10/19/2012

Jonathan Swift – As Viagens de Gulliver

 

Jonathan Swift

as viagens de gulliver

Passam hoje 267 anos sobre o falecimento do escritor irlandês do séc. XVI-XVIII, Jonathan Swift (Dublin, 30 de Novembro de 1667 — Dublin, 19 de outubro de 1745) que ficou conhecido sobretudo pela sua popular obra "As Viagens de Gulliver" provavelmente uma das aventuras mais conhecidas do universo infanto-juvenil.


Na primeira das viagens do aprendiz de cirurgião londrino, Lemuel Gulliver, depois de uma tempestade apanhar o navio onde seguia rumo às Índias orientais,  vai dar como náufrago à costa de LIliput,  um país povoado por gente minúscula, tornando-se assim num gigante face aos liliputianos.
Já na segunda viagem, tomou-lhe o gosto, Gulliver vai dar a um país de gigantes, Broddingnog, tornando-se agora um mínusculo ser face aos mesmos.

Foram quatro as viagens avntureiras de Gulliver mas na realidade as mais conhecidas são as primeiras duas e destas a primeira.

 
Estes opostos e todas as nuances,  decorrentes são o êxito de um livro que desde há mais de dois séculos, tem extravasado das suas páginas, para ser argumento de inúmeras versões em filmes, séries, liadpatações em livro, banda desenhada, etc. A imagem ou cena do povo liliputiano a amarrar o “gigante” adormecido na praia, tornou-se ela própria emblemática e resume toda a aventura e será certamente uma das imagens que qualquer pessoa reconhecerá e atribuirá a Gulliver.

Apesar das aventuras e dos imaginários que desperta, a essência do livro pretende ser uma visão crítica de Swift sobre a sociedade inglesa/francesa do seu tempo. Mas é claro que as sociedades mudam mas a génese da aventura permance de forma actual e intemporal e esse é um dos méritos da obra de Swift.


O universo de Gulliver, imaginado por Jonathan Swift continua por isso actualizado e a despertar o imaginário de quem o lê ou vê, crianças ou mesmo adultos. Quantos de nós já não imaginamos ser gigantes e com isso dominar ou tirar proveito?

10/11/2012

Colecção Educativa

 

A Colecção Educativa, foi um projecto editorial do Ministério da Educação Nacional - Direcção Geral da Educação Permanente, no tempo do Estado Novo, cujos livros, sensivelmente em formato de bolso (110 x 165 mm) foram publicados a partir dos anos 50 até meados dos anos 70, alguns impressos mesmo já depois da revolução de 25 de Abril de 1974.

Fazia parte do chamado Plano de Educação Popular e a diversidade e profundidade dos temas tanto cabiam no interesse educacional dos alunos da escolaridade primária como à formação e cursos de e para adultos. Os autores eram reconhecidos como competentes técnicos ou especialistas nas diferentes áreas temáticas abordadas, no que conferiam aos diversos títulos garantias de qualidade embora se procurasse quase sempre uma linguagem ou abordagem menos erudita por isso de fácil compreensão. Muitos profissionais estiveram assim envolvidos nesta colecção, desde os autores aos ilustradores e empresas gráficas e de impressão.

A colecção é composta por 19 séries, classificadas de Série A a Série T. As duas primeiras séries, A e B, referem-se respectivamente a temas de Doutrina e Informação e Propaganda, apesar de normalmente serem omitidas no plano da publicação, como se demonstra na imagem abaixo,  impressa nas últimas páginas de cada volume.

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Como se vê pelo plano, há assuntos e temas das várias áreas da educação, desde a geografia, história, ciência, tecnologias, agricultura, pecuária, etc, etc.

Há informações de que foram publicados 115 títulos distribuídos pelas diferentes séries.

Infelizmente, pela sua conotação ao Estado Novo e ao regime salazarista, considerados os livros como referências doutrinárias e propagandísticas, numa visão exarcebada e nem sempre racional,  logo após a revolução do 25 de Abril, os “novos defensores das liberdades e garantias” por iniciativa própria e por despachos oficiais, organizaram autênticos actos de censura  com queimas em fogueiras inquisitórias, destruindo na praça pública milhares de volumes arrancados às bibliotecas das escolas, escapando a essa fúria poucos volumes. Uma nódoa na História que suja aqueles que, reclamando a liberdade, tornaram-se eles próprios censuradores e inquisidores.

Hoje, à distãncia e com a depuração pelo filtro do tempo, constata-se que toda a colecção foi um importante contributo para a formação de milhares de portugueses e que em muitos aspectos dispõe de temas ainda muito actuais e se fossem divulgados e lidos ainda poderiam ajudar a complementar a cultura de muita gente. Porque de qualidade e raros, tornaram-se também objectos de colecção, bastante procurados nos alfarabistas.

 

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9/07/2012

Tudor – Pilhas e baterias

 

pilhas baterias tudor

 

Hoje trazemos à memória um cartaz publicitário dos anos 60 referente à popular marca de pilhas e baterias eléctricas, a TUDOR.

Trata-se de uma marca que desde longa data  faz parte do nosso imaginário sempre que pensamos em aparelhos que necessitam dessa fonte de energia autónoma, como rádios, lanternas, brinquedos, etc. É certo que hoje está mais ou menos eclipsada por outras marcas globais como a Duracell, Energizer, Sony, Varta, etc, mas a TUDOR, até porque ainda continua a fabricar-se, nomeadamente baterias para o mercado automóvel, continuará a ter um lugar próprio em muitas das nossas recordações e memórias de tempos idos.

Recordo-me que quando ainda criança, por algum tempo a minha família viveu provisoriamente numa dependência da casa de meus avós paternos (que herdara e estava em obras) em que não existia luz eléctrica. A iluminação era ainda assegurada pela luz da fogueira na lareira e por velas de cera. Para distracção nocturna, como ainda não tínhamos televisão, um autêntico luxo nessa época, havia na casa um pequeno rádio transistor a pilhas e desde então a TUDOR era presença obrigatória não fosse calar-se a música e as notícias.

 

Alguns dados históricos da marca, recolhidos no próprio site:

A Sociedade Portuguesa do Acumulador Tudor, Lda (SPAT), foi fundada a 1 de Julho de 1920, e a partir da sua fundação importantes acontecimentos ocorreram, tais como:

1935 – Instalação no Dafundo da primeira unidade industrial de baterias.

1950 – Fundação da nova fábrica da Castanheira do Ribatejo devido à saturação da fábrica do Dafundo.

1979 – Inicio da produção de baterias em polipropileno numa nova unidade industrial em Castanheira do Ribatejo. Nesse mesmo ano foi criada a AZAI a fim de produzir componentes em plástico para baterias.

1984 – Foi fundada a SONALUR a fim de se iniciar o processo de reciclagem de baterias de chumbo. É a única empresa do ramo a operar em Portugal.

1992 – Neste ano inicia-se um vasto programa estrutural a fim de preparar a empresa para as transformações ocorridas no mundo das baterias industriais.

1994 – Integração no maior grupo mundial de baterias , a EXIDE CORPORATION.

1996 – Início da produção de baterias VR, AGM e GEL com electrólito imobilizado.

Desde 1994 que a empresa está certificada pelo Instituto Português da Qualidade, norma ISO 9002.

1999 – EXIDE decide reestruturar as suas actividades em Portugal.
Divisão em 2 actividades principais :    DETA e TUDOR.

2001 – Transferencia dos escritórios da TUDOR em Lisboa para a fábrica da Castanheira.

2002 – Fusão das empresas DETA e TUDOR na actual SOCIEDADE PORTUGUESA DO ACUMULADOR TUDOR Lda.

2008 - Alteração da denominação para:
EXIDE Technologies,Lda, alteração verificada tambem am quase todas as outras Empresas do Grupo.

9/04/2012

Edith Cruz – Patinadora e capa de revista

 

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Hoje trazemos à memória a capa da revista Crónica Feminina, edição nº 88 de 31 de Julho de 1958. A capa é característica da revista em que a par de sorridentes crianças, exibia com frequência elegantes noivas. Na capa em questão, a contemplada é Edith Cruz, que foi uma reconhecida patinadora do S.L. Benfica.

Sobre esta sua faceta desportiva, colhemos o seguinte artigo no blog Ser Benfiquista:

 

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Em 1950, Edite Cruz foi eleita “Rainha do Patim”.
Aluna do professor belga Eulaers, fez parte dum grupo do patinadores que actuou na Europa, no Brasil e na Argentina dois anos depois.
Diplomada pelo Comité Internacional de Rink Hóquei, conquistou a “Plaquette” de prata e de bronze, medalhas de prata e a “Plaquette” de bronze internacional. É a patinadora benfiquista mais medalhada.

 

Desconhecemos o seu posterior percurso de desportista e de mulher, mas fica aqui a memória emblemática de uma época e de uma revista que dela foi um ícone.

8/29/2012

Livros de leitura da primeira e segunda classes – Informações complementares

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A propósito do trabalho gráfico e artístico de Luis Filipe de Abreu e Maria Keil nos livros de leitura da primeira e segunda classes da escola primária, que no final dos anos 60 até meados dos anos 70 marcaram indelevelmente algumas gerações de portugueses, consegui, neste documento "DISSERTAÇÃO APRESENTADA À FACULDADE DE ARQUITECTURA DA UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA PARA OBTENÇAO DO GRAU DE DOUTOR EM DESIGN”, uma interessante entrevista que Luis Filipe de Abreu concedeu a Ana Margarida de Bastos Ambrósio Pessoa Fragoso, em Abril de 2005, onde explica como aconteceu esse trabalho a “quatro-mãos de duas gerações diferentes”.
Luís Filipe de Abreu:
(…) A Maria Keil também teve uma intervenção bastante importante. Há muitos desenhos dela, muita ilustração, e já com um toque muito moderno que se distanciava muito do que era feito vulgarmente. A Maria Keil foi muito tocada pelo Fred Kradolfer e segue essa linha logo desde muito nova. A título de curiosidade, refiro um encontro que não deixa de ser curioso analisado a esta distância. A Maria Keil tem mais anos do que eu, fez no ano passado 90 anos, mas por altura dos anos 60 e a propósito dos livros didácticos, dos livros escolares, eu trabalhei com a Maria Keil.
Entrevistadora: Mas o resultado é positivo. Eu, pelo menos, tenho uma memória muito agradável destes livros.

Luís Filipe de Abreu:
Foi um trabalho feito a meias. Umas ilustrações de Maria Keil e outras minhas. (Mostrando um desenho): Este desenho é meu, aliás estão aqui já os meus filhos. Aparecem várias vezes no livro. A ideia do Ministério era lançar um livro único, ao alcance de todas as bolsas. Toda a gente dizia muito mal por ser um livro obrigatório mas, no fundo, era uma medida económica que permitia levar um livro de uma certa qualidade a todos os níveis: O da Segunda Classe custava 22$50 e o da Primeira Classe custava 16$00 ou coisa assim parecida.
Entrevistadora: Lembra-se da editora?

Luís Filipe de Abreu:
Várias. Entre elas esta, que não conheci, a Atlântida. Agora, fizeram reedições destes livros. Isto vinha a propósito dum encontro de gerações. Naquela altura o Ministério resolveu modificar e alterar os livros escolares porque os que havia estavam desactualizados. Fizeram concursos de textos para novos livros, concorreu gente muito boa como, por exemplo, esta equipa constituída por Judite Vieira, Manuel Ferreira Patrício e o Silva Graça (note-se que esta J. Vieira não era a conhecida escritora). Com o livro da Primeira Classe aconteceu também uma coisa semelhante: eram pedagogos muito activos, muito preocupados com coisas de ordem educacional e social. Fizeram um concurso para ilustração. Então o Lino António aconselhou a comissão com vistas à ilustração e apareceu o nome inevitável da Maria Keil, e o meu, que em 1968 era um rapaz novo mas que estava naqueles passos. Então resolveram esta coisa um bocado inesperada, de juntar os dois nomes num livro. Nós não achámos muito bem quando fomos abordados, porque considerámos um trabalho de difícil solução. Falei com a Maria Keil e concluímos: “Vamos experimentar” e resolvemos aventurar-nos. Se por um lado criou uma certa variedade, por outro lado criou certo embaraço aos dois. Eu acho que fizemos isto com a minha descontracção e com a boa vontade, o talento e a tolerância da Maria Keil.
-Entrevistadora: Mas o resultado é positivo. Eu, pelo menos, tenho uma memória muito agradável destes livros.
Luís Filipe de Abreu:
O resultado é bom em relação ao que se fazia e acho que foi positivo porque em 1968 mandámos imagens destas para os confins do nosso país. Acho que foi um grande sucesso. O que não deixa de ser curioso foi ser um livro feito a quatro mãos de duas gerações diferentes. O da Segunda Classe é mais bonito do que o da Primeira Classe. Tivemos imensas limitações técnicas porque nos foi dito que queriam uma edição muito barata. A Maria keil propôs o uso de cores directas, não utilizando a quadricromia, estava muito apostada nessa ideia das cores seleccionadas para a tipografia simples. Mas nessa altura os editores já entendiam que o offset era mais rentável. Tinham razão, mas resultou em desfavor dos originais no que se refere às cores. O segundo livro já foi feito para litografia mas as ilustrações também não correspondem aos originais.
Entrevistadora: Uma nova tecnologia de impressão, um novo problema.
Luís Filipe de Abreu:
Sim e aqueles originais que tinham sido feitos a pensar em cores directas, seleccionadas, que dariam um carácter que era muito usual nessa altura, sobretudo nos livros estrangeiros que apareciam, muito bonitos, transformaram-se num livro feito em offset com as cores mais imponderáveis, onde um tom tanto poderia ser verde, como castanho, como encarnado. Havia diferenças de impressor para impressor e os impressores preferidos foram, mesmo, os mais baratos embora tivéssemos feito recomendações para isto ser feito numa boa impressora. Uns foram em Coimbra, outros foram para o Porto, outros foram para Lisboa (…)
Informações complementares sobre a realização dos livros de leitura da primeira e segunda classes por Luis Filipe de Abreu e Maria Keil (1)
 
luis filipe abreu maria keil
Luis Filipe de Abreu Maria Keil

Além das ilustrações respeitantes ao conteúdo de ambos os livros, também os arranjos das capas e os lay-outs de paginação geral fizeram parte da tarefa dos dois autores, Maria Keil e Luis Filipe de Abreu. Habitualmente fala-se só de ilustrações, o que não é tudo...
Estes autores apresentaram a composição dos textos de todas as páginas dos livros (incluindo os índices, no caso do livro da 2ª classe). Só assim se poderia concretizar o plano gráfico total e assegurar os espaços reservados a ilustração e texto, a inclusão de caracteres caligráficos, por vezes com cor vermelha, etc. Foram apresentadas laboriosas maquetas absolutamente completas da montagem dos referidos textos. As composições dos textos foram reproduzidas dessas maquetas feitas pelos ilustradores.

No caso do livro da segunda classe houve também que "desenhar" as cartas caligráficas simulando quatro diferentes estilos de letra de escrita manual. Este trabalho meticuloso e paciente foi feito pela Senhora Gracinda Ribeiro de Abreu, professora de Educação Visual.
Também neste livro as páginas de anotação musical foram produzidas por pessoa profissional desse domínio.
As capas foram desenhadas por Luís Filipe de Abreu com ilustrações de Maria Keil no da primeira classe, e de ambos no da segunda classe. As guardas deste foram criação de Maria Keil.

No geral e no que diz respeito ao design, paginação e montagens, grande parte das tarefas foram realizadas por Luís Filipe de Abreu, experiente nesse sector, sempre em acordo com Maria Keil. Daí resultou um equilíbrio na divisão do trabalho que não pode ser medido com rigor mas que esteve sempre no pressuposto da harmonia da relação amiga levando em conta as disponibilidades e apetências de cada artista. A colaboração com os autores dos textos considerada desejável, acabou por ficar reduzida a poucos contactos iniciais, dada a extensão, a complexidade do trabalho e o reduzido tempo estabelecido para a realização.

O convite do Ministério da Educação Nacional foi dirigido aos artistas através do Professor Pintor Lino António (então director da Escola António Arroio), membro da Comissão do Livro Único, presidida pelo Dr. Gomes Branco. Com ambos houve alguns contactos durante o trabalho mas sem qualquer interferência no desenvolvimento do plano artístico.

(1) Informações prestadas pelo próprio Luís Filipe de Abreu

Schweppes Laranjada

 

Voltamos à memória da laranjada Schweppes, com um cartaz publicitário de 1962. Mesmo com uns dias de Verão pouco quentes a sugestão de uma boa laranjada à moda antiga torna-se sempre num momento apetecível.

laranjada_schweppes

 

- Anteriores artigos sobre a Schweppes:

Laranjada Schweppes
Schweppes…uma boa aposta

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