3/14/2012

José Freixo e Donaltim

 

 

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Hoje veio-me à memória o José Freixo, o ventríloquo, e o seu pato Donaltim.
Por nenhum motivo ou data especiais, mas apenas por calhar.


Desde a sua participação no programa de Fátima Lopes, da SIC, onde aparecia com regularidade, esta clássica dupla do entretenimento perdeu lugar no espaço que o tornou popular, ou seja a televisão.
Da presença no programa da SIC, no princípio de 2009 parece ter sido dispensado dessa colaboração de forma menos clara ou desejada, isto a ter em conta uma capa do então jornal "24 Horas" (já extinto), em que anunciava que "Donaltim Processa Fátima".


Procurando pela Web, as referências a José Freixo e ao seu inseparável pato Donaltim, existindo, não são as mais adequadas a esboçar alguns apontamentos biográficos e de carreira, que certamente deve andar à volta dos 50 anos.

Seja como for, quase toda a malta da minha geração recorda esta dupla que já pelos anos 70, na RTP a preto-e-branco, em programas, natais dos hospitais e outros que tais, aparecia com frequência a entreter plateias. Nessa altura o pato era o Donald sendo posteriormente, pelo vistos, substituído pelo Donaltim.


Pelo que se conseguiu apurar da pesquisa pela Web, José Freixo vai participando com regularidade em espectáculos diversos nomeadamente de cariz de solidariedade e promovidos por associações e colectividades.


É verdade que, parece-me, que este tipo de entretenimento (ventríloquos manejando bonecos) já teve melhores dias, mas nem por isso a dupla José Freixo e o seu pato, Donald ou Donaltim, deixam de fazer parte do imaginário ligado à velhina RTP e por conseguinte da nossa memória colectiva.

- Vídeo da dupla no Youtube.

3/04/2012

Jaime Graça – 1942-2012

jaime graça benfica


Jaime Graça, um dos grandes futebolistas do Benfica dos anos 60 e 70, deixou-nos.

- Sobre a carreira do saudoso médio: LINK

2/28/2012

Futebol 77 – A Grande Selecção – Caderneta de Cromos

 

 

Tenho na minha colecção, centenas de diferentes cadernetas de cromos, incluindo as do tema futebol. A maior parte coleccionada no devido tempo, com uma ou outra adquirida fora de prazo. Com tanta colecção, até já equacionei fazer como alguns espertalhões da nossa praça que digitalizam e vendem em DVDs, estes com a agravante de meterem no mesmo saco coisas que receberam de à borla de outros coleccionadores. Mas não! Claro que não! Há mínimos.

Destas muitas cadernetas, existem por conseguinte algumas que são marcantes, por um ou outro motivo, mas desde logo por estarem associadas ao tempo infanto-juvenil. É o caso da colecção “Futebol 77 – A Grande Selecção”.

Trata-se de uma edição da Acrópole, referente à época 76/77. É constituída por 190 cromos (a colar), sendo que na realidade são mais, já que esta colecção tinha, entre outras, uma particularidade especial: é que em plena fase de apuramento para o Campeonato do Mundial de Futebol 78, que teve lugar na Argentina, as páginas centrais destinavam-se à selecção portuguesa de futebol, com a possibilidade do coleccionador fazer a sua própria equipa das quinas, escolhendo os preferidos entre as diversas opções. Por conseguinte, os cromos dos jogadores da selecção não tinham numeração, mas apenas os últimos três (188, 189 e 190), que se referiam ao seleccionador nacional (Pedroto), o treinador (Juca) e o preparador físico (Rodrigues Dias.

Esta formação da equipa nacional traduzia-se num concurso promovido pela própria editora e que se baseava precisamente na possibilidade de cada coleccionador tentar adivinhar qual a  formação mais regular durante três dos jogos que Portugal disputaria na fase de apuramento para o Mundial 78, concretamente o Portugal-Polónia, em 16/10/11976, o Portugal – Dinamarca, em 17/11/1976 e o Chipre-Portugal, em 05/12/1976.

Para o efeito, o coleccionador deveria colar os jogadores que entendesse serem os que alinhariam nas referidas partidas e depois de destacar as páginas centrais da caderneta (uma aberração, diga-se), teria que enviar por correio registado para a editora.

Os prémios incluíam, a cinco acertadores da formação inicial, 5 viagens para casais, acompanhando a selecção nacional precisamente a Chipre, à Dinamarca e à Polónia.

Para além da formação, devia-se tentar adivinhar o resultado, o que serviria para casos de desempate. Caso os vencedores fossem mais do que cinco, então haveria lugar a sorteio.

Finalmente ainda outro possível prémio, já que caso a selecção portuguesa ficasse apurada para o Mundial 1978, a caderneta que fosse a mais votada receberia 5$00 por cada uma das cadernetas submetidas a concurso. Portugal, infelizmente, não se apurou e o prémio gorou-se e a editora teve menos essa despesa.

Resta acrescentar que a editora aconselhava os coleccionadores a lerem a sua revista “Panorama Desportivo” onde poderiam acompanhar o dia-a-dia da selecção nacional e com isso ficarem informados sobre as perspectivas de poder acertar no onze.

Para além da questão do concurso, a caderneta tem aspectos muito interessantes,  desde a disposição dos jogadores nas páginas, como se ocupassem os seus lugares no terreno de jogo, até à questão dos cromos da selecção nacional. A qualidade gráfica é inconsistente pois oferece excelentes cromos, bons instantâneos em movimento, como também cromos com jogadores quase irreconhecíveis ou em posições pouco ortodoxas (Barros – Benfica, Branco – Boavista, Tito – V.Guimarães, Rui Rodrigues – Ac. de Coimbra, Gilberto-Montijo) ou mesmo em grande estilo (Artur-Benfica, Botelho-Boavista, Luis Horta – Belenenses, Almiro e Abreu -V.Guimarães, Lito e sabú – V. Setúbal, Mário Wilson – Atlético, Celestino – Montijo.

Também de assinalar o facto de muitos jogadores, nomeadamente os da selecção nacional, terem os equipamentos pintados à mão (o que se compreende face aos artesanais meios de edição gráfica da altura). De referir também as equipas do Leixões, Portimonense e Montijo, exibindo-se em campos pelados.

Seja como for, esta “Futebol 77 – A Grande Selecção” é uma caderneta de cromos que nos faz transbordar de recordações e nostalgias.

 

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2/16/2012

Fogões Portugal

 

 

Entre o primeiro e o segundo cartazes publicitários aos fogões  da Fábrica Portugal, decorrem sensivelmente 30 anos (anos 40 e anos 70).
As informações disponíveis na Web são escassas, pelo que em concreto nada sabemos desta marca, se ainda existe ou mudou.
Sabe-se, sim, que apesar de novas tecnologias associadas aos modernos fogões, ainda continuam populares os modelos mais convencionais, incluindo os fogões a lenha, de que destaco uma marca da minha região, a "Oliveirinha", que de resto é presença habitual na montra de prémios do concurso da RTP "O Preço Certo".

Do mundo dos fogões, é também muito popular e já com uma longa história, a marca Meireles.


Resta dizer que para além da sua função de cozinharem, de cujas fornalhas saem excelentes assados ou bolos (eu que o diga, pelos fogões existentes nas casas de minha mãe e minha sogra),  são excelentes para aquecimento, substituindo na perfeição os recuperadores em lareiras ou salamandras.

 

fogoes fabrica portugal sn1

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2/12/2012

Cancioneiro Para a Mocidade

 

Independentemente das questões ideológicas associadas à sua publicação, é um interessante livro e documento, este “Cancioneiro Para a Mocidade”, contendo hinos e marchas associados à Mocidade Portuguesa, mas também belas canções de cariz popular tradicional.

 

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cancioneiro mocidade portuguesa 3

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Alguns dados técnicos da publicação:

 

AUTOR(ES):    
Ribeiro, Mário de Sampaio, 1898-1966, pref.; Mocito, Bolou, compos. graf.; Antunes, José, 1928-, il.; Portugal. Mocidade Portuguesa, patroc.


PUBLICAÇÃO:    
Lisboa : Serv. de Publicações da M.P., [D.L. 1962]


DESCR. FÍSICA:    
53 p. ; 21 cm


NOTAS:    
Cancioneiro patriótico recolhido para ser usado pela Mocidade Portuguesa
Capa e ilustrações de José Antunes. Notação musical de Bolou Mocito
Não foi publicada a 2a parte em separado. Em 1966 é publicado o Cancioneiro para a mocidade: canto colectivo, contendo duas partes. Em 1973 é publicado novamente com seis partes


CONTÉM:    
1a parte: Hinos e marchas. 53 p.: il. Letras de Henrique Lopes de Mendonça, Mário beirão, Mário de Sampayo Ribeiro, M. Costa Pereira, António Botto, Mons. Moreira das Neves, Otto Falcão, P.e José Correia da Cunha, Henrique Trindade, Tibúrcio Pereira da Silva e Fialho Rico. Músicas de Alfredo Keil, Rui Correia Leite, Manuel Tino, Mário de Sampayo Ribeiro, Jaime Silva (Barcarena) e Euclides Ribeiro


RESUMO:    
«Desde a primeira hora se verificou a necessidade de a Organização Nacional "Mocidade Portuguesa" dispor de Cancioneiro seu [...]. Para tanto se enfeixaram, encabeçadas pelo Hino Nacional e pela Marcha da M.P., doze marchas exortando o amor pátrio, enaltecendo sentimentos nobilitantes ou glosando as próprias actividades» (do prefácio)

 

Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal

2/07/2012

O livro dos calotes

Eu tenho um livro... não um livro  mais ou menos normal, como qualquer um das centenas que, entre velhos e novos, possuo na minha modesta estante, mas um livro que considero especial.

Este livro, grosso e estreito, marcado pelo tempo, não foi escrito por autor de nomeada nem composto por letra de forma. Não foi impresso em tinta indelével mas escrito à mão e a lápis e com o lápis que estava à mão.

Trata-se de um livro igual a muitos outros que nas mercearias e tabernas e mercearias (lojas) das nossas aldeia serviam para apontar as contas, os calotes, as dívidas, o fiado, ou o que queiram chamar ao que resultava de compras que se não pagavam na hora ou a pronto. Hoje em dia, tudo isso é mais fino e chama-se de débito ou passivo e é registado num qualquer programa informático. A um caloteiro já não se chama esse palavrão e diz-se sofisticadamente que está em falência técnica ou em insolvência.

Os portugueses estão atolados em dívidas e o incumprimento das obrigações financeiras é geral, desde pessoas e empresas até ao Estado e seu Governo, que nestas coisas de calotes são quem dá pior exemplo, sendo que no que toca a cobrar é com juros de mora que em poucos dias duplicam várias vezes. 

É claro que não há livro de calotes, como o meu livro, capaz de albergar todas as despesas e gastos do Estado, por mais miudinha que seja a letra com que se aponte, seja para despesas da Saúde e Educação, seja para compra de carros topo de gama para ministros, secretários e outros que tais, seja ainda para comprar colunas maçónicas ou tapeçarias para decorar a gosto um gabinete de um qualquer elemento da esfera do Estado.

Pois bem, este livro de calotes, apesar de relatar gastos com coisas mais ou menos necessárias ao dia a dia e à sobrevivência de uma qualquer família humilde de uma qualquer aldeia, como massa alimentícia, arroz, milho e batatas, entre uma ou outra lambarice, como bolachas e rebuçados, ou mais no registo do vício como o vinho e o tabaco,  também conta histórias e revela realidades.

Este livro, sobrou do que sobrou da mercearia que foi propriedade de meu avô e que depois transitou para um tio. Funcionou entre os anos 30 e 60, encerrando definitivamente por volta de 1970. Ainda vi homens encostados de barriga ao alto balcão, ao fim da tarde bebendo copos de vinho, fumando cigarros de enrolar, cantando, gemendo e chorando os sabores e dissabores do dia de trabalho, no campo ou no emprego. Ainda vi ser servido a granel, o acúcar, a massa, arroz, azeite e petróleo, ou à unidade, como bolachas, cigarros, etc. Muitas vezes em passo de corrida era mandado à quintanda comprar dois ou três cigarros "Porto".

Para além de nesse livro se poder ler histórias de dificuldades, em que ao fim de semana ou à quinzena era um sacrifício o chefe de família poder abater parte do calote, em que a norma era que parte da dívida  transitasse ad perpetuam, sempre assinalada com a clássica entrada de "transporte" ou um menos rodoviário "resta". O dinheiro, pouco, era todo fruto do trabalho, de uma jorna, de uma quinzena de leite, de um alqueire de milho ou feijão, de uma cabeça de gado que se vendeu pelo tempo de vender.

Por este livro, no caso dos anos 50, é também possível saber os preços da maior parte dos bens essenciais de uma normal família de aldeia,  em que, ao contrário da família típica portuguesa dos dias actuais, vivia naturalmente com muitas dificuldades, mas nunca ou raramente acima das suas possibilidades. Por conseguinte, a maior parte dos compromissos financeiros, eram os relacionados com a alimentação e vestuário.

 

Vejamos, a título de curiosidade, alguns preços em 1959:

1 Kg de feijão: 4,50 escudos (bastante caro, parece-me);

1 melão: 2,30 escudos;

1 quartilho de vinho maduro: 1,00 escudo;

10 rebuçados: 0,50 escudos;

1 Kg de açúcar: 6,50 escudos;

1 Kg de farinha de pau: 5,00 escudos;

1 quartilho de azeite: 3,50 escudos;

1 Kg de arroz: 5,30 escudos;

1 caixa de fósforos: 0,30 escudos;

1/4 de sabão: 1,60 escudos;

1 Kg de batatas: 1,40 escudos;

1/2 Kg de bacalhau: 12,00 escudos;

1/4 Kg de farinha de triga: 1,60 escudos.

livro de calotes

livro dos calotes

livro calotes

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