1/05/2024
1/04/2024
Pseudo-concursos da RTP
A propósito de um "pseudo-concurso" "Temos Artista - Especial Fado" no programa "A Praça da Alegria" na RTP:
Não somos muito de comentar, sobretudo em redes sociais porque invariavlemente é "chover no molhado", mas, por excepção, deixamos um comentário no Facebook do respectivo programa.
Infelizmente a RTP presta-se a estas tristes figuras. O apelo ao voto das massas, que por regra têm em conta a simpatia e não a qualidade intrínseca do talento dos concorrentes, dá nisto e demonstra que o factor da receita das chamadas tem mais peso. O júri, mesmo que competente, como o José Gonzalez, que percebe como poucos do fado, faz apenas figura de corpo-presente.
Neste caso, apesar de globalmente ter reconhecido a qualidade do Franklim e da Tânia e de apontar as fragilidades técnicas da mais jovem, a Bea, que demonstrou notoriamente problemas de dicção, atrapalhação com algumas palavras e de respiração, e que, todavia, naturalmente pela sua juventude tem qualidades a explorar, com caminho a percorrer e muito a aprender, viu o público a confirmar o paradoxo destes pseudo-concursos que acabam por premiar a capacidade dos familiares, amigos, escola, empresa e comunidade local onde se inserem, em concentrarem os telefonemas.
Posto isto, estes pseudo-concursos na RTP, não são mesmo para levar a sério e em rigor sujeita-se a eles quem quer. Dá-lhes montra? Dá! Isso é o mais importante? Cada um que responda por si!
Em todo o caso, de pouco ou nada vale comentar aqui méritos, justiça ou injustiças. Ninguém da RTP e da produção se incomoda com isso nem virá aqui prestar contas. Quem não gostar, como eu, ponha de lado no prato. Apenas comentei agora, pela primeira e última vez, porque apesar de já ter ocorrido antes, este caso foi flagrante no paradoxo criado, em que de facto a qualidade e o mérito não contaram para o totobola.
O próprio júri deve ter-se sentido mal mas faz parte do contrato aguentarem com estas singularidades. É para isso que lhes pagam. Poderia haver uma classificação apenas pelo júri, mas isso já seria pedir de mais. O nosso modelo de televisão, mesmo pseudo-público não se compadece com lirismos e o liga, liga, liga, é quem mais ordena!
[foto: RTP]
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Lusalite
A Lusalite - Sociedade Portuguesa de Fibrocimento, S.A.R.L. foi fundada por 1933 pela Corporação Mercantil Portuguesa, L.da, do empresário Raúl Abecassis, com instalações na Cruz Quebrada - Algés no município de Oeiras.
O seu principal produto, que se tornou sinónimo do próprio nome da empresam eram as chapas onduladas em fibrocimento com aplicação em revestimentos de fachadas mas sobretudo de coberturas, em cuja composição entrava o amianto. Mas o leque de artigos fabricados pela Lusalite era naturalmente mais alargado, como tubagens para abastecimento de água e redes de esgotos, depósitos de água, etc.
O quase monopólio do fabrico e comercialiação dos produtos em fibrocimento era detido pela Lusalite e pela Cimianto, esta fundada em 1942. Neste contexto fundiram-se ambas as empresas em 1945 de que resultou a Novinco - Novas Indústrias de Materiais de Construção, S.A. com instalações em Leça do Balio. Pelo 25 de Abril de 1974 a Lusalite empregava perto de 800 funcionários o que atesta da sua importância.
Actualmente está comprovada a perigosidade para a saúde do amianto, com incidência cancerígena, e proibido pela União Europeia desde 2004. Esta decisão comunitária desferiu um rude e fatal golpe nesse material e foi inevitável o encerramento das empresas que dependiam da sua incorporação, como foi o caso da Lusalite e depois mesmo a Novinco, encerrada por insolvência em 2009, à qual anteriormente havia sido vendida a marca.
Apesar disso, e desse material já não ser fabricado nem utilizado e estarem a ser realizadas acções da sua remoção, sobretudo em edifícios públicos, num processo que as associações ambientalistas e de saúde dizem ser lento, a verdade é que ainda faz parte de muitos milhares de construções, incoproradas as placas da Lusalite sobretudo nas coberturas de edifícios de habitação, como fábricas e ainda em muitas escolas.
Em todo o caso, a Lusalite é uma das grandes marcas associadas à nossa memória colectiva e exemplo de que certos produtos ou conceitos tidos como quase milagrosos numa determinada época, acabam, como o tempo, por ser postos de lado, no caso por questões de saúde, mas tantas vezes por meras modas ou hábitos de consumo ou ainda por outros motivos menos sustentados.
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