8/21/2011

Festa da Senhora D´Agonia

 

 

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Estive ontem em Viana do Castelo, no segundo dia das Festas da Senhora D´ Agonia.
Comparativamente ao que tinha visto há já há alguns anos, fiquei terrivelmente decepcionado. Não duvido que seja uma das maiores e populares romarias deste nosso Portugal, mas, como seria de esperar, a massificação transformou este evento em algo demasiado confuso, descaracterizado, até.

A organização espera um milhão de visitantes e certamente a avaliar pelo dia de ontem, o número até será superior, e disso parece fazer alarde. Todavia, pelo que se viu, em rigor não tem condições de receber condignamente um terço dessa quantidade.
O  parque da cidade, onde habitualmente é proibido acampar, transformou-se numa espécie de Woodstock pejado de portugueses típicos com tendas montadas e caravanas estacionadas com dias de antecedência, com gente a dormir e a comer em tudo quanto é sítio, com artistas a churrascar febras e a assar sardinhas no meio do acampamento, incomodando tudo e todos, numa aparente indiferença; Os carros a ocuparem os passeios e zonas relvadas; O trânsito caótico e sem espaços adequados para as dezenas de autocarros; Os sanitários portáteis, em plástico, a tresandarem a imundície num largo raio de distância; Os sacos de lixo a abarrotarem sem sinais de limpeza e sem capacidade de recolha diferenciada.

O trânsito, como já referi, caótico e pouco limitado, tornando a travessia entre a zona marginal e a zona interior da baixa uma autêntica e constante acrobacia. Apesar desta desorganização, aparentemente organizada, não se via nem um polícia. Aliás em toda a cidade, não vi mais do que meia dúzia de agentes.

Um familiar teve um pequeno acidente no parque, esfarrapando um joelho e foi impossível descobrir uma farmácia de serviço, ou um posto de bombeiros ou da Cruz Vermelha.


A procissão da Senhora da Agonia, o momento alto do programa do Sábado, é certamente um bonito espectáculo visual, sobretudo o seu percurso no rio Lima, quando vinda do mar se dirige até à ponte metálica e ali dá a volta. De resto, acreditamos que a componente da devoção exista sobretudo nas gentes da ribeira da cidade, mas no resto é um mero espectáculo, um mero folclore, com barcos alugados aos visitantes, embarcações de recreio e muitas motos de água.

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Mesmo durante a missa, pelas 14:30, que foi campal devido à enorme multidão, era notória a pouca devoção da maior parte das pessoas, inclusive com vendedores de banha da cobra e seringadores a rondar e a abordar as pessoas, no que me fizeram recordar os vendilhões do templo. A cerca de 100 metros da zona da igreja e durante a missa, ía tocando a Banda de Música da Pocariça, perturbando nitidamente o desenrolar da cerimónia religiosa.


Sinceramente, toda esta romaria é uma orgia de confusão, onde a componente religiosa, a sua génese, está totalmente abafada e subvertida ao visual, ao barulho.

Até mesmo os famosos tapetes floridos de algumas ruas, afinal não são de flores, mas sim de sal colorido. É verdade que a execução dos mesmos comporta muito trabalho e dedicação mas quanto à arte, não nos parece que seja por aí além, já que todo o processo é repetido com moldes, a exigirem menos arte paciência como é o caso do uso de flores e pétalas.

Algumas das ruas estão transformadas em espécies de sambódromos com bancadas para se assistir à procissão. Vão longe os tempos em que as procissões eram algo para nelas se participar. Agora são um mero desfile folclórico, um espectáculo para as massas e para as objectivas dos milhares de fotógrafos.

As igrejas, locais de silêncio, estão pejadas de gente a fotografar e a falar alto sem a mínima decência. Entra-se na igreja como quem entre numa tasca ou num campo de futebol. Onde deveria haver alguma tranquilidade, aparecem os vendedores de chapéus, de águas, de peúgas e toalhas, berrando a sete pulmões num frenesim de malucos. As praças inundadas com vendedores de balões e pensos, pedintes prostrados nas praças exibindo macabramente as suas deficiências (uns sem pernas, outros sem braços) como chamariz para a piedosa pedinchisse.

As lojas, sempre a facturar, é certo, mas no grosso vendendo chinesices, mesmo que na forma das tradicionais peças do traje vianês, como as camisas de linho bordadas, saias, coletes, xailes, etç. Escapavam algumas tendas  na Feira de Artesanato.

Pode parecer negativista esta nossa análise mas de facto, dada a dimensão, prestígio e popularidade da romaria, a organização deveria ser mais rigorosa de modo a minimizar os inconvenientes dos inevitáveis afluxos descontrolados dos visitantes. Ora esta organização nunca foi visível em toda a vasta extensão da romaria, tanto na zona histórica como na zona marginal e parques. Não basta publicitar o evento e chamar as pessoas à cidade; É necessário criar e oferecer as condições adequadas nos diferentes aspectos de logística, tanto no estacionamento e trânsito como na segurança. saúde e higiene.

É sempre interessante regressar à bela Viana do Castelo, mas é de evitar fazê-lo nestes dias, próprios de loucos, uma autêntica agonia.

8/19/2011

Vestuário – Roupas dos anos 60 - XX

 

No Verão de 1967, portanto há quarenta e poucos anos, estes eram alguns dos modelos de vestidos indicados para as raparigas usarem nos quentes dias estivais.

vestuario anos 60 a

vestuario anos 60 b

vestuario anos 60 c

vestuario anos 60 d

8/13/2011

A Ordem – Jornal católico

 

jornal a ordem logo

O jornal “A Ordem”, é um quinzenário católico, fundado em 1913 por António Pacheco, portanto à beira de se tornar centenário, com sede na cidade do Porto.

Durante muitas décadas foi um semanário, passando recentemente a quinzenário devido a dificuldades na sua gestão, de resto, dificuldades próprias de uma publicação que vive essencialmente da receita dos seus assinantes, já que basicamente não tem publicidade.

O meu sogro era assinante, pelo que desde o seu falecimento, há cerca de 10 anos, em sua memória e pela qualidade das reflexões e artigos publicados, tomei a continuidade da assinatura, mantendo o número quatro mil e tal.

O jornal “A Ordem”, atravessou assim importantes períodos da nossa história recente e mais do que a defesa de questões da Igreja, sua organização e hierarquias, tem assumido sobretudo a defesa dos valores que a todos devem ser caros, como aqueles expressos no Evangelho.

Infelizmente, reconhece-se que estas publicações e o tipo de reflexões que produzem, estão longe de satisfazer as necessidades do grosso da maioria dos leitores de jornais ou revistas. O interesse vai para tudo quento é efémero e visual, como os enredos e protagonistas das novelas, da sociadede, do espectáculo, do jet-set, do futebol, etc, etc.

O substancial, a reflexão do que deve ser o nosso leque de valores individuais e comuns, enquanto cidadãos e sociedade, são quase sempre questões que não merecem elas próprias, reflexão ou análise.

Dos vários artigos, assinados por várias personalidades, quase sempre me merecem apreço as reflexões do seu actual director, Manuel Moura Pacheco, profesor universitário aposentado, pela clareza, síntese e profundidade das mesmas. É o caso recente da sua análise sobre as férias, que tomo a liberdade de reproduzir, porque estou certo que reflecte a situação actual deste período tão desejado para quem trabalha e que, como é o nosso caso, também dele estamos a usufruir, no que de resto tem contribuido para um adormecimento no ritmo do santa Nostalgia, que, compreenderão os nossos caros e habituais visitantes.

 

FÉRIAS

Todos os anos (ou quase) volto a este assunto: a subversão das férias. Um tempo que foi concebido e planeado como de repouso merecido depois de um ano de trabalho; como de imprescindível descanso preparatório de novo ano de esforço; como condição essencial da rentabilidade dessa nova etapa; essa concepção legalmente protegida e obrigatoriamente subsidiada — tudo isso é, frequentemente, subvertido num tempo de mais esforço, mais cansaço e menos preparação para o trabalho que vai seguir-se. E de mais despesa — a ultrapassar o subsídio dito «de férias». Resultado: as pessoas regressam de férias mais esgotadas do que partiram — fisica e financeiramente.

É a subversão, pura e simples, do conceito de férias e do subsidio das ditas. Só que, este ano, o problema é mais sério. Por duas razões: porque o ano que ai vem vai exigir mais esforço e mais trabalho e porque vai trazer menos dinheiro e obrigar a gastar mais. Duas poderosas razões para se acautelar, mais do que nunca, o perigo da subversão das férias. Estas — as deste ano   não deverão ser as últimas descuidadas de folia, de folguedo e de gastos (porque «para o ano não se sabe»), mas, ao contrário, deverão ser as primeiras a observar, com todo o rigor, a sua origem, a sua razão de ser, a justiça do seu objectivo, para que nenhuns eventuais excessos de dispêndio (de energia e/ou de dinheiro) transitem para o novo ano de trabalho.

Foram descuidos destes — de deixar transitar para o ano seguinte o «deficit» do ano anterior   que deixaram chegar Portugal ao estado em que está, arrastando consigo famílias e cidadãos. Descuidos colectivos passados que nos obrigam individualmente no presente a observar, com duplicado escrúpulo, o conceito de férias e a justificação do seu subsídio. Ao partir para as férias de 2011, desejo a todos os nossos Leitores um bom descanso de corpo e de espírito que lhes permita amealhar, para o ano que aí vem, um pouco da energia suplementar de que vão carecer. E — se possível — amealhar também um pouco do famoso subsídio. Podem vir a carecer dele também. Mais vale prevenir do que remediar — diz o povo e diz bem. Os meus votos de boas férias são os de que, cada um, se previna, nesta matéria, o melhor que puder.

 

M. Moura Pacheco, professor universitário aposentado.

8/05/2011

8/01/2011

Chegada dos Magriços

 

No dia 1 de Agosto de 1966, chegava ao Aeroporto da Portela - Lisboa, a selecção portuguesa de futebol, "Os Magriços", proveniente de Inglaterra onde brilhantemente participara no Mundial de Futebol, conseguindo um excelente 3º lugar.

A selecção foi recebida em apoteose por milhares de adeptos que esperaram pelo equipa até de madrugada.

Durante quase 40 anos este 3º lugar manteve-se como o melhor feito da nossa selecção principal de futebol, sendo ultrapassado apenas em 2004 quando, em casa, conseguimos o 2º lugar do Campeonato da Europa, perdendo, todavia, de forma inglória para os gregos que nos castigaram duplamente na prova já que igualmente nos venceram no jogo de abertura.

portugal futebol magriços

7/26/2011

Sachas e merendas

 Uma das boas memórias dos meus tempos de criança, remete-me para as merendas que se faziam no intervalo de alguns trabalhos do campo. Sobretudo no tempo das sachas (por  Maio e Junho).
Primeiramente na sacha da batata e depois na do milho. A tarefa da sacha requeria paciência e sensibilidade, e consistia num trabalho de enchada, cavando-se pelo meio da carreiro (intervalo entre filas de plantas) e na sua envolvência, de modo a soltar a terra enrijecida e retirar ervas daninhas que cresceram com as primeiras humidades.

Como se disse, era um trabalho de paciência e moroso. Era simultaneamente duro, pois exigia uma posição de costas vergadas e quase sempre debaixo do sol tórrido. Pelas suas características, era uma tarefa que envolvia várias pessoas, da casa e da família, mas também de vizinhos que vinham ajudar ou mesmo de jornaleiros (a quem se pagava a jorna combinada, no final do dia).
Ora quando assim era, quando se envolvia um bom grupo de pessoas, dependendo das possibilidades do lavrador proprietário, era quase certo que lá pelo meio da tarde havia merenda. Procurava-se um sítio adequado, num relvado ou cômoro à sombra de uma árvore ou da latada de videiras, estendia-se uma toalha de linho no chão e a merenda, chegada de casa numa condessa, era distribuída.
A merenda quase sempre era pouco substancial: Broa de milho, vinho da casa, azeitonas, cerejas se as houvesse e alguma fruta, tudo produção da casa. Se o proprietário fosse pessoa de posses, então a coisa podia ser quase uma refeição, com uma panela de arroz, umas iscas de bacalhau frito ou até mesmo uma galinha caseira estufada.

Logo depois da merenda, com as forças e os ânimos restabelecidos, toca a pegar nas enxadas com as mãos calejadas e voltar para debaixo do sol e da poeira e cavar e mais cavar.
Apesar da dureza do trabalho, porque os trabalhos do campo sempre foram duros, cantava-se. Quase sempre em conjunto ou ao despique.

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- Aspecto da sacha do milho, na região de Águeda (Beira Litoral)

Sempre se disse que o trabalho dignifica a pessoa humana. Assim é, mas convenhamos que hoje os tempos assentam numa filosofia bem diferente. Mesmo com as naturais excepções, a regra é procurar levar a vida sem trabalho, sem canseiras e responsabilidades e foge-se dele como o diabo da cruz. Procura-se emprego mas não trabalho. Mesmo com a crise e com níveis absurdos de desemprego, ainda há quem prefira a mama do subsídio ou do apoio a ter que enfrentar o trabalho diário.

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