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É Domingo…é Verão e estamos em férias: Vai uma Laranjina C?

laranjina c

É Domingo…é Verão e estamos em férias: Vai uma Laranjina C?

Embora já não se fabrique, a “Laranjina C”, uma marca de refrigerante, ainda faz parte da memória colectiva de muitos e bons portugueses, sobretudo a decorrente das vivências dos anos 60 e 70.

Pela leitura de algumas referências à sua história, ficamos a saber que esta marca nasceu na empresa Francisco Alves & Filhos, de Venda do Pinheiro, Mafra, com origem no ano de 1926. Para além de refrigerantes, a empresa da região oeste produzia também os míticos "pirolitos" mas a "Laranjina C" devido à sua comercialização a nível nacional e às consecutivas campanhas publicitárias, com incidência na televisão a partir dos anos 60, era sem dúvida um dos seus principais produtos.

Com a evolução do mercado, em meados dos anos 70 a empresa estabelece um acordo comercial com a Gesfor Aktiengesellschaft, com sede no Liechtenstein, e passa a produzir e a comercializar a marca "TriNaranjus", a tal sem borbulhas (sem gás), que veio também a popularizar-se a ponto de ser determinante para o fim da produção da "Laranjina C". Posteriormente, já nos anos 90, a Francisco Alves & Filhos veio a ser adquirida pela Cadbury-Schweppes Portugal, SA.

A referência ao Dr. Trigo, no cartaz publicitário acima (dos anos 60), reporta-se ao farmacêutico espanhol, de Valência, o criador da bebida, o qual em 1935, na Feira de Marselha, França, a apresentou publicamente sob o nome Naranjina, uma adaptação comercial ao termo naranja (laranja em castelhano).

A invenção do Dr. Trigo foi logo adquirida por Léon Beton, de Boufarik na Argélia, país que então era uma colónia francesa, e que ali começou a utilizar na sua preparação as saborosas e frescas laranjas, sem quaisquer adições de corantes e conservantes, premissa essa que foi explorada nas acções de publicidade.

Essa bebida foi rebaptizada para Orangina, marca registada nessa ano de 1935, nome que ainda se mantém apesar das várias alterações ao nível da propriedade, até porque já depois de ter sido transferida da Argélia para França, em 1962, após a independência daquele país do norte de África, a marca foi adquirida pela empresa francesa Pernod Ricard, em 1984.

Por sua vez a Pernod Ricard vendeu os direitos da Orangina à Cadbury-Schweppes, em 2001. O rol das transacções não ficou por aqui e a Cadbury-Schweppes vendeu a sua participação europeia para o fundo de investimentos da  Blackstone e Lion Capital.

Finalmente, em 2009, as respectivas participações foram vendidas à japonesa da Suntory.  Pelo meio, já nos anos 90, a marca esteve para ser vendida à poderosa Coca-Cola Company, negócio gorado pelo governo francês e fundamentado pelo perigo de concentração e monopólio do mercado.

Veja: História da Orangina

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