4/18/2023

Águas do Vimeiro - A saúde está primeiro

 


Cartaz publicitário das águas do VIMEIRO - Década de 1940.

Sobre a Vimeiro: 

A viagem da água Vimeiro tem início no Planalto Cársico das Cesaredas e na Serra de  Montejunto, onde se infiltra, circula em profundidade até cerca de 2.000 metros e emerge mais tarde em Maceira, Vimeiro, localidade a meio caminho entre a Lourinhã e Torres Vedras.

Nesse intrincado percurso subterrâneo a água mineral natural do Vimeiro ganha, ao longo de vários anos, características únicas, de acordo com a marca "reconhecidas por quem procura a qualidade e o equilíbrio necessários para cuidar do corpo por inteiro".

Terá sido em 1318 que a Rainha Santa Isabel descobriu as propriedades e virtudes da água do Vimeiro. Desde então, passou a ser reconhecida como «Águas Santas do Vimeiro».

Mais tarde, em 1450, também a Infanta Dª Leonor de Portugal usufruiu das Águas Santas do Vimeiro, reconhecendo igualmente as suas virtudes. Tamanha foi a notoriedade que, desde então, várias famílias começaram a recorrer a este bem natural para fins de saúde e bem-estar.

A primeira análise físico-química oficial da Água do Vimeiro foi realizada por Charles Lepierre em 1893. Três anos depois, Sua Majestade El-Rei D. Carlos classificou a Água do Vimeiro de águas minero-medicinais.

Em 1949, o Professor Catedrático Herculano de Carvalho apresentou as análises químicas que informavam o consumidor dos minerais presentes em cada litro de Água do Vimeiro.

Inicialmente património dos Frades de Penafirme, a concessão para a exploração das Águas Santas do Vimeiro foi concedida a José Pedro Cardoso, em 1896, por tempo ilimitado.

A 17 de janeiro de 1920, a Empresa de Águas do Vimeiro - EAV, S.A. foi constituída sob a forma de sociedade comercial por quotas, sendo-lhe depois atribuído o registo de concessão de licença de exploração das águas em 1921.

No final da década de 1940, a liderança da empresa por Joaquim Belchior, marcou o lançamento da EAV, S.A. para uma nova fase de desenvolvimento.

Na década de 1940  foi lançada a primeira linha de engarrafamento em vidro da água minero-medicinal do Vimeiro, onde trabalhavam homens e mulheres. Foi lançada também a primeira frota de automóveis comerciais para venda e entrega do produto.

Tendo os efeitos terapêuticos da Água do Vimeiro elevado a água a uma grande notoriedade,deu-se nesta década início à verdadeira atividade comercial da EAV,S.A. . E em 1947 surgiu a primeira campanha de publicidade com o icónico slogan “A saúde está primeiro, beba Água do Vimeiro”.

Os supostos efeitos terapêuticos da Água do Vimeiro levaram a comunidade médica de todo o país a recomendá-la como um bem essencial à saúde. Tal levou a que a EAV, S.A. criasse vários anúncios publicitários onde estas propriedades eram destacadas.

A expansão da marca foi clara, passando a fazer parte dos menus de restaurantes e cafés.

Depois de, em 1977, ter sido construída a nova fábrica, pioneira em Portugal no engarrafamento em PET, o design e formato das garrafas da gama foram apresentadas no mercado com uma imagem mais minimalista e moderna.

Durante a década de 1980, a marca Vimeiro passou a liderar o seu segmento ao entrar nas grandes superfícies de distribuição (Hipermercados, Cash & Carrys, Grupos e Associações de Supermercados).

A EAV, S.A. apostou num forte investimento em marketing e comunicação, sofrendo um rebranding total da imagem que se tinha mantido igual desde a década de 70. Começou então a patrocinar vários eventos desportivos, chegando mesmo a ser destaque nos jogos do EURO 2004, com um anúncio televisivo que passou nos intervalos.

Com um alargamento da gama, respondendo às necessidades dos consumidores, a empresa lançou duas novas águas, Vimeiro Sparkle e Vimeiro Lisa, que vieram a ganhar dois prémios internacionais “Cata de Aguas”, na Feira Internacional de Turismo Termal.

Ao longo desta década, a EAV, S.A. viu reconhecido o seu processo de produção e de qualidade ao receber diversas Certificações de Gestão e Qualidade e de Segurança Alimentar, entre elas a FSSC 22000, a ISO 9001 e a IFS FOOD 6.1. 

Pela primeira vez, em 2015 a marca entrou com a Vimeiro Original nas Feiras do Bebé das insígnias, abrindo assim espaço para as águas nos eventos de puericultura.

Em 2017, foi eleita a melhor marca relação preço-qualidade, uma distinção de mercado reconhecida graças aos inquéritos realizados pela Suiça Icertias.

A Água do Vimeiro surge este ano mais forte e diferenciadora, com uma imagem renovada e associada à história e características únicas que tanto a distinguem.

Realçando ainda mais o equilíbrio mineral da sua água, a marca especializa agora a sua comunicação para segmentos de equilíbrio e bem-estar e para o futuro da alimentação das sociedades com especial destaque para as vantagens da sua propriedade nutritiva para nichos como: atletas, grávidas, mães, bebés e seniores.


[fonte dos dados históricos: sítio da empresa]

4/17/2023

Malhas Famanor

 


Cartaz publicitário de 1974 às malhas Famanor. 

Nas pesquisas efectuadas pouco veio à malha da rede sobre as malhas Famanor. Refere-se a Famanor Fabrica de Malhas do Norte S.A. com sede no Porto, reportada a uma actividade de indústria e comércio de malhas exteriores, mas ainda compra e venda de imóveis, incluindo a revenda dos adquiridos para esse fim, locação de espaços, administração, gestão e promoção imobiliária.

Em resumo, será na essência ainda uma fabrica de malhas? Ou é apenas uma empresa que mudou de actividade, do têxtil para o  imobiliário, e que por algum motivo insondável manteve o nome orioginal da fábrica?

Outra questão que não conseguimos apurar: Na nossa pesquisa, nas informações resultantes sobre a empresa parece haver pontos comuns com outra fábrica similar, pelo que terá alguma relação com as malhas Ameal?

4/13/2023

Elnett - Da Lóreal

 


Cartaz publicitário de 1974 à laca para cabelo Elnett, da L´Oreal. Os habituais estereótipos, com uma mulher jovem, bonita e loura. 

A história da L'Oréal remonta a 1907 embora haja fontes que indicam 1909, quando o químico francês Eugène Schueller fundou a Société Française des Teintures Inoffensives pour Cheveux, que se tornou mais tarde a L'Oréal. No início, a empresa vendia tinturas para cabelo, mas expandiu sua linha de produtos para incluir cosméticos, perfumes e produtos de cuidados pessoais.

Ao longo das décadas, a L'Oréal cresceu e tornou-se uma das maiores empresas de produtos de beleza do mundo, com operações em mais de 150 países. A empresa é conhecida por suas marcas icônicas, como L'Oréal Paris, Maybelline, Garnier e Lancôme, entre outras.

Tem presença em 130 países, com dezenas de subsidiárias e fábricas, sendo líder global em cosméticos. Com uma faturação de cerca de 30 mil milhões euros (dados de 2020), empregará cerca de 85 mil funcionários de 100 nacionalidades diferentes. Em 2017, a marca L'Oréal Paris foi avaliada em 24,533 bilhões de dólares, sendo considerada a terceira marca francesa mais valiosa, segundo o ranking BrandZ.

Durante sua história, a L'Oréal enfrentou alguns controvérsias, como acusações de testes em animais, que levaram a empresa a adotar uma política de não testar em animais em 1989. Além disso, em 2017, a L'Oréal foi criticada por ter demitido uma modelo transgênero que havia sido contratada como porta-voz da marca.

Apesar das controvérsias, a L'Oréal continua sendo uma das principais empresas de beleza do mundo, que se declara com um forte compromisso com a inovação, a sustentabilidade e a diversidade. A empresa tem investido em novas tecnologias e tem trabalhado para reduzir seu impacto ambiental por meio de iniciativas como a redução do uso de água em suas fábricas e a adoção de embalagens mais sustentáveis.

4/12/2023

Banco Pinto & Sotto Mayor - Cartão de crédito, direitos da mulher e o encanto discreto...

 



Cartazes publicitários do ano de 1974 ao cartão de crédito do Banco Pinto & Sotto Mayor.

As origens do Banco Pinto & Sotto Mayor remontam à casa bancária Pinto & Sotto Mayor, criada em 30 de junho de 1914, por Cândido Sotto Mayor Júnior e António Vieira Pinto. Na altura tomaram de trespasse o estabelecimento de câmbios e papéis de crédito de José Ferreira Chumbo.

Com sede em Lisboa, na Rua do Comércio, a casa bancária tinha por objeto social o comércio de compra e venda de papéis de crédito, moedas e as demais transações inerentes ao ramo bancário. O capital social da firma era de 30 contos.

Em 1925, procurando fortalecer o negócio, o pacto social é alterado e são admitidos novos sócios na instituição, 25 em nome individual e 2 instituições de crédito: o Banco Português do Brasil e o Banco Comercial do Rio de Janeiro. De referir as fortes ligações que havia entre a casa comercial e o Brasil, através da pessoa de Cândido Sotto Mayor, pai do fundador da casa Pinto & Sotto Mayor.

Assim, por escritura de 28 de março de 1925 (Diário do Governo, III série, de 04 de abril), a casa bancária é transformada em sociedade anónima de responsabilidade limitada, sob a denominação de Banco Pinto & Sotto Mayor com o capital de 30.000 contos.

O Banco Pinto & Sotto Mayor participou no capital social de diversas empresas, tais como a Fosforeira Nacional, a Companhia de Seguros “Sagres”, a Companhia Ocidental Portuguesa e a União Elétrica Nacional. Participou também na criação do Banco Colonial Português (1919), do Banco Nacional Agrícola (1921), do Banco Colonial e Agrícola Português (1923) e incorporou o Banco Mercantil de Viana.

Na década de 20, deu início à sua expansão geográfica no território nacional, com a abertura de uma filial no Porto e de balcões em Braga, Coimbra Viseu, Viana do Castelo, Chaves, Celorico da Beira e Régua. A partir dos anos 50, acompanhando o clima favorável da economia nacional, o banco expandiu-se em Lisboa, no Porto, em Águeda, Fundão, Barcelos, Vila Nova de Gaia e Oliveira de Azeméis. Em 01 de abril de 1952, o capital social é aumentado para 45.000 contos.

Os anos 60 ficaram marcados pela entrada de António Champalimaud na instituição e pelo alargamento da rede de agências ao território ultramarino. Este alargamento, principalmente a Angola e Moçambique visava acompanhar o desenvolvimento dos negócios e interesses de António Champalimaud no Ultramar. Abriram-se numerosas agências nestas províncias. Nesta época, o Banco Pinto & Sotto Mayor participou na fundação do Blantyre Commercial Bank of Malawi (1968), estabeleceu delegações em Paris e no Luxemburgo, a partir de acordos com o Crédit Commercial de France e o Crédit Européen, e abriu agências em Dusseldorf, na Alemanha, e no Canadá, em Toronto e Montreal (1970).

A necessidade de abertura de uma agência em Ponta Delgada levou à aquisição, em 1971, do Banco Agrícola de São Miguel.

O clima de expansão e desenvolvimento foi interrompido com a revolução de abril de 1974 e com a consequente nacionalização da banca nacional, decretada em 14 de março de 1975 (Decreto-Lei nº 132-A/75). Com o estatuto de empresa pública (Decreto-Lei nº 729-F/75), em 1977, o banco foi reestruturado e incorporou o Banco Intercontinental Português.

Em 1982, o pacto social ser alterado e o capital social elevado a 4.000.000 contos. Em 1989, o capital é novamente alterado para os 20.000.000 contos. Em setembro de 1990, o mesmo foi aumentado para os 26.000.000 contos. Ainda neste ano, o estatuto do banco é alterado para sociedade anónima e em 1992, o capital é novamente elevado, para 30.500.000.

Em 29 de julho de 1993, através da Resolução do Conselho de Ministros nº 52/93 (Diário da República, I série, de 02 de agosto), é regulado o processo de reprivatização do banco. Em 1994, foi adquirido pela Companhia de Seguros Mundial Confiança, SA, 80% do capital, tendo o restante, sido colocado à disposição de funcionários da instituição, pequenos subscritores e emigrantes (Resolução do conselho de Ministros nº 14-A/95).

Em 2000, a Caixa Geral de Depósitos fica com o controlo da Mundial Confiança e do banco. Nesse mesmo ano, as assembleias gerais do Banco Pinto e Sotto Mayor e do Banco Comercial Português chegam a acordo para a integração do primeiro na estrutura do Banco Comercial Português (*), tendo-se firmado essa fusão em dezembro de 2000.


[fonte do historial: Banco de Portugal]       

(*) Relativamente ao Banco Comercial Português, fundado em 1985, a partir de 2004 mudou o seu nome para Millennium BCP.

4/11/2023

Close-up - Pasta dentífrica





A propósito do cartaz publicitário no cimo da página, do ano de 1974, hoje trazemos à memória a "Close-Up", uma marca de pasta dentífrica. Foi criada na década de 1960 e pertence ao universo do grupo Unilever.
De acordo com a descrição no sítio oficial, nasceu como uma marca pioneira e disruptiva. Inicalmente comoClose-up e actualmente como Closeup, trouxe a primeira pasta em gel dental dos Estados Unidos, enquanto o resto do mercado só possuía a tradicional pasta em creme branca. Construiu uma identidade própria e inovadora, trazendo uma mistura de sabores intensos e coloridos, sempre com foco no público jovem através de campanhas ousadas e produtos exclusivos.

Hoje, a marca é líder global no segmento de refrescância e está presente em mais de 60 países sendo umas das 50 maiores marcas do mundo e atendendo mais de 700 milhões de consumidores por ano. Apesar disso anda há muito que anda afastada da publicidade, nomeadamente no nosso panorama televisivo.

Não sendo consumidores do produto e da marca, desconhecemos se é eficaz ou apenas um dos muitos produtos que vão valendo pelo "antes parecer do que ser". Uma imagem baseada na cor e em boquinhas sensuais muito próximas, supostamente frescas e agradáveis, porque a publicidade ainda cumpre o seu papel de levar a comprar por impulso e nisso uma imagem vale mais que o valor da eficácia.

4/05/2023

Supermanos - Euronics

A Supermanos é uma empresa dedicada ao comércio de electrodomésticos e similares, com sede em Lisboa, onde ali dispõe de várias lojas. 

Convenhamos que a marca não tem uma popularidade nacional abrangente, pelo seu carácter regional, mas é mencionada com regularidade como patrocinadora no concurso televisivo da RTP, "O Preço Certo", apresentado pelo popular Fernando Mendes, este amigo do Mário Rodrigues, um dos fundadores da loja. 

A empresa terá sido fundada em Lisboa, por dois irmãos, daí o nome, na década de 1950, pelo que tem 65 anos de história. Em 1974, a ter em conta o curioso cartaz publicitário que acima reproduzimos, tinha já 10 estabelecimentos espalhados por Lisboa.

Actualmente, com a mudança dos actores e das dinâmicas deste mercado de comercialização de electrodomésticos, nomeadamente com o aparecimento de grandes lojas como a Worten, Fnac e Rádio Popular, entre outras, a Supermenos associou-se à rede europeia Euronics.

A Euronics International foi fundada em 1990 por cinco associações da Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica e Holanda. Com um faturamento anual total de 20,1 bilhões de euros em 2019 e presença em 34 países com mais de 8.500 pontos de venda, desde então tornou-se numa das maiores redes de venda da Europa.

Mais de 50.000 funcionários trabalham em mais de 5.500 empresas associadas. A EURONICS atua em um mercado com mais de 600 milhões de habitantes e tem como meta tornar-se a principal cadeia de venda de eletrônicos de consumo na Europa.

4/03/2023

Jesse James - Bandido ou herói?

 








Passam hoje 141 anos (3 de Abril de 1882) sobre a data da morte do famoso bandido do oeste americano, Jesse James
Acima alguns dos cartazes de alguns dos vários filmes que foram realizados à volta dessa mítica figura.
Até mesmo na Banda Desenhada a figura de Jesse James foi sempre muito utilizada, incluindo o seu aparecimento num dos álbus de Lucky Luke, de autoria de Morris.

3/29/2023

Calabote - O árbitro inocente ou inocêncio

Hoje, data do seu nascimento, trazemos à memória o árbitro de futebol Inocêncio Calabote. Falado e invocado não tanto por quem foi seu contemporâneo e o viu a actuar mas sobretudo por gente de gerações seguintes, em rigor por quem nunca o viu mais gordo ou mais magro, mas tão somente porque a reboque de velhas rivalidades e novas discussões entre os nossos maiores clubes de futebol, nomeadamente o Benfica e o F.C. do Porto. 

Assim, sempre que há casos de arbitragens mais ou menos controversos, esses dois clubes, seja por se sentirem prejudicados ou porque acusados pelo adversário de favorecimento, tanto ao nível de dirigentes como de adeptos, degladiam-se ferozmente, tantas vezes de forma irracional. E nessa discussão o há muito desaparecido árbitro Calabote com frequência lá vem à baila para se esgrimir com mais ou menos fundamentos os casos de favorecimento  de certos clubes pelos homens do apito.

Inocêncio João Teixeira Calabote nasceu em 29 de Março de 1917, na freguesia de Santo Antão, Évora, filho de José Calabote e Caridade Amélia. Faleceu em 2 de Janeiro de 1999, com 81 anos. Como jogador de futebol, informação que não consegui confirmar, terá jogado no Lusitano de Évora e chegou a  árbitro da Associação de Futebol de Évora tendo chegado à categoria de internacional. 

Para a história ficou conhecido sobretudo pela sua actuação no jogo no Estádio da Luz entre Sport Lisboa e Benfica e Grupo Desportivo da CUF, em 22 de Março de 1959, partida que os lisboetas venceram por 7-1 sendo que foi insuficiente face ao resultado do jogo que na mesma altura decorria em Torres Vedras com a equipa local, o Torreense, a defrontar o F.C. do Porto, tendo este jogo terminado com a vitória dos portistas por 0-3 o que lhes garantiu a vitória no campeonato nacional dessa época por diferencial de golos. 

Quanto a Calabote, acabou por ser irradiado devido a questões técnicas relacionadas a esse jogo, não tanto das decisões, incluindo o ter assinalado 3 penalties para o Benfica, mas por ter mentido no relatório ao afirmar que o jogo tinha começado a horas e que tinha tido apenas 2 minutos de compensação, o que não correspondia à verdade já que o início do jogo terá iniciado mais tarde 6 minutos após a hora marcada e o tempo de descontos foram 4 minutos (uma brincadeira comparados com os 10 minutos que agora é habitual em alguns jogos). Todavia, importa dizer que quando Calabote foi afastado da arbitragem, numa carreira de 22 anos,  tinha já mais de 40 de idade o que, convenhamos, estava já na hora de se retirar.

Do que temos lido sobre o assunto, ou o "caso", e há muita coisa escrita, e atentos às versões de portistas e benfiquistas, há nitidamente diferentes leituras e interpretações, como convém. Por isso aos portistas importa realçar e extrapolar os casos que ocorreram na Luz (que de resto nem foram decisivos) e omitirem os que aconteceram em Torres Vedras (esses sim, decisivos), e vice-versa. 

De facto, os portistas, nas considerações sobre esse assunto, nunca abordam ou explicam os "casos" ocorridos no jogo com o Torreense. Já os benfiquistas procuram esgrimir que a história está mal contada ou extrapolada e que em rigor desse jogo nada conseguiram para além de que imprensa da época não encontrou assim tantas anormalidades, para além do atraso do início do jogo que deveria ter coincidido com o jogo de Torres Vedras. De resto, 3 penalties num jogo? Em jogos mais recentes têm sido várias as equipas a beneficiarem de 3 penalties na mesma partida e sem tanto espanto. Também por 4 minutos de descontos? Em jogos recentes, mesmo envolvendo Benfica e Porto, chegam a ser 10 ou mais.

Em resumo, e não disfarçamos uma costela benfiquista, era só o que faltava, mas numa análise tão imparcial quanto possível, parece-nos que em rigor existiram anomalias e "casos" estranhos não só nesses dois jogos finais como mesmo em jornadas anteriores, com resultados muito "esquisitos". Veja-se que a 3 jornadas do fim do campeonato, quando se perspectivava que a coisa poderia vir a ser decidida por diferença de golos, o F.C. do Porto, então bastante atrás nesse requisito, recebeu e venceu o Beleneneses por 7-0, com a particularidade de que a equipa de Belém foi, apenas, a terceira classificada, por isso uma das melhores dessa época e que só nesse jogo sofreu quase 1/3 dos 27 golos que consentiu em todas as 26 jornadas da competição. Ou seja, no mínimo deu para desconfiar de que já havia certas coisas a prepararem-se, tanto mais que, poucas jornadas antes, o Belenenses havia protestado o jogo que perdeu com o Benfica, tendo por isso e a partir daí ficado azedado nas relações. Mesmo no jogo anterior, o Benfica perdeu em Alvalade frente ao Sporting e acabou o jogo com 9 jogadores o que estraga a tese de que estaria a ser "encaminhado" para o título.

Mesmo voltando aos famosos dois jogos da última jornada (26.ª), o F.C. do Porto venceu o Torreense por 3-0 sendo que a 2 minutos do fim estava apenas 1-0 e o terceiro golo que acabou por ditar a conquista do campeonato foi apontado a 20 segundos do apito do árbitro e numa altura em que Torreense já estava a jogar apenas com nove jogadores e com dez a partir dos 20 minutos da segunda parte. Aqui, o árbitro Francisco Guiomar bem que poderia ser também ele um "Calabote". Mas a história não lhe deu tanta fama, desde logo porque os incidentes desse jogo não foram nem têm sido tão discutidos.

Já no jogo da Luz, dos três penalties apontados a favor do Benfica, a imprensa da época considerou que dois deles foram bem assinalados e um com dúvidas, mas em contraponto terá ficado mesmo por marcar a favor dos encarnados um descarado, coisa que até terá sido reconhecido pelo treinador da CUF no final da partida. 

Ou seja, se Calabote estava assim "inclinado" e instruído para beneficiar o Benfica, como querem fazer crer as hostes portistas, de modo a conseguir a tão milagrosa diferença de golos, desempenhou mal o seu papel pois em quase dez minutos de jogo finais não arranjou qualquer "solução" e até se esqueceu de assinalar um penaltie então considerado como evidente, que poderia ter feito a diferença. Certo é que o F.C. do Porto por via do resultado em Torres Vedras sagrou-se campeão da época 1958/1959 com 1 golo de diferença entre marcados e sofridos (81-22 (59) e 78-20 (58), respectivamente). Caso para se dizer que Calabote e por arrasto o Benfica, ficaram com a (má) fama mas sem o proveito. 

Este "caso" terà à época durado apenas alguns dias, arrefecendo logo após os acontecimentos e durante praticamente 20 anos ninguém se lembrou da figura de Calabote. Mas a coisa foi ressuscitada quando o Benfica começou a contestar os favores da arbitragem ao FC Porto no campeonato de 1977/78, que o clube azul e branco venceu após um longo jejum, e o treinador portista, José Maria Pedroto, replicando, provocava na imprensa: "- O que vocês queriam era o Calabote!". Por isso, o Calabote lá foi então ressuscitado (sendo que nessa altura ainda vivinho da silva) e sempre que importa ao caso das rivalidades.

Seja como for, discutir estas coisas, tanto mais na perspectiva de dois clubes fortemente rivais, em que nem sempre a lucidez e imparcialidade são qualidades, bem pelo contrário, este "caso" do Calabote ficou na nossa memória colectiva e há-de continuar a ser periodicamente chamado à actualidade sempre que der jeito.

Inocente ou culpado, Inocêncio Calabote ficou ligado para a história do nosso futebol. Realidade, mito ou lenda, há-de continuar por aí a ser invocado porque o futebol não sabe gerar valores positivos mas antes rivalidades por vezes, quase sempre, doentias e irracionais. Ademais, os casos, mais ou menos escandalosos sempre foram uma parte intrínseca do futebol e no nosso campeonato e nela o Benfica e Porto não são nem nunca foram inocentes. Com mais ou menos decoro, sempre procuraram virar o sistema a seu favor. Ora uns, ora outros. Por isso ficam mal estas discussões de virgens ofendidas a travarem-se de razões e contabilizar prejuízos ou benefícios. E andamos nisto há quase um século. Calabotes, Calheiros, Martins dos Santos, Augustos Duartes, Lucílios, apreciadores de quinhentinhos, viagens ao Brasil e taças de frutas, e tantos que tais, etc, etc,  foi o que nunca faltou ao nosso futebol e outros tantos continuam a andar por aí. Ora para lá, ora para cá e todos se queixam.

Inocêncio Calabote, que já não apita há quase 70 anos e faleceu há mais de 20, bem que merecia que o deixassem em paz! De resto, quase todos nós que ainda falamos nele, nunca o conhecemos e até pode ter sido um árbitro medíocre, como tantos na actualidade, mas provavelmente um excelente ser humano. Por isso, que descanse em paz.

3/27/2023

Nacet - Lâminas de barbear

 


Convenhamos que as lâminas de barbear, das mais simples e baratas às mais caras e sofisticadas, das descartáveis às recarregáveis, continuam a ser um produto necessário ao dia-a-dia dos homens e como tal não perde a sua actualidade. 

Quanto a marcas, são várias, dependendo dos países, mas continuam a dar cartas de forma global a Gillette, de que já falamos aqui, ou mesmo a Schick.

Hoje trazemos à memória as clássicas lâminas da marca Nacet, originalmente de marca própria produzida na Inglaterra e posteriormente adquirida pela Gillette, em data que não conseguimos apurar. A marca terá sido descontinuada pela Gillete mas, certamente que por cedência de direitos, ainda se produzem, fabricadas na Rússia, em S. Petersburgo, e ainda em países asiáticos. 

Do que ressalta do grafismo desta emblemática marca, é a imagem do crocodilo sendo cortado a meio pela lâmina, no que hoje em dia será politicamente incorrecto, mas até que se levantem vozes de virgens ofendidas ou chocadas, o crocodilo lá continua a ser atravessado pela lâmina. Versões há, que para além do crocodilo surgem elefantes e mesmo rinocerontes a ser segmentados pelo "poder" da fina lâmina de aço.

Pessoalmente já usei Nacet por então as considerar semelhantes ou mesmo superiores às da Wilkinson e Schick e bem mais baratas, mas a partir de determinada altura fui deixando de usar a troco das práticas e descartáveis e actualmente vou usando Gillette Blue III em que cada uma delas dá para várias sessões. Quanto às Nacet ou mesmo Wilkinson, ainda uso mas apenas para aparar as patilhas. Por isso uma embalagem dá para anos.



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