10/18/2010

Modess – Quando as raparigas modernas conversam

 

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Ainda há alguns dias falamos da Modess, uma conhecida marca de pensos-higiénicos da Johnson & Johnson. Hoje trazemos à memória um novo (antigo - início dos anos 60) cartaz publicitário a esse produto da higiene íntima feminina.

Da leitura do cartaz e da sua mensagem, resulta a análise curiosa do facto de nos dias de hoje frequentemente se dar como adquirido que noutros tempos alguns assuntos eram tabú e as pessoas viviam fechadas num certo convencionalismo. Por isso não deixa de ser surpreendente, e desmistificador, vá lá, que num cartaz com 50 anos já se propagandeasse esse modernismo e esse à vontade das raparigas “já então modernas” em contraponto às suas avozinhas.

Agora podemos admitir que hoje em dia já não será pretexto ou sinal de modernidade que as raparigas falem entre si sobre os seus ciclos menstruais e os pensos higiénicos. Modernidade actual, e bastará ler a revista “Maria” ou outra do género”, lida maioritariamente por um publico feminino adolescente ou mesmo pré-adolescente, será discutir-se coisas triviais como perguntar se um beijo tido com o namorado implicará uma gravidez, ou que está a achar estranho o namorado, por este ao fim de duas semanas de namoro ainda ainda não querer ter relações sexuais ou ele a perguntar se será homossexual porque fica excitado quando pensa nos colegas ou preocupado por achar o seu pénis pequeno e descaído para a esquerda ou triste por a namorada não gostar de sexo oral por sentir nojo ou aflito por ela não querer outra coisa a toda a hora. Preocupações preocupantes.

Bom…bem sabemos que os famosos consultórios deste tipo de revistas extravasam os limites da realidade e aproximam-se mais de um certo surrealismo de mentalidades com pouca saúde, tanto mais tendo em conta o indesculpável fácil acesso à formação e informação. Mesmo não usando estes exemplos como regra, a verdade é que todos sabemos mais ou menos onde assenta ou fundamenta a modernidade da maioria dos nossos jovens. As redes sociais na Web são palco desse mundo moderno onde as amizades, seja lá o que isso significa, são medidas ou contadas aos milhares quando, afinal, essas pseudo-relações virtuais são conseguidas no escuro e na solidão de um quarto ou de uma sala. As sequências e consequências são já palpáveis mas daqui a 50 anos esta realidade terá certamente a mesma desmistificação do que a agora transmitida pela leitura contemporânea do cartaz da Modess.

Concluimos, pois, que a modernidade é sempre o tempo presente e somos tão modernos hoje em relação ao ontem como amanhã seremos em relação a hoje. Confuso mas compreensível.

10/14/2010

Desodorizante MUM

 

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Hoje trago à memória um cartaz publicitário do princípio dos anos 60, alusivo ao MUM, uma popular marca de desodorizante com o sistema de roll, com uma esfera plástica na boca do frasco que ajuda a distribuir o produto, este ligeiramente leitoso.
É claro que para além deste formato, porventura o mais popular nos nossos dias, o MUM já existiu na variante spray e também em latinhas de creme.
Em diversas alturas cheguei a experimentar o MUM mas nunca foi hábito que pegou, mas reconheça-se que é um excelente produto.

A Bristol-Myers Squibb teve a sua origem no longínquo ano de 1858, pelo então jovem médico da Marinha dos USA, Robinson Squibb, em Brooklyn, Nova York, Estados Unidos, como empresa de produtos farmacêuticos.
Mais tarde entraram na sociedade William McLaren Bristol e John Ripley Myers e ambos investiram na compra da Farmacêutica Clinton. Em 1895, Robinson Squibb afastou-se e passou a maior parte das responsabilidades para seus filhos e a empresa passa a designar-se de ER Squibb & Sons.
De então até aos nossos dias, a Bristol-Myers Squibb foi passando por mudanças significativas, ao ritmo e exigências do mercado, mas  hoje em dia é uma importante empresa no sector de produtos farmacêuticos e de higiene íntima.

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- MUM, algumas embalagens na actualidade

10/12/2010

Tebe - Thermotebe -Tebesport


 

 


 Quem não se lembra das frases publicitárias:

Frio? Eu não tenho frio! Estou bem protegido! “Thermotebe - Camisola interior de características turbo-eléctricas, mantém o calor do corpo, protege da humidade, ideal para estados reumáticos. É também aconselhável para senhoras e crianças em idade escolar”.
Noutra variante do reclame ao mesmo artigo, uma criança dizia-nos: “Frio? Eu não tenho frio! Eu uso uma Thermotebe e o meu pai também!”

Foi em meados dos anos 80 que estes spots publicitários ao produto da Tebe, deixaram marca na RTP e ainda hoje gozam desse reconhecimento. As camisolas Thermotebe, como seria de esperar, tornaram-se uma novidade e um produto vendável.

Sabe-se que a actual  Tebe Empresa Têxtil de Barcelos, S.A.  foi fundada em 1945, pelo Comendador Mário Campos Henriques, com instalações localizadas no centro de Barcelos, mas em 1972/73 foi adquirida por um empresário francês, que ainda se mantém. Apesar do êxito dos produtos e das marcas próprias, como a Marie Claire e Thermotebe, a transformação do mercado dos têxteis decorrente da entrada de Portugal na actual União Europeia ditou novas regras e dificuldades. Nessa nova realidade pelo caminho ficaram as famosas marcas da Tebe e a empresa modernizou-se e adaptou-se transformando-se numa fabricante para marcas de grande distribuição.

Para além dos tais anúncios televisivos às camisolas Thermotebe, publico acima um anúncio do final dos anos 70 ao vestuário desportivo com a etiqueta Tebesport. Não consegui apurar a sua relação com a empresa Tebe, mas pelo nome tudo indica que seria uma das etiquetas da empresa da cidade do Cávado no segmento do vestuário desportivo. Penso, também, que há muito que ficou pelo caminho.

Em termos de memórias pessoais, para além da natural lembrança dos anúncios às camisolas Thermotebe, não me recordo de algum dia ter usado esse tipo de roupa. Apesar do sucesso, creio que a Tebe tinha um grande problema que era o excesso de acumulação de electricidade estática. Fosse ou não um problema, a Tebe e sobretudo as suas camisolas interiores, com o que se diria hoje de tecnologia, Thermotebe, fazem parte das nossas memórias associadas aos spots publicitários tão característicos de uma época.

10/10/2010

Harmónica – Gaita de Beiços

 

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Por um mero acaso - as coisas interessantes chegam ao nosso conhecimento quase sempre dessa forma aleatória - hoje cheguei a um blog (Janela Aberta) onde o assunto gira à volta das harmónicas e dos seus mais famosos intérpretes, nomeadamente os portugueses, que sempre foram mestres na arte de soprar na gaita. Repleto de documentos e apontamentos, é um excelente sítio para os entusiastas do instrumento.


A harmónica, popularmente designada de "gaita de beiços", pela sua sonoridade algo parecida com a concertina ou acordeão, desde tempos antigos que foi um instrumento com fortes raízes populares. No tempo da meninice de meus pais e avós, era frequente armar-se um bailarico ao som da harmónica, que alguém sacava do bolso no momento mais oportuno. É claro que quando a ela se juntava uma viola braguesa ou um cavaquinho, então a festa tornava-se mesmo concorrida e animada.

Para além da harmónica como elo de vários grupos da especialidade, desde duos, trios, quartetos, quintetos, etc, e recordo sobretudo o famoso Trio Harmonia, que frequentemente passava na RTP de outras eras, este instrumento tornou-se companheiro de vários estilos musicais, nomeadamente dos blues. Uma das figuras mais conhecidas pela utilização frequente da harmónnica, nomeadamente nos seus primeiros tempos, é Bob Dylan.
Nas minhas memórias de infância, a harmónica também tem lugar porque nesses tempos era em si própria um brinquedo, sendo frequentemente comprada nas feiras e romarias. Nessa altura tinham alguma qualidade, sonora e construtiva, mas depois começaram a surgir as "Made in China" e a gaita em pouco tempo desafnava e enferrujava.
Por conseguinte, cheguei a ter várias harmónicas e alguém dizia que até tinha jeito no assopro.

Cheguei a ter uma excelente Hohner (muito semelhante à da ternurenta imagem do bébé) tal como nos acordeões e concertinas, uma das marcas mais prestigiadas e sinónimo de qualidade. Pena foi que nas curvas do tempo ficasse pelo caminho e fosse ter aos beiços de algém que a desviou. Mas fica a memória e o eco dos viras e rusgas que dela arrancava a força de pulmões  e calo nos beiços.

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- Alguns dos actuais modelos de hamónicas constantes do catálogo da Hohner.

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- Bob Dylan, umas das figuras da música que frequentemente usava a harmónica nas suas interpretações.

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- Quarteto Português de Harmónicas


“Fazem parte da história da harmónica em Portugal. Seus nomes, da esquerda para a direita: Manuel Gonçalves, José Peralta, Hermenegildo Mendes e Bastos de Almeida. O ano? 1957.”  Fonte: Janela Aberta.

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- Trio Harmonia

“O Trio Harmonia ao longo dos seus 25 anos de existência conheceu três formações. Assim a 1ª formação, de 1957 a 1966, foi constituído por Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - José Peralta.
De 1966 a 1969 conheceu a 2ª formação Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - Carlos Pais.
E finalmente a terceira e última formação Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - José Correia.” – fonte: Janela Aberta

10/08/2010

Os nossos seguidores

 

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Quase sem darmos por isso, o Santa Nostalgia atingiu e ultrapassou os 170 seguidores, cadastrados pelo widget do Blogger.
Bem sabemos que este registo vale o que vale, como sabemos também que dos 171 actuais certamente que uma boa parte passa por cá apenas esporadicamente pelo que o conceito de seguidor é naturalmente relativo. Seja como for, o número vale sobretudo como um eco de alguém que por um motivo ou outro entendeu o blog ser relevante e merecedor de ser seguido. Agradecemos, pois, essa deferência.
Para além desse reflexo de quem nos acompanha com alguma regularidade, temos os nossos instrumentos de medição das visitas do blog, nomeadamente o Google Analytics que nos dá conta da evolução das visitas, suas características, origens e preferências. Neste sentido ficamos satisfeitos que o número de visitas tenha vindo a subir de forma regular e hoje  estamos sensivelmente nas 1000 diárias e milhares de páginas visualizadas, o que não é mau tendo em conta as características do blog e do seu nicho temático. Paralelamente também tem aumentado o nível de participação e desta quase todos os dias temos novos comentários espalhados pelos diferentes artigos, para além de vários contactos via email.
Vamos, pois, continuar com o nosso percurso de memórias e nostalgias certos de que  serão do agrado comum de muitos visitantes, regulares ou ocasionais, mas convencidos, porém, de que nem sempre alguns pensamentos ou considerações associadas possam ser do agrado de todos, o que de resto só confirma a regra da naturalidade das coisas.

Bac – Desodorizante Spray

 

bac spray olivin

Da mesma fabricante do creme depilatório OPILCA, a Olivin, trago à memória o desodorizante Bac Spray, aqui num cartaz do início da década de 1960.

 
"Ela sabe que todos admiram a sua frescura irradiante, porque usa BAC", é a mensagem que se faz passar.

São poucas as referências encontradas a respeito deste produto pelo que presumo que, pelo menos em Portugal, há muito que deixou de se comercializar.
Sei que o Bac teve a sua origem em 1954, logo depois da invenção do desodorizante. O sistema de spray ou aerosol (que o anúncio refere) foi introduzido em 1960, tornando-se um sucesso e depressa o Bac Spray transformou-se num dos produtos mais populares da Olivin, actualmente e desde 1975 integrada na Schwarzkopf & Henkel GmbH, Dusseldorf, Hamburgo.
O termo BAC, deriva do conceito de que os desodorizantes eliminavam as bactérias do corpo que produziam o mau cheiro.

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- Os desodorizantes Bac em 1965, em diferentes variantes de perfume.

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