2/28/2025

António Ramalho Eanes


António dos Santos Ramalho Eanes nasceu a 25 de Janeiro de 1935, em Alcains, Castelo Branco. Oriundo de uma família modesta, ingressou na carreira militar em 1952, frequentando a Escola do Exército. Participou activamente na Guerra Colonial Portuguesa, servindo em Angola e Moçambique.

Destacou-se nos acontecimentos que se seguiram ao golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, especialmente na estabilização da nossa democracia. Durante o Verão Quente de 1975, Portugal viveu uma forte disputa entre sectores da esquerda revolucionária e defensores de uma democracia pluralista, num contexto marcado por nacionalizações, ocupações de terras e instabilidade política. 

A 25 de Novembro de 1975, Ramalho Eanes comandou as forças militares que neutralizaram uma tentativa de golpe de Estado promovida por sectores mais radicais do MFA (Movimento das Forças Armadas). A sua actuação foi decisiva para a transição para um regime democrático multipartidário, garantindo que Portugal não seguisse o modelo dos regimes socialistas do Leste Europeu. Tratava-se de passar de uma ditadura de Direita para uma de Esquerda. Ramalho Eanes, Mários Soares e tantos outros impediram esse caminho e cubanização do país.

Consolidada a democracia, foi eleito Presidente da República a 27 de junho de 1976, tornando-se o 16.º presidente e o primeiro democraticamente eleito após a Revolução dos Cravos. Foi reeleito em 1980, exercendo o cargo até 9 de março de 1986. Durante os seus mandatos, empenhou-se na consolidação das instituições democráticas e na promoção da estabilidade política do país.

Após a presidência, envolveu-se na vida política como líder do Partido Renovador Democrático (PRD) entre 1986 e 1987. Em 2000, recusou a promoção honorífica a Marechal por razões ético-políticas. Em 2006, obteve o doutoramento com a tese "Sociedade Civil e Poder Político em Portugal".

Actualmente, continua a contribuir para a sociedade portuguesa, sendo membro do Conselho de Estado e presidente do Conselho de Curadores do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. É casado com Manuela Ramalho Eanes desde 1970, com quem tem dois filhos, Manuel António e Miguel.

A sua trajectória, com elevados valores morais e homem de princípios, reflecte um compromisso inabalável com a democracia e o desenvolvimento de Portugal. Faz e continuará afazer parte da galeria de homens notáveis que estiveram ao serviço da nação.

2/27/2025

Cesário Verde

José Joaquim Cesário Verde (Madalena, Lisboa, 25 de Fevereiro de 1855 — Lisboa, Lumiar, 19 de Julho de 1886) foi um poeta português, sendo considerado um dos pioneiros, precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX.

A Forca

Já que adorar-me dizes que não podes,

Imperatriz serena, alva e discreta,

Ai, como no teu colo há muita seta

E o teu peito é peito dum Herodes,

Eu antes que encaneçam meus bigodes

Ao meu mister de ama-te hei de pôr meta,

O coração mo diz – feroz profeta,

Que anões faz dos colossos lá de Rodes.

E a vida depurada no cadinho

Das eróticas dores do alvoroço,

Acabará na forca, num azinho,

Mas o que há de apertar o meu pescoço

Em lugar de ser corda de bom linho

Será do teu cabelo um menos grosso.

2/19/2025

António Aleixo - A voz da sabedoria popular

 


Passaram ontem, 18 de Fevereiro de 2025, 126 anos sobre a data de nascimento do poeta popular algarvio e português,  António Aleixo (António Fernandes Aleixo - Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 – Loulé, 16 de Novembro de 1949).

Foi um poeta popular, conhecido pelas suas quadras de carácter satírico, filosófico e social. Nascido em Vila Real de Santo António, no Algarve, viveu grande parte da sua vida em Loulé. De origem humilde, trabalhou como guardador de gado, cauteleiro e vendedor ambulante, mas destacou-se pela sua capacidade de expressar, em versos simples e directos, críticas sociais, reflexões sobre a vida e a condição humana.

A sua poesia, apesar de aparentemente singela, revela uma grande profundidade e inteligência, tocando temas como a injustiça, a hipocrisia e as dificuldades dos mais pobres. Muitas das suas quadras tornaram-se intemporais e continuam a ser citadas como verdades indesmentíveis.

Algumas quadras famosas de António Aleixo:


Eu não tenho vistas largas,

Nem grande sabedoria,

Mas dão-me as horas amargas

Lições de Filosofia.


Há tantos burros mandando

Em homens de inteligência,

Que, às vezes, fico pensando

Que a burrice é uma ciência.


P'ra mentira ser segura

e atingir profundidade,

tem que trazer à mistura

qualquer coisa de verdade.


Sei que pareço um ladrão...

mas há muitos que eu conheço

que, não parecendo o que são,

são aquilo que eu pareço.


Entre leigos ou letrados,

fala só de vez em quando,

que nós, às vezes, calados,

dizemos mais que falando.


Não sou esperto nem bruto,

nem bem nem mal educado:

sou simplesmente o produto

do meio em que fui criado.


Apesar de ter enfrentado dificuldades financeiras e problemas de saúde (sofreu de tuberculose), António Aleixo deixou um legado importante na literatura portuguesa. 


Títulos:


Quando começo a cantar – (1943);

Intencionais – (1945);

Auto da vida e da morte – (1948);

Auto do curandeiro – (1949);

Auto do Ti Jaquim - incompleto (1969);

Este livro que vos deixo – (1969) - reunião de toda a obra do poeta;

Inéditos – (1979); tendo sido, estes quatro últimos, publicados postumamente.

2/14/2025

Chuckie Egg - Nostalgia de 80


"Chuckie Egg" era um jogo de plataforma lançado pela A&F Software em 1983, com versões iniciais para o ZX Spectrum, BBC Micro e Dragon 32/64.

O rápido sucesso do jogo levou à sua adaptação para diversos computadores, como o Commodore 64, Acorn Electron, MSX, Tatung Einstein, Amstrad CPC e a família Atari de 8 bits. Posteriormente, o jogo foi reeditado para sistemas mais modernos, incluindo o Commodore Amiga, Atari ST e computadores compatíveis com IBM PC.

A autoria do jogo é atribuída ao británico Nigel Alderton, na época apena com 16 ou 17 anos de idade. Depois de alguns meses dedicados ao do jogo, Alderton levou uma versão preliminar de seu código para o Spectrum até a A&F, uma empresa de software, então com apenas dois anos de existência, fundada por Doug Anderson e Mike Fitzgerald (representando as iniciais "A" e "F", respectivamente). Doug ficou responsável pelo desenvolvimento da versão para o BBC Micro, enquanto Mike Webb, um dos colaboradores da A&F, trabalhou na adaptação para o Dragon.

Embora as versões de diferentes plataformas variem em alguns aspectos técnicos, os níveis do jogo permaneceram em grande parte os mesmos. As edições para os sistemas de 8 bits são amplamente reconhecidas como clássicos, sendo lembradas até hoje por sua jogabilidade envolvente e seu impacto no gênero de jogos de plataforma.

Pessoalmente, não sendo de jogos electrónicos, confesso que então já detentor de um ZX Spectrum 128 K+, com um monitor, fartei-me de perder horas com este jogo até alcançar todos os diferentes níveis.

Outros tempos em que para além de tudo havia paciência para além de que, coisa ao alcance de poucos.

Na onda, chegue a aprender Sinclair Basic e até programei umas pequenas coisas, incluindo algumas múiscas feitas por bips.

Bons tempos!


Aqui, uma interessante entrevista do Nigel Alderton sobre a sua criação, embora já de 2011.



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