5/30/2019

Cafés portugueses...são dos melhores



Cartazes publicitários, dos anos de 1941 e 1942, de apelo ao consumo de cafés com origens nas então províncias ultramarinas. 

Terá sido no reinado de D. João V, que Francisco de Melo Palheta introduziu a cultura do café na então colónia do Brasil, que depressa  se torna no maior produtor mundial. Desde então o café foi introduzido também nas ex-colónias portuguesas de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Já quanto a Angola deve-se a sua mplementação a missionários portugueses. Quanto a Timor terá sido por iniciativa dos holandeses a propagação da cultura do café.

Não espanta, pois, que com a generalização do hábito de consumo do café, pelas suas qualidades estimulantes e mesmo medicinais, a sua produção tenha também aumentado nas ex-colónias portuguesas a ponto deste produto se tornar num dos mais importantes para a economia portuguesa de então e das suas províncias ultramarinas. Essa importância reflectia-se pela publicidade ou propaganda que o próprio Estado ou suas instituições promoviam ao consumo do café, como disso é exemplo a publicidade acima, em cartazes de 1941 e 1942, por isso já durante os difíceis tempos da II Guerra Mundial.
Escusado será dizer que na actualidade a cultura do café e sua exportação continuam como importantes nas economias dos respectivos países produtores.

Hoje em dia o consumo faz parte dos hábitos diários da maioria da população mundial, até mesmo já em regime de dependência. Assim, a indústria relacionada ao café tem crescido e diversificado na forma de levar o café ao consumidor, como a tendência recente do fornecimento em cápsulas herméticas, com diferentes aromas e intensidades, que, a par da generalização de máquinas de pequeno formato e baratas, permitem uma fácil e rápida preparação. O consumo de café tornou-se assim popular e democrático, mesmo que não propriamente barato. Apesar disso, ainda não se dispensa o hábito de tomar um café, bica ou expresso, ou outras formas, no local próprio, isto é, à mesa ou balcão do café. Não deixa de ser significativo que o produto café tenha dado nome ao estabelecimento onde é servido. Poucos produtos terão tido esta influência histórica e social.

Noutros tempos, porém, e remeto-me lá para os idos das décadas de 60 e 70, o café na nossa casa na aldeia era vendido a granel, nas mercearias, já moído, e era preparado em cafeteiras de ferro ou alumínio. Bebia-se ou tomava-se em abundância, simples ou com leite. Não raras vezes era a primeira refeição do dia, o pequeno almoço, misturado-se com pão, de trigo ou mesmo de milho.
Dizem, os mais velhos, que por essas alturas o café era café e que cheirava e sabia como tal. Hoje em dia, o café é apenas um pequeno e caro gole servido numa minúscula chávena mas que não se dispensa. Outros tempos.

5/29/2019

José Mário Branco - Permanente inquietação


Já falamos [aqui] de José Mário Branco, ilustrando então, como agora, o artigo com uma capa da emblemática revista Tele Semana de 12 de Julho de 1974.
Por estes dias, em que fez 77 anos de idade (nasceu a 25 de Maio de 1942), um grupo de uma dezena de músicos sobre a égide da Valentim de Carvalho lançou na véspera, sexta-feira, 24 de Maio, um disco de tributo e agradecimento ao cantautor, com a interpretação de várias das suas músicas que foram êxitos durante a sua longa carreira.

Erva de S. Roberto



A Erva de S. Roberto é uma planta relativamente vulgar e que cresce espontaneamente por todo o país, de modo especial em campos, cômoros, muros de pedra e bermas de caminhos. É caracterizada pelos seus caules vermelhos, pequenas flores lilás e um aroma acre, forte e pouco agradável.
Sendo bastante vulgar, é uma planta há muito conhecida pelas suas fantásticas propriedades medicinais, sendo indicada sobretudo para inflamações, problemas na boca, como aftas, úlceras, hemorragias, hemorróides, cálculo dos rins, nefrite, infecções ao nível dos olhos, gastrites e muitas outras. 

Esta erva é por conseguinte muito abundante na minha aldeia e desde há muitos anos que conheço as suas propriedades e indicações.
A Erva de S. Roberto, também conhecida por Bico-de-Cegonha (no Brasil) e Erva Roberta, entre outros nomes, estava sempre disponível na "farmácia da minha bisavó, profunda conhecedora de tudo quanto era erva medicinal. Colhia-a na fase madura, quando já tinha florido e as suas folhas e caules adquiriam uma cor avermelhada. Depois de seca em local sombrio, era utilizada na preparação de chãs.

Mais do que pelas características de erva medicinal, recordo esta planta sobretudo pelas suas sementes características em forma de espigão, ou até mesmo de espermatozóides gigantes. Quando maduras uma vez separadas cada uma das sementes do invólucro, os respectivos chicotes retorcem-se ao calor do sol. Por esse motivo, as crianças do meu tempo costumavam espetar na roupa esses espigões para os ver a retorcer ao sol, a encaracolar sobre si. Quando isto acontecia, dizíamos uma pequena lenga-lenga: "Serafim torce torce! Serafim torce, torce!" 
É claro que ignoro a origem desta brincadeira mas sei que era muito conhecida por todas as crianças do meu tempo. As ervas, essas por esta altura do ano povoam a traseira do meu quintal entre cidreira e menta.

[Nota: Artigo em reposição, publicado no Santa Nostalgia há dez anos, em 29/05/2009]

5/10/2019

D´Argy - 18 anos até aos 50



Cartazes publicitários ao creme de beleza, pó de arroz e rouge. Anos 40. Nos tempos em que estas coisas faziam "milagres" e as raparigas de 50 pareciam ter 18 anos. Era bom, era!

5/08/2019

Adeus, Camolas!





As notícias destes dias deram-nos conta do falecimento de José Carlos da Silva Camolas, antigo avançado que se sagrou bicampeão nacional pelo Benfica em 1966/67 e 1967/68, faleceu segunda-feira, aos 71 anos, ainda relativamente novo.

Camolas representou outros clubes como o S.C. Varzim, Os Belenenses e União de Tomar, clube onde esteve oito épocas e onde se tornou porventura mais popular e reconhecido. Na parte descendente da carreira alinhou também por clubes como o Benfica de Castelo Branco, Alcains, Escalos de Cima e Palmelense.

Para além da notícia, sempre triste mas natural, porque todos morremos, o desaparecimento do mundo dos vivos do Camolas tem o significado de que os nomes populares e emblemáticos do nosso futebol e do nosso imaginário dos anos 60 e 70 também morrem. Foi assim com José Torres, Vitor Baptista, Eusébio e com muitos outros, de vários clubes e não só do Benfica, e assim continuará a ser.
Camolas, para além da qualidade que naturalmente evidenciava como futebolista, tinha o dom de ser um nome de futebolista, daqueles que pegam à primeira e se tornam inesquecíveis pela forma redonda e fácil como saem da boca. Um nome digno de cromo, como, de resto, muitos outros e os exemplos seriam mais que muitos.

Figurará sempre nas nossas memórias e em muitas das nossas cadernetas de cromos, mesmo que naqueles de caramelos, impressos tão toscamente que em muito aumentam a mística e a saudade desses tempos e dessas figuras que povoavam e ainda moram em algumas das nossas cadernetas e colecções.
Que descanse em paz o Camolas! 

4/29/2019

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