11/05/2009

À lareira

 

lareira outono inverno nostalgia

 

Cá em casa já se acendeu a lareira. Os primeiros frios deste mês de Novembro, que começou chuvoso e cinzento, trouxeram a nostalgia própria deste tempo avançado de Outono.
Nasci em Novembro e talvez por isso se compreenda a forma quase poética como consigo interpretar no cinzentismo dos seus dias uma espécie de aura mágica.

Fosse o ano um dia, e Outubro e Novembro seriam a noite; A noite do descanso, do retempero, dos sonhos. Acho, por isso, que este tempo é necessário, como um interregno, como um poupar de forças para o princípio do ciclo que depois começará com os alvores da Primavera e continuará até ao apogeu do Verão.


Novembro é um mês muito espiritual porque, pela tradição cristã, é o tempo em que trazemos à memória os nossos antepassados e ente-queridos que a morte já levou. Podemos andar o resto do ano esquecidos, mas em Novembro vamos mais vezes ao cemitério onde repousam aqueles que nos foram próximos. Há assim um pensamento e reflexão mais próximos da realidade da morte.


Dizia, no princípio, que cá por casa já se acendeu a lareira, e mesmo que o frio no corpo nem seja muito, a fogueira tem o dom de nos aquecer a alma. Tenho para mim que a fogueira é uma presença viva e dinâmica pelo que, mesmo sozinhos em casa, estamos sempre acompanhados. Estar sentado à lareira, é também um pretexto para recordar outros tempos, como os longos serões passados na casa de meus avôs, entre lendas e histórias contadas num aconchego de braseiro e fumo enquanto se assavam umas castanhas acompanhadas pelo vinho novo ou água-pé.


Por estas memórias, deixo aqui uma das páginas do meu livro de leitura da primeira classe, com uma bela ilustração de Maria Keil.

*

*

*

11/03/2009

Chicles MAY - O chicle da juventude - Repost


Quem se recorda dos famosos cromos e das não menos famosas Chicles da May Portuguesa?
Hoje dizemos chicletes, mas no final dos anos 60 e princípios de 70, o termo era chicles ou mesmo pastilhas elásticas. Conforme se pode ver na imagem imediatamente acima a descrição até era a de "goma de mascar" e no inglês "chewing-gum".  As chicles da May eram de facto excelentes, pela sua elasticidade, sabor e, acima de tudo, o aroma inesquecível. Pelo menos hoje temos essa memória.
  
Quanto à May, marca ou empresa, pouco ou nada se sabe. Sabe-se que era uma empresa internacional com filiais em vários países. Assim, por cá tínhamos a May Portuguesa, S.A.R.L., com localização na Coina - Barreiro, mas também existia a May espanhola, francesa e certamente a inglesa, embora com poucas referências.
Certo é, que associados à venda das pastilhas elásticas estavam quase sempre os produtos coleccionáveis, como cromos e vinhetas. De resto fica-se sem saber se eram os cromos que vendiam as chicletes se o contrário. Mas, claro, os "chicles" eram vendidos noutros formatos e mesmo com vários sabores e mesmo sem cromos.

Das várias colecções de cromos da May editadas em Portugal, sobretudo entre os finais dos anos 60 e princípios dos anos 70, os de temática do futebol eram sem dúvida as mais populares. Regra geral as colecções da May era editadas ou produzidas pela Agência Portuguesa de Revistas, sendo que esta acabava por reproduzir com ligeiras variações cromos com fotogramas já publicados noutras suas colecções.
Para além do popular tema de futebol, a May também fez editar colecções com outros interesses, como ciclismo ou de temática didáctica. Pessoalmente recordo-me da "Hippy" e "Os segredos do mar".

Tanto os cromos como os álbuns, actualmente são extremamente raros e valiosos, sendo, a par dos cromos de caramelos, um dos artigos mais procurados e desejados pelos coleccionistas.
Como não podia deixar de ser, nessa altura, fartei-me de coleccionar cromos da May e por arrasto, saborear as deliciosas chicles.

Com o tempo, e as suas vicissitudes, a maior parte dos cromos perdeu-se ou foi pasto de algumas fogueiras ateadas pela ira maternal. Naquele tempo era assim: Primeiro o trabalho, as obrigações e só depois a brincadeira e lazer. Mesmo assim guardo alguns exemplares e, acredite-se, ainda estão impregnados desse inconfundível aroma das chicles.

chicles may_santa nostalgia

image

image

image

image

image


image
image
image

chicles may_cromo_santa nostalgia




10/30/2009

Cantilenas e lengalengas – A chover e a dar sol na casa do rouxinol - Repost

 

 

a chover e a dar sol lengalengas

No Inverno, principalmente em dias de geada, o intervalo do recreio era aproveitado pelas crianças da escola primária para apanharem um pouco do sol saboroso desses dias bem frios.
Para o efeito, encostavam-se à fachada nascente da escola e ali mantinham-se como gatos ao borralho, soturnos e com as mãos no bolso.
Então sempre que alguém se colocava defronte, roubando assim o sol morno ao colega, era frequente este dizer a seguinte cantilena:

Quem está à frente do meu sol
É o diabo de Vila Maior,
Com o sangue a escorrer
E o gato a lamber.

Normalmente ninguém queria assumir o papel de Diabo, pelo que quase de imediato quem estivesse a provocar sombra mudava logo de posição.

Outra cantilena: Sempre que estava a chover mas em simultâneo, por entre o céu nublado, lá apareciam uns risonhos raios de sol, era comum dizer-se a seguinte cantilena:

A chover e a dar sol,
Na casa do rouxinol,
A velhinha atrás da porta
A remendar o lençol.

Esta cantilena, popular na minha aldeia, é, no entanto, conhecida noutras regiões com outras variantes. Por exemplo:

A chover e a dar sol
Na cama do rouxinol;
Rouxinol está doente
Com uma pinga de aguardente.

A chover e a dar sol
Na casa do rouxinol;
Rouxinol está no ninho,
A comer o seu caldinho.

A chover e a dar sol
À porta do rouxinol;
Rouxinol veio à janela,
Logo dar a espreitadela.

Como curiosidade, esta lengalenga, tem em comum o verso A chover e a dar sol e ainda a palavra rouxinol, daí que normalmente é conhecida pela cantilena do Rouxinol

*

*

*

10/29/2009

As aventuras de Robin Hood - Repost


advs55titlea
rgreene
greeneduncan2a
driscollmarian1a
greenederwenta

Uma das séries de TV que mais recordações me deixou, enquanto criança, foi sem dúvida As Aventuras de Robin Hood, no original The Adventures of Robin Hood, entre nós conhecido como Robin dos Bosques.

A série é de origem inglesa, produzida nos anos 50 pela ITV. Desenrolou-se ao longo de quatro temporadas, com um total de 143 episódios.
Na ITV foi para o ar entre 1955 e 1960 e quase em simultâneo na CBS americana entre 1955 e 1959.

Na RTP, passou a preto-e-branco, no final dos anos 60. Recordo-me que durante muito tempo era exibida aos domingos, por volta das 13:30 horas. Este horário era complicado para mim e para os meus colegas, pois o seu final (cada episódio demorava cerca de 25/30 minutos) coincidia sensivelmente com o início da aula de catequese. Por isso, não raras vezes, chegávamos ligeiramente atrasados mesmo depois de uma valente corrida (a igreja ficava distanciada de casa cerca de 1Km). Escusado será dizer que esta série era motivo de inspiração para muitas das nossas brincadeiras.

O papel principal, de Robin Hood, era protagonizado pelo actor Richard Green. Alguns dos personagens principais, como Lady Marian, João Pequeno e Will Scarlet foram, ao longo das quatro temporadas, interpretados por diferentes actores.
A trama dos episódios decorria dentro da história e lenda atribuída a Robin Hood, ou Robin dos Bosques, suficientemente conhecida de todos já que é um dos heróis mais conhecidos e popularizados, tanto na televisão como no cinema, na literatura e banda desenhada.
No entanto, relembra-se que a história decorre na Inglaterra, na Idade Média, ao tempo do reinado do Rei Ricardo. Este encontra-se ausente em combate nas Cruzadas, pelo que em seu lugar fica a reinar o Príncipe João. Este governa com impiedosa mão-de-ferro, tendo em conta apenas o seu interesse e dos seus correligionários, nomeadamente o Sheriff of Nottingham, com quem Robin luta constantemente, impondo ao povo elevados impostos.
Para combater esta injustiça e crueldade do substituto do rei e do Sheriff de Nottingham , Robin Hood lidera um famoso bando de foras-da-lei, escondidos na impenetrável floresta de Sherwodd, roubando aos ricos, quase sempre ao rei e seus comparsas, para distribuir pelos pobres e desfavorecidos.

Robin Hood conta com grandes companheiros de luta, tal como o forte João Pequeno, o glutão Frei Tuck, Will Scarlet, entre outros. Depois, em cada episódio, o namoro e romance de Robin Hood com a bela Lady Marian é tónica presente e quase sempre motivo de encrencas para Robin e seu bando.
Cada episódio está recheado de perseguições a cavalo, lutas entre Saxões e Normandos, lutas com escudo e espada, torneios com arco e flechas, visitas ao castelo, e todo um conjunto de situações características desse tempo da Idade Média.
Soube bem recordar esta série de televisão.

- Tema de abertura no Youtube: link

Consulte dois excelentes sítios sobre esta série, de onde extraímos algumas fotos:

 URL1;  URL2

10/25/2009

Novo Estádio da Luz – 6 anos de vida

 

Completam-se hoje seis anos sobre a inauguração do novo Estádio da Luz, campo de jogos do S.L. e Benfica, em Lisboa.

Foi no dia  25 de Outubro de 2003, e a inauguração foi selada com a disputa de um jogo de carácter amigável entre a equipa da casa e o Nacional de Montevideo, do Uruguai, jogo esse que o Benfica venceu por 2-1, com o primeiro golo a ser marcado por Nuno Gomes (que também marcou o segundo), ficando dessa forma ligado à História deste emblemático palco de jogos. Já o primeiro jogo oficial decorreu contra  a equipa do Beira-Mar, que terminou com 3-1 a favor da equipa encarnada.

O novo Estádio da Luz foi um dos vários que foram construídos de raíz para o Euro 2004, organizado por Portugal. Foi uma oportunidade única para alguns dos palcos do futebol nacional entrarem na era da modernidade, sendo demolidos ou requalificados os velhos estádios, impregnados de História e histórias mas obsoletos, sem conforto e segurança. É certo que alguns desses estádios são hoje uns grandes “elefantes brancos”, sem equipas residentes à altura de um adequada dinamização e rentabilidade. O estádio do Benfica, assim como os do Porto e do Sporting são os que registam melhores médias de assistência, o que de resto é compreensível.

 

estadio da luz benfica

Pessoalmente tenho mais recordações ligadas ao antigo estádio onde assisti a vários jogos, nomeadamente quando estive pelos lados de Lisboa durante o serviço militar. Por lá vi equipas fantásticas que ajudaram a conquistar alguns dos títulos da década de 80 (5 para o Benfica, 4 para o FC Porto e 2 para o Sporting).

Como memória dos bons velhos tempos do antigo estádio da Luz, deixo aqui uma das boas equipas, não dos anos 80, mas dos anos 70, precisamente a que disputou a final da Taça de Portugal em 1971, frente ao Sporting, onde perdemos por 4-1. Na época seguinte reencontraram-se os mesmos finalistas, com o Benfica a vencer dessa feita por 3-2, depois de ter vencido na meia final o FC Porto por um concludente 6-0.

Formação: Em cima da esquerda para a direita: Jimmy Hagan (treinador), Zeca, Adolfo, Matine, Humberto Coelho, Américo Tomás (então presidente da República), Malta da Silva e José Henrique; Em baixo, da esquerda para a direita: Jaime Graça, Néné, Artur Jorge, Eusébio e Simões. Não me enganei em algum nome? De repente fiquei com algumas dúvidas em relação ao Adolfo.

 

sport lisboa e benfica 1971 santa nostalgia

(clicar na imagem para ampliar)

*

*

*

Caderneta de cromos de futebol “Ídolos de Portugal” – 80/81 - Mabilgráfica

 

Para a época futebolística de 80/81, a editora Mabilgráfica lançou no mercado a colecção de cromos “Ídolos de Portugal”.

A caderneta apresenta as dimensões de 210 x 294 mm (folha A4), com 40 páginas e 256 cromos.

Para além das 16 equipas do Campeonato Nacional de Futebol da 1ª Divisão, são ainda representados os ídolos do passado das três grandes equipas, o SL Benfica, FC do Porto e Sporting CP. Estes ídolos do passado são cromos em caricatura, pela mão do mestre Francisco Zambujal.

Cada equipa que integra a caderneta é composta por 13 cromos, correspondendo a 11 jogadores, emblema e equipa em formação num cromo com o dobro do tamanho dos normais. Cada cromo normal tem as dimensões generosas de 57 x 85 mm.

Cada equipa tem direito a duas páginas da caderneta e para além dos cromos, existe um espaço com dados de caracterização do clube. Em cada cromo, o jogador é representado em pose, a corpo inteiro, numa bela moldura representando a configuração do mapa de Portugal. Na zona esquerda, num fundo degradé, o cromo ostenta o emblema, nº do cromo, o nome do jogador, sua posição na equipa e a sua idade. A capa apresenta um belo grafismo, com o mapa de Portugal  dividido pelas suas províncias preenchidas com imagens de acção de jogos de futebol.

Para mim, que tenho centenas de cadernetas, esta é uma das melhores colecções não só dos anos 80 como de sempre. Pela qualidade gráfica, qualidade das fotografias, pelos dados que comporta, pelo tamanho e quantidade dos cromos e ainda pelos cromos adicionais em caricaturas. Por conseguinte, foi uma das cadernetas que coleccionei com gosto e paixão.

Apesar da qualidade e beleza desta colecção editada pela Mabilgráfica, uma profícua editora dos anos 80, com sede na Amadora, a “Ídolos de Portugal” é uma caderneta relativamente abundante, aparecendo com frequência em sítios de venda a preços relativamente baratos. Em contrapartida, outras cadernetas de  fraca qualidade mas raras, atingem preços muito mais substanciais. Particularidades do coleccionismo.

 

cadernetra cromos idolos portugal sn01

cadernetra cromos idolos portugal sn02

cadernetra cromos idolos portugal sn03

cadernetra cromos idolos portugal sn04

cadernetra cromos idolos portugal sn05

cadernetra cromos idolos portugal sn06

*

*

*

10/24/2009

9 de cada 10 estrelas usam Lux

sabonete lux publicidade antiga sn

Voltamos à sempre interessante publicidade (de 1966) ao famoso sabonete LUX, o tal que era usado por 9 em cada 10 estrelas.
Lux, um sabonete apresentado como requintado, com nova forma e nova embalagem.

Talvez goste de rever:
Sabonete LUX - Mulheres e glamour
Sabonete LUX - Ursula Andress
Sabonete LUX - Cheirinho a mulher

Pesquisar no Blog

7UP - Beber e arrotar

  A história da 7UP, conforme registada pela marca em Portugal, revela um percurso de inovação que começou muito antes da sua chegada à Euro...

Populares