António Ramalho Eanes
António dos Santos Ramalho Eanes nasceu a 25 de Janeiro de 1935, em Alcains, Castelo Branco. Oriundo de uma família modesta, ingressou na carreira militar em 1952, frequentando a Escola do Exército. Participou activamente na Guerra Colonial Portuguesa, servindo em Angola e Moçambique.
Destacou-se nos acontecimentos que se seguiram ao golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, especialmente na estabilização da nossa democracia. Durante o Verão Quente de 1975, Portugal viveu uma forte disputa entre sectores da esquerda revolucionária e defensores de uma democracia pluralista, num contexto marcado por nacionalizações, ocupações de terras e instabilidade política.
A 25 de Novembro de 1975, Ramalho Eanes comandou as forças militares que neutralizaram uma tentativa de golpe de Estado promovida por sectores mais radicais do MFA (Movimento das Forças Armadas). A sua actuação foi decisiva para a transição para um regime democrático multipartidário, garantindo que Portugal não seguisse o modelo dos regimes socialistas do Leste Europeu. Tratava-se de passar de uma ditadura de Direita para uma de Esquerda. Ramalho Eanes, Mários Soares e tantos outros impediram esse caminho e cubanização do país.
Consolidada a democracia, foi eleito Presidente da República a 27 de junho de 1976, tornando-se o 16.º presidente e o primeiro democraticamente eleito após a Revolução dos Cravos. Foi reeleito em 1980, exercendo o cargo até 9 de março de 1986. Durante os seus mandatos, empenhou-se na consolidação das instituições democráticas e na promoção da estabilidade política do país.
Após a presidência, envolveu-se na vida política como líder do Partido Renovador Democrático (PRD) entre 1986 e 1987. Em 2000, recusou a promoção honorífica a Marechal por razões ético-políticas. Em 2006, obteve o doutoramento com a tese "Sociedade Civil e Poder Político em Portugal".
Actualmente, continua a contribuir para a sociedade portuguesa, sendo membro do Conselho de Estado e presidente do Conselho de Curadores do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. É casado com Manuela Ramalho Eanes desde 1970, com quem tem dois filhos, Manuel António e Miguel.
A sua trajectória, com elevados valores morais e homem de princípios, reflecte um compromisso inabalável com a democracia e o desenvolvimento de Portugal. Faz e continuará afazer parte da galeria de homens notáveis que estiveram ao serviço da nação.


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