8/06/2008

Publicidade nostálgica - Desodorizante 8x4


publicidade santa nostalgia 8x4

































Desodorizante 8x4.  

Sempre me intrigou este nome, e considero-o um bocado esquisito quando aplicado a este tipo de produto, mesmo sendo uma marca internacional, propriedade da conhecida Beiersdorf, mas a verdade é que o 8x4 é uma das marcas mais populares desde há longos anos. Em spray ou em stick, o 8x4 tinha a vantagem de oferecer sempre fragâncias frescas e suaves, em contraponto a outras marcas com perfumes demasiado intensos, que mais pareciam insecticidas para melgas e mosquitos.
Apesar da marca oferecer as habituais variantes para homens e para mulheres, pode ser apenas uma suposição, mas o 8x4, pelo menos no meu tempo de rapazola adolescente, foi sempre muito conotado com aromas femininos, pelo que a rapaziada preferia usar os "insecticidas" a suportar o rótulo de "florzinha" ou "maricas".
Quanto à sua eficácia de frescura durante 24 horas, bem penso que isso não resultava muito nos pedreiros e nos trolhas.
Excessivamente feminino ou não, e apesar de ainda continuar a vender-se, sempre com muita popularidade e devidamente adaptado às exigências do actual mercado, com uma forte componente de imagem e marketing, o desodorizante 8x4 faz já parte das nossas memórias de criança e adolescente.

8/05/2008

João de Deus - Caderno escolar

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Recordo hoje um dos saudosos cadernos que me acompanharam no percurso da minha escola primária, com a figura desse ilustre nome que foi João de Deus, autor da Cartilha Maternal (publicada em 1876), que se tornou muito popular como método de ensino de leitura às crianças portuguesas de então e cujo método vigorou por várias décadas.
Este caderno era vendido com capas de várias cores e de linha larga, linha estreita (adequados ao ensino da caligrafia), quadriculado e de desenho (folha em branco). Também havia os combinados, isto, com os vários tipos de folhas. Na contra-capa todos eles tinham as tabuadas de multiplicar e repartir.

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Publicidade nostálgica - Sabão Clarim

 

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Sabão Clarim. Com Clarim, toca a lavar! Este slogan ainda hoje está presente na memória de muita gente. De facto este produto foi sempre muito popular e ainda hoje é muito usado apesar de já quase ninguém lavar à mão. Mas há sempre aquela peça de roupa que não justifica ir à máquina.

Recordo o Clarim e o seu inconfundível perfume a fresco e recordo sobretudo as longas horas que a minha mãe e todas as mulheres da aldeia dedicavam à lavagem manual da roupa, que era uma tarefa bastante dura e ingrata, especialmente em dias de inverno. Para além de repetitiva, exigia grandes esforços, desde o transportar a roupa à ida e à volta (ainda mais pesada), até ao ensaboar, esfregar na pedra áspera de granito e ao torcer. Depois de todo o processo era ainda necessário estender a roupa num sítio adequado para ficar a corar. O aparecimento e a generalização das máquinas de lavar veio desafogar as mulheres domésticas de um trabalho deveras penoso.

Para facilitar essa tarefa comum e quase quotidina, e porque era na altura uma importante infra-estrutura comunitária, quase todas as aldeias tinham um ou mais  lavadouros públicos, dispersos por vários lugares, onde se juntavam várias mulheres ou raparigas, sempre em ambiente de amena conversa, com boatos e mexericos na ordem-do-dia e até mesmo a cantar. Assim transformava-se uma tarefa ingrata num momento de alegria. Havia ainda quem lavasse a roupa na borda de um regato ou em qualquer outro sítio com água corrente, proporcionando assim quadros pitorescos do diário da aldeia.

Por isso, quando se passava por um destes locais, para além do tagarelar do mulherio sentia-se esse perfume a sabão Clarim, que assim lavava a roupa e até a água. Depois, como diz a cantiga da Aldeia da Roupa Branca, na voz da inconfundível Beatriz Costa, "...ai rio não te queixes, ai que o sabão não mata, ai até lava os peixes, ai põem-nos como prata..."

Outros tempos, outros usos e costumes.

8/01/2008

Emblemas e distintivos de clubes - 1

Como apreciador de cromos e cadernetas, de modo especial da temática do futebol, desde cedo me habituei a apreciar os emblemas dos diversos clubes que quase sempre tinham direito a um cromo próprio. Não admira, pois, que ainda hoje continue a gostar da temática dos emblemas dos clubes de futebol, claro está, de modo especial dos clubes portugueses.


Todos sabemos que os emblemas são um elemento gráfico que personalizam a esse nível a imagem de um clube, tal como acontece com o logotipo de uma empresa, marca ou produto. Quase sempre resultam de uma mera composição de formas e cores, mas muitas vezes os emblemas são compostos por elementos que dizem muito da história dos respectivos clubes. Atente-se, por exemplo, no caso do emblema do Sport Lisboa e Benfica, que resulta de uma composição dos emblemas dos dois clubes que estiveram na sua origem, concretamente o Sport Lisboa e o Grupo Sport Benfica. Mas claro que há mais exemplos.


A maior parte dos clubes tem sabido manter-se fiel ao grafismo ou modelo inicial dos seus emblemas, mas outros há, que em nome de uma suposta renovação e modernidade da imagem, têm introduzido alterações, algumas com bastante profundidade, descaracterizando toda uma imagem e emblemática com muitos anos de história. É o caso do Sporting Clube de Portugal, S.C. Beira Mar e outros mais.


Tenho estado a referir-me ao termo emblemas, por ser o mais conhecido, mas na verdade, nos meus tempos de criança, estes símbolos eram conhecidos e designados como distintivos. Creio que esta acepção tem estado em desuso, adoptando-se agora também a nomenclatura de logo ou logotipo. Sinais dos tempos.

Seguindo esta minha paixão pelos emblemas ou distintivos, que certamente é partilhada por muitos dos nossos visitantes, publicarei por aqui alguns deles, sem qualquer critério especial de ordenação.

Para já ficam estes.

emblemas santa nostalgia conjunto 01

emblemas santa nostalgia conjunto 03

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7/31/2008

Bom dia! Como tem passado Vossa Excelência? Bem, muito obrigado! Até amanhã!

 

 bucha e estica santa nostalgia

Hoje em dia é concensual a ideia de que vivemos numa pequena aldeia global. A internet, uma tecnologia de comunicação e informação, veio materializar esta realidade. Neste sentido, o conhecimento e a partilha de informação e conhecimento está ao alcançe de um simples clique.


Apesar desta globalização, desta pseudo-aproximação, o certo é que se traduz numa relação fundamentalmente virtual. Estamos demasiado próximos, separados apenas por uma janela em forma de ecrã, mas na realidade nunca estivemos tão distantes, pelo menos em termos de afectividades e sua partilha. 
Actualmente as pessoas têm uma vida com círculos de relações muito compartimentadas. Vivemos num prédio  onde habitam 100 ou 200 pessoas mas não conhecemos nem nos relacionamentos com ninguém. Quando muito, com os vizinhos do lado porque inevitavelmente nos encontramos à saída ou à entrada da escada ou do elevador. Por conseguinte, somos desconhecidos e agimos como isso.


Neste contexto, hoje quase não nos cumprimentamos nem nos saudámos. Fora do ciclo rotineiro da casa, da família, da escola e do emprego, ninguém cumprimenta um desconhecido. Quando na rua nos cruzamos com um qualquer estranho, ou mesmo conhecido mas sem qualquer grau de confiança, não somos capazes de lhe dizer um "bom dia" ou um simples "olá". Nem um simples olhar directo ou sorriso. A maior parte das vezes olhamos para o chão ou até desviamos caminho ou paramos a olhar para o lado a fingir que estamos distraídos.
Esta situação, obviamente, tende a agravar-se, porque com o permanente clima de insegurança, ninguém confia em ninguém e qualquer pessoa desconhecida, até prova em contrário, é um potencial ladrão, um terrorista ou um pedófilo. O medo está a condicionar as nossas relações de confiança e afectos com pessoas menos conhecidas.


Noutros tempos, porém, o cumprimento era uma regra geral de bom trato e boa educação. Mesmo a desconhecidos, não se regateava os bons-dias, boas-tardes ou boas-noites, conforme a altura do dia. Esses cumprimentos eram mútuos. Por outro lado, as saudações podiam ainda ser mais íntimas, como o desejar um "até amanhã" ou um simples "até logo". Frequentemente também se saudava com um "como tem passado?" e despedia-se com um "até amanhã, se Deus quiser". Independentemente da crença, este tipo de saudação comportava alguma intimidade e afectividade, mesmo para com pessoas estranhas. Era essa a norma.


Por outro lado, gestos de afectividade, deferência e respeito para com os outros, superiores ou subalternos, e principalmente para com as senhoras e idosos, hoje estão quase perdidos ou em desuso. O gesto de se tirar o chapéu como forma de cumprimento, principalmente perante superiores e senhoras, hoje não passa de uma raridade e até motivo de ridículo, bem como as formas de tratamento, quer verbais quer na escrita.


É, pois, com saudade, que trazemos à memória coisas tão simples como os cumprimentos e as saudações entre pessoas, que no antigamente eram espontâneos e sinais de boa educação e respeito e que hoje se vão tornando raros e confinados a situações de protocolo dos nossos nichos da sociedade, repletos de doutores e engenheiros. Hoje o tratamento por "senhor doutor" ou "senhor engenheiro", mais do que um tratamento de educação, é um formalismo artificial e sempre com alguma segunda intenção em mente, de gozo ou impostorice, de graxa como se costuma dizer.


O resto é o que se sabe e o que se vê: Muita gente mal educada, sem qualquer noção da boa educação e respeito pelos outros. Os velhos livros e manuais de princípios e deveres cívicos estão nos arquivos e quase sempre são conotados com os tempos da velha senhora como se o respeito e a boa educação fossem exclusividades de um tempo e de um status.

A educação hoje fundamenta-se na liberdade e todos sabemos no que dá a zelosa liberdade quanto aos direitos mas escassa e deficiente quanto aos deveres.
Não é de admirar, pois, que seja já uma saudade e uma memória a forma franca e correcta como as pessoas, ainda num passado recente se cumprimentavam e saudavam.

7/30/2008

A fisga, um brinquedo e uma arma

 

fisga santa nostalgia 01

fisga santa nostalgia 2

miudo com fisga santa nostalgia 

Um dos brinquedos muito populares entre os rapazes do meu tempo de criança, era, sem dúvida alguma, a fisga. Pela sua natureza, um objecto que permitia projectar pequenas pedras a longa distância, com algum grau de precisão, dependendo da destreza do atirador, a fisga era um forte complemento das aventuras e brincadeiras, quase sempre versões adaptadas das séries de televisão, de modo especial do tema do western americano, ou seja os "filmes de cowboys".


Certamente que a fisga habitualmente era usada com propósitos pouco recomendáveis, pois quase sempre eram usadas para atirar contra os pássaros, de modo especial os pardais e os melros. Os mais rebeldes também usavam as fisgas para outras maldades, como partir vidros e lâmpadas da iluminação pública e danificar a fruta nos pomares dos vizinhos. Frequentemente eram utilizadas nas "guerras" entre diversos grupos rivais de rapazes, pelo que por vezes o seu uso provocava ferimentos.

Era, pois, um brinquedo, mas demasiado perigoso, diga-se, tanto mais que os rapazes brincavam livremente sem a orientação de adultos, pais ou professores.
Usada de forma adequada, a fisga servia para brincadeiras que implicavam destreza, como atirar contra alvos feitos por latas ou garrafas de vidro.


Para o processo de construção de uma fisga é necessária uma parte de um ramo de uma árvore, em forma de Y, de modo geral seleccionada de um ramo de carvalho, ou castanheiro, pela sua resistência. Também eram necessárias duas tiras de material elástico, com cerca de 25 cm de comprimento e 1,5 cm de largura, norma geral recortadas de uma câmara-de-ar do pneu de motorizada ou bicicleta. Finalmente era preciso o suporte ou a funda para a colocação da pedrinha. Para o efeito usava-se um bocado de couro, em forma de rectângulo, com as dimensões aproximadas de 4 x 8 cm, geralmente recortado de uma bota ou sapato velhos.


Para preparação, alisava-se a peça de madeira, chamada na minha terra de galha, retirando-se todas as imperfeições. A cerca de 1 cm abaixo das duas extremidades superiores da galha eram feitos sulcos circulares para melhor afixar as tiras de borracha. No rectângulo de couro, nas extremidades, eram feitos dois rasgos para passagem das extremidades das tiras de borracha que depois eram devidamente atadas com um fio de sapateiro ou um arame fino, acontecendo o mesmo com as extremidades opostas que se prendiam à galha.

Realizadas estas operações estava construída a fisga, que nalgumas regiões do nosso país é também conhecida por atiradeira.
Finalmente, como munições, eram necessárias as indispensáveis pedrinhas, de preferência do tamanho de uma cereja, ou até mais pequenas, quanto mais regulares melhor, sendo as ideais os seixos do rio ou da praia, pois eram as que garantiam um tiro mais certeiro. Um bom atirador de fisga andava sempre com os bolsos cheios de pedras.


A fisga, apesar dos perigos de um uso indevido, é um brinquedo, quando usado num contexto adequado, sem dúvida, mas noutros tempos mais remotos era sobretudo arma artesanal, tanto usada para caçar como em situações de ataque, cuja capacidade dependia do seu tamanho, sendo o seu conceito aplicado noutras armas.

Para quem pretende reviver o uso da fisga, deixando as crianças experimentar, é conveniente uma adequada vigilância e em local propício, com campo aberto pela frente, não vá acontecer o pior.

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