2/28/2023

Tó Neto - O Jean-Michel Jarre português




Hoje trazemos à memória o artista musical português Tó Neto, falecido em Junho de 2013.

É considerado um pioneiro em Portugal na utilização de recursos electrónicos no panorama musical da época, seguindo de algum modo tendências de famosos artistas internacionais nesse género musical, com destaque para o francês Jean-Michel Jarre, o japonês Kitaro , o grego  Vangelis e outros mais.

Tó Neto nasceu em Angola em 1955, como  António Eduardo Benidy Neto.  Chegou a Lisboa em meados da década de 1970 onde iniciou a sua formação.

O seu disco de estreia foi lançado em 1983 num período em que já mexia a onda do rock em português.

Editado pela Sassetti, Láctea foi o seu disco de estreia, remetendo para uma temática do espaço e universo, tal como os temas de Jean-Michel Jarre, não se livrando por isso de uma certa associação ao estilo e conceito da música do francês. Talvez por isso, ou não, o álbum colheu algum interesse mediático na ocasião mas depois passou ao lado da onda do pop rock e de algum modo a sua carreira e os seus posteriores trabalhos pouca notoriedade tiveram, remetendo-se de algum modo a um mero circuito underground onde apesar disso era muito apreciado e conceituado.

Ao disco Láctea seguiram-se outros trabalhos como Big Bang, de 1986, e O Negro de 1989 num registo igualmente de música electrónica mas com sonoridades que remetiam para as suas origens angolanas e africanas. Seguiram-se os álbuns Wave View (1992), Angola (1994) e Planetário (1999). Néctar, foi o seu último trabalho discográfico.

Na década de  1980 chegou a trabalhar na RTP como músico residente e na década seguinte formou-se em Los Angeles, seguindo um caminho profissional na área do ensino da música electrónica. 

Tó Neto foi um importante artista do nosso panoram musical e mesmo que sem uma popularidade por aí além, até porque com actividade em tempos em que a carreira tinha que ser ganha a pulso, merece ser recordado porque faz parte da nossa melhor memória colectiva.

2/22/2023

Professor José Hermano Saraiva - Horizontes da Memória

 




O saudoso Professor Dr. José Hermano Saraiva, [Leiria, 3 de Outubro de 1919 – Palmela, 20 de Julho de 2012] dispensa apresentações tal foi a importância do seu nome e acção em várias vertentes da vida cultural no nosso país, tanto quanto na sua vida profissional de advogado e professor como também na sua passagem pelo Governo do Estado Novo enquanto Ministro da Educação e depois diplomata como embaixador português no Brasil, mas sobretudo pelo legado que deixou como especialista, investigador, autor e divulgador da nossa História, tanto pelos muitos livros que publicou mas sobretudo pelas várias séries televisivas de sua autoria que apresentou sempre na RTP ao longo de vários anos e praticamente até ao ano da sua morte (2012).

Foi autor do livro "História Concisa de Portugal", um best-seller, actualmente na sua 26.ª edição e com mais de 180 mil exemplares vendidos que de forma económica e acessével levou o conhecimento e gosto pela nossa História à generalidade dos portugueses.

Concerteza que foi uma figura algo controversa, nomeadamente por ter feito parte do antigo regime, e alvo da ira reaccionária e inflamada, mas sempre e desde os seus tempos de estudante, mostrou-se como um notável comunicador e que por essa via e clareza do seu discurso se tornou popular em todo o país e de um modo geral apreciado e considerado pelos portugueses que durante décadas seguiram com interesse os seus programas documentários. Sobre muitos dos momentos da nossa História, tinha uma visão muito própria, o que nem sempre agradou aos académicos, avançando tantas vezes com versões e possibilidades, mas sem nunca as garantir como verdadeiras mas como meras hipóteses. 

Não considero que o professor tenha reescrito a História de Portugal, mas soube dá-la a conhecer de uma forma simplificada e entendível à generalidade dos portugueses mas sem nunca a desvirtuar, antes pelo contrário.

Segue-se a lista das várias séries e documentários de televisão, iniciadas no início da década de 1970, todos exibidos na RTP:

1971 - O Tempo e a Alma, com 13 episódios;

1978-1979 - Gente de Paz, com 16 episódios;

1980 - O Acto e o Destino;

1986 - Histórias de Cidades, com 18 episódios;

1988 - Coisas do Mundo, com 12 episódios;

1989 - A Grande Aventura, com 15 apisódios;

1993 - A Bruma da Memória, com 13 episódios;

1993 - Se a Gente Nova Soubesse

1994 - Histórias que o Tempo Apagou, com 45 apisódios;

1995 - Lendas e Narrativas - com 45 episódios

1996-2003 - Horizontes da Memória, com 315 episódios;

1997 - Lisboa Sobre Carris, com 6  episódios;

2000 - Mitos Eternos, com 9 episódios;

2003-2011 - A Alma e a Gente, com 455 episódios;

2012 - História Essencial de Portugal.

De todos estes documentáriios, pelo número de episódios e sua duração temporal, merecem destaque as séries "A Alma e a Gente" e "Horizontes da Memória", que facilmente podem ser revistos porque disponíveis no Youtube ou nos arquivos da RTP. São, sem dúvidas, duas das séries mais emblemáticas da nossa televisão pública e que em muito ajudaram os portugueses a ter um melhor conhecimento tanto histórico como geográfico e social das nossas regiões, vilas e cidades e sua principais figuras. 

Para além da componente da divulgação, foi sempre um acérrimo defensor do nosso património, deixando críticas a entidades e ao próprio Estado, denunciando inúmeras situações de atentados, desmazelo e abandono de tantos elementos do nossos elementos históricos e na sua maioria classificados como património nacional. Castelos, mosteiros, conventos, igrejas, capelas, solares, etc, etc, foram tantas vezes mostrados na sua pobreza e ruína. Dessas muitas denúncias algumas colheram frutos e houve obras de conservação e requalificação, mas certamente muitas mais cairam em saco roto porque este país, as suas autoridades e municípios, nem sempre souberam estar à altura das responsabilidades.

Por todas estas razões e mais algumas, o Professor José Hermano Saraiva merece justamente ser considerado uma das figuras maiores do nosso país e a ele somos devedores pela forma como nos ensinou a nossa História e a ter orgulho nela, com todos os seus perídos de glória ou inglória, altos e baixos, progressos e recuos, guerra e paz, miséria e progresso.

1/31/2023

Sunsilk - Tempo de flores no cabelo

 


Já temos publicado por aqui alguns elementos da história da marca Sunsilk, bem como alguns cartazes publicitários. Hoje, partilhamos mais um, de 1974, a remeter para tempos de juventude, beleza, Primavera e frescura. Não sei se um simples shampô assegura tudo isso, mas essa é precisamente a função da publicidade, fazer-nos acreditar que sim.

Quanto à modelo, linda e fresca, volvidos quase 50 anos sobre o cartaz, certamente que se viva será já uma senhora de linda idade. É a vida!

1/15/2023

Dallas - Série de televisão

Hoje trago à memória a série de televisão "Dallas", dos Estados Unidos, exibida originalmente pela cadeia CBS entre 2 de Abril de 1978 a 3 de maio de 1991. Foi, pois, uma longa série, que pela sua popularidade marcou toda essa época.

Tratava-se de uma história centrada numa grande família com interesses empresariais no ramo do petróleo, pela empresa Ewing Oil, e criação de gado no seu amplo rancho Southfork, ambientada na cidade de Dallas, no estado do Texas.

Interesses e intrigas familiares, jogos de poder, relações amorosas, traições, infidelidades, crimes, atentados, bem como outros ingredientes no contexto social e empresarial, tecem a trama da família e da sua extensa história.

As figuras principais são J.R. Ewing (interpretado por Larry Hagman), o mau da fita, com poucos ou nenhuns escrúpulos para alcançar os seus objecticos, Sue Ellen (Linda Grey), esposa de J.R., Bobby Ewing (por Patrick Duffy) e a sua bela esposa Pamela Barnes (por Victoria Principal), mas obviamente muitas mais, num vasto elenco.

Pessoalmente nunca fui grande apreciador da série, embora tenha assistido a vários episódios, alguns a espaços. Sendo certo que a trama prendeu e cativou largos milhões de tele-espectadores em todo o mundo, inlcuindo em Portugal, por outro lado, para mim, às tantas tornava-se fastidiosa. No fundo não era mais que um novela igual ou parecida com as dezenas que vinham do Brasil e que também por essa altura já passavam na RTP.

Seja como for, é uma das séries de televisão com maior reconhecimento mundial e ainda hoje é recordada por muita boa gente. Em face disso, por já ser um verdadeiro clássico, tomei conhecimento de que a RTP Memória se prepara para a repor, creio que de forma diária e já a partir do dia 26 de Janeiro, pelas 22:35 horas. Será, pois, para os fãs da série, uma boa oportunidade para reverem.

1/04/2023

Chupa Chups

 


Os rebuçados e as guloseimas em geral, sempre foram do agrado das crianças pelo que muitas das nossas memórias de infância estão ligadas a essas coisas pequeninas e doces. Uma delas, que faz parte da nossa memória colectiva, liga-se aos rebuçados Chupa-Chups.

A história da marca Chupa Chups tem origem em espanha e remonta a 1958 com o aparecimento do produto "Gol", um rebuçado de pau, então com os sabores de morango, limão, laranja, cola e menta.

A ideia desta rebuçado agarrado a um pau, deveu-se ao fundador Enric Bernart que havia comprado a empresa Granja Asturias que produzia geleia de maçã. A ideia de fixar o rebuçado num pau foi a de simplificar a sua utilização pelas crianças já que sem ele as mãos ficavam invariavelmente pegajosas, o que não era prático.

O nome dado ao rebuçado surgiu porque ao fundador, o rebuçado esférico a entrar na boca da criançada, parecia-lhe uma bola a entrar numa baliza.

Dois anos depois, em 1960 foi decidido que o nome "Gol" não era o ideal pelo que posto à consideração de agências de publicidade o nome foi mudado para "Chups". Não tardou que logo depois, em 1963, a coisa mudasse para "Chupa Chups", o que parece ter agradado já que se manteve até à actualidade.

Em 1965 foram adicionados outros novos sabores como nata de morango, chocolate e baunilha, obrigando à introdução de tecnologias para acrescentar leite ao processo de fabrico.

A marca apostou sempre na publicidade como via para a sua promoção e em 1969 ganhou o prémio do melhor anúncio do ano no Festival Internacional de Publicidade de Cannes Lions.

Em 1960 foi decidido mudar de logotipo, o rosto da marca e o artista convidado foi nem mais nem menos que o pintor surrealista espanhol Salvador Dali, amigo de Enric, que lhe acrescentou a popular marguerita ou camomila,  a envolver a designação da marca. No entanto a partir dessa base de Dali o logotipo foi sendo ajustado até à actualidade.

A marca continuou pelos anos seguintes a desenvolver-se e a espalhar-se pelo mundo, sempre aliada a a grandes campanhas publicitárias e estas a grandes nomes do desperto e espectáculo.

Em 2006 a marca passou a integrar o grupo italo-holandês Perfetti-Van Melle. A marcar o facto, num só dia foram fabricadis 3 015 585 Chupa Chups. É obra! 

A marca dispõe de mais de uma centena de variedades, muitas ainda com o conceito original mas outras já muito diferentes.

Na imagem abaixo a evolução do design do logotipo da Chupa Chups.




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