10/20/2008

Kung Fu - As aventuras de Caine

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Hoje trago à memória uma série de TV que também deixou profundas marcas à rapaziada da minha geração, ainda em idade da escola primária.
Trata-se da série Kung Fu, que passou na RTP nos anos 70, ainda a preto e branco.

A série desenvolveu-se em três temporadas, entre 1972 e 1975, com 16 episódios para a primeira, 23 para a segunda e 24 para a terceira, num total de 63 episódios, sensivelmente de 60 minutos cada, sendo que o primeiro filme, considerado o episódio piloto, teve a duração de 90 minutos.


A série tinha como actor principal David Carradine, que desempenhava o papel de Kwain Chan Caine, um monge Shaolin.

No preâmbulo da história, o jovem monge, mestre da arte marcial Kung Fu, vinga a morte do seu querido mestre Po, derrotando, numa luta mortal, o seu assassino. Po é um um idoso sábio, que apesar de ser cego, transmite grandes e profundos ensinamentos ao seu pupilo, a quem chama de Gafanhoto. Na sequência do seu acto, o governo do Império Chinês coloca a sua cabeça a prémio e Caine vê-se perseguido de morte, pelo que, tal como muitos chineses, parte refugiado para a América, deslocando-se para o chamado oeste selvagem.


Caine viaja de terra em terra, sempre sob o estigma da perseguição. Desloca-se a pé, percorrendo enormes distâncias por zonas inóspitas. Não tem cavalo, nem armas. Apenas uma simples bagagem de peregrino errante.


Em cada episódio Caine envolve-se ou vê-se envolvido na trama do quotidiano das gentes daquele tempo e daquela região, entre cowboys, aventureiros, ladrões e gente sem escrúpulos, mas também de gente simples e indefesa por quem Caine sempre se coloca ao lado, fazendo prevalecer a justiça. É claro que Caine, apesar de ser um exímio lutador Shaolin da arte do Kung Fu, evita ao máximo envolver-se em lutas ou demonstrar as suas capacidades e só como último recurso recorria à força e quase sempre apenas na justa medida, nunca optando por violência gratuita apesar de muitas vezes estar ameaçado de morte. A sua principal força residia na sua mente, na sua agilidade e  astúcia.

Uma das situações recorrentes em todos os episódios, era os interregnos narrativos, uma espécie de flash backs, onde Caine recuava à sua anterior realidade enquanto monge Shaolin, colhendo e recordando os diversos ensinamentos do sábio mestre Po. Estes ensinamentos, muitas vezes autênticos jogos mentais e de palavras, eram contextualizados a cada situação que Caine vivia em cada momento na sua peregrinação pelo oeste americano.

Mercê do êxito da série,  em 1986 foi produzido o filme "Kung Fu: The Movie", novamente com David Carradine e quase de seguida a série: "Kung Fu - A lenda continua". Mas como quase sempre acontece com as sequelas, não conseguiu ofuscar o brilho e o êxito da primeira série.

Com esta série, a arte marcial do Kung Fu tornou-se muito popular entre nós, que já vinha dos êxitos de estrelas das artes marciais, como o popular Bruce Lee e Chuck Norris, cujos filmes passavam frequentemente nos cinemas da província nas tardes de Domingo. Assim, um pouco por todo o lado, começaram a aparecer as escolas do Kung Fu e de Karate.

Esta série Kung Fu, como muitas outras da altura, das quais já aqui tenho recordado, era motivo de grandes plateias junto às poucas televisões existentes na aldeia. cada episódio prendia a atenção do primeiro ao último minuto.

Boas recordações destas noitadas a ver estas fantásticas séries. Pelo menos na altura era assim que as víamos.

10/16/2008

Cantilenas e lengalengas - A chover e a dar sol na casa do rouxinol...

 

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No Inverno, principalmente em dias de geada, o intervalo do recreio era aproveitado pelas crianças da escola primária para apanharem um pouco do sol saboroso desses dias bem frios.
Para o efeito, encostavam-se à fachada nascente da escola e ali mantinham-se como gatos ao borralho, soturnos e com as mãos no bolso.
Então sempre que alguém se colocava defronte, roubando assim o sol morno ao colega, era frequente este dizer a seguinte cantilena:

Quem está à frente do meu sol
É o diabo de Vila Maior,
Com o sangue a escorrer
E o gato a lamber.

Normalmente ninguém queria assumir o papel de Diabo, pelo que quase de imediato quem estivesse a provocar sombra mudava logo de posição.

 

Outra cantilena: Sempre que estava a chover mas em simultâneo, por entre o céu nublado, lá apareciam uns risonhos raios de sol, era comum dizer-se a seguinte cantilena:

A chover e a dar sol,
Na casa do rouxinol,
A velhinha atrás da porta
A remendar o lençol.

Esta cantilena, popular na minha aldeia, é, no entanto, conhecida noutras regiões com outras variantes. Por exemplo:

A chover e a dar sol
Na cama do rouxinol;
Rouxinol está doente
Com uma pinga de aguardente.

A chover e a dar sol
Na casa do rouxinol;
Rouxinol está no ninho,
A comer o seu caldinho.

A chover e a dar sol
À porta do rouxinol;
Rouxinol veio à janela,
Logo dar a espreitadela.

Como curiosidade, esta lengalenga, tem em comum o verso A chover e a dar sol e ainda a palavra rouxinol, daí que normalmente é conhecida pela cantilena do Rouxinol

10/12/2008

Iogurte Longa Vida


iogurte longa vida santa nostalgia
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Confesso, desde já, que não sou apreciador nem consumidor de iogurtes. Sei que faço mal, é certo, mas nunca me habituei a estes  produtos, em quaisquer das suas múltiplas variedades. Talvez por não ser habituado desde cedo, numa altura  em que os lanches ou merendas eram à base de pão de milho e caldo com couves e feijão. As lambarices, mesmo que saudáveis, eram produtos fora do alcance das carteiras de quem vivia em constantes dificuldades. É certo que muitas vezes tínhamos o privilégio de beber leite natural mesmo acabadinho de ser colhido na teta dq vaca, mas a prioridade era para entregar o leite no posto de recolha mais próximo, sendo assim uma das poucas fontes de rendimento de quem vivia principalmente das coisas da terra, como era o caso dos meus pais nesses anos onde eu ainda era criança. Claro que aos poucos as coisas foram mudando.

Neste contexto, trago à memória a marca de iogurtes Longa Vida, de modo especial pela recordação de uma das fortes imagens da marca, que é exactamente aquele velhinho ternurento, com cara de Pai Natal, segurando um iogurte Longa Vida, do tempo em que estes eram comercializados nuns tradicionais boiões de vidro. Quem não se lembra das carrinhas de distribuição com este velhinho pintado a toda a largura?
Quanto à origem da Longa Vida, de acordo com texto recolhido em documento de autoria de Jorge Fernandes Alves, L. H. Sequeira de Medeiros e João Cotta Dias, "LEITE E LACTICÍNIOS EM PORTUGAL - Digressões históricas":


(...Em 1957, três lojistas do Porto (dois irmãos e um cunhado – Humberto Leite Tavares de Pinho, Albino Tavares de Pinho e Luís Henriques da Silva), herdeiros de uma leitaria da Praça Carlos Alberto, associaram-se para comprar um terreno em Perafita que trazia associado um alvará de indústria. Começaram a distribuir manteiga e queijo dos Açores, mas quando um deles foi ao dentista, em conversa com este, tomou conhecimento da facilidade em produzir iogurtes, de digestão fácil e alimentação saudável. E o dentista, um cultor de iogurtes domésticos, foi mais longe, emprestando-lhe uma incubadora e os fermentos necessários para uma primeira produção. Foi o incentivo para o arranque em produção industrial, logo agarrada, vindo a dar origem ao iogurte Longa Vida, produto inicialmente de difícil colocação, habitual nas farmácias como remédio, mas despontando depois do 25 de abril como produto de largo consumo, embora algumas unidades industriais portuguesas já o produzissem em Portugal, mas com oferta ainda restrita.)

(... Assim, a pequena leitaria inicial, a Longa Vida, como passou a ser conhecida a empresa depois, distribuía inicialmente os seus produtos lácteos pelo caminho-de-ferro ou por uma carrinha. Alargaria depois a sua capacidade produtiva, dedicando-se paralelamente à batata frita (“Douradas”), apontando-se, em determinada altura, 533 trabalhadores e uma frota automóvel de 220 viaturas, com documentos posteriores a mostrarem que a operação já se fazia com 400 viaturas a operarem a partir de 5 delegações, cobrindo o país em cerca de seis dias. A qualidade alcançada permitiu-lhe tornar-se o distribuidor exclusivo de marcas como Cadbury e Kraft. Em 1993, a Longa Vida foi adquirida pela Nestlé Portugal.)

No decorrer do aumento do mercado dos iogurtes, a Longa Vida foi integrada em 1993 na multinacional Nestlé e hoje é uma das marcas que procura fazer frente à Danone, líder do mercado. Recorde-se que o mercado de iogurtes no nosso país tem vindo sempre a crescer. Em dez anos, triplicou-se a quantidade consumida, passando de 60 mil para 300 mil toneladas. Significa que cada pessoa consome em média entre 16 a 18 kg de iogurte por ano. Claro que como eu sou um dos que não consome, é natural que ande por aí alguém a comer a minha parte. Bom proveito. Mesmo assim ainda estamos longe do consumo de outros países, como a França, por exemplo, onde em média cada pessoa consome 30 Kg anuais. No entanto, com o constante crescimento anual verificado, na ordem de 3 a 4%, vamos a caminho de obter valores semelhantes.

A Longa Vida é vendido tanto no segmento dos iogurtes clássicos, os naturais bem como os de aromas e pedaços. A título de curiosidade, no que se refere a iogurtes de aromas, os preferidos dos portugueses são os de sabor e padaços de morango.

Bom, fica aqui a memória dos iogurtes, da Longa Vida, e de modo especial a imagem clássica do seu velhinho com ar saudável e bonacheirão, a rivalizar bem como o Pai Natal da Coca Cola. Com a mudança de imagem das marcas, aparentemente o saudável velhinho deixou de circular nas carrinhas da distribuição. Outros tempos, outro marketing, outros alvos comerciais onde os iogurtes em termos de imagem são mais conotados com as crianças e com os jovens. Os velhinhos, mesmo que bonacheirões já não vendem.

10/09/2008

Nucrema - O sabor que vence! Basta provar!

nucrema santa nostalgia

Num anterior post, trouxemos aqui à memória a deliciosa pasta de barrar Nucrema, que no meu tempo de criança, juntamente com a Tulicreme, fazia as delícias dos lanches da pequenada.

Aqui fica, pois, mais um interessante cartaz publicitário da Nucrema, numa alusão à sua relação saudável com a prática do desporto e deste com as crianças.
Leite, cacau e avelãs. Uma delícia. Já apetecia um pão bem barrado.

Brinquedos Estrela - O sonho das crianças

 

brinquedos estrela

Fundada em 1937 como uma modesta fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira, em poucos anos, acompanhando a evolução industrial do País, a Estrela passou a ser uma indústria automatizada e a produzir brinquedos também de plásticos, metal e outros materiais. Desde a primeira boneca, a Estrela já produziu mais de 25 mil brinquedos diferentes, num total de mais de 1,2 bilhão de unidades que foram distribuídas em todo o País.
Ao longo dos anos a Estrela construiu a força de sua marca combinando qualidade, pioneirismo e inovação na oferta de brinquedos ao mercado brasileiro. A trajetória da empresa é identificada por inúmeros marcos de sua liderança, tendo sido, inclusive, uma das primeiras companhias brasileiras a abrir seu capital em 1944, constituindo-se em sociedade anônima.

Este é um bocadinho da história da fábrica de brinquedos Estrela, uma empresa brasileira fundada no longínquo ano de 1937,  mas que ainda está activa, continuando a fabricar maravilhosos brinquedos.

O resto da história pode ser lida no sítio oficial da empresa, onde este extracto foi retirado.

Hoje apeteceu-me trazer à memória os brinquedos Estrela. Muitas vezes esta marca é confundida com a Fábrica de Produtos Estrela, esta bem portuguesa, à qual é sempre feita referência à famosa rotunda da Circunvalação, entre o Porto e Matosinho. Esta fábrica, a portuguesa, foi mudada para Rio Tinto e a sua actividade, desde sempre, foram os electrodomésticos, de modo especial os fogões a gás.

Recordo sobretudo os brinquedos Estrela pela sua originalidade e qualidade e ainda porque frequentemente eram publicitados nas contra-capas das revistas da Disney, publicadas pela Editora Abril. Por conseguinte, estes brinquedos da Estrela eram o sonho de muitas crianças dessa época, no caso nos princípios dos anos 80, que mais não fosse, apenas a partir do papel. Creio que alguns desses brinquedos anunciados chegaram mesmo a ser vendidos cá em Portugal, até porque era recorrente nessas revistas serem feitos anúncios destinados ao mercado português. O caso da publicitação às edições de cromos da editora Disvenda era um exemplo.

Vejamos alguns cartazes publicitários da época:

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10/07/2008

Lancer - Série de TV com cowboys

 

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Lancer é uma série de TV, americana, produzida entre 1968 e 1970, em duas temporadas, pela 20th Century Fox Television, sendo composta por 51 episódios de 60 minutos cada. Nos Estados Unidos a série passou na CBS.
A série Lancer foi produzida uma pouco à imagem da série Bonanza que já há anos fazia sucesso na concorrente NBC.
Por conseguinte, a estrutura da trama tem muitos pontos em comum.  
A história de Lancer centra-se num típico rancho da região de San Joaquin Valley, na Califórnia, propriedade do viúvo Murdoch Lancer. A região está assolada por bandidos e um clima de violência e anarquia no sentido de fazer com que os rancheiros abandonem a região para assim se apossarem das terras. Murdoch Lancer vê partir parte dos seus vaqueiros, ficando reduzido a pouco mais de uma dezena de seguidores mas  pretende resistir no seu rancho pelo que se vê na necessidade de mandar chamar os seus dois filhos, de diferentes mulheres, há muito fora de casa. Para o efeito contrata os detectives da famosa agência Pinkerton.

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Scott Lancer é um ex-oficial do exército, a viver algures na costa leste, em Boston, onde fora criado pelo seu avõ após a morte de sua mãe. No México foi encontrado o segundo filho, Johnny Madrid Lancer, onde vive como pistoleiro.
A ambos mandou procurar e pedir para regressar a troco de promessas de dividir o rancho entre eles e ainda uma boa recompensa.
Uma vez reunidos Scott e Johnny, estes ficam a saber que são irmãos. No encontro com o seu pai, postos ao corrente da situação, decidem ficar e assim combater as ameaças que pairavam sobre o rancho Lancer.

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Faz ainda parte da família a bela Teresea O´Brien, filha do falecido capataz de Murdoch, que assim ficou como sua protegida, uma espécie de filha.
Outra personagem importante era o Jelly Hoskins, um velhote expedito que Murdoch Lancer retirara da prisão sob sua caução.
Todos os 51 episódios giram assim em torno de sagas e lutas em defesa do rancho Lancer e combate ao banditismo, tudo situações características do oeste selvagam, com todos os ingredientes, tais como duelos, lutas, tiroteios, armadilhas, etç, etç.

Elenco:

Andrew Duggan: Murdoch Lancer
Wayne Maunder: Scott Lancer
Elizabeth Baur: Teresa O´Brien
James Stacy: Johnny Madrid Lancer

Guia dos episódios: URL

Memórias do Lancer

Recordo-me de ver esta série, ainda em criança. Não tenho certeza quanto ao ano em concreto, mas creio que no início dos anos 70. Tenho também uma forte ideia de que a série passava nas sextas à noite e por isso lembro-me perfeitamente de assistir a todos os episódios, em casa de uns tios, onde na grande sala, uns sentados  em cadeiras e outros no chão, eu, o meu irmão mais velho, os meus primos e os rapazes mais vizinhos, juntamente com os adultos, assistíamos à série, numa autèntica sessão de cinema. A série era seguida com um entusiasmo e emoção do princípio ao fim. Havia episódios em que um dos Lancer tinha mais protagonismo de que os outros pelo que entre a assistência havia preferência natural por um ou outro. Assim, havia quem preferisse o estilo do Johnny Madrid, mais pistoleiro, mas também havia os apreciadores do Scott, com um feitio mais calmo e ponderado. Claro que nessa altura, ainda crianças, já nos caía o beicinho pela Teresa. Bons tempos.

A série foi produzida a cores mas passou na RTP ainda no tempo do preto-e-branco.

A par de Bonanza e Daniel Boone, foi das séries que mais recordações deixou desse tempo onde onde os cowboys povoavam os nossos sonhos, brincadeiras e fantasias.

A exemplo da reposição pela RTP Memória das séries Daniel Boone e Chaparral, esperemos que uma das próximas seja a série Lancer, pois foi muito popular entre nós. Apesar disso, a informação portuguesa sobre a série é quase inexistente. Vale-nos alguns sítios no Brasil e no estrangeiro, bem como o YouTube onde é possível visualizar vários excertos de diferentes episódios.

- Genérico de abertura da série

- Encontro dos dois irmãos Lancer, que se desconheciam

- Encontro da família Lancer

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