8/26/2008

Zembla - O herói da selva de Karundan


zembla_santa nostalgia_293

zembla_santa nostalgia_297

zembla_santa nostalgia_tira 2

zembla_santa nostalgia_tira

- imagens acima: extraídas da colecção TIGRE


zembla01

- primeira edição da revista ZEMBLA, das edições Aventures & Voyages


semic7z

semic5r

semic4t

semic4h 

- imagens de várias capas de edições francesas

A exemplo da maioria da malta da minha geração, sou, desde criança de idade escolar, apreciador de banda desenhada e dentro desta há determinados autores, heróis e colecções que aprecio sobremaneira, por este ou aquele motivo.
Neste caso particular, chamo hoje à memória um herói pelo qual sempre nutri alguma simpatia: Trata-se de Zembla, uma variante do popular Tarzan. É representado como um jovem alto, longilíneo, de cabelos pretos, compridos, com calção à Tarzan, em pele de leopardo, mas com uma tira que lhe envolve o tronco na diagonal, uma espécie de suspensório.

Zembla foi criado em 1963 pelo artista de BD, Marcel Navarro, das Edições LUG. Este herói foi lançado para competir com um rival muito popular da banda desenhada, de seu nome Akim, de uma publicação concorrente das Edições Aventures & Voyages.
Não admira que Zembla tenha uma caracterização de estilo e cenário muito semelhantes ao Akim. O cabelo comprido de Zembla resultou como elemento diferencial.

Como origem do herói, conta-se que seu pai, Paul Marais, era um cavalheiro francês, abastado, mas devido a problemas com negócios, teve que partir apressadamente para a região equatorial de África, fugindo aos seus poderosos inimigos. Aí foi acolhido por uma tribo local e depressa se apaixonou pela filha do rei Naghar, a bela princesa Ula. Contra a vontade do rei, os dois apaixonados casam-se às escondidas mas são forçados a fugir. Mais tarde, já com um filho nos braços, acabaram por ser capturados e assim Paul foi assassinado por Thudor, um invejoso pretendente de Ula. Porém, antes que este pudesse fazer o mesmo com o bébé do casal, o vilão foi apanhado e devorado pelos leões. Assim o bébé indefeso, que viria a ser Zembla, foi tomado e criado pelos leões. Mais tarde, já como adulto, jurou tornar-se num defensor da selva de Karundan, usando todas as suas capacidades.

Uma das características de Zembla é a sua equipa de amigos que integram sempre as suas aventuras. São eles: YéYé, um pigmeu africano, sempre com o seu inconfundível capacete com as iniciais MP, da polícia militar e o seu relógio despertador pendurado ao peito; Rasmus, um mago circense, com aspecto do popular herói Mandrake, mas mais alto e magro. Para além destes dois inseparáveis amigos, Zembla conta ainda com a companhia de Bwana, um poderoso leão, Satanás, um feroz gato-selvagem e Petoulet, um enorme cangurú, especialista na arte de lutar. Por regra, os amigos humanos só arranjam trapalhadas e confusões para Zembla e passam o tempo a discutir entre si. Os amigos animais, esses ajudam muito e resolvem muitas situações sempre que é necessário lutar contra os diversos inimigos.

Em França, as aventuras de Zembla tiveram o seu aparecimento na revista Especial-Kiwi, Nº 15, em 1963, mas ainda no mesmo ano foi publicado com revista própria. Volvido um ano teve direito a uma nova publicação Especial-Zembla. O seu percurso editorial foi continuando, com altos e baixos, novas histórias e reedições.

Entre nós, cá em Portugal, o herói teve uma publicação própria, com o seu nome, publicada ao longo de 53 números conhecidos, entre 1972 e 1974, pela Palirex e distribuída pela Agência de Publicações A Victória e ainda  Agência Internacional de Livraria e Publicações, Lda.
Zembla também foi publicado na revista Tigre, uma publicação quinzenal de Aguiar & Dias, L.da, distribuída pela Agência Portuguea de Revistas, de que tenho vários números.

Como curiosidade, resta referir que Zembla é um herói muito popular na Turquia, onde foi introduzido em 1966.
Abaixo reproduzimos algumas capas dessas edições.

zembla1974_213

zembla1970_no34

zembla_insidecover

zembla1970_no29

Cantilenas - Brincadeiras com os dedos

mao_santa nostalgia_cantilenas

Recordo-me de minha mãe ir para as lides do cultivo do campo e nessas ocasiões deixava-nos (a mim e a dois irmãos mais chegados) entregues aos cuidados da minha bisavó materna, a quem chamávamos mãe Guida. Esta dócil criatura, morreu há mais de vinte anos, e já contava com quase 100 anos.
Apesar dos seus problemas de audição, era fantástica a contar histórias, lendas, rezas, e muitas outras coisas.  Algumas guardei, da maior parte perdi-as, no tempo e na memória.

Ensinou-me esta brincadeira com os dedos da mão:

Com a mão aberta e dedos separados, apontando com o indicador do mínimo para o polegar:

- Este vái ao moliço, este vai à lenha, este vai aos ovos, este frita-os e este come-os.


De facto, pensava eu com a minha ideia de criança de 5 ou 6 anos, residia ali o motivo do polegar ser o mais gordinho.
De explicar que o moliço na minha região corresponde à folha do pinheiro bravo, nalgumas zonas conhecida por caruma.

Ainda em relação aos dedos da mão, tinha outra variante: Do dedo mínimo para o polegar:

- Mindinho, Passarinho, Fura-Bolos, Trinca-Piolhos e Pai-de-Todos  (o polegar).

Mais uma variante, mas menos conhecida:

-soldado-raso, cabo-cabão, sargento-rabugento, tenente-sorridente e capitão-gorduchão.

Compreendia-se uma vez mais as referências à importância do polegar.

8/25/2008

Publicidade nostálgica - Margarina Vaqueiro

 

vaqueiro sonhos de bacalhau santa nostalgia 

Margarina Vaqueiro. Uma marca mais velha do que as nossas memórias, mas sempre omnipresente nas despensas das nossas cozinhas, nos nossos cozinhados e até nos nossos lanches. Como qualquer dona-de-casa portuguesa, a minha mãe desde sempre usou esta margarina, que ainda continua como uma forte referência e produto de qualidade nos lares portugueses.

A margarina Vaqueiro foi lançada no mercado no final do já longínquo ano de 1926, pela empresa Jerónimo Martins & Filho, a partir da manteiga importada com origem na Holanda, a Cowherd Vaqueiro.

Um dos aspectos interessantes deste produto é que as donas de casa podiam solicitar receitas culinárias, com Vaqueiro como ingrediente, ao Instituto Culinário da Margarina Vaqueiro, em Lisboa, um nome pomposo mas, pelos vistos, generoso.

The Roman Holidays


the roman holidays_santa nostalgia_01
- Principais personagens da série.

the roman holidays_santa nostalgia
the roman holidays_santa nostalgia_02

the roman holidays_santa nostalgia_03

Hoje trago à memória The Roman Holidays, uma série de animação que passou entre nós, na RTP, em anos 70. O primeiro episódio foi para o ar pelas 21:00 horas de sexta-feira, 22 de Fevereiro de 1974. Nos Estados Unidos passou entre 1972 e 1973. No entanto este horário foi posteriormente alterado para depois do almoço aos domingos; tenho presente esta particularidade porque nessa altura mal acabava de "engolir" ao almoço ia literalmente a correr para casa de um amigo onde ali assistia deliciado ao episódio.

A série entre nós  manteve o mesmo nome original. Sei ainda que no Brasil, muito dado  a alterar e a inventar os títulos e personagens, esta série tinha um nome esquisito e nada condizente com o original "Os Mussarelas" ou até mesmo "Os Muzzarelas". O Gus Holiday era o "Zecas", o Happius era o "Jocas", a Groovia era a "Ruvias". Particularidades. Ainda no Brasil, a série teve direito a publicação em papel pela editora Abril na revista Heróis da TV com o nome de "Folias Romanas".
O cenário da série decorria na Roma antiga, no ano 25 A.C. e as histórias giravam em torno da família Holiday, que era composta por Gus, sua esposa Laurie e os seus filhos Groovia, Happius e Precocia. Tinham uma bichinho de estimação, que era o leão Brutus. Para além destas personagens, eram importantes as participações do patrão de Gus, o Tycoonius e o seu senhorio, Evictus.
Gus era o típico chefe de família que vivia na preocupação do trabalho, numa empresa de construção e nos problemas do dia-a-dia da sua família. Laurie era a bela esposa, doméstica, entretida com as coisas da casa e da família. Groovia e Happius eram os filhos mais crescidos, com comportamentos típicos dos jovens dos anos 60/70, com uma filosofia de vida baseada na diversão e irresponsabilidade. Precocia, a filha mais nova, era a mais inteligente, sensata e equilibrada, uma espécie de Maggie na actual série The Simpsons.
Brutus, o leão, era tudo menos feroz. Apesar do seu tamanho, era um autêntico gatinho, preguiçoso e covardolas, sempre a arranjar encrencas. Uma das situações recorrentes nos episódios tinha a ver com o facto da filha do senhorio da família ser alérgica a pêlos de leão pelo que eram constantes as peripécias para ocultar o bicho às frequentes visitas do rezingão Evictus, sempre desejoso de despejar os Holidays do edifício Vénus de Milo Mars.

The Roman Holidays, foi produzida pela casa norte-americana Hanna - Barbera, e foi exibida na NBC entre Setembro de 1972 e Julho de 1973. Apenas foram produzidos e exibidos 13 episódios. Não se sabe ao certo o motivo de tão curta duração. Parece que um dos motivos resulta do facto da série The Roman Holidays ter sido uma variante de duas populares séries da mesma produtora, The Flintstones (166 episódios entre 1960/1966) e dos The Jetsons (24 episódios entre 1962/1963), adaptada apenas a outro cenário temporal e físico, mas toda a filosofia e conceitos eram muito similares.
O que é certo é que a série por onde passou, teve um assinalável êxito. Não se sedimentou apenas devido ao escassso número de episódios relativamente ao que era habitual nas séries da Hanna - Barbera. Não admira, pois, que as referências a esta série sejam tão escassas.
Mesmo assim, esta série, The Roman Holidays, faz parte das minhas boas memórias do tempo de criança e de quem foi criança por essa altura.
Quem se recorda?

Genérico de abertura no Youtube.

8/24/2008

Love is - Amor é...

love is_santa nostalgia_03

love is_santa nostalgia_02

love is_santa nostalgia_02

love is_santa nostalgia_003

love is_santa nostalgia_002

love is_santa nostalgia_001

Caderneta de cromos "Love is..."
Editora: Cromosol/SL Italy
Ano da edição: 1995
Formato: 200 x 262 mm (larg. x alt.)
Nº de páginas: 42 - Nº de cromos: 120

Love is... é uma série de desenhos, com quadros únicos e sem sequência, criada em 1960, na Nova Zelândia, pela artista Kim Grove. As primeiras criações foram produzidas pela artista como recadinhos de amor para o seu futuro marido Roberto Casali. Kim faleceu em 1997 e a série tem sido continuada pelo seu filho Stefano Casali, mantendo este a assinatura da mãe. Fundou também a empresa Minikim Caribbean N.V. que detém todos os direitos ligados à série.

A série gira em torno de um casalinho, ele de cabelo preto e ela de cabelo louro, comprido, quase sempre representados nús mas sem sexo, e em diversas situações e cenas do dia-a-dia a dois, onde tudo é aproveitado como mensagem e apologia do amor. Os personagens não têm nome e aparecem quase sempre em conjunto mas também sozinhos.

Por isso cada quadro principia por Love is... seguido da mensagem. As mensagens em si são muito simples, banais até, sem qualquer preocupação ou mensagem secundária, como seja o humor, crítica social ou carga erótica, embora os quadros do filho da criadora tenham mensagens um pouco mais substancias, nomeadamente relacionadas com as preocupações ambientais. Acima de tudo, os quadros e as mensagens valem pelo lado pitoresco, simpático e ternurento, adjectivos tão caros ao lado romântico das pessoas, de modo especial das mulheres, junto das quais a série tem mais aceitação.

Em Portual a série é conhecida como Amor é... ou até mesmo Amar é... em Espanha, Amor es...
O primeiro quadro foi publicado em 1972, com o título: Amor é...sermos capazes de dizer que estamos arrependidos.

A simplicidade dos desenhos e a simpatia que provocam, fizeram desta série um autêntico êxito, publicado em todo o mundo, nos mais variados suportes, incluindo esta caderneta que damos a conhecer. Tornou-se muito popular sobretudo em cartões de lembranças e parabéns, em papel de carta e até mesmo em autocolantes. Recordo-me ser muito vulgar ver estes autocolantes nos vidros de muitos automóveis da altura.

Quanto à caderneta em concreto, foi publicada pela parceria das editoras espanhola Cromosol e italiana SL Italy. A caderneta é composta por várias secções, com os títulos em espanhol e em português, tais como Amor e Beleza, Amor e Moda, Amor e Cartas, Amor e Telefone, Amor e Brigas, Amor e Presentes, Amor e Casa, Amor e Família, Amor e Estudo, Amor e Trabalho, Amor e Música, Amor e Dança, Amor e Desporto, Amor e Ecologia, Amor e Clima, Amor e Férias, Amor e Viagens, e finalmente Amor e Tempo. Em suma, o amor presente em todo o lado e em todas as circunstâncias.

Para além dos cromos, a caderneta contém espaços interactivos tais como passatempos, locais para escrever, desenhar e colar fotografias.
Ainda voltaremos a falar esta série.

love is_santa nostalgia_004

Brincar aos Cowboys ou "Cóbois"

 

cowboys_santa nostalgia_01

cowboys_santa nostalgia_02

cowboys_santa nostalgia_03

cowboys_santa nostalgia_04

cowboys_santa nostalgia_05

armas cowboys_santa nostalgia

Brincar aos cowboys, ou "cóbois", melhor dizendo, era dos passatempos preferidos dos rapazes da escola primária do meu tempo de criança.

Esta paixão por imitar a vida dos vaqueiros do oeste selvagem americano, era fortemente influenciada pelos filmes e séries que nessa altura passavam com muita regularidade na RTP, desde logo a série "Bonanza", com o clã Cartwright, que habitava no rancho Ponderosa, na Virgínia. Depois a série "Lancer", que passava habitualmente às sextas-feiras à noite, em episódios de uma hora, Chaparral, Daniel Boone  (estes duas séries em exibição actualmente na RTP Memória) e ainda vários filmes, principalmente os protagonizados por nomes como John Wayne, Henry Fonda, James Stewart, Gary Cooper, Wallace Ford, Charlton Heston, Doug McClure, Kirck Douglas, Bud Spencer, Terence Hill ( estes dois últimos na série "Trinita" e muitos outros.

Para além dos filmes, tinham muita influência a colecção de cartões dos "cóbois", vendidos com pastilha elástica, a que correspondem as duas primeiras imagens de cima, e que aqui já falámos num anterior post, para além, claro, da abundante banda desenhada, os "livros de cóbois" ou "cóboiada", com heróis como Cisco Kid, Bufallo Bill, Texas Jack, Matt Dillon, Matt Marriott, Lorne Green, Tex Willer, Kit Carson, etc, etc.

Apesar de ser uma brincadeira do meu tempo de escola primária, era jogada principalmente aos fins de semana (tardes de sábado e domingo) pois exigia várias horas e abrangia um grande território por entre matas e pinhais da aldeia.

Por regra, entre os colegas, quase sempre rapazes, eram escolhidos dois grupos, o dos "cóbois", ou "artistas", e os "ladrões" ou "bandidos". Em suma, os bons e os maus, como num filme a sério, como convinha.

Aos "bandidos" competia partirem antecipadamente para a mata próxima. Escondiam-se-se, combinavam entre si a estratégia e armavam armadilhas. Aos "artistas" competia irem destemidamente à procura dos "bandidos" e depois prendê-los ou "matá-los". Do lado dos "artistas" havia normalmente um que era o chefe, o "xerife". Por vezes o objectivo era recuperar o "cofre" roubado, simbolizado por uma caixa-de-sapatos com seixos brancos, que começava na possa dos "bandidos".

Os acessórios eram paus, com a forma aproximada de revólveres, ou até mesmo recortados em tábua.

A regra para se "matar" alguém, era surpreender o adversário bem destapado de qualquer esconderijo, pelo menos a uma distância de 20 metros e simular o disparo "pum" ou "tau-tau". Perante a evidência de se ter sido apanhado, o interveniente no jogo teria que abandonar o mesmo. Claro que muitas vezes dizia que fora atingido só de raspão ou que o tiro saíu ao lado. Desculpas...Raramente havia lutas.

Havia também o "cavalo", que era uma estaca de pau, com um cordel em laço na ponta, que se colocava entre as pernas, simulando a montada.

Claro que estas regras eram muito complicadas de se fazer cumprir e não raras vezes a brincadeira tornava-se mesmo séria e acabava à batatada, quando não à pedrada. No fundo era mais uma brincadeira tipo "escondidas" mas jogada na mata.

Frequentemente cada participante adoptava um nome de um dos diversos heróis das séries e filmes que passavam na RTP.

Quando a brincadeira metia "índios", usavam-se mesmo arcos e flechas feitas de paus colhidos na mata, embora mais como acessórios. Esta era uma brincadeira perigosa, como se compreenderá, mas as coisas acabavam normalmente sem grandes feridos para além dos habituais arranhões. Qualquer queixa em casa, não colhia atenção e até era motivo de se apanhar umas valentes palmadas. Se havia coisa que os pais da altura não tolrevam era queixinhas dos colegas ou dos professores.

Recodo-me particularmente de passar as minhas tardes de domingo a brincar a estes "cóbois", pelos vastos pinhais juntos à minha casa, que por acaso até ficava junto à escola primária.

Boas memórias guardo desses tempos e dessas saudáveis brincadeiras com o grande grupo de amigos, irmãos, vizinhos e colegas de escola.

Recordar é viver.

Pesquisar no Blog

S.L. Benfica - 1974/1975

  Equipa do S.L. Benfica, na época 1974/1975 (Campeão Nacional). Do tempo em que os adeptos não andavam a torcer por uma equipa quase toda c...

Populares