7/02/2009

Figuras & Figurões – Caderneta de cromos

 Nos anos 70 (76/77), a empresa IMPRELIVRO - Imprensa e Livros, SARL, proprietária do jornal diário O PAÍS, promoveu um concurso designado "Figuras & Figurões". Para participar era necessário preencher uma caderneta com um conjunto de 36 cromos ou estampas, publicadas ao longo 12 semanas (entre 05 de Novembro de 1976 a 28 de Janeiro de 1977), nas páginas do respectivo jornal.

Os cromos ou estampas tinham como tema caricaturas representativas de um conjunto de figuras públicas ligadas ao período do 25 de Abril de 1974. Cada estampa tinha ainda uma quadra cuja parte final, que correspondia ao nome da pessoa caricaturada, era necessário adivinhar e preencher, o que não era difícil já que para além da popularidade dessas figuras, o nome coincidia com a rima da quadra.

Para validar a entrada no concurso tornava-se necessário entregar a caderneta devidamente preenchida, com as estampas coladas nos seus devidos lugares e devidamente completadas na tal questão da quadra. O regulamento não o indica, mas presume-se que no final as cadernetas seriam devolvidas aos respectivos donos, ou talvez não.
Para além dos 36 cromos, a caderneta continha páginas com publicidade de algumas empresas e marcas que patrocinavam o concurso.

O concurso implicava os seguintes principais prémios: 1º: 1 automóvel Citroen GS, no valor de 196.000$00; 2º: 1 viagem ao Cairo - Egipto, para 2 pessoas, pela TWA, ida e volta em classe turística, no valor de 39.963$00; 3º: 1 jogo de maples em pele MICL, no valor de 35.000$00; 4º: Uma máquina de lavar-roupa RUTON e 1 televisor RADIOLA, com o valor total de 31.738$00. A lista de prémios continua até ao 377º lugar e incluia prémios diversos como 1 máquina de costura BERNINA, 1 máquina de tricotar, 1 bicicleta motorizada, 1 máquina de escrever, 1 fogão JUNEX, 1 rádio-gravador, 1 mala de senhora, 1 relógio de cozinha, etc, etc.

As caricaturas têm uma excelente qualidade artística, reproduzindo na perfeição as características físicas dos respectivos retratados. Na caderneta não é indicado o nome do autor, sendo que pela assinatura com as inicias ZM, que surge nalguns cromos, se supõe serem do excelente artista Zé Manel.

Tendo em conta a qualidade das caricaturas e pela importância dessas figuras no período histórico e conturbado do pós-25 de Abril de 1974, iremos publicando os respectivos cromos em futuros posts.
Acrescente-se que este tipo de concursos, baseados no preenchimento de cadernetas com estampas publicadas pelos jornais diários, conheceu vários exemplos. Recordo-me particularmente de uma colecção relacionada com ciclismo, pelo JORNAL DE NOTÍCIAS e  de uma outra  com a temática de provérbios populares, pelo jornal O COMÉRCIO DO PORTO. Num dia destes procurarei trazer mais detalhadamente o assunto à memória dando a conhecer as respectivas cadernetas que na época coleccionei.

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7/01/2009

Bernina – Máquina de costura


As máquinas de costura sempre foram um equipamento desejado pelas donas-de-casa, quer como forma de minorizar os gastos domésticos, costurando e consertando as próprias roupas da família, de modo especial dos filhos, sempre prodigiosos na arte de romper e rasgar o vestuário, quer ainda, em muitos casos, como fonte extra de rendimentos, fazendo serviços de costura para fora.

Nos anos 60 e 70, principalmente, era frequente as raparigas tirarem um curso de corte e costura, como forma de garantirem o seu futuro. Essa arte normalmente era ensinada por uma costureira profissional, a que se chamava de “mestra”. Nesse tempo, eram poucas as moças que seguiam os estudos no liceu e também eram escassos os empregos em fábricas, que aparecerem principalmente a partir dos anos 80. Nessa década, na minha zona, quase todas as raparigas empregavam-se em fábricas de calçado e de confecções, mas, até aí, prevaleciam as funções ligadas à casa e à agricultura.

Neste contexto, nas décadas de 60 e 70, as máquinas de costura eram de facto equipamentos preciosos e ambicionados mas nem sempre ao alcance da maioria das famílias. Era um avultado investimento. A minha mãe, por exemplo, adquiriu uma máquina apenas no princípio de  80, paga a prestações. Recorria-se, pois, às costureiras para confeccionar um vestido de chita para as raparigas ou umas calças para os rapazes, numa altura festiva, ou, o que era vulgar, aplicar umas quadras, joelheiras ou cotoveleiras nas roupas já gastas, na expectativa de aguentarem mais uns tempos.

É claro que nesse período, falar de máquinas de costura era falar da marca Singer, marca da máquina da minha mãe, mas havia, naturalmente, outras mais marcas. É o caso da Bernina, da qual trago à memória um cartaz publicitário de 1976.
A Bernina é uma marca já secular, com sede em Steckborn, na Suiça. Ao longo dos anos foi acompanhando os desenvolvimentos tecnológicos e necessidades de mercado e actualmente produz máquinas chamadas de quarta geração, com capacidades fantásticas de bordar desenhos a partir de ligações ao computador. A Bernina tornou-se assim numa marca reconhecida e prestigiada mundialmente.

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- Modelos actuais da marca Bernina.

6/30/2009

Cerveja Sagres e laranjada Gruta da Lomba

cerveja sagres a sede que se deseja santa nostalgia

O meu primeiro contacto com a cerveja não foi o mais feliz. Compreender-se-á porquê: Tinha 10 anitos e a cerveja foi surripiada a uma barraca de comes-e-bebes montada no arraial da festa anual da minha aldeia, em horário morto, isto é, pelas 6 horas da madrugada, numa altura em que o dono, cansado da faina de véspera, tinha ido dormir a casa.

O “assalto”, foi combinada previamente por mim, por um dos meus irmãos e por mais dois ou três amigos. Não teve mapa esquemático, é certo, mas obedeceu a algum rigor no planeamento em que cada elemento do "gangue" tinha uma função específica.
Para além de duas cervejas, uma Sagres e uma Cergal, a empreitada rendeu ainda duas laranjadas de litro da "Gruta da Lomba".

Depois de consumado o "assalto", fomos beber o espólio para um local escondido num pinhal vizinho. As laranjadas foram rapidamente emborcadas até à última gota. Já as cervejas não mereceram a aprovação do grupo pois eram demasiado amargas, pelo que, supunha-se, "deviam estar estragadas". Ainda houve quem fosse a casa gamar na despensa da mãe um quilo de açúcar amarelo, que se misturou à fartazana, mas nem assim a cerveja se mostrou tragável. Resultado, o verdadeiro gosto pela cerveja, que se aprende a gostar, e cuja sede se deseja, como diz o reclame acima, só chegou mais tarde, quase na maioridade. Ainda bem. Pouparam-se algumas pielas.

Importa acrescentar que o "assalto" foi logo detectado porque algum delator no grupo deu com a língua nos dentes" pelo que, para além de reparado o prejuízo em dinheiro vivo, cada um apanhou uma valente coça paternal daquelas que, hoje em dia, davam para colocar os pais na prisão acusados de violência e maus tratos a menores. Verdade se diga, foi uma boa lição, daquelas que se aprendem e jamais esquecem. Por vezes penso que se alguns dos modernos criminosos apanhassem ao primeiro delito uma daquelas valentes tareias, tinham mudado logo ali os seus destinos de criminosos. Hoje poderiam ser excelentes administradores de bancos ou directores de empresas e institutos públicos, quiçá até membros do Governo da nação ou deputados da Assembleia da República. Digo eu…

Quanto à laranjada, marca "Gruta da Lomba", era produzida por uma fábrica, situada em Guetim - Espinho e que ainda hoje se mantém em produção. Na altura era de muito boa qualidade e vendia-se em garrafas de litro, de vidro, com rótulo pirogravado.
Para além de saborosos copos que bebia nas quentes tardes de Verão, recordo-me de, várias vezes, participar em jogos de futebol, no largo da escola, contra um grupo de rapazes de um lugar vizinho, cujo troféu era precisamente uma laranjada de litro da “Gruta da Lomba”. Quando o troféu não era quebrado à pedrada ou pela fisga de alguém invejoso, já que estava exposto orgulhosamente no cimo de um cruzeiro do largo, no final da vitória lá se procedia à distribuição pelo grupo, bebendo todos da própria garrafa e com o tempo dos goles a ser bem cronometrado.

Bons tempos!

6/29/2009

Os caminhos de Noële – Parte II

 

Já depois de publicado o artigo referente ao anterior post, mexendo em alguma papelada da época, consegui obter informações adicionais e complementares.
Deste modo, constatei que a série foi adquirida pela RTP em dois pacotes, em diferentes alturas.


Inicialmente a série foi adquirida pela RTP em 21 episódios de 26 minutos cada e 1 episódio de 39 minutos, ou seja, 22 episódios, exibidos durante 1972. Soube ainda que a série poderia ser comercializada em diferentes durações, em 45 episódios de cerca de 15 minutos ou mesmo em episódios de cerca de 30 minutos ou 60 minutos. Seria assim uma forma de compatibilizar os interesses de horários das estações televisivas que adquiriam a séria.


Acontece que esta primeira parte exibida pela RTP em 1972, terminou de uma forma aparentemente inesperada, sem o tão esperado happy end, que seria o casamento de Noël com um dos dois pretendentes (o amigo de infância ou Ugo, um pianista). Esta situação, o âmago do enredo, face à popularidade da série, provocou alguma confusão e até muitas reclamações na RTP, tanto mais justificadas depois de uma revista da época ter publicado fotos do casamento de Noële, que tinha mesmo acontecido.


Esta situação levou a RTP a procurar saber junto da produtora os verdadeiros motivos, vindo a comprovar que na realidade existia uma segunda tranche de 40 episódios de cerca de 15 minutos cada. Face a esta situação, ao que parece, inesperada porque desconhecia o facto, a RTP obviamente que acabou por adquirir o segundo pacote da série  cuja exibição foi iniciada em Março de 1973, aos Sábados, por volta das 22:00 horas, em episódios de cerca de 30 minutos. Este horário posteriormente veio a ser alterado, passando para as segundas-feiras, antes do Telejornal, por volta da 21:00 horas.


Nesta segunda volta, Noële efectivamente acaba por casar com o pianista Ugo, acontecimento que ocorre logo no segundo episódio.
Face a este esperado happy end, as tele-espectadoras ficaram finalmente sossegadas. Nem de outra forma poderia ser.

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- Noël, com o pai adoptivo

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- Noël, com Ugo, no seu casamento.

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Os caminhos de Noële – Série TV

 Na RTP, em 1972, era exibida a série de TV "Os caminhos de Noële", no original francês "Noële aux quatre vents", uma adaptação de Jean Chouquet à novela de Dominique Saint-Alban (pseudónimo de Jacques Tournier) e com realização de Henri Colpi.

Em França a série foi exibida na ORTF a partir de Novembro de 1970.
A série de TV pretendeu dar continuidade ao êxito da versão em folhetim radiofónico transmitido em França entre 1965 e 1969.
Dentro da filosofia dos folhetins, a série TV comportava 85 episódios de cerca de 15 minutos cada.

Em Portugal, na RTP, a série foi exibida em episódios de cerca de 30 minutos cada  pelo que deduzo que seriam exibidos 2 episódios originais de 15 minutos cada, seguidos. Esta é uma mera dedução pois pelas minhas memórias e dados disponíveis, não consegui confirmar esta situação. Na Internet quase não existem referência a esta série.
Quanto à história, é claro que já não me recordo de muita coisa de modo pormenorizado, mas sei que girava à volta da figura de Noële, interpretada por Anne Jolivet, figura muito popular em França, nos anos 60 e 70. Noële era uma bela rapariga, romântica, que descobre que afinal o seu pai não era quem supunha ser, mas sim um rico armador grego.  Por conseguinte, seria uma história quase do dia-a-dia de Noële, sua família e amigos, encontros e desencontros, amores e desamores, como é próprio dos folhetins, antepassados das actuais telenovelas.

Pessoalmente recordo-me da série, mas confesso que apenas assisti ocasionalmente a poucos episódios, mas lembro, igualmente, que era muito popular e seguida com rigor religioso pelas mulheres, a exemplo do folhetim radiofónico "Simplesmente Maria", que passou na Rádio Renascença sensivelmente pela mesma altura.

Casting:
- Anne Jolivet : Noële Vaindrier
- Jean-Claude Charnay : Jean-François Saulieu
- Alain Libolt : Ugo Luckas
- Pierre Mondy : Gilles Vaindrier
- Rosy Varte : Nicole Vaindrier
- Katharina Renn: Delpina Karrassos
- Jacques Harden : Yannis Karrassos
- Jean Davy : M. Saulieu
- Sylvain Joubert : Denis Maréchal
- Madeleine Damien : Mme Marie
- Angelo Bardi : Ugo Peretti
- Nicole Maurey : Lisette Andrieux
- Élisabeth Guy/Élisabeth Depardieu : Marie-Hélène
- Nelly Borgeaud : Helena Bonelli
- Lucienne Lemarchand : Mme Saulieu
- Philippe March : M. Baxter
- Emmanuel Delivet : Brémaut


Noele aux quatre vents 2
Noele aux quatre vents 3
os caminhos de noele Gilles Vaindrier
- Gilles Vaindrier, interpretado por Pierre Mondy
Noele aux quatre vents 5

- Noële, interpretada por Anne Jolivet

Noele aux quatre vents

Noele aux quatre vents 4
- Capas do romance que deu origem à série.

6/27/2009

Sporting Clube de Portugal - 1982

 

sporting equipa 1982 santa nostalgia

Esta formação da equipa do Sporting Clube de Portugal foi extraída de uma caderneta de cromos do ano de 1982. Uma equipa de luxo, com grandes nomes do futebol nacional como Manuel Fernandes, Oliveira, Jordão, Eurico e Inácio, entre outros.

Como curiosidade, na imagem são fornecidos os nomes dos jogadores sendo que a formação não segue essa ordem. Quem será capaz de ordenar os respectivos nomes?

Finalmente, refira-se que o Sporting foi campeão nacional na época 81/82, com 46 pontos, seguido do Benfica com 44 e o FC Porto com 43 pontos. Na época seguinte, 82/83, o Benfica sagrou-se campeão com 51 pontos seguido do FC Porto com 47 e Sporting com 42 pontos.

Ao nível do campeonato nacional de futebol, os anos 80, incluindo as épocas 79/80 e 89/90, foram dominados pelo Benfica, embora de forma relativamente equilibrada entre o FC Porto. Efectivamente o Benfica obteve 5 títulos (80/81, 82/83, 83/84, 86/87 e 88/89) e o FC do Porto conseguiu 4 (84/85, 85/86, 87/88 e 89/90). O Sporting ficou-se por 2 títulos (79/80 e 81/82). Todavia, nas décadas seguintes, até aos dias de hoje, o FC do Porto logrou obter o domínio das classificações. Quanto ao futuro, a ver vamos.

6/25/2009

Selecção Nacional de Futebol – Os Magriços - 1966

 

Publica-se aqui uma das fantásticas equipas da selecção nacional de futebol. No caso, uma das formações presentes no Mundial de Futebol de 1966, organizado em Inglaterra, onde Portugal realizou uma excelente campanha, caíndo apenas nas meias-finais frente à selecção da casa. Obteve assim o terceiro lugar na prova.

Quem será capaz de identificar a formação (para além do Eusébio)?

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(clicar na imagem para ampliar)

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