2/16/2012

Fogões Portugal

 

 

Entre o primeiro e o segundo cartazes publicitários aos fogões  da Fábrica Portugal, decorrem sensivelmente 30 anos (anos 40 e anos 70).
As informações disponíveis na Web são escassas, pelo que em concreto nada sabemos desta marca, se ainda existe ou mudou.
Sabe-se, sim, que apesar de novas tecnologias associadas aos modernos fogões, ainda continuam populares os modelos mais convencionais, incluindo os fogões a lenha, de que destaco uma marca da minha região, a "Oliveirinha", que de resto é presença habitual na montra de prémios do concurso da RTP "O Preço Certo".

Do mundo dos fogões, é também muito popular e já com uma longa história, a marca Meireles.


Resta dizer que para além da sua função de cozinharem, de cujas fornalhas saem excelentes assados ou bolos (eu que o diga, pelos fogões existentes nas casas de minha mãe e minha sogra),  são excelentes para aquecimento, substituindo na perfeição os recuperadores em lareiras ou salamandras.

 

fogoes fabrica portugal sn1

fogoes fabrica portugal sn2

2/12/2012

Cancioneiro Para a Mocidade

 

Independentemente das questões ideológicas associadas à sua publicação, é um interessante livro e documento, este “Cancioneiro Para a Mocidade”, contendo hinos e marchas associados à Mocidade Portuguesa, mas também belas canções de cariz popular tradicional.

 

cancioneiro mocidade portuguesa 1

cancioneiro mocidade portuguesa 2

cancioneiro mocidade portuguesa 3

cancioneiro mocidade portuguesa 4

Alguns dados técnicos da publicação:

 

AUTOR(ES):    
Ribeiro, Mário de Sampaio, 1898-1966, pref.; Mocito, Bolou, compos. graf.; Antunes, José, 1928-, il.; Portugal. Mocidade Portuguesa, patroc.


PUBLICAÇÃO:    
Lisboa : Serv. de Publicações da M.P., [D.L. 1962]


DESCR. FÍSICA:    
53 p. ; 21 cm


NOTAS:    
Cancioneiro patriótico recolhido para ser usado pela Mocidade Portuguesa
Capa e ilustrações de José Antunes. Notação musical de Bolou Mocito
Não foi publicada a 2a parte em separado. Em 1966 é publicado o Cancioneiro para a mocidade: canto colectivo, contendo duas partes. Em 1973 é publicado novamente com seis partes


CONTÉM:    
1a parte: Hinos e marchas. 53 p.: il. Letras de Henrique Lopes de Mendonça, Mário beirão, Mário de Sampayo Ribeiro, M. Costa Pereira, António Botto, Mons. Moreira das Neves, Otto Falcão, P.e José Correia da Cunha, Henrique Trindade, Tibúrcio Pereira da Silva e Fialho Rico. Músicas de Alfredo Keil, Rui Correia Leite, Manuel Tino, Mário de Sampayo Ribeiro, Jaime Silva (Barcarena) e Euclides Ribeiro


RESUMO:    
«Desde a primeira hora se verificou a necessidade de a Organização Nacional "Mocidade Portuguesa" dispor de Cancioneiro seu [...]. Para tanto se enfeixaram, encabeçadas pelo Hino Nacional e pela Marcha da M.P., doze marchas exortando o amor pátrio, enaltecendo sentimentos nobilitantes ou glosando as próprias actividades» (do prefácio)

 

Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal

2/07/2012

O livro dos calotes

Eu tenho um livro... não um livro  mais ou menos normal, como qualquer um das centenas que, entre velhos e novos, possuo na minha modesta estante, mas um livro que considero especial.

Este livro, grosso e estreito, marcado pelo tempo, não foi escrito por autor de nomeada nem composto por letra de forma. Não foi impresso em tinta indelével mas escrito à mão e a lápis e com o lápis que estava à mão.

Trata-se de um livro igual a muitos outros que nas mercearias e tabernas e mercearias (lojas) das nossas aldeia serviam para apontar as contas, os calotes, as dívidas, o fiado, ou o que queiram chamar ao que resultava de compras que se não pagavam na hora ou a pronto. Hoje em dia, tudo isso é mais fino e chama-se de débito ou passivo e é registado num qualquer programa informático. A um caloteiro já não se chama esse palavrão e diz-se sofisticadamente que está em falência técnica ou em insolvência.

Os portugueses estão atolados em dívidas e o incumprimento das obrigações financeiras é geral, desde pessoas e empresas até ao Estado e seu Governo, que nestas coisas de calotes são quem dá pior exemplo, sendo que no que toca a cobrar é com juros de mora que em poucos dias duplicam várias vezes. 

É claro que não há livro de calotes, como o meu livro, capaz de albergar todas as despesas e gastos do Estado, por mais miudinha que seja a letra com que se aponte, seja para despesas da Saúde e Educação, seja para compra de carros topo de gama para ministros, secretários e outros que tais, seja ainda para comprar colunas maçónicas ou tapeçarias para decorar a gosto um gabinete de um qualquer elemento da esfera do Estado.

Pois bem, este livro de calotes, apesar de relatar gastos com coisas mais ou menos necessárias ao dia a dia e à sobrevivência de uma qualquer família humilde de uma qualquer aldeia, como massa alimentícia, arroz, milho e batatas, entre uma ou outra lambarice, como bolachas e rebuçados, ou mais no registo do vício como o vinho e o tabaco,  também conta histórias e revela realidades.

Este livro, sobrou do que sobrou da mercearia que foi propriedade de meu avô e que depois transitou para um tio. Funcionou entre os anos 30 e 60, encerrando definitivamente por volta de 1970. Ainda vi homens encostados de barriga ao alto balcão, ao fim da tarde bebendo copos de vinho, fumando cigarros de enrolar, cantando, gemendo e chorando os sabores e dissabores do dia de trabalho, no campo ou no emprego. Ainda vi ser servido a granel, o acúcar, a massa, arroz, azeite e petróleo, ou à unidade, como bolachas, cigarros, etc. Muitas vezes em passo de corrida era mandado à quintanda comprar dois ou três cigarros "Porto".

Para além de nesse livro se poder ler histórias de dificuldades, em que ao fim de semana ou à quinzena era um sacrifício o chefe de família poder abater parte do calote, em que a norma era que parte da dívida  transitasse ad perpetuam, sempre assinalada com a clássica entrada de "transporte" ou um menos rodoviário "resta". O dinheiro, pouco, era todo fruto do trabalho, de uma jorna, de uma quinzena de leite, de um alqueire de milho ou feijão, de uma cabeça de gado que se vendeu pelo tempo de vender.

Por este livro, no caso dos anos 50, é também possível saber os preços da maior parte dos bens essenciais de uma normal família de aldeia,  em que, ao contrário da família típica portuguesa dos dias actuais, vivia naturalmente com muitas dificuldades, mas nunca ou raramente acima das suas possibilidades. Por conseguinte, a maior parte dos compromissos financeiros, eram os relacionados com a alimentação e vestuário.

 

Vejamos, a título de curiosidade, alguns preços em 1959:

1 Kg de feijão: 4,50 escudos (bastante caro, parece-me);

1 melão: 2,30 escudos;

1 quartilho de vinho maduro: 1,00 escudo;

10 rebuçados: 0,50 escudos;

1 Kg de açúcar: 6,50 escudos;

1 Kg de farinha de pau: 5,00 escudos;

1 quartilho de azeite: 3,50 escudos;

1 Kg de arroz: 5,30 escudos;

1 caixa de fósforos: 0,30 escudos;

1/4 de sabão: 1,60 escudos;

1 Kg de batatas: 1,40 escudos;

1/2 Kg de bacalhau: 12,00 escudos;

1/4 Kg de farinha de triga: 1,60 escudos.

livro de calotes

livro dos calotes

livro calotes

1/27/2012

Wolfgang Amadeus Mozart

 

 

Em 27 de Janeiro de 1756 (passam hoje 256 anos) nascia em Salzburgo – Áustria, o compositor  Johann Chrysostom Wolfgang Amadeus Mozart, considerado um dos expoentes da música clássica.

Adoro a música de Mozart, pelo que à passagem desta data, fica aqui uma simples homenagem com mais um rabisco.

 

wolfgang amadeus mozart

1/20/2012

Trindade Coelho – Quando a esperança não se cumpre

 

 

marcha futuro

De um dos belos livros de leitura da quarta classe, datado de 1973, uma das leituras, intitulada “Marcha para o futuro”, incluía um curto mas belo texto de Trindade Coelho, onde de forma esperançosa antevia uma marcha vitoriosa dos jovens de então rumo a um futuro de uma Pátria renovada, assente na herança dos pais e antepassados.

Lembrava, também, “…indignos sereis da liberdade sem as virtudes dum bom cidadão: amar a Pátria; tornar próspero o País e fazê-lo respeitar.”.

José Francisco Trindade Coelho, um notável cidadão transmontano, de Mogadouro, homem da política e da literatura, viveu entre 18 de Junho de 1861 e 18 de Agosto de 1908, um republicano que partiu às portas da implantação da república (1910) embora ainda vivesse no tempo do cobarde regicídio que conduziu ao fim da monarquia (1 de Fevereiro de 1908).

Olhando agora para o actual estado da nação, não deixa de ser irónico ou quase profético que Trindade Coelho, a mais de um século de distância temporal, apesar de esperançoso nos tempos futuros, como os republicanos de então, alertava já para a indignidade de uma raça de cidadãos com liberdades mas sem as suas virtudes. As gerações que se lhe seguiram até aos nossos dias, tanto em período de ditadura como de democracia, com raras excepcções, não mais fizeram do que arrastar o país para este lodaçal onde falta a prosperidade, no seu sentido lato, bem como o respeito. Temos sido consecutivamente governados por gente incapaz, corrupta, oportunista, indiferente à realidade do país, fazendo-o viver acima das possibilidades, “à Lagardér”, desgovernando alguns raros períodos em que tivemos condições para nos cimentarmos na igualdade e justiça.

Chegamos a este ponto, triste e lamentável da nossa História e Trindade Coelho de algum modo, apesar de incitar à esperança as futuras gerações, não viu de todo concretizado o lado optimista do seu pensamento mas precisamente o mais pessimista.

 

livro leitura 4 classe

trindade coelho

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