1/16/2025

A Nikita do Elton, que era tão inglesa como ele

Anya Major - A Musa de "Nikita".

Nos anos 1980, os videoclipes desempenhavam um papel central na promoção de músicas, muitas vezes criando narrativas visuais inesquecíveis. Um exemplo marcante foi "Nikita", de Elton John, lançado em 1985. O videoclipe tornou-se um clássico não só pela música emotiva, mas também pela participação da bela Anya Major, a mulher que, nascida em 1966,  deu vida à personagem-título e se tornou um ícone visual daquela era.

Quem era, afinal a Nikita? Soviética, alemã oriental?

Anya Major não era uma actriz ou modelo muito conhecida na época, mas já havia chamado atenção em outro projecto marcante. Ela tinha sido a protagonista do famoso comercial "1984" da Apple, dirigido por Ridley Scott, no qual destrói simbolicamente o controle opressivo do "Big Brother". Esse papel destacou sua presença atlética e forte, características que a tornaram perfeita para o videoclipe de "Nikita".

Antes de sua fama em "1984" e "Nikita", Anya Major era uma atleta britânica, conhecida por sua determinação e carisma natural. Sua habilidade de combinar força e feminilidade chamou a atenção de produtores, garantindo-lhe oportunidades como essa.

 O Contexto do videoclipe de "Nikita"

A canção "Nikita", escrita por Elton John e Bernie Taupin, é uma balada romântica que captura a melancolia e as limitações impostas pela divisão política da Guerra Fria. A letra narra a história de um amor impossível entre o narrador e Nikita, uma agente da polícia de fronteira da Alemanha Oriental, que então separava o outro lado do muro de Berlim.

No videoclipe, dirigido por Ken Russell, Anya Major encarna a figura de Nikita, vestida em um uniforme militar e o emblemático gorro de pelo, mas com traços de vulnerabilidade e doçura. A sua personagem simboliza a humanidade que transcende as barreiras ideológicas. Apesar do uniforme rígido, o olhar de Anya transmitia emoções que contrastavam com a frieza política do cenário.

O Impacto do videoclipe

"Nikita" foi lançado em uma época em que a tensão entre o Ocidente e o Bloco Soviético era um tema constante na mídia e na cultura popular. O videoclipe, com uma narrativa simples e nem sempre consentâneo com a história cantada, ressoou, contudo, com as audiências de todo o mundo. Anya Major tornou-se a personificação visual de Nikita, eternizando seu papel como o rosto de um amor que desafiava barreiras.

Curiosamente, a canção gerou alguma controvérsia após seu lançamento. Na letra, "Nikita" é referida como um homem, já que, em russo, Nikita é um nome masculino. No entanto, o videoclipe reinterpretou a narrativa, apresentando Nikita como uma mulher, o que ajudou a universalizar a mensagem da música.

Anya Major após "Nikita"

Após o sucesso de "Nikita", Anya Major optou por uma vida mais discreta, afastando-se dos holofotes. Seu papel no videoclipe, no entanto, permanece como um marco na cultura pop, sendo lembrado por sua beleza, força e a emoção que trouxe à história visual da música de Elton John.

Um Símbolo de resistência e emoção

O videoclipe de "Nikita" não seria o mesmo sem a presença magnética de Anya Major. Ela conseguiu transmitir a tensão de uma época e a ternura de um amor impossível com um simples olhar. Sua atuação reforçou a mensagem da música: a de que barreiras políticas podem separar pessoas, mas não têm o poder de apagar os sentimentos que elas compartilham.

Anya Major será para sempre lembrada como a guarda de fronteira que, mesmo sem palavras, nos contou uma história que atravessou décadas.

1/14/2025

Banco Pinto & Sotto Mayor - 1979


Publicidade de 1979.. Já falei, aqui, deste Banco Pinto & Sotto Mayor.

Por esses tempos, porventura, os bancos eram instituições mais ou menos sérias, com gente dentro, em quem se podia confiar. Hoje em dia é o que se sabe: seriedade pouca, gente cada vez menos e máquinas a substituir as pessoas. Não surpreende, por isso, que mesmo um banco público como a Caixa Geral de Depósitos, mesmo a dar lucros, esteja em debandada de zonas do interior do país, deixando aquela pessoas, muitas com baixa aptidão na utilização de sistemas de operações automáticas, entregues a elas próprias. Avança-se numa sociedade de números e as pessoas são apenas a massa amorfa necessária a moldar os lucros. O resto, incluindo termos para adormecer burros, como coesão social e territorial, é apenas conversa de políticos e governantes a valer menos que bosta. Esta, ao menos, dá para engordar couves e tomates.

1/06/2025

O Pai Murphy - "Father Murphy - Série de televisão


"Father Murphy" é uma série de televisão americana que foi transmitida de 1981 a 1983, criada por Frank Lupo. O enredo gira em torno do Padre Murphy, um padre católico interpretado por Merlin Olsen, que, após a morte de seus pais, assume o papel de protetor e conselheiro de um grupo de órfãos. A trama se passa no Velho Oeste, no século XIX, e explora as dificuldades e desafios enfrentados por essas crianças enquanto tentam sobreviver e encontrar um propósito em suas vidas.

O Padre Murphy, originalmente um homem simples, decide assumir a identidade de um sacerdote para se infiltrar em um orfanato onde as crianças estão sendo maltratadas. Ao longo da série, ele ganha a confiança das crianças, ao mesmo tempo em que enfrenta uma série de obstáculos, como criminosos e autoridades corruptas. A série mistura elementos de drama, aventura e lições morais, com o padre desempenhando um papel paternal ao guiar as crianças em direção a um futuro melhor.

A série é conhecida por seu tom sensível e os conflitos internos dos personagens, explorando temas como a moralidade, a fé e a redenção, ao mesmo tempo em que traz à tona as dificuldades da vida no Oeste americano.

Em Portugal a série foi exibida por meados de 1985, aos sábados, a seguir ao almoço.


Ficha técnica:

Título: Father Murphy

Gênero: Drama, Aventura, Família

Criador: Frank Lupo

Emissora original: NBC

Exibição original: 1981 a 1983

Número de temporadas: 2

Número de episódios: 34

Duração média por episódio: 60 minutos

Michael Landon, actor de populares séries como "Bonanza", "Uma Casa na Pradaria" e  "Um Anjo na Terra", criou a série e foi o produtor executivo, dirigindo em parceria com William F. Claxton , Maury Dexter , Victor French e Leo Penn

Elenco principal:

Merlin Olsen como John Michael Murphy 

Moses Gunn como Moses Gage

Katherine Cannon como Mae Woodward/Murphy 

Timothy Gibbs como Will Adams

Scott Mellini como Ephram Winkler

Lisa Trusel como Lizette Winkler

Kirk Brennan como David Sims

Byron Thames como Matt Sims

Chez Lister como Eli Matthews

Richard Bergman como Padre Joe Parker


Banda sonora: Mike Post

Produção: Universal Television

Localização: Estados Unidos (exibido nacionalmente pela NBC)


1/05/2025

E continuamos com Triumph



No seguimento do anterior artigo, novamente dois cartazes às reduzidas roupinhas da Triumph. Ano de 1985. In "Crónica Feminina"

1/03/2025

Lingerie Triumph - Pelo prazer de ser mulher

 



Dois cartazes publicitários à marca de roupa lingerie feminina, a Triumph. 1985 - in Crónica Feminina

Já falámos aqui da Triumph, popular marca de roupa íntima de senhora.

Hoje partilhamos dois cartazes similares, com a mesma bela modelo, mas com diferentes peças - mas nem tanto.

1/02/2025

Nani - O primeiro amigo do seu bébé

 

Cartaz publicitário aos produtos para bébé "Nani" - Ano de 1979 - in Crónica Feminina.

Por mais que tenha pesquisado, nada encontrei sobre esta marca que publicitava toda uma linha de produtos para o bébé, desde o biberão até ao mobiliário passando pelas roupas e brinquedos. Certamente que era uma ideia de negócio interessante, integrada, mas, como muitas outras, terá ficado pelo caminho, quiçá, dividida ou absorvida por outra empresa. Fica o mistério em suspenso até que possa reunir informação adicional.

11/05/2024

Super Cola 3 - Loctite

 


Cartaz da Super Cola-3 da Loctite - Presumivelmente da década de 1970.

A esta cola muito específica ficou sempre a ideia de que colava realmente tudo, daí que vulgarmente nos referimos a ela como "a cola tudo". Apesar de assim ser, na realidade nem sempre colava tudo, pelo menos com a eficiência com que colava os dedos se por falta de cuidado com eles havia contacto. Naturalmente que ao longo dos tempos o produto foi sendo aperfeiçoado em hoje em dia é comercializado em diversas versões e direcccionado para diferentes finalidades. Em todo o caso, para além da eficiência, ou não, é um produto e uma marca que fazem parte da nossa memória colectiva.

A super cola foi inventada em 1942 pelo Dr. Harry Coover. Ele fazia parte de uma equipa de investigação em tempo de guerra que desenvolvia plásticos transparentes para utilização em miras de precisão para armas. Descobriram involuntariamente um composto químico de extraordinária aderência, mas inicialmente não viram qualquer utilização para o mesmo na sua investigação.

Só mais tarde é que Coover viu o potencial dos cianoacrilatos como cola, e foi produzido para venda comercial em 1958 pela LOCTITE. Tornou-se rapidamente muito popular como um adesivo doméstico útil e versátil.

Durante mais de 50 anos a Loctite destacou-secomo líder global em soluções adesivas fiáveis. O portfólio de produtos de última geração está disponível em mais de 80 países em todo o mundo e distingue-se pela sua excecional rapidez, resistência, durabilidade e facilidade de utilização.

Os consumidores de todo o mundo confiam em Loctite para soluções rápidas, fortes e duradouras nos seus trabalhos de colagem. O compromisso contínuo com a investigação junto dos consumidores e com as tecnologias inovadoras continua a fazer da marca de adesivos a líder mundial no segmento.

O fabricante alemão Henkel adquiriu a Loctite Corporation em 1997.

[fonte: Loctite]

10/24/2024

Marco Paulo, o adeus

 


A notícia já é conhecida por todo o país. Faleceu o Marco Paulo, essa figura incontornável da musica popular portuguesa, seja lá o que isso for.

Sobre a sua vida e obra pouco importa aqui acrescentar pois nada será novidade, já que por demais conhecidas, pois para além de ser cantor muito popular, teve uma longa ligação à televisão.

Neste momento da sua despedida, mesmo que já previsível face ao seu estado de saúde, verifico que em todos estes anos de blog Santa Nostalgia e entre centenas de artigos e memórias reavivadas, nunca foi dado qualquer destaque a esta figura. Concerteza que também de muitos outros, mas sem dúvida que mereceria um destaque, uma memória.

Não sei se foi por isso, essa falha, mas porventura por nunca ter sido um cantor que colhesse de minha parte um entusiasmo por aí além. Não regateio nem nem lhe retiro a mínima importância e popularidade de que gozou durante várias décadas no nosso panorama musical e de entretenimento, porque a teve, e de resto os números falam por si, mas a todo o seu vasto reportório nunca lhe dei qualquer importância. Talvez pelo seu estilo muito "azeiteiro", muito kitsch, talvez por ter cantado essencialmente covers, trabalhos de terceiros, limitando-se a ser a voz, o que nem foi pouco pois a esse nível era bom e profissional, mas seja como for, passou-me ao lado do apreço puramente artístico.

Apesar disso, foi de facto uma figura e pêras, e deixa um legado musical ao nível da interpretação que tão cedo não será esquecido e, goste-se ou não, deixou temas que serão emblemáticos durante muitos anos, até que passadas algumas gerações deixem de ser lembrados e, como tudo, passem à história, ficando então como meros registos documentais.

Esteja onde estiver, que repouse em paz o Marco Paulo. Teve fama e proveito mas também a sua dose de infortúnios, nomeadamente ao nível de saúde. Continuará, concerteza, a ser recordado e evocado por muito tempo.

[imagem:Fonoteca Municipal do Porto]

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