5/01/2009

Tradição das Maias - Giestas em flor

maias giestas 01

Ontem, na minha aldeia como em muitas regiões do pais, reviveu-se a tradição das Maias. Esta obriga a que nas fechaduras e fechos de todas as janelas e portas do exterior das habitações sejam colocados ramos de giestas em flor, as chamadas Maias. A colocação deve ser extensiva aos currais dos animais.
Se em alguma porta ou janela não for colocado o ramo de Maia diz-se que "entrará o diabo e chupará o sangue de quem ali morar".

Esta é uma tradição muito antiga e generalizada no país, sobretudo na região norte e dizem os estudiosos que tem a ver com ritos associados à Primavera e à fertilidade da terra e dos animais. Há também quem diga que tem reminiscências religiosas já que reza a lenda que Nossa Senhora, na fuga para o Egipto, com o Menino e S. José, espalhou ou semeou giestas pelo caminho para depois o encontrar no regresso.
Outra lenda, também diz que por alturas da Páscoa, estando Jesus em Jerusalém, os judeus marcaram com um ramos de giestas a casa onde Ele estava hospedado para melhor ser identificado na altura da sua prisão, mas no dia seguinte, todas as portas e janelas da cidade estavam ornamentadas com as flores das giestas, perdendo-se assim a tal marca.
São lendas, obviamente, mas que demonstram a riqueza das nossas tradições.
Também há quem associe esta tradição a origens celtas, já mais ligadas ao início do Verão.

maias giestas 02

Na minha região, mesmo na minha aldeia, nesta época do ano as giestas são abundantes e floridas em majestosas manchas de amarelo vivo.
Também há giestas na cor branca, mas por cá já são extremamente raras.
Em criança lembro-me de minha mãe me mandar ir às Maias, sempre na tarde do 30 de Abril. Depois percorria-se tudo quanto era porta e janela. Não havia buraco da casa que ficasse desprotegido à tentativa de entrada pelo diabo.
Apesar de a tradição já não ser o que era, ainda há muitos que a seguem, principalmente em zonas rurais. Para além das portas e janelas das casas, agora até é vulgar verem-se as Maias colocadas nos automóveis.

Ainda sobre as giestas, depois de cair cada flor, forma-se uma vagem. No Verão, nos dias quentes, quem passar pelos caminhos e pinhais é frequente ouvirem-se estalidos, originados pelo rebentamento das vagens que assim soltam as suas sementes, pequenas ervilhas pretas ou castanhas.
As giestas, depois de colhidas pelo pé e deixadas secar á sombra,  eram atadas com vimes, seguindo-se uma certa técnica,  e assim era utilizadas pelos lavradores como vassouras (vassoiras), muito úteis e eficazes na limpeza das eiras e na recolha de grão disperso pela mesma. Também serviam para varrer as folhas no quintal ou no pomar. Ainda hoje se usam em certas zonas rurais.

4/29/2009

Breves apontamentos sobre a origem dos cromos

fabrica de tabaco micaelense_01

O termo cromos deriva da técnica de impressão a cores designada de cromolitografia, inventada e patenteada em Julho de 1837, em Inglaterra, por Gottfried (Godfroy) Engelmann (1788 - Mühlhausen, Alemanha). A este respeito, há, no entanto, quem considere que a técnica já era conhecida antes de patenteada e o seu inventor teria sido outro que não Engelmann, no caso Johann Alois Senefelder, o inventor da popular técnica da litografia.

O conceito de cromos, enquanto estampas temáticas numeradas, resultando por si só num incitamento natural ao coleccionismo sequencial, surgiu assim na última metade do séx.XIX, associado certamente à estampagem decorativa de alguns produtos de consumo generalizado, como as caixas de fósforos, que veio a originar o filuminismo, e também de marcas de chocolates e de tabacos, com predominância em Inglaterra, França, Itália e Espanha.

Quanto a Portugal não existem dados rigorosos quanto à sua introdução, mas tudo indica que na origem dos cromos, tal qual os conhecemos na actualidade, também estiveram os tais cartões brindes e que do mesmo modo eram habitualmente oferecidos por algumas marcas de tabacos (Fábrica de Tabaco Michaelense - Açores, Fábrica de Tabacos Estrela - Açores, Empreza de Tabacos "Lusos", entre outras) e chocolates (Regina e Celeste), adoptando a mesma técnica e os mesmos temas já populares nos países referidos, como o retrato de futebolistas locais ou desportistas da época, geografia, natureza (fauna e flora), etç.

Em Portugal, os primeiros cromos que se conhecem têm precisamente essa origem, as fábricas de tabacos e remontam aos anos 20.
Os cromos enquanto invólucros de rebuçados e caramelos, surgiram sensivelmente na mesma época, passando a ser conhecidos como cromos de caramelos, sendo na actualidade objectos raros e de culto para os coleccionistas.

Quanto à venda dos cromos como artigo em si, não associado a qualquer sub-produto, como era o caso dos chocolates, dos tabacos e dos rebuçados e caramelos, parece ter tido origem nos anos 40, certamente a partir da realidade de Espanha, que foi sempre um bom produtor de cromos e estes um produto popular.

As primeiras colecções de editoras portuguesas tinham precisamente origem em colecções de editoras espanholas, sendo por isso reedições autorizadas.
A introdução em Portugal dos cromos em envelopes ou saquetas surpresa, deve-se à Agência Portuguesa de Revistas, no início dos anos 50 (Julho de 1952), com a caderneta "Os Três Mosqueteiros" a ser considerada a primeira edição com essa característica. Nessa colecção, cada envelope continha 3 cromos e o álbum (caderneta) custava 3 escudos.

A distribuição de cromos em envelopes-surpresa manteve-se durante vários anos a par com os cromos invólucros de rebuçados e caramelos, já que estes foram produzidos até, sensivelmente, meados dos anos 70. Estes, por questões de mercado, ficaram pelo caminho enquanto os cromos em envelopes-surpresa mantiveram-se até aos nossos dias, embora já com a técnica de papel auto-colante, dispensando assim a aplicação directa de cola, como aconteceu sensivelmente até meados dos anos 80.

Quanto aos cromos de caramelos, algumas das principais editoras normalmente correspondiam a casas ligadas ao fabrico de confeitarias, pelo que é difícil precisar onde começava e acabava o interesse pela venda dos cromos ou dos rebuçados e caramelos. Seriam, pois, editoras de cromos ou vendedoras de rebuçados e caramelos? Talvez o objectivo compreendesse as duas facetas do negócio. Seja como for, um dos conceitos ligados a este tipo de cromos, era o baixo custo de produção, para ser acessível a todas as classes. Como consequência, esses cromos/invólucros, eram, de modo geral, de fraca qualidade gráfica, sendo usadas na base, fotografias a preto-e-branco que depois era coloridas, quase sempre de forma muito tosca e descuidada. Os mesmos retratos serviam para edições consecutivas, mudando-se apenas o cenário do cromo e por vezes repetiam-se em colecções de diferentes editoras, pronunciando acordos de cedência entre as mesmas. As cadernetas também eram muito simples, com papel de fraca qualidade, e obedeciam a estruturas gráficas muito simplificadas, quase sempre com lugar para 11 jogadores e, eventualmente, um lugar para o emblema.

Algumas das mais conhecidas editoras de cromos de caramelos: Fábrica Universal, de António Brito, A Francesa, Fábrica de Confeitaria Produtos Altesa, Fábrica de Chocolates Celeste, Confeitaria Alex, Produtos Carsel, Alex, Fábrica Montijense, A Triunfadora do Montijo, Brindes Calhambeque, António Gomes da Silva, Rebuçados Vitória, Divertimentos Zélito, Fábrica de Rebuçados Joneca, Fábrica Águia e Fábrica Vitória, entre outras. De todas estas, as mais produtivas terão sido certamente a Universal, A Francesa, a Altesa e a Carsel.
Algumas das conhecidas editoras de cromos em envelopes-surpresa: Agência Portuguesa de Revistas, Íbis, Palirex, Disvenda, Francisco Más, L.da, António Gomes da Silva, Acílio A. Silva, Clube do Cromo, Sorcácius, Acrópole, Mabilgráfica, Manil, Panini e outras menos significativas, com edições esporádicas.

Todo este panorama de múltiplas editoras há muito que terminou e a Panini vai reinando num quase monopólio na indústria editorial dos cromos, com todos os inconvenientes para os coleccionadores que dão importância à qualidade, sim, mas também à diversidade. Subsistem esporadicamente algumas edições quase avulsas de uma ou outra editora, por vezes piratas, mas sem grande significado no mercado dos cromos.

fabrica de tabaco micaelense_02

Cartão brinde da Fábrica de Tabacos Micaelense - Açores
Série Países e Bandeiras
fabrica de tabaco estrela 02

fabrica de tabaco estrela 01

Cartões brinde da Fábrica de Tabaco "Estrela", Açores
Série Países e Bandeiras
cromos cartoes tabacos estrela 03

Cartões brinde da Fábrica de Tabaco "Estrela", Açores
Série Animais

cartao cowboys serie c 02

cartao cowboys serie c 01

cartao cowboys serie T 01

cartao cowboys serie T 02

Cartões de artistas de cinema western, chamados de cowboys, distribuídos como brindes das pastilhas elásticas - chewing-gum, ou bublle-gum (vulgo chicletes). Tornaram-se muito populares sobretudo em países do norte da Europa como Holanda (onde estas amostras foram produzidas, em várias séries), Dinamarca e Suécia, entre outros. Em Portugal tenho memória de os coleccionar desde o final dos anos 60 até finais dos anos 70. As pastilhas elásticas que os acompanhavam eram fantásticas.

cartoes tabacos ingleses 02

cartoes tabacos ingleses 03

cartoes tabacos ingleses 01

cartoes tabacos ingleses 04

cartoes tabacos ingleses 05

cartoes tabacos ingleses 08

cartoes tabacos ingleses 07

cartoes tabacos ingleses 09

cartoes tabacos ingleses 10

cartoes tabacos ingleses 11

cartoes tabacos ingleses 12

Em cima, vários cartões de marcas de tabacos ingleses, como a John Player & Sons, a Gallaher L.da, a Ogden e a Mills. Estas como outras colecções, denotavam uma excelente qualidade gráfica e alguma diversidade, mesmo no âmbito do futebol, como seja a representação artística, em fotografia, em caricaturas, cores e emblemas, séries de capitães de equipas, técnicas de jogo, etç. Perante esta qualidade e diversidade, não admira que estes cartões, que deram origem aos cromos, tenham sido um produto atraente sob um ponto de vista de coleccionismo. Acreditamos que também deve ter ajudado à popularidade dos cigarros e do acto de fumar.

As colecções (sets) eram compostas por um número variável e tanto podiam conter 25 como 40, 50 ou 100 unidades.
O futebol era um tema muito popular pelo que era recorrente nos cartões das várias marcas de tabacos inglesas, como se comprova pelas amostras. Ainda hoje os cromos mantêm um forte relacionamento com o futebol, sendo o tema preferido dos coleccionadores.

cromos de caramelos 01
cromos de caramelos 02
cromos de caramelos 03
cromos de caramelos 04
cromos de caramelos 05
cromos de caramelos 06
Acima, alguns cromos de caramelos, que serviam de invólucro natural aos rebuçados e caramelos.

caderneta os tres mosqueteiros 01

caderneta os tres mosqueteiros 02

caderneta os tres mosqueteiros 03

Em cima, a caderneta "Os Três Mosqueteiros", considerada a primeira colecção de cromos em Portugal com distribuição em envelopres-surpresa.

- Anteriores tópicos sobre cromos:
- Anteriores tópicos sobre cadernetas:

Emblemas e distintivos de clubes - 10

aliados futebol clube de lordelo

Aliados Futebol Clube de Lordelo


amarante futebol clube

Amarante Futebol Clube


anadaia futebol clube

Anadia Futebol Clube


associacao atletica de avanca

Associação Atlética de Avanca

4/27/2009

Código Morse - Marinha de Guerra Portuguesa

 A propósito do aniversário de Samuel Morse (218 anos sobre o seu nascimento em 1791), criador do célebre código de comunicação que ficou conhecido com o seu nome, a que hoje o Google faz referência com o logotipo adaptado à efeméride, como acontece com outros eventos, saltou-me à memória a minha experiência como Operador Táctico, uma vertente da especialidade de Comunicações na Marinha de Guerra Portuguesa, onde prestei serviço militar em meados dos anos 80. Os operadores tácticos tinham a especialidade de comunicação visual, como mensagens por bandeiras e transmissão e recepção de comunicações via código morse visual.

Recordo, por isso, de ter participado num concurso designado de COMPCOMAR, onde obtive um honroso terceiro  lugar na especialidade de transmissão e um quinto lugar na recepção. Nada mau, se considerarmos que eram vinte ou trinta colegas concorrentes.

Na altura o serviço militar era considerado uma autêntica seca, tanto mais que era obrigatório. Foram dois anos subtraídos à vida civil com os inerentes atrasos, como se compreenderá. Apesar de tudo, hoje à distância de mais de vinte anos, recordo com saudade muitos momentos e experiências, tanto mais que a Marinha tinha uma componente educativa muito forte, que julgo ter aproveitado, devidamente, para além de muitos outros aspectos de convivência e camaradagem.

Creio que já o disse noutra ocasião, mas depois da recruta na Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira, passei para a Base Naval do Alfeite, para a Escola de Comunicações, onde tirei o curso atrás referido e finalmente passei para o Comando Naval do Continente, na Base Naval de Lisboa, onde estive até completar dois anos inteirinhos de serviço.

Quanto ao Código Morse, é claro que o aprendi de cor-e-salteado, pelo que durante muito tempo os traços e os pontos estavam na ponta da língua, nos olhos e nos dedos. Mas pronto, hoje em dia apenas sei de cor os códigos de alguns caracteres.

Também aprendi o nome e significado de todas as bandeiras, o chamado alfabeto fonético. O método de aprendizagem passava pela distribuição de um baralho de cartas contendo todas as bandeiras numa face e o nome das mesmas no lado oposto. Nas horas vagas era um exercício obrigatório.
Como curiosidade, neste link, pode-se escrever um determinado texto e depois ver e ouvir a sua tradução em Código Morse.
Por exemplo: Santa Nostalgia: ... .- -. - .- / -. --- ... - .- .-.. --. .. .-


codigo morse

medalha marinha

Uma das medalhas que conquistei no concurso COMPCOMAR.

divisas marinha

As minhas divisas do posto de segundo-marinheiro, com que terminei o serviço militar obrigatório, na especialidade de Comunicações.

marinha grupo comunicacoes

Ainda a propósito do meu serviço militar, não importa para o caso, mas nesta foto acima, eu devo estar por ali, algures na segunda fila da frente para trás, misturado entre os colegas do curso de Comunicações.
Bons tempos que já não voltam, apenas na nostalgia da nossa memória. Voltarei às memórias da tropa.

Crónica Feminina – Nºs 336 e 344 de 1963

 

santa nostalgia cronica feminina capa 336_02051963

santa nostalgia cronica feminina capa 344_1963

Dois simpáticos “marinheiros” a ilustrar as capas da revista Crónica Feminina, referentes aos números 336 e 344, de 1963.

Como fiz o serviço militar na Marinha de Guerra Portuguesa, ainda devo ter, algures numa gaveta, a minha farda, nas versões, branca, de Verão, e azul, de Inverno, incluindo o característico chapéu, o “panamá”. Um destes dias vou ter que ver em que estado se encontram.

 

*****SN*****

Pesquisar no Blog

Boavista Futebol Clube - 1975/1976

  Boavista Futebol Clube, da época de  1975-1976. Uma fantástica equipa que ficou em 2.º lugar do campeonato, a 2 pontos do campeão Benfica....

Populares