1/30/2026

Vintém - Quem tem?


Quantos de nós já não ouvimos dos nossos avós falar de vinténs, tostões e reis? Hoje em dia, mesmo que com uma dívida pública colossal, tudo é à grande e qualquer pedinte moderno que bata à porta (sim, meio século depois da velha senhora ainda há pobreza) recebe no mínimo 1 euro, que antes da introdução da moeda única europeia, valia 200 escudos. Para avaliar, quando comecei a trabalhar com 12 anos o meu ordenado eram 900 escudos (4,5 euros).

No início do século XX, em Portugal, o sistema monetário baseava-se no real (reis), sendo utilizadas várias moedas de pequeno valor no quotidiano. O vintém correspondia a 20 réis e representava uma unidade muito pequena, usada sobretudo para compras mínimas, como jornais ou um café. Um valor intermédio era o meio tostão, equivalente a 50 réis, ou seja, dois vinténs e meio. 

O tostão, por sua vez, correspondia a 100 réis, isto é, cinco vinténs, sendo uma moeda de valor mais significativo, embora ainda modesto, bastante comum nas transações correntes. Para valores um pouco mais elevados, utilizava-se o meio milréis, equivalente a 500 réis, empregado em pequenas transações diárias de maior monta. Finalmente, o milréis, que correspondia a 1 000 réis, representava um valor considerável, sendo usado em compras mais importantes.

Do ponto de vista histórico, o vintém acabou por ser retirado de circulação por se ter tornado praticamente inútil devido à inflação, enquanto o tostão se manteve em uso durante mais tempo. 

Este sistema monetário vigorou até 1911, ao fim da monarquia, ano em que foi introduzido o escudo, passando esta unidade a equivaler a 1 000 réis, marcando uma profunda reforma na moeda portuguesa.

A partir da base do escudo havia moedas dele, de 50 centavos (meio escudo), 20, 10, 5, 2 1 centavos.

De notas, inicialmente houve de 10 escudos mas depois a mais pequena passou a ser de 20, dela ficando popularizada a verdinha de Santo António.

A de 50, 100, 500, 1000 e depois ainda de 2000, 5000 e até de 10000, estas raras e apenas usadas em grandes negócios. Quase nunca passavam pelas mãos dos pobres.

Opção - Revista de esquerda a malhar à direita


As referências online à revista semanal "Opção" são escassas e dispersas. Do que foi possível compilar, esta revista teve o seu início em 29 de Abril de 1976, sendo dirigida pelo jornalista Artur Portela (Filho). Terá sido a primeira revista do género criada após o 25 de Abril de 1974.

Surge num momento decisivo da consolidação da democracia em Portugal, num contexto de profundas transformações políticas, sociais e institucionais após a Revolução de Abril. O lançamento da revista ocorre num período marcado por intensos debates sobre o papel da imprensa e a definição dos novos modelos políticos do país.

Assumidamente ideológica, de esquerda da esquerda, a revista era isso mesmo, um espaço de malhar na Direita e suas figuras. Então como agora, procurava-se diabolizar quem tinha a ousadia de ser diferente da Esquerda.

Logo no número primeiro, o director, Artur Portela (Filho), na foto abaixo, em editorial dizia ao que vinha:  "Opção" pretende ser a voz que a Esquerda pode e deve ser - a voz forte da razão, da competência, do futuro. 

Ora quem tinha um posicionamento ou visão diferentes, era invariavelmente malhado em artigos críticos e mordazes.

Por agora, não conseguimos a informação de quando terá terminado nem quantos números foram publicados. Talvez, pelo sectarismo indisfarçado, estivesse mesmo condenada à extinção. Mas não foi a única.







1/27/2026

Açucena - Romantismo em pequenas doses


A revista "Açucena", da Agência Portuguesa de Revistas foi lançada no mercado em Maio de 1963. De reduzidas dimensões, 12 x 8,5 cm, cabia no bolso da camisa. O preço era condizento, tendo começado por 1 escudo com aumento ao longo dos anos, até 1987 ano em que terminou o romance com os leitores.

Esta colecção contou durante muitos números com excelentes capas e ilustrações interiores de Carlos Alberto Santos e Baptista Mendes.

O formato foi um de vários títulos da Agência, dedicados ao romance mas também aos populares cow-boys, como o "6 Balas" e "Cow-Boy" e "Fúria dos Bravos". Recorde aqui.



1/16/2026

Doces e gelados de café



Publicidade ao consumo de café pela Junta de Exportação de Café.

A "Junta de Exportação do Café" (JEC) foi uma entidade estatal colonial portuguesa, criada em 1940, que controlava e padronizava a produção e exportação de café de Angola e outras colónias, atuando como um mecanismo de intervenção económica para gerir o setor cafeeiro, sendo posteriormente extinta em 1961 para dar lugar a outros institutos. 

Principais Funções e Contexto:

Intervenção Económica: 
Tinha como objetivo gerir o mercado do café nas colónias portuguesas, controlando preços, qualidade e volumes de exportação.
Padronização: 
Implementou práticas de estandardização do café, supervisionadas por agrônomos, garantindo a qualidade do produto para exportação.

Dados e Estatísticas: 
Produzia e compilava dados estatísticos sobre a produção e comércio de café, como mostra um relatório dos seus primeiros anos de atividade.

Contexto Colonial: 
Era parte de uma estrutura mais ampla do Império Português para gerir os produtos coloniais. 

Fim da Junta:
Foi extinta em 31 de dezembro de 1961, substituída por novas instituições, como o Instituto do Algodão de Angola, em um período de reestruturação da administração colonial. 

Em resumo, a Junta de Exportação do Café foi um órgão fundamental na história económica do café colonial português, especialmente em Angola, antes de ser desmantelada no contexto das mudanças políticas e administrativas da época. 

1/14/2026

Os furinhos dos gelados Rajá




Os mais velhos que se recordam da Rajá, associam a marca aos gelados, que se vendiam junto às praias pelos idos de 60 e 70. Esta marca acabou por ser absorvida pela empresa dos gelados Olá (Unilever e Jerónimo Martins) pelo início da década de 1970.

Apesar da associação aos gelados, a Rajá, com fábrica em Monsanto - Lisboa, começou pela produção de chocolates e bombons, drops, rebuçados e caramelos. É desse período (anos 50 e 60) a caixinha de furos (na imagem acima) que nas lojas e mercearias da aldeia determinavam o sorteio da guloseima. Caixas semelhantes e até mais conhecidas e generalizadas, esravam relacionadas aos chocolates Regina.

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