Quantos de nós já não ouvimos dos nossos avós falar de vinténs, tostões e reis? Hoje em dia, mesmo que com uma dívida pública colossal, tudo é à grande e qualquer pedinte moderno que bata à porta (sim, meio século depois da velha senhora ainda há pobreza) recebe no mínimo 1 euro, que antes da introdução da moeda única europeia, valia 200 escudos. Para avaliar, quando comecei a trabalhar com 12 anos o meu ordenado eram 900 escudos (4,5 euros).
No início do século XX, em Portugal, o sistema monetário baseava-se no real (reis), sendo utilizadas várias moedas de pequeno valor no quotidiano. O vintém correspondia a 20 réis e representava uma unidade muito pequena, usada sobretudo para compras mínimas, como jornais ou um café. Um valor intermédio era o meio tostão, equivalente a 50 réis, ou seja, dois vinténs e meio.
O tostão, por sua vez, correspondia a 100 réis, isto é, cinco vinténs, sendo uma moeda de valor mais significativo, embora ainda modesto, bastante comum nas transações correntes. Para valores um pouco mais elevados, utilizava-se o meio milréis, equivalente a 500 réis, empregado em pequenas transações diárias de maior monta. Finalmente, o milréis, que correspondia a 1 000 réis, representava um valor considerável, sendo usado em compras mais importantes.
Do ponto de vista histórico, o vintém acabou por ser retirado de circulação por se ter tornado praticamente inútil devido à inflação, enquanto o tostão se manteve em uso durante mais tempo.
Este sistema monetário vigorou até 1911, ao fim da monarquia, ano em que foi introduzido o escudo, passando esta unidade a equivaler a 1 000 réis, marcando uma profunda reforma na moeda portuguesa.
A partir da base do escudo havia moedas dele, de 50 centavos (meio escudo), 20, 10, 5, 2 1 centavos.
De notas, inicialmente houve de 10 escudos mas depois a mais pequena passou a ser de 20, dela ficando popularizada a verdinha de Santo António.
A de 50, 100, 500, 1000 e depois ainda de 2000, 5000 e até de 10000, estas raras e apenas usadas em grandes negócios. Quase nunca passavam pelas mãos dos pobres.

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