3/24/2009

Lisboa antiga - 1

 

Recebi por estes dias, no meu email, uma das habituais apresentações Power Point. Entre muita coisa fatela e curriqueira, por vezes aparecem coisas curiosas e interessantes, como foi o caso de uma que continha fotos antigas de cidade de Lisboa. A apresentação vem assinada por um Wilcocs, pelo que não posso fazer melhor referência ao autor ou à origem das fotos.

Para quem de facto conhece a actual realidade dos locais retratados, não pode deixar de se surpreender pela rápida e radical transformação dos sítios. Esta mudança, a que chamam progresso e desenvolvimento, é de facto mais notória e impressionante nas grandes cidades, como é o caso de Lisboa.

Aqui ficam algumas:

lisboa antiga 01

lisboa antiga 02

lisboa antiga 03

lisboa antiga 04

lisboa antiga 05

(clicar nas imagens para ampliar)

*****SN*****

3/23/2009

História de Portugal para a 4ª classe

 historia de portugal 4 classe santa nostalgia capa

Hoje trago à memória o meu livro de História de Portugal para a 4ª classe. Trata-se de um manual de autoria de Pedro de Carvalho, edição da Porto Editora, de 1972. O livro apresenta um formato de 183 x 243 mm e possui 88 páginas.

Como não podia deixar de ser, trata-se de um livro que deixou fortes recordações de factos ligados à nossa História, de modo especial os quadros designados como Figuras Exemplares da História Nacional, retratando, entre outros, Egas Moniz, Infante D.Henrique, Luis de Camões, D. Filipa de Vilhena, Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

Na capa é reproduzida uma fotografia do castelo de Almourol e na contra-capa uma fotografia da Anta de Tourais - Montemor-o-Novo.

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3/21/2009

Mapa administrativo de Portugal

mapa administrativo de portugal santa nostalgia 800

Quem não se recorda dos antigos mapas de parede que existiam nas nossas escolas primárias, tanto o de Portugal como o dos arquipélagos da Madeira e Açores e ainda de todas as províncias ultramarinas, como Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Ango, Moçambique, Índia Portuguesa (Goa, Damão e Diu) e finalmente o longínquo Timor?

Quanto de nós nessa altura não fomos chamados ao quadro para indicar cidades, capitais, províncias, rios, serras e caminhos de ferro? É certo que à conta de tanta disciplina e método, nessa altura aprendia-se mesmo, pelo que a História e Geografia tinham que estar na ponta da língua, ou seja, de cor-e-salteado, mas por vezes lá surgia a confusão: O rio Limpopo seria de Angola ou Moçambique? E o rio Cunene? E o Kuanza?

Com esta santa nostalgia, hoje publico um desses mapas, o do Portugal Administrativo, retirado de um dos meus antigos livros escolares, com a indicação das províncias, as capitais de distrito, os rios, as serras e os caminhos de ferro.

Talvez pelo contacto e pela profusão de mapas ao nível do ensino primário, guardei, desde então, um fascínio particular por mapas, pelo que tenho um bom conjunto deles, incluindo diversos atlas. Fascinam-me também, de modo especial, os antigos mapas

3/20/2009

As quatro estações do ano - Primavera, Verão, Outono e Inverno


É já amanhã que principia a Primavera, uma das quatro estações do nosso clima. É uma das mais belas épocas do ano, principalmente com o maravilhoso tempo que temos tido, realçando as cores das árvores que florescem e as folhas que reverdescem.
No meu pomar, estão em flor as cerejeiras, as pereiras e algumas ameixoeiras, em tons de branco e ainda os pessegueiros em tons de rosa, para além das folhas que começam a cobrir outras árovores que se despem no Outono e Inverno, como a nogueira, o diospireiro e as figueiras. No meu jardim, a relva ganha nova cor e vigor. Aliás o ditado diz que "...em Março a erva cresce nem que lhe dês com um maço.".
É certo que hoje em dia as características das nossas quatro estações não estão tão marcadas como há quarenta ou cinquenta anos para atrás, devido, dizem, às alterações climáticas e ao aquecimento global. É um facto, pois tanto temos um Verão chuvoso e frio como um Inverno ameno e uma Primavera quente. Anda tudo desgovernado. Não tarde que as estações estejam descaracterizadas a ponto de fazer sentido apenas duas, como noutras regiões do planeta.
Serve este intróito para falar do fascínio que sempre tive para com as imagens ou fotografias que nos antigos livros da escola ilustravam as quatro diferentes estações, representando um mesmo quadro, como acontece na sequência de imagens abaixo, que se podem ampliar clicando nas mesmas. A diferenciação ocorre principalmente ao nível das árvores, os elementos que de facto mais se transformam ao longo das diferentes épocas.

primavera santa nostalgia

verao santa nostalgia

outono santa nostalgia

inverno santa nostalgia

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Heróis e factos da nossa História - Egas Moniz

 

É indesmentível que nos tempos actuais a História de Portugal já não merece a importância ao nível do ensino escolar comparativamente com a de há 30 anos para trás, tanto no ensino básico (primário) como no secundário. A própria disciplina foi aglutinada à componente das ciências, designando-se agora de Meio Físico e Social, perdendo a identidade intrínseca.


Não importa aqui discutir critérios curriculares, mas é óbvio que na actual configuração resulta necessáriamente num menor aprofundamente geral da História de Portugal. Dito de outra forma, há temas ou períodos que foram relegados para um nível de importância básica, sendo ensinada a correr e de modo muito superficial, como gato sobre brasas.


Esta apreciação resulta do acompanhamento que faço do percurso escolar dos meus dois filhos (uma a acabar o 12º ano e outro a meio do básico) incluindo a leitura atenta dos próprios manuais.
Não me surpreende, pois, que quer um quer outro, apesar da cabeça fresca, se mostrem incapazes de responder às questões que profundamente aprendi na primária há 30 anos.

Por essas e por outras, resulta que os conhecimentos adquiridos nessa altura pela quarta classe (sem pré-primária) mostram-se hoje nitidamente superiores aos condizentes com o nono ano. Isto em todas as matérias, salvo na componente de TIC (tecnologias de informação e comunicação, que na altura computadores era coisa de cientistas) e até dou como perdida a informação sobre as nossas ex-províncias ultramarinas, de Cabo Verde a Timor, onde a sua história e geografia tinha que estar na ponta-da-língua, desde os rios, as serras, os caimhos-de-ferro, as províncias, capitais, etc.


Claro que são outros os tempos e os contextos, mas nesta realidade podem residir algumas das respostas ao actual estado geral de insucesso e indisciplina escolares.


Bom, tudo isto para dizer que por aqui, no Santa Nostalgia, iremos publicando alguns trechos da nossa História, desde os factos aos heróis, ilustrados quer por imagens dos antigos manuais escolares, quer através de cromos.

Neste sentido, e dando corpo a este propósito, começamos hoje por relembrar um dos heróis da nossa História, Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques, conhecido pelo seu gesto nobre de honradez perante o rei Afonso VII de Leão.

As imagens foram retiradas do meu Livro de História de Portugal da 4ª Classe, sobre o qual noutra altura falarei.

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(clicar na imagem para ampliar) 

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(clicar na imagem para ampliar) 

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Serões da aldeia - Histórias à lareira

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Hoje em dia já não há serões à lareira nem o contar de histórias mágicas, lendas e narrativas dos mais velhos aos mais novos.
As casas modernas são avessas a fumo, as lareiras são demasiado pequenas, muito decorativas e pouco funcionais e defronte não há lugar para uma roda onde caibam avós, filhos e netos.
Os netos estão entretidos com a televisão, com o computador e consolas de jogos.
Os avós, raramente coabitam com os filhos e netos. Quando muito vivem sozinhos ou relegados num qualquer lar de idosos.
Noutros tempos, quando a electricidade ainda não chegava à maioria das aldeias, ou se chegava, não entrava em todas as habitações, as grandes lareiras eram frequentes nas casas, mesmo nas mais pobres e depois de acabados os trabalhos no campo, para ajudar a matar as longas noites de Inverno, aconteciam os serões, com os mais velhos, de modo especial os avós, a contarem aos netos coisas do seu tempo, histórias ligadas ao campo, aos animais, velhas narrativas e contos sobre outros tempos, pessoas e lugares.

Enquanto isso, à luz da fogueira ou do candeeiro a petróleo, as mulheres entretinham-se a fiar ou a remendar a roupa.
Pessoalmente recordo-me de alguns desses fantásticos serões. Os meus avôs paternos tinham uma enorme casa de lavrador (que passou para o meu pai), por sua vez com uma lareira enorme, daquelas abertas, com um balcão em granito ao fundo, chamado pial. Por cima, o grande saco da chaminé, onde dormiam presuntos e salpicões.

Assim, nas longas noites de Inverno, depois da ceia (jantar), por vezes com a chuva e o vento a fustigarem impiedosos a noite, toda a família reunia-se ao redor da fogueira, onde crepitavam grandes tocos (lenha proveniente das cepas das árvores, conseguidas com muita força na picareta e no machado). Assim, depois da habitual reza do Terço, onde os mais novos não resistiam à lengalenga e “passavam pelas brasas”, logo depois começava a parte melhor, com o avô a contar das suas. Umas vezes sobre coisas vulgares, outras, porém, histórias fantásticas, que até metiam bruxas e espíritos, vagueando por casas e caminhos assombrados. Nessas alturas, escusado será dizer que, para além do fascínio do enredo, “a mais grossa era como azeite”, isto é, ficávamos assustados e depois da entrada na cama, permanecíamos debaixo dos cobertores a arfar de calor e de medo.
Mas, apesar disso, quase sempre ficávamos (eu, os meus irmãos chegados e os meus primos) fascinados por tantas histórias. Muitas delas ficaram marcadas nas nossas cabecitas até aos dias de hoje.

Para além do mais, apesar de não ser presença nesses serões, recordo-me sobretudo da minha bisavó materna, a qual habitualmente, enquanto a minha mãe trabalhava na lida do campo, tomava conta de mim e de meus dois irmãos mais chegados. Essa fase ocorreu entre os meus cinco a oito anitos. Depois, com essa idade, o pouco tempo que sobrava da escola era investido a ajudar os pais na casa e no campo, incluindo o tomar conta dos irmãos mais novos.
Essa minha bisavó tinha de facto o condão de contar. Histórias, contos, lendas, etc. Para além do mais era um repositório vivo de sabedoria dos velhos usos e costumes. No tecto da sua sala, secavam solenes molhos de diversas plantas medicinais e milagrosas, que colhia no jardim, no campo, no pinhal e até nas bermas dos caminhos, desde o hipericão, a murta, a salva, as malvas, a erva-de-S.Roberto, barbas-de-milho, cidreira, limonete (erva-luisa), e muitas outras. Para todas as maleitas a minha bisavó tinha remédio. Era uma espécie de ervanária do lugar.

Como se isso não bastasse, era muito procurada na aldeia para “talhar” (reza que supostamente curava) alguns males, como o tesourelho, ou tresorelho (papeira), as bexigas, o sarampo, a gipela, as aftas, o bichoco (borbulhas) e outras maleitas incluindo o “mau-olhado”.
Tantas vezes assisti (e fui alvo) dessas rezas, desses “talhamentos”, mas era demasiado pequeno para me interessar pela sua recolha. Foi pena, pois apesar de morrer com quase 96 anos, não durou para sempre a minha saudosa bisavó.

Apesar de tudo, alguém na família conseguiu preservar algumas rezas. Por exemplo, contra o “mau-olhado”, que tanto se aplicava a pessoas como a animais, sobretudo gado.
Colocava-se a mão direita, empunhando um terço benzido, contra a testa da pessoa ou do animal e rezava-se:
Esse ar que te deu, quem to daria,
Que não fosse por maldade,
Que não fosse por vingança?
Talha-to por  Deus e pela Virgem Maria,
Em quem porás toda a esp´rança,
E p´las Três Pessoas da Santíssima Trindade.
Assim como elas querem e podem,
Ao toque do nosso sino (da igreja da aldeia),
Pelo Seu Poder Divino,
De onde este mal veio depressa lá retorne.
- Reza-se uma Ave-Maria.
Repete-se sete vezes, intervalando com o Sinal da Cruz sobre a fronte do “talhado”.
Esta reza deve ser feita durante sete dias consecutivos, de preferência antes do toque das Ave-Marias, entoado pelo sino da igreja da aldeia.
Voltarei a estas memórias.

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