4/29/2009

Breves apontamentos sobre a origem dos cromos

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O termo cromos deriva da técnica de impressão a cores designada de cromolitografia, inventada e patenteada em Julho de 1837, em Inglaterra, por Gottfried (Godfroy) Engelmann (1788 - Mühlhausen, Alemanha). A este respeito, há, no entanto, quem considere que a técnica já era conhecida antes de patenteada e o seu inventor teria sido outro que não Engelmann, no caso Johann Alois Senefelder, o inventor da popular técnica da litografia.

O conceito de cromos, enquanto estampas temáticas numeradas, resultando por si só num incitamento natural ao coleccionismo sequencial, surgiu assim na última metade do séx.XIX, associado certamente à estampagem decorativa de alguns produtos de consumo generalizado, como as caixas de fósforos, que veio a originar o filuminismo, e também de marcas de chocolates e de tabacos, com predominância em Inglaterra, França, Itália e Espanha.

Quanto a Portugal não existem dados rigorosos quanto à sua introdução, mas tudo indica que na origem dos cromos, tal qual os conhecemos na actualidade, também estiveram os tais cartões brindes e que do mesmo modo eram habitualmente oferecidos por algumas marcas de tabacos (Fábrica de Tabaco Michaelense - Açores, Fábrica de Tabacos Estrela - Açores, Empreza de Tabacos "Lusos", entre outras) e chocolates (Regina e Celeste), adoptando a mesma técnica e os mesmos temas já populares nos países referidos, como o retrato de futebolistas locais ou desportistas da época, geografia, natureza (fauna e flora), etç.

Em Portugal, os primeiros cromos que se conhecem têm precisamente essa origem, as fábricas de tabacos e remontam aos anos 20.
Os cromos enquanto invólucros de rebuçados e caramelos, surgiram sensivelmente na mesma época, passando a ser conhecidos como cromos de caramelos, sendo na actualidade objectos raros e de culto para os coleccionistas.

Quanto à venda dos cromos como artigo em si, não associado a qualquer sub-produto, como era o caso dos chocolates, dos tabacos e dos rebuçados e caramelos, parece ter tido origem nos anos 40, certamente a partir da realidade de Espanha, que foi sempre um bom produtor de cromos e estes um produto popular.

As primeiras colecções de editoras portuguesas tinham precisamente origem em colecções de editoras espanholas, sendo por isso reedições autorizadas.
A introdução em Portugal dos cromos em envelopes ou saquetas surpresa, deve-se à Agência Portuguesa de Revistas, no início dos anos 50 (Julho de 1952), com a caderneta "Os Três Mosqueteiros" a ser considerada a primeira edição com essa característica. Nessa colecção, cada envelope continha 3 cromos e o álbum (caderneta) custava 3 escudos.

A distribuição de cromos em envelopes-surpresa manteve-se durante vários anos a par com os cromos invólucros de rebuçados e caramelos, já que estes foram produzidos até, sensivelmente, meados dos anos 70. Estes, por questões de mercado, ficaram pelo caminho enquanto os cromos em envelopes-surpresa mantiveram-se até aos nossos dias, embora já com a técnica de papel auto-colante, dispensando assim a aplicação directa de cola, como aconteceu sensivelmente até meados dos anos 80.

Quanto aos cromos de caramelos, algumas das principais editoras normalmente correspondiam a casas ligadas ao fabrico de confeitarias, pelo que é difícil precisar onde começava e acabava o interesse pela venda dos cromos ou dos rebuçados e caramelos. Seriam, pois, editoras de cromos ou vendedoras de rebuçados e caramelos? Talvez o objectivo compreendesse as duas facetas do negócio. Seja como for, um dos conceitos ligados a este tipo de cromos, era o baixo custo de produção, para ser acessível a todas as classes. Como consequência, esses cromos/invólucros, eram, de modo geral, de fraca qualidade gráfica, sendo usadas na base, fotografias a preto-e-branco que depois era coloridas, quase sempre de forma muito tosca e descuidada. Os mesmos retratos serviam para edições consecutivas, mudando-se apenas o cenário do cromo e por vezes repetiam-se em colecções de diferentes editoras, pronunciando acordos de cedência entre as mesmas. As cadernetas também eram muito simples, com papel de fraca qualidade, e obedeciam a estruturas gráficas muito simplificadas, quase sempre com lugar para 11 jogadores e, eventualmente, um lugar para o emblema.

Algumas das mais conhecidas editoras de cromos de caramelos: Fábrica Universal, de António Brito, A Francesa, Fábrica de Confeitaria Produtos Altesa, Fábrica de Chocolates Celeste, Confeitaria Alex, Produtos Carsel, Alex, Fábrica Montijense, A Triunfadora do Montijo, Brindes Calhambeque, António Gomes da Silva, Rebuçados Vitória, Divertimentos Zélito, Fábrica de Rebuçados Joneca, Fábrica Águia e Fábrica Vitória, entre outras. De todas estas, as mais produtivas terão sido certamente a Universal, A Francesa, a Altesa e a Carsel.
Algumas das conhecidas editoras de cromos em envelopes-surpresa: Agência Portuguesa de Revistas, Íbis, Palirex, Disvenda, Francisco Más, L.da, António Gomes da Silva, Acílio A. Silva, Clube do Cromo, Sorcácius, Acrópole, Mabilgráfica, Manil, Panini e outras menos significativas, com edições esporádicas.

Todo este panorama de múltiplas editoras há muito que terminou e a Panini vai reinando num quase monopólio na indústria editorial dos cromos, com todos os inconvenientes para os coleccionadores que dão importância à qualidade, sim, mas também à diversidade. Subsistem esporadicamente algumas edições quase avulsas de uma ou outra editora, por vezes piratas, mas sem grande significado no mercado dos cromos.

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Cartão brinde da Fábrica de Tabacos Micaelense - Açores
Série Países e Bandeiras
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Cartões brinde da Fábrica de Tabaco "Estrela", Açores
Série Países e Bandeiras
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Cartões brinde da Fábrica de Tabaco "Estrela", Açores
Série Animais

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Cartões de artistas de cinema western, chamados de cowboys, distribuídos como brindes das pastilhas elásticas - chewing-gum, ou bublle-gum (vulgo chicletes). Tornaram-se muito populares sobretudo em países do norte da Europa como Holanda (onde estas amostras foram produzidas, em várias séries), Dinamarca e Suécia, entre outros. Em Portugal tenho memória de os coleccionar desde o final dos anos 60 até finais dos anos 70. As pastilhas elásticas que os acompanhavam eram fantásticas.

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Em cima, vários cartões de marcas de tabacos ingleses, como a John Player & Sons, a Gallaher L.da, a Ogden e a Mills. Estas como outras colecções, denotavam uma excelente qualidade gráfica e alguma diversidade, mesmo no âmbito do futebol, como seja a representação artística, em fotografia, em caricaturas, cores e emblemas, séries de capitães de equipas, técnicas de jogo, etç. Perante esta qualidade e diversidade, não admira que estes cartões, que deram origem aos cromos, tenham sido um produto atraente sob um ponto de vista de coleccionismo. Acreditamos que também deve ter ajudado à popularidade dos cigarros e do acto de fumar.

As colecções (sets) eram compostas por um número variável e tanto podiam conter 25 como 40, 50 ou 100 unidades.
O futebol era um tema muito popular pelo que era recorrente nos cartões das várias marcas de tabacos inglesas, como se comprova pelas amostras. Ainda hoje os cromos mantêm um forte relacionamento com o futebol, sendo o tema preferido dos coleccionadores.

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Acima, alguns cromos de caramelos, que serviam de invólucro natural aos rebuçados e caramelos.

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Em cima, a caderneta "Os Três Mosqueteiros", considerada a primeira colecção de cromos em Portugal com distribuição em envelopres-surpresa.

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Emblemas e distintivos de clubes - 10

aliados futebol clube de lordelo

Aliados Futebol Clube de Lordelo


amarante futebol clube

Amarante Futebol Clube


anadaia futebol clube

Anadia Futebol Clube


associacao atletica de avanca

Associação Atlética de Avanca

4/27/2009

Código Morse - Marinha de Guerra Portuguesa

 A propósito do aniversário de Samuel Morse (218 anos sobre o seu nascimento em 1791), criador do célebre código de comunicação que ficou conhecido com o seu nome, a que hoje o Google faz referência com o logotipo adaptado à efeméride, como acontece com outros eventos, saltou-me à memória a minha experiência como Operador Táctico, uma vertente da especialidade de Comunicações na Marinha de Guerra Portuguesa, onde prestei serviço militar em meados dos anos 80. Os operadores tácticos tinham a especialidade de comunicação visual, como mensagens por bandeiras e transmissão e recepção de comunicações via código morse visual.

Recordo, por isso, de ter participado num concurso designado de COMPCOMAR, onde obtive um honroso terceiro  lugar na especialidade de transmissão e um quinto lugar na recepção. Nada mau, se considerarmos que eram vinte ou trinta colegas concorrentes.

Na altura o serviço militar era considerado uma autêntica seca, tanto mais que era obrigatório. Foram dois anos subtraídos à vida civil com os inerentes atrasos, como se compreenderá. Apesar de tudo, hoje à distância de mais de vinte anos, recordo com saudade muitos momentos e experiências, tanto mais que a Marinha tinha uma componente educativa muito forte, que julgo ter aproveitado, devidamente, para além de muitos outros aspectos de convivência e camaradagem.

Creio que já o disse noutra ocasião, mas depois da recruta na Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira, passei para a Base Naval do Alfeite, para a Escola de Comunicações, onde tirei o curso atrás referido e finalmente passei para o Comando Naval do Continente, na Base Naval de Lisboa, onde estive até completar dois anos inteirinhos de serviço.

Quanto ao Código Morse, é claro que o aprendi de cor-e-salteado, pelo que durante muito tempo os traços e os pontos estavam na ponta da língua, nos olhos e nos dedos. Mas pronto, hoje em dia apenas sei de cor os códigos de alguns caracteres.

Também aprendi o nome e significado de todas as bandeiras, o chamado alfabeto fonético. O método de aprendizagem passava pela distribuição de um baralho de cartas contendo todas as bandeiras numa face e o nome das mesmas no lado oposto. Nas horas vagas era um exercício obrigatório.
Como curiosidade, neste link, pode-se escrever um determinado texto e depois ver e ouvir a sua tradução em Código Morse.
Por exemplo: Santa Nostalgia: ... .- -. - .- / -. --- ... - .- .-.. --. .. .-


codigo morse

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Uma das medalhas que conquistei no concurso COMPCOMAR.

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As minhas divisas do posto de segundo-marinheiro, com que terminei o serviço militar obrigatório, na especialidade de Comunicações.

marinha grupo comunicacoes

Ainda a propósito do meu serviço militar, não importa para o caso, mas nesta foto acima, eu devo estar por ali, algures na segunda fila da frente para trás, misturado entre os colegas do curso de Comunicações.
Bons tempos que já não voltam, apenas na nostalgia da nossa memória. Voltarei às memórias da tropa.

Crónica Feminina – Nºs 336 e 344 de 1963

 

santa nostalgia cronica feminina capa 336_02051963

santa nostalgia cronica feminina capa 344_1963

Dois simpáticos “marinheiros” a ilustrar as capas da revista Crónica Feminina, referentes aos números 336 e 344, de 1963.

Como fiz o serviço militar na Marinha de Guerra Portuguesa, ainda devo ter, algures numa gaveta, a minha farda, nas versões, branca, de Verão, e azul, de Inverno, incluindo o característico chapéu, o “panamá”. Um destes dias vou ter que ver em que estado se encontram.

 

*****SN*****

4/25/2009

25 de Abril de 1974 - 35 liberdades depois

 

cravos de abril

Recordo-me bem do dia 25 de Abril de 1974. Recordo-o sobretudo porque nessa tarde fomos mandados da escola para casa. Depois, durante o resto do dia, a televisão em constantes transmissões, onde sobretudo se via gente, muita gente na rua, misturada com soldados.

No imediato, no meu mundo de criança, não me apercebi da verdadeira dimensão do acontecimento, das suas origens e dos seus objectivos. Confesso que em todo esse período nunca tive noção do regime político em que o país estava mergulhado. Lembro-me, apenas, creio que pela segunda-classe, de um qualquer colega de carteira ter dito no recreio que quem falasse do Caetano seria preso. Veio-me logo à ideia o Sr. Caetano, um nosso vizinho, lavrador abastado e barrigudo. Seria esse o Caetano? Durante mais alguns anos pensei que sim pelo que quando calhava em cruzar com o homem, todo eu era educação e respeito, não fosse mandar-me prender.

Bom...o certo é que pelos anos seguintes fui tomando a natural noção do significado da Revolução que veio a ser baptizada "dos cravos". Hoje, à distância de 35 anos, dou como sábias as palavras de alguém que deixou mais ou menos escrito que as revoluções são pensadas por idealistas, levadas a cabo por fanáticos e aproveitadas por toda a espécie de oportunistas. Sem grandes considerações filosóficas e análises histórico-sociais profundas, quase sou obrigado a concordar com este sumário da nossa Revolução.

É certo que a liberdade conquistada permitiu a que Portugal encontrasse o seu próprio destino e retomasse um caminho de progresso e desenvolvimento, que dizem ter sido atrasado 40 anos, mas hoje, à distância de quase outro tanto tempo, sobram muitas desilusões conquistadas nesse histórico dia de Abril. A liberdade hoje está transformada em libertinagem; O exercício do poder, seus tentâculos, clientelismo, oportunismo, corrupção e favorecimento, continuam piores, com a agravante de exercidos de forma clara. O povo continua a ser o pião das nicas e a sua liberdade só serve para legitimar governos, governantes e políticos quase sempre incompetentes.

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Hoje reconheço que nessa época da nossa História havia medo, não um medo generalizado mas um medo elitista, da classe pensadora, dos homens e mulheres, não do campo e das fábricas, mas dos livros, da cultura e das artes. O povo, na sua maioria, não tinha medo. Tinha medo do fantasma real da guerra, isso sim, e esse terá sido o pecado capital do regime, que nos afogou em mortes e adiou o progresso, mas não tinha medo da insegurança, pelo que os seus filhos brincavam alegremente na rua, na escola, nos pinhais. As portas das casas e dos comércios podiam ficar escancaradas durante o dia e durante a noite. Hoje temos medo de deixar sair as nossas crianças fora da porta e até a escola tornou-se tudo menos um exemplo de virtudes, educação e disciplina. Quem então trabalhava para o sustento do dia-a-dia hoje continua a ter que o fazer, com a agravante de ter que ganhar para o pão e para os livros da escola mas também para os carros, para a casa, para todo um conjunto de inutilidades, para pagar os medicamentos para curar as nossas depressões, para engordar os bancos e os cofres públicos. Os outros, a tal classe elitista, foi quem mais ganhou com o 25 de Abril, porque deixou de ter medo e hoje é quem ocupa os grandes cargos  dos governos, das instituições, enfim, o poder, o seu exercício e as suas altas benesses.

Hoje reconheço que a liberdade teve um preço demasiado caro e vivemos mergulhados numa crise, num desemprego que fustiga quase todas as famílias, onde a economia geral atinge valores idênticos aos dos anos 70, onde a criminalidade, ligeira e violenta enche as páginas dos jornais e os ecrãs da televisão, onde os criminosos vivem e actuam sem medo de um sistema que os devia castigar e onde o povo, desprotegido, continua a ter que "pagar as favas", onde quem tem dinheiro é que se defende, onde quem tem  "padrinhos" é que aspira aos melhores cargos e lugares.

Enfim, o povo continua unido (nesse dia gritava-se " O povo unido jamais será vencido"), mas unido no desfavorecimento, na insegurança e na incerteza, porque no resto continua dividido, porque as desigualdades que existiam antes do 25 de Abril continuam a vigorar 35 anos depois.

Foi para isto que serviu o 25 de Abril de 1974? Claro que não, mas, por desgraça do nosso destino, tenho dúvidas que no cômputo geral estejamos melhor. Livres, é certo, mas inseguros, endividados e desprotegidos, face ao presente e sobretudo face ao futuro, já não tanto de nós próprios (os da minha geração e mais velhos), mas fundamentalmente dos nossos filhos e dos nossos netos.

Mas eu quero acreditar que, mesmo assim, apesar de nem tudo ter sido perfeito, o 25 de Abril de 1974 valeu de facto a pena. Tenhamos esperança, pois nela ainda reside a génese dessa Revolução.

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 (fonte: santa nostalgia - clicar para ampliar)

25 de abril de 1974 img4

 (fonte: santa nostalgia - clicar para ampliar)

 

*****SN*****

4/24/2009

Máquinas de tricotar

 Recordo-me que nos anos 70 e até meados de 80, principalmente, na minha aldeia havia várias mulheres que trabalhavam em casa com uma máquina de tricotar, produzindo peças para comerciantes ou fábricas. Claro que esta era uma realidade extensível a todo o país.

Foi um modo de vida que teve o seu ponto alto nessa época porque era relativamente rentável e permitia às mulheres alguma autonomia financeira sem sair de casa, permitindo-lhes, simultaneamente, desempenhar as tarefas domésticas, gerindo o tempo a seu modo.

Para esta actividade era indispensável adquirir uma máquina de tricotar, o que exigia um investimento substancial. No entanto havia empresas que forneciam as máquinas.
Com o avançar do tempo o vestuário de malha foi perdendo alguma preponderância, pelo que a par do desenvolvimento tecnológico das grandes empresas, essa actividade caseira acabou quase por se extinguir. Sobrevivem ainda algumas situações mas mesmo assim adaptadas às necessidades do mercado. Conheço uma pequena empresa, quase familiar, em que o principal produto que fabrica são os saquinhos em malha para telemóvel.

Este cartaz publicitário de meados da década de 60 refere-se a uma marca francesa, a ERKA, muita conceituada a par da Passap e Singer.
Não deixa se ser uma imagem nostálgica tendo em conta que o produto anunciado, a máquina de tricotar tornou-se num quase objecto obsoleto, pelo menos no contexto em que foi propagandeado, o doméstico ou familiar.
Tenho saudade do meu pulôver verde que na altura mandei tricotar a uma amiga.


erka maquina de tricotar santa nostalgia

4/23/2009

Heróis e factos da nossa História – Aniceto do Rosário e Aleixo Corte-Real

 

D.Aleixo Corte-Real, o régulo de Timor e o militar Aniceto do Rosário, sub-chefe da polícia da província de Diu, da Índia Portuguesa, sempre foram apontados na História de Portugal como dois dos seus heróis e mártires pela defesa da unidade da Pátria.

É caso para se dizer que são de facto heróis da História, mas de um passado já distante. No presente, duvido que alguém esteja disposto a sacrificar-se a este nível por esta coisa mais ou menos parecida com uma Pátria, chamada Portugal. Desde os seus governantes e seus militares, até aos mais humildes súbditos, vulgo cidadãos, todos buscam essecialmente um modo de vida, sem lamechices para com a dita Pátria. O sentido de dever, honra e serviço, conceitos tão valiosos nos antigamentes, são hoje meros banalismos.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

 

herois da historia aniceto rosario santa nostalgia

herois da historia aniceto rosario santa nostalgia 2

(clicar nas imagens para ampliar)

 

*****SN*****

4/21/2009

Al Bano & Romina Power - Uma dupla musical

 

Hoje quero trazer à memória uma das mais populares duplas da canção internacional dos anos 80 e 90, precisamente Al Bano e Romina Power. Ele italiano, nascido Albano Carrisi, em 1943 e ela, uma bela norte-americana, nascida em 1951, filha do conhecido actor Tyrone Power.
Conheceram-se durante a rodagem do filme "Nel Sole", em 1967 e casaram um Julho de 1970.
O primeiro álbum conjunto da dupla, "Dialogo" surgiu em 1975, depois de alguns trabalhos ligados ao cinema e de Romina como solista depois de interromper a sua carreira de actriz.

A popularidade deste duo pode dizer-se que começou em 1976 pela sua participação no Euro Festival da Canção (ano em que Portugal foi representado por Carlos do Carmo, com "Flor de verde pinho"), em representação de Itália, com o tema "E Fu Subito Amore", que obteve um excelente sétimo lugar. No ano seguinte, em 1976, um novo impulso na popularidade do casal, com a participação no prestigiado festival de S. Remo, conseguindo o segundo lugar com o tema "Felicita", que veio a tornar-se numa das suas músicas mais emblemáticas e que em pouco tempo vendeu milhões de cópias em toda a Europa.

Em 1984 voltaram a S. Remo para vencerem com a música "Ci Sara", outra das mais conhecidas da sua discografia.
Durante os anos 80 o casal de cantores continuou a sua saga de êxitos e popularidade, com a edição de diversos álbuns.
A sua participação no S. Remo voltou a acontecer em 1991, com o tema "Oggi Sposi", no ano em que comemoraram bodas-de-prata (25 anos) de carreira e de novo em 1996, interpretando "È La Mia Vita".

O drama bateu à porta do casal, em 1997, com o desaparecimento da filha Ylenia, que, ao que se sabe, não mais voltou a aparecer, apesar da mãe continuar a alimentar a esperança de que ainda continue viva.


Como não há bela sem senão, este famoso casal, unido pelo amor e pela música, talvez pelo cansaço de uma longa carreira e pelo drama do desaparecimento da filha, acabaram por se separar em 1999.
Romina Power mudou-se em 2008 para os Estados Unidos, exercendo uma vida de artista, sobretudo como escritora e pintora (veja o seu sítio), enquanto que Al Bano se ficou pela sua Itália, novamente como Albano Carrisi (visite o seu sítio), continuando uma carreira a solo e como homem de negócios explorando a sua propriedade vinícola e o seu hotel.

Curiosamente, visitando os sítios destas duas figuras, é impressionante a forma como ambos quase omitem a forte interligação de mais de 30 anos, quer como casal quer como artistas, como se toda essa fantástica carreira fosse para esquecer. Aliás, o sítio de Romina acompanha-nos com uma sombria e pesarosa música de fundo, emprestando um ambiente mais de tristeza do que contemplação. É pena que seja assim, mas as coisas são como são e nem sempre o presente se serve das boas heranças do passado.


Al Bano e Romina Power formaram assim, durante mais de 30 anos, um casal unido pela música, sempre com a popularidade em alta, deixando um legado de belas canções, num estilo pop-ligeiro, mas sempre com o romantismo presente, bem à maneira italiana.
Muitas das suas obras ficaram para sempre na nossa memória musical.
Pessoalmente dava comigo muitas vezes a cantarolar os seus principais êxitos, como "Felicitá", "Vivirlo otra vez" e  "Ci Sara", tentando imitar a característica voz aguda do Al Bano.

Quem não se recorda das muitas músicas deste casal musical?

Vivirlo otra vez

Sharazan

Sempre sempre

Santa Maria

Gli Innamorati

Domani domani

Fragile

Impossibili

Angeli

Abbandonati

Grazie

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("Felicitá", apresentada em S.Remo, em 1976).

 

*****SN*****

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