Já aqui falámos da revista "Crónica Feminina", mas continuará a ser presença assídua neste nosso espaço de memórias e nostalgias. Estas são as capas dos Nºs 433 e 434, as edições de 11 e 18 de Março de 1965. Atente-se na simplicidade das capas. Agora imagine-se uma das revistas similares do nosso tempo, como as popularuchas e "quase pornográficas" "Maria" e "Ana", já para não falar das de maior formato. De facto não têm nada a ver. É claro que os meios, as mentalidades e os tempos são outros, mas convenhamos que de um excesso de discrição e bons costumes passamos para uma situação de total indecoro e "à vontadex". No nosso tempo, se queríamos ter acesso à pornografia líamos às escondidas a GINA (falaremos oportunamente desta revista) ou entrávamos pela porta-do-cavalo no cinema da vila. Agora, mesmo crianças de 13 a 15 anos têm fácil acesso a essas revistas, caracterizadas por uma forte componente de conteúdo erótico a extravasar pró-pornografico, quer ao nível dos textos quer na profusão das imagens.
Esta realidade é boa, é má? Questionável, certamente, mas isso seria assunto para outros espaços, que não este.
Já aqui falámos do Milo, o saboroso leite achocolatado da Nestlé. "Faça do seu filho um futuro campeão, graças ao MILO".
Considerando o actual momento dos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, e à infrutífera participação portuguesa, muito criticada, diga-se, é caso para se dizer que o problema da maior parte dos atletas foi não tomarem Milo. A receita está dada: Para os próximos Jogos, em 2012, em Londes, Inglaterra, há que importar Milo e fazer dele o pequeno almoço diário dos futuros atletas, dos futuros campeões.
Com Bomba H...é um ar que lhes dá. O insecticida dos tempos modernos.
Apesar da referência aos tempos modernos, este cartaz publicitário é do ano de 1966, portanto com mais de quarenta anos. Era principalmente com este insecticida que os portugueses matavam as melgas, moscas e mosquitos nas longas e incómodas noites de estio.
Claro que nessa altura já existiam outras marcas de insecticida em spray mas o Bomba H, ficou como um dos mais populares, talvez pela imponência associada ao seu nome e que alguém recordava sempre como algo fatal e destruidor.
É certo que nessas alturas usava-se e abusava-se dos químicos e estamos em crer que o uso deste insecticida em grande parte dos lares portugueses era bem mais nocivo para a saúde das pessoas do que as picadas dos insectos.
Recordo-me da minha mãe, todas as tardes de Verão, a seguir ao almoço, fechar todas as portas e janelas da casa e pulverizar todos os compartimentos com o Bomba H. Passado algum tempo era só varrer os insectos defuntos. Apesar dos efeitos nocivos para o ambiente e para as pessoas, principalmente quando respiravam o ar pulverizado, a verdade é que assim se dormia melhor pelo que estes insecticidas tornaran-se muito populares e estavam presentes na maior parte das casas, pelo menos no Verão.
O mais engraçado, e pode parecer brincadeira, algumas pessoas na aldeia usavam-no para pulverizar as cabeças infestadas de piolhos. Parece que resultava apesar do ligeiro inchaço e ardor do couro cabeludo. Resta a desculpa de que nessa altura a informação ao consumidor era reduzida ou até inexistente.
Hoje em dia a aplicação destes insecticidas no lar está um pouco em desuso e as pessoas preferem instalar os modernos sistemas difusores, com pastilhas ou em líquido e que se ligam a uma simples tomada de electricidade, pois são mais duradouros e quase inodoros e publicitados como inofensivos para a nossa saúde. Será assim?
Creme de beleza Tokalon. Com umas carinhas tão frescas e larocas, mesmo a preto-e-branco, não havia como fugir à tentação de usar o Tokalon. As adolescentes da minha geração já o usavam e de facto devia resultar porque tinham mesmo uma carinha fresca como uma maçã acabada de colher. Pelo menos os beijos que ali se colhiam sabiam a maçã.
Claro que, mesmo publicitado como milagroso, estes tipos da publicidade, mesmo os dos anos 60 e 70 sabiam-na toda, porque nestes cartazes nunca aparecia quem realmente tinha rugas e por conseguinte, precisava mesmo do creme. Ou seja, estes e outros produtos associados à beleza aparentemente eram usados por quem não precisava deles. Paradoxal. O espelho sempre foi mau conselheiro.
Sobre o Tokalon, vejamos o texto de um anúncio ao creme, publicado no jornal O Século, em Janeiro de 1940:
HÁ UM MÊS CHAMAVAM-ME PELE DE SAPO:
Agora a minha pele é maravilhosamente clara e fresca
Milhares de senhoras tendo a tez horrorosamente feia conseguiram em quinze dias ter uma pele clara e aveludada graças a este meio simples e novo.
Há já anos que os especialistas dermatologistas recomendam o azeite especialmente preparado e o creme fresco predigeridos como sendo o meio mais natural de purificar a pele. Estes produtos estão hoje incluidos no Creme Tokalon, de côr Branca (não gorduroso). Infiltram-se nos póros e dissolvem as poeiras e impurezas profundamente incrustadas, que a agua e o sabão não podem nunca atingir. Os pontos negros são dissolvidos. O creme Tokalon, côr Branca, contem tambem elementos nutritivos e tónicos que apertam os póros, rejuvenescem a pele, tornando-a fresca, branca e aveludada. Com o Creme Tokalon, Côr Branca, obtêm-se optimos resultados pois de contrario devolve-se o dinheiro.
Á venda nas perfumarias e boas casas do ramo. Não encontrando dirija-se á Agencia Tokalon - 88 - Rua da Assunção - Lisboa
Texto algo hilariante, mas deve ter resultado porque o creme sempre teve muita aceitação. Será que alguém pediu a devolução do dinheiro?
No final dos anos 60 e princípos de 70, recordo-me da existência de um jogo de sorte, chamado de "Cartão Brinde Popular", que estava disponível tanto nas mercearias, tascas e quitanda da aldeia, como também era adquirido e despachado por alguns dos rapazes mais velhos da escola, que assim ganhavam uns tostões.
O jogo consistia num cartão com as dimensões aproximadas de 190 x 140 mm, revestido num dos lados por papel de cor. Havia de várias cores. No papel colorido eram estampados os nomes de jogadores de futebol das principais equipas do campeonato nacional, ou seja, o Benfica, o Sporting, o FC do Porto e o Belenenses, por serem os mais populares e que a malta coleccionava nos saudosos cromos de caramelos.
Os cartões que aqui se reproduzem são dos anos 60 e a equipa do Benfica é constituída por jogadores como José Henriques, Humberto, Jaime Graça, José Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Simões. O Sporting apresentava Damas, Pedro Gomes, José Carlos, Hilário, Morais e Marinho, entre outros, enquanto que o FC do Porto era representado por Américo, Bernardo da Velha, Valdemar, Atraca, Pinto, Djalma e Nóbrega, entre outros mais. No Belenenses pontuavam o J.Pereira, o Rodrigues, Abdul, Vicente, Pelezinho e Lira, entre outros colegas.
Por baixo de cada nome era indicada uma quantia em centavos de escudo. Este valor era oculto por um papel circular, também colorido. O objectivo consistia em escolher o jogador da nossa preferência, como uma espécie de aposta. Uma vez escolhido o jogador era descolado o papel circular e o apostador tinha que pagar ao dono do cartão o valor ali indicado. Por sua vez no respectivo espaço era anotado com lápis o nome do apostador. Quando todo o cartão estivesse jogado, perenta o maior número de interessados, era recortada a zona central, onde tinha um ponto de interrogação, debaixo do qual estava um papelo colado com o nome do jogador da sorte. Ao apostador que assim lograsse ter escolhido o jogador surpresa, era atribuído um "chorudo" prémio, também em dinheiro, parte da receita total do cartão, normalmente 25 tostões ou até mesmo 5 escudos, o que na época era uma pequena fortuna. Tudo dependia do valor total de cada aposta.
Estes cartões eram produzidos por fábricas da especialidade, normalmente ligadas à venda de brindes, que também vendiam os famosos cartazes de furos. No entanto, alguns rapazes mais expeditos, produziam eles próprios os seus cartões e vendiam-nos pela classe. Normalmente eram feitos com cartão e com o papel colorido aproveitado de alguns sacos de ração de gado, que normalmente apresentavam umas largas faixas coloridas, mostrando-se adequados para o efeito. O meu irmão mais velho era um exímio fabricante destes cartões e conseguia ganhar uns valentes tostões, que assim davam para adquirir umas lambarices aos Domingos na tasca do lugar ou numa das várias romarias da região.
Claro que nesta situação, o fabricante sabia qual o jogador surpresa pelo que, por vezes, quando o resto da malta apostadora descobria ou desconfiava de batota ou favorecimento de alguém, ao qual era desde logo revelado sorrateiramente o jogador surpresa, aí havia batatada da brava, ou seja, porrada de "criar bicho". Portanto nessa altura já era complicado ser-se "empresário" do jogo.
Cromos de caramelos de alguns dos jogadores indicados no Cartão Brinde Popular:
Sugus é uma antiga e popular marca de rebuçados e de um modo ou outro já terá ajudado a adoçar a boca de muita gente. Procurando na rede i...