3/27/2023

Nacet - Lâminas de barbear

 


Convenhamos que as lâminas de barbear, das mais simples e baratas às mais caras e sofisticadas, das descartáveis às recarregáveis, continuam a ser um produto necessário ao dia-a-dia dos homens e como tal não perde a sua actualidade. 

Quanto a marcas, são várias, dependendo dos países, mas continuam a dar cartas de forma global a Gillette, de que já falamos aqui, ou mesmo a Schick.

Hoje trazemos à memória as clássicas lâminas da marca Nacet, originalmente de marca própria produzida na Inglaterra e posteriormente adquirida pela Gillette, em data que não conseguimos apurar. A marca terá sido descontinuada pela Gillete mas, certamente que por cedência de direitos, ainda se produzem, fabricadas na Rússia, em S. Petersburgo, e ainda em países asiáticos. 

Do que ressalta do grafismo desta emblemática marca, é a imagem do crocodilo sendo cortado a meio pela lâmina, no que hoje em dia será politicamente incorrecto, mas até que se levantem vozes de virgens ofendidas ou chocadas, o crocodilo lá continua a ser atravessado pela lâmina. Versões há, que para além do crocodilo surgem elefantes e mesmo rinocerontes a ser segmentados pelo "poder" da fina lâmina de aço.

Pessoalmente já usei Nacet por então as considerar semelhantes ou mesmo superiores às da Wilkinson e Schick e bem mais baratas, mas a partir de determinada altura fui deixando de usar a troco das práticas e descartáveis e actualmente vou usando Gillette Blue III em que cada uma delas dá para várias sessões. Quanto às Nacet ou mesmo Wilkinson, ainda uso mas apenas para aparar as patilhas. Por isso uma embalagem dá para anos.



3/20/2023

Em 1943 já havia email

 


Cartaz publicitário ao produto branqueador de dentes "Torero". Ano de 1943.

Apesar do trocadilho, émail é a tradução do francês para esmalte. 

3/15/2023

O ovo estrelado - Dístico de 90 Km

 



Hoje trago à memória o dístico autocolante com a indicação de 90, em caracteres a preto sobre fundo alaranjado, que durante vários anos e até final da década de 1980 era obrigatório afixar na traseira dos automóveis ligeiros conduzidos por quem tinha menos de 1 ano de carta de condução e que na prática limitava a velocidade máxima a 90 km.

Pela sua configuração, ficou conhecido popularmente como "ovo estrelado". Escusado será dizer que de um modo geral era algo que ninguém gostava de utilizar, pois revelava a todos que era um carro conduzido por um "maçarico", termo de calão para quem não tinha experiência, mas na verdade tinha a sua utilidade prática pois de algum modo, para além de servir de contenção para o próprio condutor, alertava os demais  para terem algum cuidado e mesmo compreensão para com o novato na condução.

Ora nos últimos tempos têm circulado nas redes sociais e replicadas por jornais online, a quem se exige algum cuidado, publicações a sugerir quo o regresso do propósito deste dístico, mesmo que com outra configuração, seria novamente implementado, a partir do final do ano anterior, por via de alterações ao Código da Estrada, sendo mesmo invocado o seu art.º 122.º. Em contrapartida tal divulgação tem sido dado como falsa, nomeadamente verificada pelo fact-chech do Observador, e de facto o referido artigo do Código da Estrada  nada fala sobre isso. Prova-se assim que uma mentira replicada muitas vezes parece tornar-se uma verdade. Mas não!

Eis a actual redacção do referido artigo:

1 - A carta de condução emitida a favor de quem ainda não se encontrava legalmente habilitado a conduzir qualquer categoria de veículos fica sujeita a regime probatório durante os três primeiros anos da sua validade.

2 - Se, no período referido no número anterior, for instaurado contra o titular da carta de condução procedimento do qual possa resultar a condenação pela prática de crime por violação de regras de circulação rodoviária, contraordenação muito grave ou segunda contraordenação grave, o regime probatório é prorrogado até que a respetiva decisão transite em julgado ou se torne definitiva.

3 - O regime probatório não se aplica às cartas de condução emitidas por troca por documento equivalente que habilite o seu titular a conduzir há mais de três anos, salvo se contra ele pender procedimento nos termos do número anterior.

4 - Os titulares de carta de condução das categorias T, AM e A1 ou B1 ficam sujeitos ao regime probatório quando obtenham habilitação para conduzir outra categoria de veículos, ainda que o título inicial tenha mais de três anos de validade.

5 - O regime probatório cessa uma vez findos os prazos previstos nos n.os 1 ou 2 sem que o titular seja condenado pela prática de crime, contraordenação muito grave ou por duas contraordenações graves.

Todos os anteriores pontos foram revogados com a mais recente actualização do Código.

Apesar disso e da suposta falsidade das publicações, há quem não concorde com estes limites pois no caso do "ovo estrelado" fez algum sentido quando foi implementado, numa época em que havia uma alta sinistralidade nas nossas estradas, os carros eram menos seguros e as estradas de pior qualidade, mas na actualidade, nesses aspectos as coisas melhoraram. Por outro lado também há quem considere, pelos mesmos motivos,  que já não faz sentido que a velocidade máxima nas auto-estradas seja de 120 Km, limite que foi implementado em 1973. 

Seja como for, sendo pretextos com algum sentido, a verdade é que na actualidade há muitos mais veículos a circular e o que não falta por aí é pilotos de Fórmula 1 a excederem bem acima dos limites de velocidade, tanto nas auto-estradas como dentro das localidades. De resto a maior parte dos acidentes rodoviários resultam de excesso de velocidade e incumprimento dos respectivos limites. Por isso tudo o que possa contribuir para o cumprimento dos limites, mesmo que com algum sinal que ningém gosta de estampar na traseira, será melhor. Caldos de galinha e água benta...

Já agora, algumas curiosidades e evolução de regras ao longo do tempo:

1901 - limite de velocidade nas localidades: 10 km/h.

1928 – é estabelecida a circulação e cedência de passagem à direita

1931 - obrigatoriedade de equipamento dos veículos com pneumáticos

1973 - fixação do limite de 120 km/h nas autoestradas

1977 – utilização do cinto de segurança

1983 – definição do limite de taxa de alcoolemia

1992 – estipuladas as inspeções periódicas aos veículos

1994 – passa a ser obrigatória a utilização de sistemas de retenção para crianças, as “cadeirinhas”.

3/14/2023

Halibut - Pomada para rabinhos




Hoje fazemos referência à marca de pomada Halibut, muito popular entre nós e conotada com a sua aplicação no rabinho dos bébés para prevenir assaduras pelo uso de fraldas, sendo que também com usos mais alargados. Dizem, por exemplo, que é igualmente muito usada por ciclistas por razões óbvias.

Da pesquisa que fiz sobre a origem e história desta popular pomada, terá sido criada pelos laboratórios espanhóis Andrómaco, de Barcelona, fundados em 1923 por dois amigos, Raúl Roviralta Astoul, médico, e Fernando Rubió i Tudurí, farmacêutico, e deve o seu nome a um peixe que vive nas profundezas do Atlântico, chamado precisamente Halibut ou Alabote, do qual se extrai um óleo do seu fígado, rico em vitamina A e D, altamente cicatrizante, usado como base da pomada, bem como de outras susbtâncias como óxido de zinco. Dizem os especialistas que o zinco é um elemento fundamental à actividade de mais de 300 enzimas que existem no corpo humano, entre as quais algumas necessárias à proliferação celular durante a cicatrização. Hoje em dia a fórmula da pomada mudou e já não tem óleo desse peixe, mas o nome, esse, manteve-se sempre inalterado.

Em Portugal, a Andrómaco estabeleceu-se em Lisboa pelo ano de 1931 e a pomada Halibut começou a ser comercializado a partir do ano de 1939, por isso já com uma provecta idade.

Em 1995 o grupo alemão Grünenthal adquiriu a Andrómaco (espanhola) e a Halibut passou a fazer parte do seu leque de produtos. 

Por sua vez, pouco depois, por 1996/1997, a Grünenthal acabou por vender a marca à empresa portuguesa Medinfar, tornando-se para esta seu produto mais popular a par de outros também com relevância, como o Oleoban, Trifene, DVine, Magnoral, entre outras. Em 2017 atingiu a marca de 1 milhão de unidades.

Quando foi lançada, a Halibut era muito dirigida para a cicatrização das queimaduras da pele mas a partir dos anos 1990 a marca mudou o seu posicionamento para a muda da fralda e as assaduras dos rabinhos dos bebés. 

Seja como for, em resumo, a Halibut pomada é uma marca e um produto muito reconhecida e popular no nosso mercado e memória colectiva e até susceptível de algumas brincadeiras e trocadilhos.

Ainda sobre o peixe, o halibut ou alabote, pertence à família dos Pleuronectídeos. É um peixe achatado, oval e com uma cabeça grande, que pode crescer até cerca de 1 metro de comprimento e pesar até 20 kg.

O alabote é encontrado em águas frias e profundas ao redor do mundo, incluindo o Oceano Atlântico e o Pacífico. Ele é conhecido por sua carne branca, macia e suculenta, com um sabor delicado e levemente adocicado.

Devido ao seu sabor e textura, o alabote é muito valorizado na culinária e é frequentemente usado em pratos de frutos do mar. No entanto, como muitas outras espécies de peixes, o alabote tem sido sobrecapturado em algumas áreas e, portanto, é importante garantir que sua pesca seja sustentável para garantir a preservação da espécie e de seu habitat natural.


[créditos do cartaz no topo: Garfadas online

3/13/2023

Doutor Jivago - Doctor Zhivago

 



Hoje trazemos à memória o filme clássico "Dr. Jivago", do original "Doctor Zhivago", um drama romântico épico lançado em 1965, realizado por David Lean e baseado no romance homônimo de Boris Pasternak. A história se passa na Rússia czarista e segue a vida do médico e poeta Yuri Jivago, interpretado por Omar Sharif, durante a Revolução Russa.

Jivago é casado com a bela Tonia, interpretada por Geraldine Chaplin, mas se apaixona pela jovem Lara, interpretada por Julie Christie. A trama segue a jornada de Jivago e Lara, enquanto lutam para ficar juntos em meio ao turbilhão político da Rússia, que culmina na Revolução Bolchevique.

Enquanto isso, Jivago também se envolve com a luta política, ao ser arrastado para o movimento revolucionário liderado por seu meio-irmão, interpretado por Alec Guinness. O filme retrata de forma realista e emocionante a luta pelo poder na Rússia, enquanto Jivago tenta manter sua vida e seu amor intactos em meio ao caos político.

"Dr. Jivago" foi um grande sucesso de bilheteira no seu tempo e aclamado pela generalidade da crítica, tendo sido indicado a 10 Oscars, dos quais ganhou 5, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. O filme é lembrado como um dos grandes épicos românticos da história do cinema, com suabanda sonora marcante, cenários deslumbrantes e performances memoráveis de todo o elenco.

O filme "Dr. Jivago" foi rodado em diversas localizações na Europa e na Ásia. Algumas cenas foram filmadas na Finlândia, na Espanha e no Egipto, mas a maior parte do filme foi filmada na Itália. O cenário da neve foi filmado nos Alpes italianos, enquanto a cidade de Moscovo foi recriada em estúdios de filmagem em Roma. Alguns locais notáveis em Roma usados para filmar o filme incluem o Cinecittà Studios e a Praça de Espanha. A produção também usou algumas locações naturais na Rússia, como o rio Volga e o deserto de Karakum.

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