Quem se lembra da rádio-novela "Simplesmente Maria"?
Pessoalmente, era criança, frequentava o Ciclo Preparatório TV, mas lembro-me perfeitamente desse marco da rádio portuguesa.
Pessoalmente, era criança, frequentava o Ciclo Preparatório TV, mas lembro-me perfeitamente desse marco da rádio portuguesa.
Simplesmente Maria era um folhetim que passou na Rádio Renascença, ao longo de 500 episódios (ena tantos...), entre Março de 1973 e Novembro de 1974, transpondo, por isso, o tempo da Revolução do 25 de Abril de 1974.
Cada episódio ía para o ar depois do almoço, entre as 13:30 e 14:30 horas, mais coisa menos coisa.
A história deste folhetim radiofónico, uma espécie de telenovela sonora, girava à volta de amores e desamores da figura central, uma jovem criada chamada Maria.
Era uma história de "faca e alguidar", muito característica das novelas mexicanas. O script tinha a autoria de Maria del Pilar Casares, pelo que não era de surpreender o estilo.
Certo é que folhetim prendeu literalmente a atenção de milhares e milhares de portugueses (mulheres em particular) durante quase dois anos. Após o almoço, as mulheres da altura, quase todas domésticas, ficavam de ouvido colado ao aparelho de rádio e lenço na mão para enxugar as lágrimas.
Recordo-me perfeitamente que na aldeia, nessa hora "solene" tudo parava para não se perder pitada dos diálogos e discussões da Maria com o Alberto, o Tony, filha da Maria, do Estevão e todos os outros. Só visto...ou melhor...só ouvido. Depois, eram as conversas à volta do assunto, as opiniões e os palpites quanto ao rumo da história. Penso que situação igual só se verificaria uns poucos anos mais tarde (1977) com a telenovela brasileira "Gabriela", a primeira a passar na RTP.
Na altura, apesar de estar consciente do fenómeno, fazia-me confusão ver tanta dedicação e entusiasmo do mulherio apesar dos folhetins radiofónicos serem relativamente vulgares.
A popularidade era tal que, a par da versão radiofónica, era publicada semanalmente a versão em revista, a chamada fotonovela, com edição a cores, que se tornou assim muito popular, rivalizando com as famosas fotonovelas da Corin Tellado que nessa época eram devoradas pelas mulheres portuguesas.
Pela revista, chamada também Simplesmente Maria, ficamos a saber os nomes das principais personagens e intérpretes:
Alberto: Fernando Serrano
Tony: Miguel Dias
Estevão: Marcos Graça
Teresa: Luisa Fernandes
Carlos: Rafael Rodrigues
Inês: Helena Torres
Ricardo: Luis Marqués
Isabel: Olga Rios
Susana: Elka Mayer
Genoveva: Mariana Vale
Rosa: Irene Antunes
A revista Simplesmente Maria tinha como Director, José Maya, era impressa em Espanha e distribuida pela Regimprensa.
Nunca cheguei a saber, mesmo agora, se as vozes que se ouviam na rádio correspondiam às pessoas que faziam parte da fotonovela. Penso que não, mas não garanto. Talvez apareça alguém que esclareça. Sei, isso sim, que a música principal era interpretada pelo...Cândido Mota.
