4/20/2009

Noddy - Nodi - 60 anos de histórias de encantar

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O Noddy é um boneco animado conhecido mundialmente, pelo que quase dispensa grandes e demoradas apresentações. Ele é conhecido tanto pelos miúdos, os seus grandes admiradores, quanto pelos graúdos.
A mais ou menos recente série de televisão (2002), conhecida entre nós por "Abram alas para o Noddy", veio generalizar e ampliar a popularidade do boneco de madeira. Noddy extravasou da televisão para mil-e-um formatos de merchandising, desde livros, vídeos, vídeo-jogos, cromos, material escolar, roupas, brindes, peluches, etc, etc.
Este simples artigo sobre o Noddy, vem na sequência da notícia divulgada hoje, que nos dá conta de que o canal de televisão inglês, o Channel 5, detentor dos direitos de imagem do boneco, estreia nesta mesma data uma nova série do Noddy, com 52 episódios, de 10 minutos cada, integrada no programa infantil Milkshake.

Esta é uma produção totalmente digital, comemorativa do 60º aniversário do boneco, e que em muitos aspectos foge da estrutura tradicional do Noddy. Desde logo a Cidade dos Brinquedos (Toyland) é muito maior, bem como surgem novas personagens. Por outro lado, o Noddy, para além do seu inseparável automóvel vermelho e amarelo, bem como do seu avião, tem agora ao seu dispor uma maior variedade de veículos para conduzir nas diversas histórias, nomeadamente um helicóptero, uma carrinha pick-up e um submarino.

Pode ser uma forma de alargar as potencialidades dos argumentos das histórias, mas certamente será um passo rumo ao corte com o passado do boneco. O comércio e o merchandising acima de tudo.
Muitos dos admiradores mais novos (e não só) certamente não saberão, mas o Noddy, como atrás se disse, está precisamente a completar 60 anos, pelo que se o tempo afectasse os bonecos, certamente hoje seria um velhinho sempre simpático com o seu chapéu de veludo azul e com o guizo na ponta, mas talvez já com barbas brancas como o seu melhor amigo, o Orelhas.

O Noddy de facto nasceu em 1949, criado pela fértil imaginação da famosa escritora inglesa de obras infanto-juvenis, Enid Blyton, mãe dos famosos "Cinco" e o "Clube dos Sete". Portanto, o Noddy original nasceu nos livros, com belas ilustrações do holandês Harmsen van der Beek (que assinava apenas como Beek). Só mais tarde, em 1955, é que nasceu a série de televisão, na BBC. Ao longo dos tempos a técnica de produção foi evoluindo, desde os primórdios com bonecos de marionetes até à actual era da produção digital. O Noddy sempre foi um produto popular, em qualquer dos formatos.

Quando eu era criança, o meu primeiro contacto com o Noddy foi precisamente nas série dos livros. Em Portugal, é conhecida a edição publicada pela ENP - Empresa Nacional de Publicidade (anos 60) e mais tarde (anos 80) uma edição pela Editorial Notícias.

Primeiramente acedi aos livros através da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian. Devorava-os pura e simplesmente. Fascinava-me aquele mundo colorido dos brinquedos, afinal, o nosso mundo, o das crianças. Mais tarde, já adolescente, tive a oportunidade de adquirir alguns livros. Infelizmente, a maior parte perdeu-se algures nas velhas gavetas e prateleiras mas ainda conservo uma meia-dúzia de títulos.
Eis os títulos da colecção:
1 - Nodi no País dos Brinquedos
2 - Viva o Nodi
3 - Nodi e o seu carro
4- Nodi no Bosque Escuro
5 - Nodi e o Orelhas Grandes
6 - Nodi vai à escola
7 - Nodi na praia
8 - Nodi em sarilhos
9 - Nodi e a borracha mágica
10- Nodi e a velha gabardina
11- Nodi e o Pai Natal
12- Nodi e a ursinha Tété
13- Coragen, Nodi
14- Nodi e o cãozinho Endiabrado
15- Tem cuidado, Nodi
16- O Nodi é um bom amigo
17- Mais uma aventura do Nodi
18- Nodi no mar
19- Nodi e o coelho-macaco
20- Nodi e o burro
Repare-se, desde logo, e pelos títulos, que a designação inicial em Português era Nodi e não Noddy como agora é divulgado. Depois, na versão dos livros, comparativamente com a conhecida série "Abram alas para o Noddy", há várias situações diferentes, a começar pelos nomes das personagens. Veja-se:
No livro: Nodi; Na série TV: Noddy
No livro: Orelhas Grandes; Na série TV: Orelhas
No livro: Sr. Plod, o polícia; Na série TV: Sr. Lei
No livro: Ursa Tété; Na série TV: Ursa Teresa
No livro: Sr. Boneco Preto, o garagista; Na série TV: Sr. Faísca
No livro: Os palitos; Na série TV: Os xadrezinhos
No livro: Endiabrado, o cão; Na série TV: Turbulento.
No livro: Gata Felpuda; Na série TV: Gata Rosa
Estes são alguns exemplos de alterações mas há mais. Seja como for, não admira que Nodi, ou Noddy, continue a fazer parte do mundo das crianças de ontem e de hoje. Afinal, o mundo deveria ser sempre como a Cidade dos Brinquedos: Um local simples, belo e colorido. Infelizmente a realidade é bem mais negra e cinzenta pelo que importa preservar as cores da nossa infância porque dentro de cada um de nós deve morar uma criança.
Esta é a nossa simples homenagem ao Noddy, pelos seus generosos 60 anos, sempre com o guizo a tilintar na nossa memória.



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4/18/2009

Leituras para a 2ª classe - Livro escolar - 1941

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Quem hoje em dia tiver à volta de 70 anos de idade, mais coisa menos coisa, isto é, que tenha nascido em meados dos anos 30, muito provavelmente encontrou este livro "Leituras para a 2ª Classe", no seu percurso do ensino primário elementar.

"Leituras para a 2ª Classe", é um manual escolar, aprovado oficialmente, de autoria de Clotilde Mateus e J. Diogo Correia, uma edição da Editora - Livraria Enciclopédica de João Bernardo, com sede na Rua da Cruz dos Poias, 95 - Lisboa. Foi impresso na Tipografia "Oficinas Fernandes", no Nº 103 da mesma rua.

A edição aqui retratada corresponde à 8ª, com data de 1941, ou seja, em plena época da II Guerra Mundial. A primeira edição será talvez de meados dos anos 30, uma vez que as ilustrações têm a data de 1934.

O livro tem as dimensões de 144 x 190 mm, e dispõe de 144 páginas, contando com o índice final.

É um excelente livro de leitura, com belos textos, muitos deles recorrentes em livros de leitura posteriores e dotado com belas ilustrações a preto-e-branco mas também a cores, uma raridade na época. As ilustrações são assinadas por Clotilde, pelo que presumo ser a mesma autora do livro, Clotilde Mateus.

Os autores, para além desta versão referente à 2ª classe, produziram também os correspondentes manuais para a 3ª e 4ª classes. As capas têm a mesma apresentação, com três crianças a desfolharem um livro, sendo que muda apenas a referência à classe, inscrita por sua vez na capa do livro da gravura.

Das centenas de livros escolares antigos que possuo, este é um dos meus preferidos, pela riqueza dos textos mas especialmente pelas  ilustrações, numa prova de que estas sempre contribuíram para uma relação do imaginário e afecto das crianças para com os livros.

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4/16/2009

Os homens de Shiloh - The Virginian - O Maioral

Corria o ano de 1973 e recordo-me de assistir na RTP, a preto-e-branco, à série de TV, "Os Homens de Shiloh", um western na linha de Bonanza e Lancer.
Quanto a designação, "Os Homens de Shiloh", no original "The Men from Shiloh", há alguma polémica quanto à sua verdadeira concepção: Há quem considere que se refere a uma nona e última temporada da famosa série "The Virginian - O Homem de Virgínia", mas há também quem entenda ser uma variante em continuação ou uma spin-off. Tudo isto porque, na realidade, da estrutura de "The Virginian", os principais actores, James Drury  e Doug McClure transitaram para a versão "Os Homens de Shiloh", ainda por cima mantendo os nomes das personagens, The Virginian e Trampas, a quem se juntou o conhecido Lee Majors, no papel de Roy Tate e Stewart Granger como o chefe do rancho Shiloh, o coronel Alan McKenzie.

"The Virginian", é uma série norte-americana, com um total de 226 episódios, com duração de 75 minutos cada, rodados/distribuídos  pela NBC ao longo de oito temporadas, de 1962 a 1970. É de facto um caso singular de produtividade. Por sua vez, a série "Os Homens de Shiloh"´que se lhe seguiu, contém 24 episódios, de 1970 a 1971, também com cerca de 75 minutos cada.

Da série "Os Homens de Shiloh", guardo fortes memórias, de modo especial da personagem Trampas (esquisito em português), mas com pronúncia de Trempas, protagonizado pelo actor Doug McClure, do qual tenho alguns cartões/cards de cowboys. O Trempas era a personagem que todos os meus colegas gostavam de assumir nas brincadeiras de índios e cowboys.

Por sua vez a série "The Virginian", passou em Portugal na RTP no final dos anos 60 com o título de "O Maioral". Por exemplo, em Julho de 1967, a série estava programada para o final da emissão de Domingo, por volta das 22:25 horas.

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O principal elenco da série "Os Homens de Shiloh"

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Doug McClure, nos meus cartões/cards dos cowboys (clicar para ampliar).

4/14/2009

Charlie's Angels - Os Anjos de Charlie

Li, por estes dias, que a actriz norte-americana, Farrah Fawcett, de 62 anos, se encontrava hospitalizada decorrente de uma doença cancerosa que a afecta há já 3 anos.
Deste modo, pelos piores motivos, veio-me à memória a série de TV "Os Anjos de Charlie", no original "Charlie's Angels", na qual a popular artista, considerada como uma sex-symbol dos anos 70/80,  participou na primeira temporada, interpretando o papel de Jill Munroe, uma sensual e fogosa loira.

"Os Anjos de Charlie" era o nome de uma série produzida para a cadeia norte-america ABC, em 116 episódios, de 1976 a 1981, ao longo de cinco temporadas.

Em Portugal, a série passou a partir do final dos anos 70 e tornou-se muito popular.

A série consistia no desempenho de um trio de jovens raparigas, pertencentes à Agência de Detectives Charles Townsend. As suas missões, dadas a conhecer pelo misterioso chefe (Charlie Townsend), passavam-se, norma geral, em lugares exôticos e sofisticados, e incluiam um tempero equilibrado de mistério, acção e glamour no desvendar de cada crime.
O chefe misterioso do grupo era apenas identificado pela sua voz, pelo que era desconhecido, quer das raparigas quer dos espectadores. A sua identidade só foi revelada já no final da última temporada. Como elemento de ligação entre a chefia e o grupo, existia a figura de John Bosley.

As raparigas primavam pela inteligência e beleza mas cada uma delas demonstrava características próprias, desde os conhecimentos na tecnologia, até às artes marciais e poder de sedução.

No caso particular de Farrah Fawcett, esta apenas participou na primeira temporada, tendo sido depois susbtituída por Cheryl Ladd, estreante nas lides, que desempenhou o papel de Kris Munroe, irmã de Jill. A este propósito, diz-se que a saída de Farrah Fawcett foi extemporânea, já que não teve a concordância dos produtores, pelo que estes lhe moveram uma acção judicial por quebra de contrato, pedindo-lhe uma elevada indemnização. Para resolver esta questão, chegou-se a um acordo em que a actriz se comprometia a participar esporadicamente em alguns episódios, o que acabou por acontecer em 3 filmes por cada uma de três temporadas.

Ainda quanto a saídas do elenco, Kate Jackson, no papel de Sabrina Duncan, a menina-inteligente do trio, também abandonou a série no final da terceira temporada sendo substituída por Tanya Roberts, no papel de Julie Rogers. Deste modo, Jaclyn Smith, a interpretar Kelly Garrett, foi a única do grupo original a aguentar-se na totalidade das aventuras.

Na sequência do êxito da série, em 2000, foi produzida uma versão para cinema, com o trio de raparigas a ser interpretado pelas conhecidas Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu e em 2003 uma nova versão com a participação de Demi Moore e Rodrigo Santoro, conhecido actor das novelas brasileiras.

Para falar verdade, não cheguei a assitir a estas versões modernas pelo que não posso emitir opinião quanto a diferenças, sendo certo que os recursos tecnológicos e efeitos especiais evoluiram substancialmente depois de quase três décadas após a série original. Há quem diga que foi uma fraca sequela.

É certo que a série analisada nos nossos dias, define-se como uma montra de clichés estereotipados, bem característicos de diversas séries televisivas produzidas nos anos 80, mas na altura da sua produção e exibição não deixou de ser um bom entretenimento, bem ao gosto de todos. Afinal a televisão não foi sempre isso? Fundamentalmente um modo de divertir e entreter?

Ainda relativamente à série "Os Anjos de Charlie", que no Brasil ficou conhecida por "As Panteras" (vá lá saber-se porquê..) recordo-me que era com entusiasmo que a rapaziada assistia com pontualidade aos episódios e fazia parte das discussões saber-se qual das três raparigas seria a melhor. Foram discussões que duraram tempos e tempos, até porque a série foi longa e os anjos até nem foram três mas cinco. De todo o modo, em jeito brejeiro, convenhamos que "eram todas bem boas". Pelo menos na altura tínhamos essa apreciação.

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Actualização: 02 de Julho de 2020: A actriz Farrah Fawcett, acabou mesmo por falecer no ano de publicação deste artigo, o que aconteceu em 25 de Junho de 2009. Paz à sua alma! 

À data em que escrevemos esta actualização, a série "Anjos de Charlie" tem estado a passar na RTP Memória.

4/13/2009

Homens, raças e costumes - Caderneta de cromos

 

Das dezenas de cadernetas que coleccionei nos anos 70, e até mesmo nos anos 80, algumas delas ainda estão com os cromos por colar.  Esta situação nem é novidade até porque conheço muitos colegas coleccionadores que não gostavam de colar os cromos preferindo guardá-los em lotes. Pode parecer estranho, mas esta é uma verdade. Desde logo porque nessa época era frequente o verso dos cromos trazer muita informação que se perdia depois de colados. Muitas vezes era dada a indicação de que esses cromos deviam ser colados apenas pela borda superior de modo a permitir o acesso à informação do verso, só que nem todos os coleccionadores assim procediam.

Por conseguinte, também ainda tenho algumas colecções que, por esse ou outros motivos, fui deixando de colar, pelo que aos poucos é uma tarefa que tenho vindo a fazer. No caso dos cromos já em papel autocolante, quem não colou na altura, agora arrisca-se a ter que aplicar cola pois o tempo acabou por secar demasiado o papel, perdendo este as suas capacidades autocolantes.

Neste contexto, aproveitei o facto de hoje, segunda-feira, ter sido para mim um dia de férias, para colar os cromos numa dessas cadernetas. Trata-se da colecção "Homens, raças e costumes", uma edição da Francisco Más, L.da, com distribuição da também produtora de cadernetas, a Disvenda, L.da, não datada, mas quase de certeza de 1976, até porque tenho uma colecção que lhe sucedeu, e que está datada de 1977.

No caso desta colecção em particular, na altura decidi não colar os cromos porque cada um deles trazia nas costas a descrição do mesmo. Para além do mais, estes cromos não são em papel autocolante, pelo que para a sua colagem tem que ser aplicada cola directamente.

Tal como o nome da colecção sugere, a caderneta dá-nos a conhecer as características das diversas raças de povos do mundo, por continentes, seus usos e costumes, desde o vestuário, a alimentação, aspectos sociais, culturais e religiosos.

Esta caderneta, para além do espaço próprio para a colagem dos cromos, tem muito texto descritivo, complementado com gravuras a uma cor, pelo que depois de colados os cromos transforma-se num autêntico livro. Por conseguinte, muita da informação contida no verso dos cromos perde-se mas alguma aparece no texto da caderneta, o qual referencia e contextualiza a maior parte dos cromos.

A caderneta é de grande tamanho (240 x 335 mm), com 48 páginas e 295 cromos de grande formato (90 x 67 mm), sendo que existem cromos dispostos na vertical e na horizontal. A caderneta também possui mapas compostos por puzzles de cromos.

Os cromos são de excelente qualidade técnica e artística e apresentam-se em papel brilhante, vulgo esmaltados. Como era frequente na altura, estes cromos parecem ser de origem espanhola.

É uma das excelentes colecções produzidas pela editora Francisco Más, L.da, com uma forte componente didáctica, pedagógica e cultural, coisa rara nas edições actuais.

Apesar da qualidade inequívoca desta caderneta, ela é relativamente fácil de encontrar (pessoalmente tenho dois exemplares) e em sítios conhecidos de leilões e vendas online, surge com alguma frequência com valores entre os 20 e 30 euros, um preço barato considerando a qualidade da caderneta e até do grande número de cromos.

Se considerar-mos a caderneta num valor de 25 euros, dividindo este pelo número de cromos, nem contando com a caderneta, fica a um preço muito inferior ao custo dos actuais cromos das colecções da Panini, por exemplo. Daí considerar-se que esta caderneta, com mais de 30 anos, está, injustamente, muito desvalorizada.

Ficam aqui algumas imagens ilustrativas:

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(clicar nas imagens para ampliar)

 

*****SN*****

4/11/2009

Morte de Jesus


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Gravura sobre a Paixão e Morte de Jesus, extraída do Catecismo Ilustrado, da Juventude Cathólica de Lisboa, a partir de uma edição original francesa ( Maison de La Bonne Presse), de 1910.

4/10/2009

O meu catecismo da primeira classe - “Doutrina Cristã – Catecismo Nacional - Vol. I"

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De todos os livros que marcaram a minha infância, e creio que a de muitos rapazes e raparigas da minha geração, os catecismos, a par dos livros da escola primária, ocupam um lugar especial na prateleira das nossas recordações, memórias e nostalgias.
Nesta edição do Santa Nostalgia, em dia de Sexta-Feira Santa, trago à luz da memória o meu catecismo da primeira classe. Trata-se do primeiro volume de uma série chamada “Doutrina Cristã – Catecismo Nacional”, uma edição do Secretariado Nacional de Catequese, publicado durante os anos 50 e 60 e que serviu de base para o ensino da catequese ao nível de todo o país. Estes catecismos foram impressos na Litografia União Limitada, de Vila Nova de Gaia.
Este primeiro volume está profusa e excelentemente ilustrado pela mão da artista Laura Costa, com o seu traço inconfundível, repleto de cor e pormenor. Cada ilustração, por si só, era uma lição e estou certo de que muitos recordarão o seu Catecismo apenas pela beleza das respectivas gravuras.
O Catecismo tem uma dimensão de 12 x 17 cm e 32 páginas.
É importante referir que estes catecismos, tinham uma publicação de apoio, chamada de Caderno de Trabalhos Práticos (que possuo), com gravuras das lições, a preto e branco, destinadas a serem pintadas pelos alunos, bem como textos picotados, também destinados a serem preenchidos. Todavia, talvez pelo seu custo, acrescido ao do catecismo propriamente dito, e dadas as dificuldades económicas da maioria dos pais das crianças nesse tempo, tenho a ideia de que muito raramente este caderno era adquirido. Pelo menos não me recordo de o possuir na altura nem de o mesmo ter sido aplicado na minha Catequese.
Por outro lado, existia ainda um volume auxiliar, destinado às Catequistas, chamado Guia de Ensino, bastante extensivo, com a explicação da mensagem da aula e respectivas actividades, constituindo-se num excelente auxiliar das sessões de Catequese, principalmente em meios pobres onde nem sempre as Catequistas tinham formação adequada.
De referir que quando transitei para a segunda classe da Catequese (por alturas de 1969), foram adoptados outros catecismos, pelo que tudo indica de que esta série de que falámos deixou de ser publicada e utilizada, desconhecendo-se se tal mudança ocorreu a nível nacional, ou apenas no âmbito Diocesano, mas tudo parece indicar que a alteração editorial foi geral. De qualquer forma esta fantástica série “Doutrina Cristã – Catecismo Nacional”, vigorou pelo menos durante duas décadas, um caso invulgar de longevidade, tendo em conta que actualmente os manuais de escola e catequese mudam quase de ano para ano e com edições diversas.
Os objectivos deste primeiro volume, vocacionados para a preparação da Primeira Comunhão, estavam assim expressos no prefácio do mesmo:
Eu sou a Verdade” – disse Jesus. O presente Catecismo vem dar cumprimento a um voto do Concílio Plenário. É destinado a todas as crianças de Portugal, que devem fazer a sua primeira Comunhão à roda dos 7 anos (como desejava São Pio X) a fim de despertar já nos seus corações infantis uma autêntica vida cristã.
Foi para facilitar o trabalho educativo nas Famílias, nas Catequeses e nas Escolas, - a quantos são responsáveis pela alta missão de fazer desabrochar na alma infantil a virtude e a santidade, - que este Catecismo se elaborou por iniciativa do Venerando Episcopado.
Espera-se que o zelo de todos os educadores cristãos faça valorizar o presente texto oficial, cujas lições se acham ligadas ao Tempo Litúrgico (de fins de Outubro a Maio: as lições marcadas –A, servem para melhor permitir essa ligação, na hipótese duma aula semanal).
Ensinando-se, cuide-se da formação cristã da criança: atenda-se às condições várias da sua preparação cristã e desenvolvimento; faça-se com que ela compreenda toda a doutrina, a ame e aplique à sua vida; procure-se que retenha de memória o que deve reter e consequentemente se prepare de modo a poder já confessar-se e comungar pelo Tempo Pascal.
Na festa de Nª Sª do Rosário, aos 7 de Outubro de 1953. M. Cardeal Patriarca.
Como verificámos por este texto, este primeiro volume tinha objectivos específicos mas concretos no ensino da doutrina das crianças que pela primeira vez entravam no ciclo da Catequese.
Oportunamente falaremos dos restantes volumes desta série de Catecismos.

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- As duas últimas imagens referem-se ao tal caderno de trabalhos práticos, que servia de apoio às lições de catequese.

Vestuário - roupas dos anos 60 - 5

 Voltámos a publicar alguns modelos de roupas, em voga em meados dos anos 60. Desta feita, voltam as rapariguinhas com os seus vestidos simples e elegantes, adequados já para o final da Primavera.

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4/09/2009

Viagens pelos livros escolares - 4 - A vocação da cerejeira

 

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No meu pomar, no logradouro da minha habitação, tenho, entre outras espécies de árvores frutículas, duas cerejeiras, uma delas de médio porte, com pelo menos 6 metros de altura. Nesta altura do ano está completamente florida, como uma enorme nuvem branca, mas já com o verde das folhas a querer substituir as flores.
Se as condições do tempo não prejudicarem esta fase do desenvolvimento do fruto no seu estado inicial, creio que lá para meados de Junho devo ter boas cerejas. Isto é, a maior parte, como de costume, será para a passarada (pardais, pegas, gaios, melros, piscos e verdelhões) que habitualmente frequenta o quintal.

Neste sentido, recordo mais uma página do meu livro de leitura da terceira classe, do qual já aqui temos falado, intitulada "A vocação da cerejeira". A lição que dela se extrai é sobretudo a da abundância e da correspondente partilha. De facto, de que nos serve ser egoístas em muitas situações de vida? Esta lição do livro de leitura da terceira classe é assim um bom exemplo que pode ser compreendido à luz das nossas vivências e convivências.

Ainda quanto às cerejeiras, recordo-me dos meus tempos de criança, quando, na quinta de meus avôs paternos existiam três enormes cerejeiras, de boa qualidade, sempre generosas na sua abundante produção. Toda a gente da casa, incluindo a vizinhança, comia cerejas de borla e até fartar. Tantas vezes trepei àquelas cerejeiras para, encavalitado num qualquer ramo, me deliciar a colher e a comer, refrescando assim as saborosas tardes de Junho.
Bons tempos.

 

*****SN*****

4/08/2009

Os garotos da 47-A

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Na imagem, Nigel Greaves, no papel de Willy Gathercole, um apaixonado pelo futebol.

Hoje trago à memória uma série de TV, no original "The kids from 47-A", em Portugal exibida com o título de " Os garotos da 47-A".
A série, de origem inglesa, consta de um total de 42 episódios, com cerca de 30 minutos cada, produzida pela ATV Midlands entre 1973 e 1974.
O conjunto dos 42 episódios foram produzidos em três séries: A primeira com 15 episódios, a segunda com 13 e a terceira com 14, incluindo o chamado on-off, que serviu de desfecho à série.
A série foi exibida pela RTP, a preto-e-branco, com estreia em 2 de Março de 1974. Recordo-me que passava aos Sábados, depois da hora do almoço. Quase a seguir à abertura da emissão.

A história mostra-nos um grupo de quatro irmãos, duas raparigas e dois rapazes (com idades de 8, 12, 14 e 16 anos), os Gathercole, órfãos de pai e que viviam com a mãe na 47ª Avenida. Um dia a mãe teve que ser internada no hospital pelo que pediu a ajuda a uma familiar, tia das crianças, para delas tomar conta na sua ausência. Infelizmente, a tia teve um acidente e partiu uma perna pelo que os garotos inverteram os papéis e passaram eles a tomar conta da tia e de si próprios.

A partir da segunda série de episódios, a mãe das crianças morre, pelo que estes ficam entregues a si próprios, sendo Jess Gathercole, a irmã mais velha, já empregada num escritório, a assumir o papel de mãe.
Deste modo, os diversos episódios giram em torno de problemas domésticos e do dia-a-dia que as crianças têm que saber enfrentar e resolver.
No último episódio, exibido já em 1975, Jess casa-se, terminando assim a série.

A série não foi nada de extraordinário, daí serem poucos os que dela guardam memórias, mas não deixou de ser interessante. Era simultaneamente uma lição de vida de entreajuda entre os irmãos, no sentido de contornarem e resolverem os diversos problemas que se lhes deparavam.
Apesar de me recordar relativamente bem da série, assisti a um bom número de episódios, mas dada a distância do tempo não me lembro com rigor se foi exibida na sua totalidade e se de forma contínua.

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Na imagem, Christine McKenna, que obteve uma grande notoriedade poucos anos depois (1979) no papel de Christina (a que corresponde a foto), na também popular série Flambards.

Intérpretes e personagens:
Christine McKenna ...  Jess Gathercole 
Gaynor Hodgson ......  Binny Gathercole 
Russell Lewis ..........  George Gathercole 
Nigel Greaves ..........  Willy Gathercole

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