4/29/2009

4/27/2009

Código Morse - Marinha de Guerra Portuguesa

 A propósito do aniversário de Samuel Morse (218 anos sobre o seu nascimento em 1791), criador do célebre código de comunicação que ficou conhecido com o seu nome, a que hoje o Google faz referência com o logotipo adaptado à efeméride, como acontece com outros eventos, saltou-me à memória a minha experiência como Operador Táctico, uma vertente da especialidade de Comunicações na Marinha de Guerra Portuguesa, onde prestei serviço militar em meados dos anos 80. Os operadores tácticos tinham a especialidade de comunicação visual, como mensagens por bandeiras e transmissão e recepção de comunicações via código morse visual.

Recordo, por isso, de ter participado num concurso designado de COMPCOMAR, onde obtive um honroso terceiro  lugar na especialidade de transmissão e um quinto lugar na recepção. Nada mau, se considerarmos que eram vinte ou trinta colegas concorrentes.

Na altura o serviço militar era considerado uma autêntica seca, tanto mais que era obrigatório. Foram dois anos subtraídos à vida civil com os inerentes atrasos, como se compreenderá. Apesar de tudo, hoje à distância de mais de vinte anos, recordo com saudade muitos momentos e experiências, tanto mais que a Marinha tinha uma componente educativa muito forte, que julgo ter aproveitado, devidamente, para além de muitos outros aspectos de convivência e camaradagem.

Creio que já o disse noutra ocasião, mas depois da recruta na Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira, passei para a Base Naval do Alfeite, para a Escola de Comunicações, onde tirei o curso atrás referido e finalmente passei para o Comando Naval do Continente, na Base Naval de Lisboa, onde estive até completar dois anos inteirinhos de serviço.

Quanto ao Código Morse, é claro que o aprendi de cor-e-salteado, pelo que durante muito tempo os traços e os pontos estavam na ponta da língua, nos olhos e nos dedos. Mas pronto, hoje em dia apenas sei de cor os códigos de alguns caracteres.

Também aprendi o nome e significado de todas as bandeiras, o chamado alfabeto fonético. O método de aprendizagem passava pela distribuição de um baralho de cartas contendo todas as bandeiras numa face e o nome das mesmas no lado oposto. Nas horas vagas era um exercício obrigatório.
Como curiosidade, neste link, pode-se escrever um determinado texto e depois ver e ouvir a sua tradução em Código Morse.
Por exemplo: Santa Nostalgia: ... .- -. - .- / -. --- ... - .- .-.. --. .. .-


codigo morse

medalha marinha

Uma das medalhas que conquistei no concurso COMPCOMAR.

divisas marinha

As minhas divisas do posto de segundo-marinheiro, com que terminei o serviço militar obrigatório, na especialidade de Comunicações.

marinha grupo comunicacoes

Ainda a propósito do meu serviço militar, não importa para o caso, mas nesta foto acima, eu devo estar por ali, algures na segunda fila da frente para trás, misturado entre os colegas do curso de Comunicações.
Bons tempos que já não voltam, apenas na nostalgia da nossa memória. Voltarei às memórias da tropa.

Crónica Feminina – Nºs 336 e 344 de 1963

 

santa nostalgia cronica feminina capa 336_02051963

santa nostalgia cronica feminina capa 344_1963

Dois simpáticos “marinheiros” a ilustrar as capas da revista Crónica Feminina, referentes aos números 336 e 344, de 1963.

Como fiz o serviço militar na Marinha de Guerra Portuguesa, ainda devo ter, algures numa gaveta, a minha farda, nas versões, branca, de Verão, e azul, de Inverno, incluindo o característico chapéu, o “panamá”. Um destes dias vou ter que ver em que estado se encontram.

 

*****SN*****

4/25/2009

25 de Abril de 1974 - 35 liberdades depois

 

cravos de abril

Recordo-me bem do dia 25 de Abril de 1974. Recordo-o sobretudo porque nessa tarde fomos mandados da escola para casa. Depois, durante o resto do dia, a televisão em constantes transmissões, onde sobretudo se via gente, muita gente na rua, misturada com soldados.

No imediato, no meu mundo de criança, não me apercebi da verdadeira dimensão do acontecimento, das suas origens e dos seus objectivos. Confesso que em todo esse período nunca tive noção do regime político em que o país estava mergulhado. Lembro-me, apenas, creio que pela segunda-classe, de um qualquer colega de carteira ter dito no recreio que quem falasse do Caetano seria preso. Veio-me logo à ideia o Sr. Caetano, um nosso vizinho, lavrador abastado e barrigudo. Seria esse o Caetano? Durante mais alguns anos pensei que sim pelo que quando calhava em cruzar com o homem, todo eu era educação e respeito, não fosse mandar-me prender.

Bom...o certo é que pelos anos seguintes fui tomando a natural noção do significado da Revolução que veio a ser baptizada "dos cravos". Hoje, à distância de 35 anos, dou como sábias as palavras de alguém que deixou mais ou menos escrito que as revoluções são pensadas por idealistas, levadas a cabo por fanáticos e aproveitadas por toda a espécie de oportunistas. Sem grandes considerações filosóficas e análises histórico-sociais profundas, quase sou obrigado a concordar com este sumário da nossa Revolução.

É certo que a liberdade conquistada permitiu a que Portugal encontrasse o seu próprio destino e retomasse um caminho de progresso e desenvolvimento, que dizem ter sido atrasado 40 anos, mas hoje, à distância de quase outro tanto tempo, sobram muitas desilusões conquistadas nesse histórico dia de Abril. A liberdade hoje está transformada em libertinagem; O exercício do poder, seus tentâculos, clientelismo, oportunismo, corrupção e favorecimento, continuam piores, com a agravante de exercidos de forma clara. O povo continua a ser o pião das nicas e a sua liberdade só serve para legitimar governos, governantes e políticos quase sempre incompetentes.

image 

Hoje reconheço que nessa época da nossa História havia medo, não um medo generalizado mas um medo elitista, da classe pensadora, dos homens e mulheres, não do campo e das fábricas, mas dos livros, da cultura e das artes. O povo, na sua maioria, não tinha medo. Tinha medo do fantasma real da guerra, isso sim, e esse terá sido o pecado capital do regime, que nos afogou em mortes e adiou o progresso, mas não tinha medo da insegurança, pelo que os seus filhos brincavam alegremente na rua, na escola, nos pinhais. As portas das casas e dos comércios podiam ficar escancaradas durante o dia e durante a noite. Hoje temos medo de deixar sair as nossas crianças fora da porta e até a escola tornou-se tudo menos um exemplo de virtudes, educação e disciplina. Quem então trabalhava para o sustento do dia-a-dia hoje continua a ter que o fazer, com a agravante de ter que ganhar para o pão e para os livros da escola mas também para os carros, para a casa, para todo um conjunto de inutilidades, para pagar os medicamentos para curar as nossas depressões, para engordar os bancos e os cofres públicos. Os outros, a tal classe elitista, foi quem mais ganhou com o 25 de Abril, porque deixou de ter medo e hoje é quem ocupa os grandes cargos  dos governos, das instituições, enfim, o poder, o seu exercício e as suas altas benesses.

Hoje reconheço que a liberdade teve um preço demasiado caro e vivemos mergulhados numa crise, num desemprego que fustiga quase todas as famílias, onde a economia geral atinge valores idênticos aos dos anos 70, onde a criminalidade, ligeira e violenta enche as páginas dos jornais e os ecrãs da televisão, onde os criminosos vivem e actuam sem medo de um sistema que os devia castigar e onde o povo, desprotegido, continua a ter que "pagar as favas", onde quem tem dinheiro é que se defende, onde quem tem  "padrinhos" é que aspira aos melhores cargos e lugares.

Enfim, o povo continua unido (nesse dia gritava-se " O povo unido jamais será vencido"), mas unido no desfavorecimento, na insegurança e na incerteza, porque no resto continua dividido, porque as desigualdades que existiam antes do 25 de Abril continuam a vigorar 35 anos depois.

Foi para isto que serviu o 25 de Abril de 1974? Claro que não, mas, por desgraça do nosso destino, tenho dúvidas que no cômputo geral estejamos melhor. Livres, é certo, mas inseguros, endividados e desprotegidos, face ao presente e sobretudo face ao futuro, já não tanto de nós próprios (os da minha geração e mais velhos), mas fundamentalmente dos nossos filhos e dos nossos netos.

Mas eu quero acreditar que, mesmo assim, apesar de nem tudo ter sido perfeito, o 25 de Abril de 1974 valeu de facto a pena. Tenhamos esperança, pois nela ainda reside a génese dessa Revolução.

25 de abril de 1974 img3

 (fonte: santa nostalgia - clicar para ampliar)

25 de abril de 1974 img4

 (fonte: santa nostalgia - clicar para ampliar)

 

*****SN*****

4/24/2009

Máquinas de tricotar

 Recordo-me que nos anos 70 e até meados de 80, principalmente, na minha aldeia havia várias mulheres que trabalhavam em casa com uma máquina de tricotar, produzindo peças para comerciantes ou fábricas. Claro que esta era uma realidade extensível a todo o país.

Foi um modo de vida que teve o seu ponto alto nessa época porque era relativamente rentável e permitia às mulheres alguma autonomia financeira sem sair de casa, permitindo-lhes, simultaneamente, desempenhar as tarefas domésticas, gerindo o tempo a seu modo.

Para esta actividade era indispensável adquirir uma máquina de tricotar, o que exigia um investimento substancial. No entanto havia empresas que forneciam as máquinas.
Com o avançar do tempo o vestuário de malha foi perdendo alguma preponderância, pelo que a par do desenvolvimento tecnológico das grandes empresas, essa actividade caseira acabou quase por se extinguir. Sobrevivem ainda algumas situações mas mesmo assim adaptadas às necessidades do mercado. Conheço uma pequena empresa, quase familiar, em que o principal produto que fabrica são os saquinhos em malha para telemóvel.

Este cartaz publicitário de meados da década de 60 refere-se a uma marca francesa, a ERKA, muita conceituada a par da Passap e Singer.
Não deixa se ser uma imagem nostálgica tendo em conta que o produto anunciado, a máquina de tricotar tornou-se num quase objecto obsoleto, pelo menos no contexto em que foi propagandeado, o doméstico ou familiar.
Tenho saudade do meu pulôver verde que na altura mandei tricotar a uma amiga.


erka maquina de tricotar santa nostalgia

4/23/2009

Heróis e factos da nossa História – Aniceto do Rosário e Aleixo Corte-Real

 

D.Aleixo Corte-Real, o régulo de Timor e o militar Aniceto do Rosário, sub-chefe da polícia da província de Diu, da Índia Portuguesa, sempre foram apontados na História de Portugal como dois dos seus heróis e mártires pela defesa da unidade da Pátria.

É caso para se dizer que são de facto heróis da História, mas de um passado já distante. No presente, duvido que alguém esteja disposto a sacrificar-se a este nível por esta coisa mais ou menos parecida com uma Pátria, chamada Portugal. Desde os seus governantes e seus militares, até aos mais humildes súbditos, vulgo cidadãos, todos buscam essecialmente um modo de vida, sem lamechices para com a dita Pátria. O sentido de dever, honra e serviço, conceitos tão valiosos nos antigamentes, são hoje meros banalismos.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

 

herois da historia aniceto rosario santa nostalgia

herois da historia aniceto rosario santa nostalgia 2

(clicar nas imagens para ampliar)

 

*****SN*****

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