10/05/2008
O Clarim - Jornal da Cruzada e das crianças de Portugal
10/04/2008
Bolachas Confiança -Tipo Maria
Hoje em dia existe uma enorme variedade de bolachas, tanto de fabrico nacional como importadas. Há para todos os gostos e feitios, desde as mais elaboradas até às mais simples. Temos as bolachas recheadas com chocolate e pastas de outros sabores como morango e baunilha, bolachas com pepitas de chocolate, bolachas com pedaços de cereais, bolachas altamente calóricas e bolachas mais pobres, recomendadas para quem tem preocupações com a sua linha.
Por outro lado, estão todas acondicionadas em embalagens também mais ou menos sofisticadas, todas graficamente apelativas. Enfim, todo um conjunto de situações adequadas aos modernos hábitos de consumo.
Noutros tempos, porém, quanto a bolachas, havia menos variedade e as embalagens eram muito simples. Recordo, por isso, que a bolacha raínha era a do tipo Maria, ainda hoje muito consumida. Mas recordo sobretudo a forma como eram vendidas. Na mercearia da minha aldeia, vinham embaladas em grandes caixas de cartão, sensivelmente em forma de cubo, talvez com a dimensão de 30 x 30 cm. Assim, as bolachas eram pedidas em quantidade de peso. Por exemplo, 1/4 de quilo, 100 ou 200 gramas. Então a dona da mercearia lá abria a caixa e na parte superior existia um delicado papel vegetal estampado com a marca das bolachas. Quanto a este papel, recordo-me de frequentemente pedir à merceeira que me desse o papel. Claro que ela oferecia mas apenas quando a caixa ficasse vazia, pois o mesmo servia para manter as bolachas bem conservadas, impedindo o excesso de humidade.
Dessas bolachas, havia as normais, mais macias, para os bébés e velhinhos sem dentes, e as torradas, que eram as minhas preferidas. É claro que o tipo de bolacha Maria era muito semelhante ao que ainda hoje se vende, mas quanto ao gosto e aroma...eram incomparáveis. Nessa altura as bolachas eram francamente deliciosas.
Uma das marcas que me recordo, era precisamente a Confiança, bem como a Triunfo.
Quanto à Confiança, a propósito do cartaz publicitário acima publicado, sei que era de Lisboa, também fabricava rebuçados, mas infelizmente não consegui obter grandes informações sobre a sua história, desconhecendo, por isso, se ainda funciona ou se foi agregada a outra empresa ou grupo.
Seja como for, fica aqui partilhada este memória sobre as deliciosas bolachas Confiança, do tipo Maria, vendidas em grandes caixas e revendidas de forma avulsa nas mercearias das nossas aldeias.
10/03/2008
Andar de andas - As nossas perigosas brincadeiras
Quantos de nós, em criança, não já tiveram a oportunidade de se movimentar com umas andas?
As andas consistem num par de paus, com altura variável, mas em regra com cerca de dois metros e com um suporte horizontal,com uma extensão entre 10 a 20 cm, pregado ou afixado a uma certa altura de chão.
Conforme demonstra as imagens acima, os suportes servem para apoiar os pés e assim ficarmos elevados. Portanto, quanto maior a distância dos suportes relativamente ao chão, maior a altura que conseguimos obter.
Para se caminhar com as andas é necessário algum treino mas é relativamente fácil, obviamente dependendo da altura dos suportes.
Para que a anda fique completa, o ideal é ser revestida nos topos inferiores com um material anti-derrapante, como um bocado de couro ou um taco de borracha. Também os suportes dos pés devem ter alguma aderência, mas de modo a não prender demasiado os pés, pois em caso de queda fica-se sem movimento para saltar. Nos casos em que se enfiam umas calças compridas, é uma situação arriscada pelo que deve ser feita por quem tem muita experiência a caminhar com as andas.
Como não podia deixar de ser, em criança, aí pelos meus doze anitos, juntamente com os meus irmãos mais chegados, também construímos as nossas andas e, não fizemos por menos, com os suportes colocados a quase 1 metro de altura. Ficámos uns autênticos pernas-longas. Claro que tivemos um imenso êxito junto dos colegas que ficaram de boca aberta com o espectáculo. A moda pegou por alguns dias e era ver toda a rapaziada no largo da aldeia a caminhar com andas. Parecia uma terra de gigantes.
É claro que em tudo isto, o desafio e o risco estão sempre de mãos dadas, pelo que, não satisfeitos com o simples andar no terreiro plano ou com pouca inclinação, o nosso desafio era subir a escada exterior da casa de meus pais, com cerca de 16 degraus. Claro que conseguimos subir e descer várias vezes, mas quando a minha mãe descobriu o número de circo, a palhaçada acabou com um outro festival de porrada. E foi bem merecida pois era uma brincadeira demasiado perigosa. Uma queda a meio da escada era cabeça partida pela certa.
Bons tempos aqueles, mas cheios de traquinice e brincadeiras muito arriscadas. Mas como diz o ditado "à criança e ao borracho, põe Deus a mão por baixo". Seja como for, por uma brincadeira bem menos perigosa, fracturei em criança o meu tornozelo esquerdo e já com os meus dezoito anos também fracturei o meu pulso esquerdo. Mas isso será motivo para uma nova e futura memória.
Hoje em dia as andas não estão esquecidas e embora não façam parte das brincadeiras quotidianas das crianças, é comum vê-las em acção em alguns eventos ou espectáculos de rua.
9/30/2008
Tampões TAMPAX
Já aqui falamos dos tampões TAMPAX.
Pela sua importância e até raridade, aqui publicamos mais um cartaz publicitário deste famoso produto da higiene íntima da mulher.
Neste cartaz é dado ênfase à questão da aplicação, um dos aspectos que provocava alguma renitência no seu uso. A mensagem expressa tenta desmistificar essa problema com o chamado aplicador especial.
Para quem ainda não leu o artigo anterior, pode fazê-lo neste link.
9/27/2008
Marco - Dos Apeninos aos Andes - I
Devido às dificuldades da vida na cidade, a exemplo de muitas mulheres italianas da época, Ana decidiu emigrar para a Argentina, para trabalhar como criada numa casa rica, em busca de uma vida melhor, que permitisse garantir um melhor futuro para a sua família.
Quando Ana dá a conhecer a decisão a Marco, este fica destroçado e profundamente abalado e nem o seu inseparável amigo, Amédio, um macaco de pelo branco que lhe fora oferecido pelo seu irmão, o conseguia animar.
A despedida foi demasiado dolorosa para o pobre Marco e a cena do adeus no porto, com o navio a afastar-se emocionou toda a gente.
Marco, sempre cheio de saudades, encontrava apenas algum alento nos dias em que chegavam os navios com notícias da longínqua Argentina.
Enquanto isso, Marco, apesar de gostar de Pedro, seu pai, não conseguira compreender o porquê deste permitir a partida da mãe. Este sentimento de revolta aumentou quando os colegas da escola faziam referência à cobardia do seu pai, por deixar assim partir uma mulher sozinha, quando devia ser ele a emigrar.
Entretanto, as dificuldades começaram pois Ana deixou de escrever e de enviar dinheiro, deixando a família em dificuldades e preocupada. Devido ao agravamento das dificuldades, Pedro, António e Marco tiveram que mudar para as águas-furtadas de uma casa mais pobre.
Desde esta fase que começa a crescer em Marco uma grande vontade de partir à procura da mãe, pelo que com a ajuda do seu amigo Emílio, começa a fazer trabalhos para juntar dinheiro numa perspectiva de fazer a viagem para se ir juntar à mãe.
Entretanto Marco conhece o professor Pepino, o director de uma companhia ambulante, formada por si e por suas filhas Conchita, Filomena e Julieta. Filomena tornou-se na grande amiga de Marco.
Depois do conhecimento, o artista disse a Marco que iria partir para a Argentina e convidou-o a partir com ele, mas o velho estava bêbado e falou de mais, mas Marco não percebeu isso.
Ana, finalmente escreve à família e contou que estivera doente, o que deixa Marco ainda mais angustiado.
Certo dia Marco conheceu no porto um jovem marinheiro que lhe contou que aos treze anos também tinha viajado clandestinamente num navio, o que fez Marco pensar nessa hipótese, pelo que certo dia fugiu de casa e escondeu-se num navio que iria partir para a Argentina. No entanto foi descoberto e o pai, avisado, veio ao barco para o levar. Marco, porém, acabou por insistir tanto e manifestar a sua vontade que o capitão do navio teve pena dele e acedeu a transportá-lo até ao Brasil. Perante esta situação e a insitência comovida de Marco, o pai acaba por concordar.
Marco - Dos Apeninos aos Andes - II
Sinopse: Segunda parte
A partir da sua chegada, Marco passou pela Alfândega, mas as suas dificuldades principiaram ali pois, numa confusão, roubaram-lho o pouco dinheiro que tinha. Marco principiou então uma interminável busca pela mãe, andando de terra em terra, batendo a várias portas, falando com vários contactos e referências.
Inicialmente procurou no Nº 175 da Rua das Artes, onde perguntou por um seu tio, que anos antes tinha vindo para a Argentina. Disseram-lhe que já não morava ali. Relativamente à mãe, informaram-no que deveria ter ido para Baía Branca. De seguida, sempre com peripécias e dificuldades pelo meio, Marco foi recomendado a procurar em La Boca, um local de muita imigração. Aí Marco tem a felicidade de reencontrar o professor Pepino e as suas filhas, Conchita, Filomena, a sua grande amiga, e Julieta.
Marco pôs Pepino ao corrente de todas as suas aventuras desde que embarcara em Génova. Pepino sabendo da intenção de Marco em viajar para Baía Branca, dispô-se a levá-lo até lá, o que aconteceu. Ali conheceu um mendigo, que parecia que o conhecia e o esperava). Chamou Marco e deu-lhe a informação de que o seu tio, o Sr. Merelli já tinha falecido e que a sua mãe Ana tinha ido para Buenos Aires. Marco despede-se novamente de Pepino e sua famíia e com algum dinheiro que lhe deu o mendigo e uma carta com a indicação onde procurar, volta para Buenos Aires. Ali vai à morada indicada, um armazém. Para tristeza de Marco, informaram-no que a sua mãe já não estava em Buenos Aires e que tinha ido há já algum tempo para Córdova, com a família Mequinez.
Com tudo isto, Marco não chegou a saber que o mendigo em Baía Branca era afinal o seu tio Merelli, que envergonhado e com remorsos por ter ter gasto o dinheiro que Ana lhe pedira para enviar para Génova, o tinha enganado.
Marco conhece Frosco, um empregado do tal armazém onde procurara informações da mãe, e este com a ajuda de um colega marinheiro promete-lhe arranjar um barco que o leve a Rosário e dali a Córdova seria perto. Assim Marco embarca no Adrea Doria, navegando pelo rio Paraná, que o conduziu até Rosário.
Nesta cidade, Marco voltou a fazer perguntas , nomeadamente junto de alguns contactos que lhe tinham indicado mas ninguém sabia responder. Por sorte encontra Frederico, um emigrante que conhecera a bordo do navio na viagem entre o Brasil e a Argentina. Este ficou ao corrente das desventuras de Marco e fez um peditório junto da comunidade italiana para o ajudar a fazer a viagem até Córdova. Marco compra então o bilhete e parte de combóio para Córdova. Começou a procurar indicações sobre a presença da família Mequinez mas descobriu que esta pusera a casa à venda e de seguida deixou a cidade sem destino conhecido.
Entretanto trava conhecimento com um rapaz, o Pablo, e através deste, a sua família permite que Marco por ali ficasse uns dias. Certa vez Marco ouviu falar que nos arredores da aldeia vivia uma família chamada Mequinez, numa casa muito rica. Marco montou um burrito e lá foi na esperança de ser o Mequinez que procurava para obter informações do paradeiro de sua mãe. Quando conseguiu chegar á fala com o Sr. Mequinez, este a princípio não se recordava mas depois confirmou que de facto conhecera a mãe de Marco, Ana Rossi. Não estava com ele, e que era criada de um seu irmão e que vivia em Tucuman. Mas como este local era muito longínquo, perante o desalento de Marco, o Sr. Mequinez deu-lhe algum dinheiro para ele fazer a viagem.
Com esta nova esperança, Marco ficou mais alegre e optimista,. Infelizmente, de regresso à casa do amigo Pablo, Marco depara-se com a mãe deste, Joana, muito doente. Chamaram um médico e como a família era muito pobre, Marco utilizou o dinheiro recebido do Sr. Mequinez para pagar ao médico. Fez uma boa acção mas ficou sem meios que lhe permitissem fazer a longa viagem. Pablo tentou ajudar Marco e instigou-o a esconderem-se clandestinamente dentro do combóio que partiria pra Tucuman. Pablo foi descoberto e foi posto fora do combóio mas Marco conseguiu passar despercebido. Todavia, depois de ter percorrido 30 quilómetros foi descoberto. Apesar de Marco lhe contar os motivos, o revisor pô-lo fora do combóio.
Triste, desolado e longe do destino, Marco começou a caminhar ao longo da linha. Entretanto depara-se com um grupo de pessoas, numa caravana de carros de bois. Contou-lhes o sucedido e pediu-lhes para lhe darem boleia até Tucamon. Os homens acabaram por concordar mas apenas até à localidade de Santiago, que era para onde se dirigiam. Dali teria que se desenrascar.
Assim Marco partiu com a caravana, numa viagem que durou uma semana até que chegou ao sítio onde se separou dos seus novos amigos. Mesmo assim, a bondado dos homens da caravana foi tanta que ofereceram a Marco uma velha burra para o ajudar na viagem. Esta foi demorada e difícil, com fome e sede pelo meio e a velha burra não resistiu ao esforço e à fome e morreu. Marcou, novamente triste e desalentado, prosseguiu a viagem a pé, mas sempre com o inseparável amigo macaco Amédio, que em todas as alegrias e desventuras nunca o abandonou.
Pelo caminho Marco conhece um viajante que o informa que Tucamon fica a duas horas de viagem em passo acelerado. Marco volta a encher-se de coragem e apesar de doente e demasiado fraco, encontra forças para prosseguir o seu destino. Mesmo assim Marco é alvo de azar, pois tropeça numa pedra e cai ferido e exausto na berma do caminho. Ainda prosseguiu, num esforço imenso, mas parou para descansar debaixo de uma árovore e acabou por adormecer, sempre sonhando com a mão. Por felicidade, Marco, já desmaiado pela fraqueza e dor, é encontrado por um outro viajante, o Fernando, que ali passava a cavalo. Pegou-lhe ao colo e envolveu-o numa manta. Acendeu uma fogueira e fez café. Quando Marco volta a si, Fernando pergunta-lhe o que se passou e Marco contou-lhe a sua história. Fernando entretanto tratou da ferida infectada de Marco e pôs-lhe uma ligadura com um pedaço de pano da camisa. Como Fernando se dirigia a Santiago, teve que se separar de Marco, que estava mais restabelecido e assim podia continua a viagem a pé, pois já não faltava muito para chegar a Tucamon.
Pouco depois, Marco parou junto de um ancião e perguntou-lhe se ía com boa direcção para Tucamon. Mas o velho não respondeu pelo que Marco julgou que ele fosse surdo. Passado algum tempo veio em direcção a ele um jovem num carro, que disse ter sido enviado pelo avõ, o tal ancião a quem Marco pedira a informação e que assim se oferecia para o transportar ao seu destino, já que também tinha necessidade de lá ir levar uma mercadoria. Marco ficou feliz e fez-se amigo de Ângelo, o jovem que conhecera.
(continua)
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