5/05/2009

A barca bela – Viagens pelos livros escolares - 6

 

Uma das páginas inesquecíveis do meu livro de leitura da terceira classe intitulava-se "A barca bela".
A ilustração retrata com fidelidade as duas quadras que compõem o texto, extraídas do romanceiro popular.
Até pela sua simplicidade estrutural, a lição facilmente foi decorada pelo que ainda hoje, muitos anos depois, certamente que quem a aprendeu ainda a tem na ponta da língua e no fundo da memória.

 

a barca bela

(clicar na imagem para ampliar)

 

*****SN*****

5/04/2009

Vasco Granja deixou-nos…






Soube, há instantes, que faleceu o Vasco Granja. Foi já de madrugada, em Cascais, onde vivia. Tinha 83 anos.
Esta triste notícia acabou por ser para o Santa Nostalgia uma infeliz coincidência, pois precisamente neste dia publicamos um artigo onde falamos do apresentador e do seu “Cinema de Animação”, a propósito da série de animação polaca, dos anos 70, “O Lápis Mágico”.
É uma infeliz coincidência porque à hora da publicação do artigo, obviamente não sabíamos do triste acontecimento, que apenas foi noticiado há minutos. Aliás, o artigo esteve para ser publicado durante o dia de ontem, Domingo.
Neste contexto, para além do que já falámos acerca do Vasco Granja, queremos deixar aqui uma sentida homenagem a esta figura incontornável da televisão portuguesa e de modo especial do cinema de animação.
O seu e nosso “Cinema de Animação” era um mundo de divertimento e fantasia, um espaço quase mágico que ajudou a enriquecer esse tempo fantástico e inesquecível que é a nossa infância.
Que descanse em paz.

Vasco Granja - Cinema de Animação – O Lápis Mágico

Vasco Granja, o apresentador de “Cinema de Animação” (ilustração Santa Nostalgia)

Uma das boas nostalgias do meu tempo de criança prende-se com a rubrica televisiva, "Cinema de Animação", apresentada pelo inesquecível e carismático Vasco Granja.
O programa "Cinema de Animação" teve o seu início em 1974, logo após a revolução do 25 de Abril e aguentou-se firme durante 16 anos, até 1990, tendo sido apresentados cerca de um milhar de edições.

Este programa da RTP, iniciado ainda no tempo do "preto-e-branco", primava pela variedade de desenhos animados exibidos, apesar do apresentador, especialista de cinema de animação, mostrar uma preferência especial pelas produções dos países de leste, nomeadamente da Polónia, Jugoslávia e Checoslováquia, muitas vezes de características experimentalistas, em contraponto às clássicas séries dos Estados Unidos, nomeadamente da Disney e da Looney Tunes, que também apreciava.

vasco granja cinema de animacao
Vasco Granja seleccionava filmes de vários países, desde a Europa até ao Japão, incluindo filmes oriundos do Canadá, então muito forte no cinema de animação experimental, nomeadamente de autoria de Norman McLaren, um dos confessos realizadores preferidos do apresentador. A Vasco Granja e ao seu “Cinema de Animação” deve-se também a divulgação e popularidade da série “A pantera cor-de-rosa”, de Friz Freleng e David DePatie, sendo, à custa disso, apelidado de "o pai da Pantera cor-de-rosa”.
De todos os bons filmes que eu via no "Cinema de Animação", incluindo a “Pantera cor-de-rosa”, que continua a agradar, mesmo às novas gerações, a série "O Lápis Mágico" foi aquela que mais tocou a minha imaginação de criança.

"O Lápis Mágico", no original "Zaczarowany Olowek" que pode também ser traduzido por "Lápis encantado", era uma produção polaca, da cidade de Lodz, da Se-Ma-For (acrónimo de Studio Malych Form Filmowych), cujos episódios produzidos de 1963 a 1976, com cerca de 10 minutos cada, giravam à volta de um menino (Piotr) que tinha como amigo um duende que por sua vez lhe emprestava um lápis com capacidades mágicas ou encantadas, pelo que tudo o que o rapazito desenhasse se materializava, tanto objectos. O menino tinha ainda um inseparável companheiro, um cão amarelo, muito irrequieto e inteligente, que o ajudava em inúmeras situações.

O lápis mágico só funcionava em situações especiais, normalmente numa perspectiva do Bem  mas nunca ao serviço do Mal, principalmente quando alguém se apropriava do lápis ou obrigava o menino a fazer desenhos para uso maldoso.

Esta série de animação, como muitas outras tão características dos chamados países de Leste, não tinha falas e por conseguinte era apresentada sem legendas, mas apenas com música e sons. Apesar disso, as histórias eram de fácil compreensão para as crianças, mesmo as que ainda não sabiam ler e transmitiam valores de alegria, paz e amor, como fazia questão de salientar o apresentador.

Apesar da simplicidade da produção, com desenhos e cenários muito básicos, mesmo rudimentares, esta série "O Lápis Mágico", tornou-se uma das preferidas da rubrica "Cinema de Animação" e deu azo a muitas e imaginativas brincadeiras. Pessoalmente, fartei-me de romper lápis e riscar paredes e papel na expectativa infantil de ver transformar em realidade os bolos, carros, cães e gatos que desenhava. Mas nada...

Felizmente, para matar saudades e voltar a divertir, e até para recordar a inesquecível música de abertura, hoje em dia ainda é possível assistir a vários episódios dispersos no sítio YouTube, bastando escrever na caixa de procura o título original, "Zaczarowany Olowek".


lapis magico 01
Genérico de abertura
lapis magico 02
O menino que utilizava o lápis mágico
lapis magico 03
O cão, companheiro do menino.
lapis magico 04
O menino e o cão
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O duende entregando o lápis mágico ao menino
lapis magico 05
O menino a desenhar um urso
lapis magico 07
O menino a desenhar uma chave

5/01/2009

Tradição das Maias - Giestas em flor

maias giestas 01

Ontem, na minha aldeia como em muitas regiões do pais, reviveu-se a tradição das Maias. Esta obriga a que nas fechaduras e fechos de todas as janelas e portas do exterior das habitações sejam colocados ramos de giestas em flor, as chamadas Maias. A colocação deve ser extensiva aos currais dos animais.
Se em alguma porta ou janela não for colocado o ramo de Maia diz-se que "entrará o diabo e chupará o sangue de quem ali morar".

Esta é uma tradição muito antiga e generalizada no país, sobretudo na região norte e dizem os estudiosos que tem a ver com ritos associados à Primavera e à fertilidade da terra e dos animais. Há também quem diga que tem reminiscências religiosas já que reza a lenda que Nossa Senhora, na fuga para o Egipto, com o Menino e S. José, espalhou ou semeou giestas pelo caminho para depois o encontrar no regresso.
Outra lenda, também diz que por alturas da Páscoa, estando Jesus em Jerusalém, os judeus marcaram com um ramos de giestas a casa onde Ele estava hospedado para melhor ser identificado na altura da sua prisão, mas no dia seguinte, todas as portas e janelas da cidade estavam ornamentadas com as flores das giestas, perdendo-se assim a tal marca.
São lendas, obviamente, mas que demonstram a riqueza das nossas tradições.
Também há quem associe esta tradição a origens celtas, já mais ligadas ao início do Verão.

maias giestas 02

Na minha região, mesmo na minha aldeia, nesta época do ano as giestas são abundantes e floridas em majestosas manchas de amarelo vivo.
Também há giestas na cor branca, mas por cá já são extremamente raras.
Em criança lembro-me de minha mãe me mandar ir às Maias, sempre na tarde do 30 de Abril. Depois percorria-se tudo quanto era porta e janela. Não havia buraco da casa que ficasse desprotegido à tentativa de entrada pelo diabo.
Apesar de a tradição já não ser o que era, ainda há muitos que a seguem, principalmente em zonas rurais. Para além das portas e janelas das casas, agora até é vulgar verem-se as Maias colocadas nos automóveis.

Ainda sobre as giestas, depois de cair cada flor, forma-se uma vagem. No Verão, nos dias quentes, quem passar pelos caminhos e pinhais é frequente ouvirem-se estalidos, originados pelo rebentamento das vagens que assim soltam as suas sementes, pequenas ervilhas pretas ou castanhas.
As giestas, depois de colhidas pelo pé e deixadas secar á sombra,  eram atadas com vimes, seguindo-se uma certa técnica,  e assim era utilizadas pelos lavradores como vassouras (vassoiras), muito úteis e eficazes na limpeza das eiras e na recolha de grão disperso pela mesma. Também serviam para varrer as folhas no quintal ou no pomar. Ainda hoje se usam em certas zonas rurais.

4/29/2009

Breves apontamentos sobre a origem dos cromos

fabrica de tabaco micaelense_01

O termo cromos deriva da técnica de impressão a cores designada de cromolitografia, inventada e patenteada em Julho de 1837, em Inglaterra, por Gottfried (Godfroy) Engelmann (1788 - Mühlhausen, Alemanha). A este respeito, há, no entanto, quem considere que a técnica já era conhecida antes de patenteada e o seu inventor teria sido outro que não Engelmann, no caso Johann Alois Senefelder, o inventor da popular técnica da litografia.

O conceito de cromos, enquanto estampas temáticas numeradas, resultando por si só num incitamento natural ao coleccionismo sequencial, surgiu assim na última metade do séx.XIX, associado certamente à estampagem decorativa de alguns produtos de consumo generalizado, como as caixas de fósforos, que veio a originar o filuminismo, e também de marcas de chocolates e de tabacos, com predominância em Inglaterra, França, Itália e Espanha.

Quanto a Portugal não existem dados rigorosos quanto à sua introdução, mas tudo indica que na origem dos cromos, tal qual os conhecemos na actualidade, também estiveram os tais cartões brindes e que do mesmo modo eram habitualmente oferecidos por algumas marcas de tabacos (Fábrica de Tabaco Michaelense - Açores, Fábrica de Tabacos Estrela - Açores, Empreza de Tabacos "Lusos", entre outras) e chocolates (Regina e Celeste), adoptando a mesma técnica e os mesmos temas já populares nos países referidos, como o retrato de futebolistas locais ou desportistas da época, geografia, natureza (fauna e flora), etç.

Em Portugal, os primeiros cromos que se conhecem têm precisamente essa origem, as fábricas de tabacos e remontam aos anos 20.
Os cromos enquanto invólucros de rebuçados e caramelos, surgiram sensivelmente na mesma época, passando a ser conhecidos como cromos de caramelos, sendo na actualidade objectos raros e de culto para os coleccionistas.

Quanto à venda dos cromos como artigo em si, não associado a qualquer sub-produto, como era o caso dos chocolates, dos tabacos e dos rebuçados e caramelos, parece ter tido origem nos anos 40, certamente a partir da realidade de Espanha, que foi sempre um bom produtor de cromos e estes um produto popular.

As primeiras colecções de editoras portuguesas tinham precisamente origem em colecções de editoras espanholas, sendo por isso reedições autorizadas.
A introdução em Portugal dos cromos em envelopes ou saquetas surpresa, deve-se à Agência Portuguesa de Revistas, no início dos anos 50 (Julho de 1952), com a caderneta "Os Três Mosqueteiros" a ser considerada a primeira edição com essa característica. Nessa colecção, cada envelope continha 3 cromos e o álbum (caderneta) custava 3 escudos.

A distribuição de cromos em envelopes-surpresa manteve-se durante vários anos a par com os cromos invólucros de rebuçados e caramelos, já que estes foram produzidos até, sensivelmente, meados dos anos 70. Estes, por questões de mercado, ficaram pelo caminho enquanto os cromos em envelopes-surpresa mantiveram-se até aos nossos dias, embora já com a técnica de papel auto-colante, dispensando assim a aplicação directa de cola, como aconteceu sensivelmente até meados dos anos 80.

Quanto aos cromos de caramelos, algumas das principais editoras normalmente correspondiam a casas ligadas ao fabrico de confeitarias, pelo que é difícil precisar onde começava e acabava o interesse pela venda dos cromos ou dos rebuçados e caramelos. Seriam, pois, editoras de cromos ou vendedoras de rebuçados e caramelos? Talvez o objectivo compreendesse as duas facetas do negócio. Seja como for, um dos conceitos ligados a este tipo de cromos, era o baixo custo de produção, para ser acessível a todas as classes. Como consequência, esses cromos/invólucros, eram, de modo geral, de fraca qualidade gráfica, sendo usadas na base, fotografias a preto-e-branco que depois era coloridas, quase sempre de forma muito tosca e descuidada. Os mesmos retratos serviam para edições consecutivas, mudando-se apenas o cenário do cromo e por vezes repetiam-se em colecções de diferentes editoras, pronunciando acordos de cedência entre as mesmas. As cadernetas também eram muito simples, com papel de fraca qualidade, e obedeciam a estruturas gráficas muito simplificadas, quase sempre com lugar para 11 jogadores e, eventualmente, um lugar para o emblema.

Algumas das mais conhecidas editoras de cromos de caramelos: Fábrica Universal, de António Brito, A Francesa, Fábrica de Confeitaria Produtos Altesa, Fábrica de Chocolates Celeste, Confeitaria Alex, Produtos Carsel, Alex, Fábrica Montijense, A Triunfadora do Montijo, Brindes Calhambeque, António Gomes da Silva, Rebuçados Vitória, Divertimentos Zélito, Fábrica de Rebuçados Joneca, Fábrica Águia e Fábrica Vitória, entre outras. De todas estas, as mais produtivas terão sido certamente a Universal, A Francesa, a Altesa e a Carsel.
Algumas das conhecidas editoras de cromos em envelopes-surpresa: Agência Portuguesa de Revistas, Íbis, Palirex, Disvenda, Francisco Más, L.da, António Gomes da Silva, Acílio A. Silva, Clube do Cromo, Sorcácius, Acrópole, Mabilgráfica, Manil, Panini e outras menos significativas, com edições esporádicas.

Todo este panorama de múltiplas editoras há muito que terminou e a Panini vai reinando num quase monopólio na indústria editorial dos cromos, com todos os inconvenientes para os coleccionadores que dão importância à qualidade, sim, mas também à diversidade. Subsistem esporadicamente algumas edições quase avulsas de uma ou outra editora, por vezes piratas, mas sem grande significado no mercado dos cromos.

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Cartão brinde da Fábrica de Tabacos Micaelense - Açores
Série Países e Bandeiras
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Cartões brinde da Fábrica de Tabaco "Estrela", Açores
Série Países e Bandeiras
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Cartões brinde da Fábrica de Tabaco "Estrela", Açores
Série Animais

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cartao cowboys serie c 01

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cartao cowboys serie T 02

Cartões de artistas de cinema western, chamados de cowboys, distribuídos como brindes das pastilhas elásticas - chewing-gum, ou bublle-gum (vulgo chicletes). Tornaram-se muito populares sobretudo em países do norte da Europa como Holanda (onde estas amostras foram produzidas, em várias séries), Dinamarca e Suécia, entre outros. Em Portugal tenho memória de os coleccionar desde o final dos anos 60 até finais dos anos 70. As pastilhas elásticas que os acompanhavam eram fantásticas.

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Em cima, vários cartões de marcas de tabacos ingleses, como a John Player & Sons, a Gallaher L.da, a Ogden e a Mills. Estas como outras colecções, denotavam uma excelente qualidade gráfica e alguma diversidade, mesmo no âmbito do futebol, como seja a representação artística, em fotografia, em caricaturas, cores e emblemas, séries de capitães de equipas, técnicas de jogo, etç. Perante esta qualidade e diversidade, não admira que estes cartões, que deram origem aos cromos, tenham sido um produto atraente sob um ponto de vista de coleccionismo. Acreditamos que também deve ter ajudado à popularidade dos cigarros e do acto de fumar.

As colecções (sets) eram compostas por um número variável e tanto podiam conter 25 como 40, 50 ou 100 unidades.
O futebol era um tema muito popular pelo que era recorrente nos cartões das várias marcas de tabacos inglesas, como se comprova pelas amostras. Ainda hoje os cromos mantêm um forte relacionamento com o futebol, sendo o tema preferido dos coleccionadores.

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Acima, alguns cromos de caramelos, que serviam de invólucro natural aos rebuçados e caramelos.

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Em cima, a caderneta "Os Três Mosqueteiros", considerada a primeira colecção de cromos em Portugal com distribuição em envelopres-surpresa.

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