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6/06/2009

Provérbios, rifões ou ditados populares - 1

 

Fazem parte da minha memória desde criança, os provérbios, ditados ou rifões populares. Cada um deles, na sua simplicidade, carrega importantes ensinamentos adquiridos por gerações com base na experiência de um quotidiano quase sempre ligado à vida do campo. Um provérbio dito no contexto certo diz mais que muitos considerandos.

Vou deixar por aqui, às prestações, alguns muito característicos da minha terra. Naturalmente, alguns serão também comuns a outras regiões, com maior ou menor aproximação, quer na construção quer no significado, que, creio, será perceptível à maioria dos meus leitores.

 

burro com livros burro carregado de livros burro doutor santa nostalgia

- Um burro carregado de livros é doutor.

- A pensar morreu um burro.

- Porque um burro dá um coice, não se lhe há-de cortar a perna.

- Quem não pode aluga um burro.

- Uma sardinha ao longe carrega um burro.

- Abundante a chuva, gorda a uva.

- A gado que roe nunca faltaram farrapos.

- À custa dos tolos riem-se os assisados.

- Alegrai-vos tripas, que aí vai vinho!

- Antes ser martelo que bigorna.

- A lã nunca pesou ao carneiro.

- A fome é sombra da miséria.

- Barriga vazia nem força nem ideia.

- Barriga vazia não padece de azia.

- Bem se canta na Sé, mas é quem é.

- Bem fala o são ao doente.

- Bem fala Frei Tomás. Olhai p´ró que ele diz e não p´ró que faz.

- Com cunhas é que se racham pedras.

- Deus é bom e o diabo não é mau.

- Depois que foge o coelho todos dão bom conselho.

- Deus dá o pão mas não amassa a farinha.

- Devagar que tenho pressa.

- Duas mós ásperas não fazem farinha.

- Enquanto o pau vai e vem folgam as costas.

- Falai no Mendes, à porta o tendes.

- Gente nova e burros velhos botam o mundo a perder.

- Macaco velho não põe pé em galho seco.

- Graças a Deus muitas, graças com Deus, poucas.

- Grilo cantador sinal de calor.

- Mulheres, mulas e muletas, tudo se escreve com as mesmas letras.

- Nem sempre galinha e nem sempre sardinha.

- Melro que pia o poiso denuncia.

- Nunca faltou casa ao vivo e cova ao morto.

- O sino chama para a missa mas não vai a ela.

- O que é doce nunca amargou.

- Pai galego, filho fidalgo, neto ladrão.

- Pelo sim pelo não, levar o chapéu na mão.

- Por falta de um alho não se há-de perder o molho.

- Onde vires o corpo bota carga.

- Quem engorda os bóis são os olhos do dono.

- Quando a raposa anda aos grilos, mal da mãe pior dos filhos.

- Quem cabritos vende e cabras não tem, dalgures lhe vem.

- O que tem telha é telhado e quem tem telha é telhudo.

- Vaca magra dá leite de cabra.

 

*****SN*****

6/05/2009

Vestuário - roupas dos anos 60 - 10

 Voltamos à publicação de mais alguns interessantes modelos de roupas dos anos 60, indicadas para crianças e adolescentes. A simplicidade volta a marcar a diferença.

vestuario roupa anos 60 p10 01

vestuario roupa anos 60 p10 02

vestuario roupa anos 60 p10 03

6/04/2009

Genérico de abertura da RTP – Marcha “Derby Day”


Uma das mais fortes memórias ligadas à RTP, principalmente dos anos 60 e 70, era a música de abertura das suas emissões diárias. Esse genérico era uma espécie de chave de entrada para o mundo maravilhoso da televisão e de modo especial dos nossos programas preferidos dessa época. Os desenhos animados e os filmes infanto-juvenis eram, obviamente, os mais desejados.
Numa altura em que a RTP abria a emissão apenas a seguir ao almoço, recordo-me de esperar ansioso a olhar para a mira técnica ansiando ouvir a música mágica porque com ela abria-se a "janela".
Quanto à música, trata-se da primeira parte de uma marcha militar de autoria de um compositor canadiano, Robert Farnon - 24 de Julho de 1917/22 de Abril de 2005-, intitulada no original "Derby Day". 
 
No Youtube: Link 1 - Link 2


televisao santa nostalgia



6/02/2009

A sentença de Salomão – Viagens pelos livros escolares - 9


De novo uma viagem ao livro de leitura da terceira classe. Desta vez recordamos uma das muitas lições que se tornaram parte das memórias de todos quantos aprenderam por esse livro. Trata-se da lição “A sentença de Salomão”.
A história narrada é por demais conhecida e pretende demonstrar o verdadeiro amor de mãe, que prefere perder o filho para outra, que falsamente o reclama, a ver executada a sentenção de morte.
Numa altura em que algumas situações mediáticas (casos de Esmeralda, a menina de Torres Novas e recentemente o de Alexandra, a menina russa) têm trazido à discussão os direitos de paternidade/maternidade, biológica em contra-ponto à afectiva, esta lição não deixa de ser propícia a algumas reflexões.
Sem querer fazer juízos de valor, porque é assunto demasiado complexo, o caso recente da menina russa, cujo juiz do caso determinou a sua entrega à mãe biológia e por conseguinte o seu envio para a Rússia, a par de posteriores imagens que divulgam uma relação pouco afectiva entre a verdadeira mãe e a sua filha, já no novo lar, relança a discussão para novos patamares. Este poderá ter sido mais um caso onde aparentemente a lógica fria da justiça se sobrepõe à razão da emoção das verdadeiras afectividades.
Infelizmente, com a desagregação da família e uma sexualidade irresponsável, vivida cada vez mais ao sabor dos momentos, com o aborto como rede de trapezista, sobram as crianças que muitas vezes caem nesta disputa de direitos, emoções e razões. Cada vez mais, somos uma sociedade de órfãos e mães solteiras. Quando se pensava que este era um flagelo ou produto da suposta miséria vigente no nosso país antes do 25 de Abril de 1974, a verdade é que tem aumentado consecutivamente  porque a miséria deixou de ser física mas passou a ser moral e comportamental. 
Infelizmente, as coisas não estão para melhorar. Talvez, quem sabe, com algumas sentenças salomónicas…

a sentença de salomão santa nostalgia 01
a sentença de salomão santa nostalgia 02

(clicar nas imagens para ampliar)

5/30/2009

Maio - Mês das cerejas

cerejas santa nostalgia 30052009

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Em Portugal, Maio é considerado o mês das cerejas. É claro que mesmo Junho é ainda abundante, mas por tradição creio que o mês das flores merece essa distinção.
As cerejas das fotos foram colhidas na cerejeira que mora no meu quintal, sendo que a maior parte está, inapelavelmente, destinada aos pássaros que por estes dias pousam abundantes e gulosos na cerejeira: Melros, pardais, rolas, poupas, gaios, pegas, piscos, verdelhões e outros mais. A passarada adora cerejas e com um manjar destes fazem autênticos festins (à minha custa, é certo, mas sobretudo da Natureza).

As cerejas fazem-me transportar aos meus tempos de criança e adolescente e às enormes e frondosas cerejeiras que existiam na quinta dos meus avôs paternos. Por esta altura do ano, eu os meus irmãos e primos, frequente e destemidamente, trepávamos até ao alto, baloiçando nos ramos, colhendo e comendo. Eram autênticas barrigadas de cerejas, nas quentes tardes de Maio e Junho. Enfeitávamos as orelhas com os famosos "brincos de cerejas".

As cerejas de tão doces que eram, provocavam muita sede, mas aí era um castigo porque sempre ouvimos dizer que as cerejas não querem acompanhamento com água, mas bom vinho. Os meus pais, para meterem medo, contavam histórias de gente gulosa que morria de congestão de cerejas bem regadas com água. Por isso, "como quem tem cú tem medo", era um aguentar, com a fonte de água ali à beira, sempre fresca a caír num grande tanque que existia debaixo de uma latada de vinho americano.

Em Portugal, são famosas as regiões produtoras de Trás-os-Montes, como Alfândega da Fé e Douro Sul, como Resende, Penajóia e outras mais e ainda o Fundão, na Cova da Beira. Apesar disso, as cerejeiras adaptam-se relativamente bem em qualquer zona, desde que em locais abrigados e solarengos. Na minha região, Beira Litoral, entre o mar e a serra, recordo-me que quando era criança as cerejeiras eram muito vulgares. Hoje em dia, já não é bem assim, pelo que são menos abundantes, até porque é uma árvore que deixada crescer livremente atinge um elevado porte. A do meu quintal deve ter seguramente uns 8 a 10 metros, e ainda é relativamente jovem. Não é, pois, árvore para qualquer bocado de terra nem jardim.
Como acontece em muitas zonas do país, também por aqui realizam-se várias festas ou romarias locais caracterizadas pela venda da cereja pelo que é uma delícia ver várias bancas repletas de vistosas e suculentas cerejas. Por outro lado, algumas estradas estão pejas de vendedores de cerejas que descem da região de Resende e Lamego.

5/29/2009

Erva de S. Roberto – Serafim, torce, torce!

 A Erva de S. Roberto é uma planta relativamente vulgar e que cresce espontaneamente por todo o país, de modo especial em campos, cômoros, muros de pedra e bermas de caminhos. É caracterizada pelos seus caules vermelhos, pequenas flores lilás e um aroma acre, forte e pouco agradável.
Sendo bastante vulgar, é uma planta há muito conhecida pelas suas fantásticas propriedades medicinais, sendo indicada sobretudo para inflamações, problemas na boca, como aftas, úlceras, hemorragias, hemorróides, cálculo dos rins, nefrite, infecções ao nível dos olhos, gastrites e muitas outras. 

Esta erva é por conseguinte muito abundante na minha aldeia e desde há muitos anos que conheço as suas propriedades e indicações.
A Erva de S. Roberto, também conhecida por Bico-de-Cegonha (no Brasil) e Erva Roberta, entre outros nomes, estava sempre disponível na "farmácia da minha bisavó, profunda conhecedora de tudo quanto era erva medicinal. Colhia-a na fase madura, quando já tinha florido e as suas folhas e caules adquiriam uma cor avermelhada. Depois de seca em local sombrio, era utilizada em chã. 

Mais do que pelas características de erva medicinal, recordo esta planta sobretudo pelas suas sementes características em forma de espigão, ou até mesmo de espermatozóides gigantes. Quando maduras uma vez separadas cada uma das sementes do invólucro, os respectivos chicotes retorcem-se ao calor do sol. Por esse motivo, as crianças do meu tempo costumavam espetar na roupa esses espigões para os ver a retorcer, a encaracolar sobre si. Quando isto acontecia, dizíamos uma pequena lenga-lenga: Serafim torce, torce! Serafim torce, torce!.
É claro que ignoro a origem desta brincadeira, mas sei que era muito conhecida por todas as crianças do meu tempo.

 erva de s. roberto santa nostalgia 30052009

erva de s roberto santa nostalgia 01

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