7/31/2009

Bobby Robson – 18/02/1933 – 31/07/2009

bobby robson sporting 2 

Deixou-nos, hoje, Bobby Robson, uma importante figura do futebol inglês e mundial. Entre nós ficou conhecido por treinar o Sporting C.P. entre 1992/1994,  e de seguida o F.C. Porto, entre 1994/1996 (onde conquistou dois títulos). Depois partiu para treinar um grande do futebol europeu, o F.C. Barcelona, levando consigo o então irrelevante adjunto, José Mourinho.

Paz à sua alma!

bobby robson sporting

bobby robson sporting 93_94

- Equipa do Sporting, da época 93/94, treinada então por Bobby Robson e José Mourinho

7/30/2009

Abbott and Costello

 

abbott and costello santa nostalgia 2

abbott and costello santa nostalgia 1

Quem se recorda da dupla de comediantes Abbott and Costello? Esta sociedade constituída pelos actores Budd Abbott e Lou Costello, bem na linha da não menos famosa dupla Bucha & Estica (Laurel & Hardy), tornou-se muito popular nos anos 40 e 50 pela sua participação em vários filmes e em programas de televisão dos Estados Unidos.


Em criança recordo-me de assistir a alguns desses filmes a preto-e-branco que passavam com bastante frequência na RTP, principalmente na rubrica Tarde de Cinema, sempre repletos de situações hilariantes (gags).


Mas de Abbott and Costello, do que me lembro bem é da série de animação, com o mesmo nome, produzida pela Hanna-Barbera, em meados dos anos 60, que explorava o sucesso da dupla de cómicos, sendo composta por 156 episódios de curta duração, sensivelmente com 5 minutos cada. Em Portugal era exibida no início dos anos 70.
Esta duração era apropriada à programação dessa época onde se valorizava muito os pequenos espaços destinados às crianças, nomeadamente a seguir aos períodos de abertura das emissões e até mesmo integrados em alguns programas, como acontecia no final do Cartaz TV apresentado pelo saudoso Jorge Alves.
Por conseguinte, eu e a restante criançada, adorávamos estes curtos episódios de momentos de diversão e magia.

 

 

Who's On First?

 

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7/29/2009

O casamento real e outras Histórias

casamento de carlos e diana

Passam hoje 28 anos (29 de Julho de 1981) sobre a data do casamento real entre Carlos, o Príncipe de Gales, o eterno herdeiro do trono de Inglaterra e Lady Diana Frances Spencer.
A história dessa cerimónia, então televisionada para uma plateia superior a 750 milhoes de pessoas de todo o mundo, é por demais conhecida. Igualmente conhecida, popularizada e explorada, foram todos os momentos da vida do casal até ao divórcio real e depois até ao trágico acidente que vitimou mortalmente Diana.

Recordo-me bem da transmissão televisiva do casamento, que vi a espaços, mas realmente foi um assunto que nunca me absorveu a não ser o questionar do porquê de um tipo tão feio e com aspecto de poder ser o pai da noiva, ter casado com uma princesa bonita e de olhos tão profundos quanto o desmesurado comprimento do véu do seu vestido.

reis e rainhas de portugal

Da monarquia, apenas me interessava a portuguesa, devidamente aprendida na escola primária, num desfile de personagens carismáticos, desde o D. Afonso Henriques até ao D. Manuel II. Pelo meio e à mistura de todos os nomes, era imperioso decorar os cognomes, as dinastias a que pertenciam, os seus principais feitos na História, os nomes da filharada e seus sucessores. Talvez por isso, hoje tenho um bom espólio de livros de História do ensino primário, que frequentemente revejo.
Interessava-me, assim, mais pelas espadeiradas do D. Afonso IV, o Bravo e a justiça de D.Pedro, do que pelas batalhas entre os paparazzi e o casal-real de terras de Sua Majestade. Habituado a decorar datas e motivos das eternas batalhas entre portugueses e castelhanos, tenho para mim que nestes tempos modernos as grandes batalhas das poucas monarquias europeias são contra os exércitos dos tais paparazzi, uma versão moderna dos flecheiros ou seteiros da Idade Média, que por sua vez alimentam um sacro-império de senhores feudais que controlam as catapultas modernas, os media.

Outros tempos, outras Histórias, outras batalhas.

7/28/2009

Dia dos avós

 

 avos santa nostalgia

 

No Domingo passado, dia 26 de Julho, dia de S. Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora, mãe de Jesus, foi o dia do calendário consagrado aos avós. Os da minha aldeia, a meio da manhã, deslocaram-se em autocarro à cidade da Maia para um encontro designado de "Dia Metropolitano dos Avós", juntando-se a quase 8 mil outros oriundos dos diversos concelhos que integram a área metropolitana do Porto.
Segundo a organização, pretendia-se “celebrar a experiência de vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas o convívio com as pessoas e a própria natureza”.


Viu-os regressar, já quase ao final do dia, cansados mas felizes, vestindo ainda a T´Shirt oficial do concelho que representavam.
Evidentemente nem todos participaram, e a minha mãe, viúva de meia-dúzia de meses, avó dos meus dois filhos e de mais 14 netos, preferiu a calma da casa e o aconchego da sua horta, entre o chilreio dos pássaros e o cuidado dos tomateiros, feijão-verde, alface e outras novidades próprias do tempo.


Foi, de facto, um dia merecido para os avós, não só pelo seu passado, pelo reconhecimento comum da  experiência e sabedoria de vida acumuladas mas também pela cada vez maior importância que nos nossos dias representam na valorização da família, uma espécie de âncora dos valores cívicos e morais que uma grande parte dos pais já não conseguem transmitir.
Numa época em que o sentido convencional da família tende a ser menosprezado ou mesmo dissolvido, a favor de relações de facto, e convivências ao sabor de experiências ocasionais, como quem testa no período regulamentar um electrodoméstico ou um aparelho electrónico, com direito a devolver ou trocar se não ficar satisfeito, os avós voltam de novo a ser pais, assumindo tantas vezes a responsabilidade da educação e da guarda dos seus netos, "abandonados" pela excessiva ocupação dos modernos progenitores, logo num período fundamental do seu crescimento, a infância, onde os afectos e a presença constante são modeladores da estabilidade e da definição da personalidade futura.


Por tudo isso, os avós devem ser devidamente reconhecidos cada vez mais, a começar pelos familiares directos e também pela sociedade em geral bem como o próprio Estado. Infelizmente, apesar da sua importância, pelos motivos referidos, não se esperam grandes melhorias já que, cada vez mais, os idosos são abandonados pelos próprios filhos, entregues ao esquecimento, à solidão e quantas vezes à miséria ou então depositados num lar, entregues aos cuidados de terceiros e num desejo de que tudo acabe rápido, sem grandes despesas, canseiras e incómodos para as suas vidinhas pessoais, com lugar para carinhos para um cão ou um gato mas não para um velho incómodo e inconveniente.

Importa reflectir sobre esta questão, social, sem dúvida, mas humana, principalmente. Por outro lado, o que é que se pode esperar de uma sociedade desprendida dos tais valores cívicos e morais de referência, de que constantemente aqui temos falado? Pouco. Muito pouco.

Quanto a mim, já não tenho avós. Os meus avós paternos faleceram com oitenta e tal anos cada, num intrevalo de 2 ou 3 anos, quando eu ainda nem tinha 6 anitos. A minha avó materna faleceu muito cedo, deixando a minha mãe com apenas 3 ou 4 anos. Por isso nem a conheci. O meu avô materno, que depois de viúvo casou em segundas núpcias, faleceu há cerca de oito anos, já com cerca de 85. Neste cenário, de quem guardo mais recordações é do meu avô materno bem como da sua mãe, minha bisavó, da qual já tenho citado am anteriores artigos. Pode-se dizer que a minha bisavó foi a minha segunda mãe já que nos primeiros anos da infância era ela quem muitas vezes substituia os cuidados de minha mãe, ocupada no amanho das terras. É claro que guardo muitas recordações do meu avô materno, até porque foi ele o meu padrinho de baptismo, mas era um homem de humor inconstante e de preferências no trato a alguns dos muitos netos e, na parte que me toca, deixou por cumprir algumas promessas, incluindo a compra de uma bicicleta, a ajuda nos estudos e outras mais triviais. Apesar disso, não lhe guardo qualquer rancor, antes pelo contrário. Nos fins da sua vida, depois de ter encamado devido a uma queda, durante quase dois anos, todos os Domingos cuidava de parte da sua higiene pessoal, fazendo-lhe a barba e aparando-lhe o cabelo, tarefa que tive que fazer pela derradeira vez logo depois de dizer adeus a esta vida terrena. Deixou viúva a sua segunda esposa, madrasta de minha mãe e minha madrinha.
Cada pessoa tem as suas próprias histórias relacionadas com os seus avós e creio que na maior parte dos casos são histórias repletas de boas memórias e nostalgias polvilhades de doces afectos. Mesmo quando algumas das recordações têm um travo de amargura, acredito que as relacionadas aos afectos conseguem ser superiores, afinal, que mais não seja, os avós são uma das bases da nossa existência. Só por isso merecem o maior respeito do mundo.

Oxalá que os netos, que cada vez mais recebem carinho e afecto de tantos avós, saibam e sejam capazes, um dia, de transmitir e retribuir na justa medida esse amor a seus pais, mesmo que estes pouco ou nada fizessem por o merecer. Só por essa via as coisas podem melhorar num futuro que realmente não se prevê optimista, ao nível dos afectos familiares e do respeito pelos mais velhos.

 

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7/27/2009

Lua - Quarto-Crescente

 lua quarto crescente santa nostalgia

(clicar nas imagens para ampliar)

Hoje fotografei a Lua. Neste momento está quase na fase de Quarto-Crescente, portanto a caminho de Lua Cheia, o que acontecerá no dia 5 de Agosto. Se o tempo o permitir, espero então fazer a fotografia da sua luminosidade plena, tanto mais que o luar de Agosto, a par do de Janeiro, é considerado dos mais luminosos.

A Lua sempre esteve muito presente na cultura e tradições populares, desde tempos imemoriais, já para não falar na sua influência religiosa em antigas civilizações.

Ainda hoje as pessoas ligadas à terra têm muito em conta as fases da Lua, determinando estas os períodos ideais para as sementeiras e colheitas e até para a matança de alguns animais, como o porco. Por outro lado, determinam as condições climatéricas em função do estado da Lua num determinado momento, caso onde se aplica, por exemplo, o ditado: Lua Nova trovejada, 30 dias é molhada.

A verdade é que, apesar de haver quem não veja nisso mais do que meras superstições e crenças,  estes ditados, usos e costumes resultam de uma sabedoria transmitida ao longo de gerações, fruto de testemunhos e observações do tempo.

noite de luar santa nostalgia

Neste contexto de tradição e sabedoria secular, deixo aqui uma breve lista de alguns ditados populares relacionados com a Lua. Alguns são conhecidos meus e usuais na minha região, outros foram "pescados" na Web. Certamente muitos mais haverá.

 

Luar deitado, marinheiro de pé.

Lua Nova trovejada, 30 dias é molhada.

Não há luar como o de Janeiro nem sol como o de Agosto.

Luar de Janeiro não tem parceiro.

Luar de Janeiro não tem parceiro mas o de Agosto sabe-lhe o gosto.

Ao luar de Janeiro se conta o dinheiro.

Não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro.

Luar de Janeiro ilumina o terreiro.

Luar de Janeiro poupa vela no telheiro.

Ao luar de Janeiro, descansa o candeeiro.

Luar de Janeiro no caminho é companheiro.

Luar de Janeiro é o sol depois de posto.

Não há entrudo sem Lua Nova nem Páscoa sem Lua Cheia.

Em Janeiro o luar não é bom p´ra namorar.

Lua Nova de Agosto tapada, Lua Lua Nova de Outubro será trovejada.

Luar de Janeiro à porta, vê-se o carreiro p´ra horta.

No luar de Janeiro a galhinha tarda ao poleiro.

Luar de Janeiro é claro como o carneiro mas lá vem o de  Agosto que dá-lhe no rosto.

A Lua é uma desavergonhada: Quando nova, anda de quarto em quarto e depois aparece cheia.

Festas e romarias – A procissão

 

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(páginas do “Livro de leitura da primeira classe” - clicar nas imagens para ampliar)

Será já no próximo fim-de-semana a festa anual da minha aldeia. Como manda a antiga tradição, é o primeiro Domingo do mês de Agosto a determinar a data. Tempos houve em que a festa se resumia ao dia de Domingo, mas já há bastantes anos que se prolonga de Sábado a Segunda-Feira e mais recentemente foi-lhe acrescentada a Sexta-Feira.


A festa da minha aldeia na actualidade é idêntica a muitas outras que ocorrem por estes meses de Verão em quase todas as aldeias deste nosso Portugal. Desde as mais humildes e discretas até às mais populares, extravagantes e despesistas, há-as para todos os gostos e em todos os recantos, desde o Minho ao Algarve, desde o Litoral até ao Interior, não esquecendo, naturalmente, os Açores e a Madeira.


Actualmente estas festas e romarias continuam a ser diferenciadas principalmente pelas dimensões e respectivos orçamentos, quase sempre desmesurados, mas no resto uniformizaram-se nas suas características. A componente religiosa, quase sempre a génese das mesmas, como a devoção ao santo ou à santa, o pagamento de votos, promessas e orações, há muito que tem sido relegada para um plano secundário e meramente formalista. Em contraponto, ganhou predominância o lado profano, com vastos programas musicais, onde predomina o brejeirismo “pimba” e elementos de diversão. Assim, não há festa popular que se preze que não conste no seu cartaz alguns cantores da nossa praça, a banda de música de baile, o seu parque de diversões, com pistas e carrocéis, as roullotes das farturas e bifanas e as tendas dos chineses, africanos e marroquinos, à mistura com as barracas de fruta, brinquedos, calçado e roupa.
Depois, barulho, muito barulho, numa profusão e mistura de sons.


As partes religiosas habitualmente constam de missa solene, em honra do santo ou santa da terra, com pregador encomendado fora da terra e depois a procissão, mais ou menos solene, acompanhada habitualmente pela banda filarmónica.

Apesar de tudo, nomeadamente desta generalização imposta pelos conceitos consumistas da aldeia global, felizmente ainda há tradições, traços e características muito próprias que se vão mantendo em muitas dessas romarias. São raros os exemplos, é certo, mas principalmente no interior, ainda subsistem romarias muito genuínas com as tradições ainda muito vivas. No caso da festa da minha aldeia, digamos que as coisas já foram mais genuínas mas ainda há aspectos que preservam costumes bem antigos.


De todas essas tradições, a procissão solene apresenta-se como elemento comum em quase todas as romarias mas infelizmente também já muito adulterado. Já quase ninguém se ajoelha à passagem do Santíssimo, já quase não há colchas coloridas e bordadas nos parapeitos das janelas ao longo do percurso atapetado de grafismos com flores. Os andores continuam lá, é certo, mas a devoção escasseia. Outrora estes eram enfeitados com as flores da época (rosas, cravos, agapantes, etc), de forma modesta mas condizente com a simplicidade e ascetismo da vida terrena dos santos. Hoje em dia o luxo e a vaidade chegaram aos andores, com lojas de floristas competindo entre si numa extravagância despropositada de modelos e flores exôticas importadas, à mistura com outros elementos decorativos nada adequados.


Vai longe o tempo da procissão genuína, aquela dos versos de António Lopes Ribeiro, cantada (ou dita)  pelo João Villaret ou a pintada pela sublime arte de José Malhoa. A procissão transformou-se, assim, em mais um elemento alegórico feito essencialmente para a vista, para os olhos, e menos, muito menos, para a alma, para o espírito. Sinais dos tempos.

Tocam os sinos na torre da Igreja…

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia, que Deus a proteja,
Vai passando a procissão.

Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o so-li-dó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior vai aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

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