Bussaco - Refrigerantes

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Os refrigerantes Bussaco têm já uma longa história, que remonta a 1921 e continuam a emanar de uma empresa de cariz familiar, a Sociedade de Refrigerantes Buçaco, Lda.
Como curiosidade, o facto da empresa se referir a Buçaco com cê de cedilha enquanto que a marca Bussaco se apresenta com dois ésses.


Uma das imagens fortes da marca era o formato das suas garrafas de vidro, de aspecto atarracado. Esses antigos objectos,  com rótulo pirogravado,  frequentemente são procurados por coleccionadores de embalagens.


Apesar da tradição e das profundas alterações no sector, a empresa soube ser persistente e adaptou-se aos tempos, pelo que continua dinâmica, produzindo uma gama de sumos e refrigerantes adaptados aos modernos hábitos de consumo. É verdade que não tem a projecção nacional ou global de outras conhecidas marcas do segmento, mas não deixa de ser relevante que continue no activo ao fim de mais de 90 anos, portanto a caminho de um século.

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A revista " Seara Nova " foi fundada em Lisboa em 1921 por iniciativa de Raúl Proença e de um grupo de intelectuais republicanos. ...

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