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8/21/2008

Vestuário em Dralon - Fibra acrílica da Bayer


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Três cartazes publicitários à fibra acrílica alemã DRALON, uma marca da BAYER. Três modelos de vestuário a fazer inveja a muitas mulheres portuguesas.
Era uma época em que a forma de vestir das mulheres lusas estava em forte mudança, repercutindo-se, embora com atraso, no que estava a acontecer nos Estados Unidos e na Europa. Por isso era muito frequente nesta altura a publicidade a vestuário, aos seus modelos de linhas simples mas ousados e, claro, a par das maravilhas apregoadas às novas fibras sintéticas.
A DRALON foi introduzida em Portugal em 1965, tendo sido um êxito, como aconteceu com todas as fibras sintéticas dessa época.

Hoje em dia valorizam-se as fibras naturais, como a lã, o algodão, a seda e o linho, e evitam-se as sintéticas, pelo menos ao nível de roupas que contactam directamente com o corpo, como as cuecas, peúgas e camisas, mas nem sempre foi assim, pois nos anos 60 e 70 estas fibras, produzidas a partir do período pós II Guerra Mundial, eram muito populares pelo seu preço acessível, facilidade de manutenção, tratamento e sua durabilidade. Por conseguinte, são muito comuns dessas décadas os reclames publicitários tanto ao Dracon como ao Terylene e ao Nylon. Estas fibras, constituindo tecidos a 100% ou misturadas com as fibras naturais, permitiram um maior desenvolvimento da indústria têxtil e por acrescento, da moda e do vestuário.

As fibras sintéticas são produzidas a partir de polímeros derivados do petróleo e carvão. Os polímeros mais conhecidos são o Poliamida, o Polyester e o Acrílico. A partir destes três principais,  produzem-se o Nylon, a partir do Poliamida, o Terylene, Trevira e Dracon, a partir do Polyester e o Acrilon, Courtelle, Orlon e o nosso Dralon a partir dos polímeros de Acrílico.
A Dralon foi vendida pela Bayer em 2001 à Italy's Fraver Group.

- Dralon - url

8/20/2008

Crónica Feminina - 433, 434

 

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aqui falámos da revista "Crónica Feminina", mas continuará a ser presença assídua neste nosso espaço de memórias e nostalgias. Estas são as capas dos Nºs 433 e 434, as edições de 11 e 18 de Março de 1965. Atente-se na simplicidade das capas. Agora imagine-se uma das revistas similares do nosso tempo, como as popularuchas e "quase pornográficas"  "Maria" e "Ana", já para não falar das de maior formato. De facto não têm nada a ver. É claro que os meios, as mentalidades e os tempos são outros, mas convenhamos que de um excesso de discrição e bons costumes passamos para uma situação de total indecoro e "à vontadex". No nosso tempo, se queríamos ter acesso à pornografia líamos às escondidas a GINA (falaremos oportunamente desta revista) ou entrávamos pela porta-do-cavalo no cinema da vila. Agora, mesmo crianças de 13 a 15 anos têm fácil acesso a essas revistas, caracterizadas por uma forte componente de conteúdo erótico a extravasar pró-pornografico, quer ao nível dos textos quer na profusão das imagens.

Esta realidade é boa, é má? Questionável, certamente, mas isso seria assunto para outros espaços, que não este.

Publicidade nostálgica - Milo da Nestlé

 

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aqui falámos do Milo, o saboroso leite achocolatado da Nestlé. "Faça do seu filho um futuro campeão, graças ao MILO".

Considerando o actual momento dos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, e à infrutífera participação portuguesa, muito criticada, diga-se, é caso para se dizer que o problema da maior parte dos atletas foi não tomarem Milo. A receita está dada: Para os próximos Jogos, em 2012, em Londes, Inglaterra, há que importar Milo e fazer dele o pequeno almoço diário dos futuros atletas, dos futuros campeões.

Biscoitos de champanhe

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Tempos houve em que certos produtos eram especiais porque se confinavam a uma específica região ou apenas se consumiam numa determinada época ou quadra festiva. Por exemplo, as rabanadas e as filhoses no Natal, as amêndoas e pão-de-ló pela Páscoa, a orelheira pelo Entrudo ou Carnaval, etc. Outros exemplos poderiam aqui ser dados.

Com a globalização, essa coisa fantástica que aproxima as pessoas e o mundo e simultaneamente as afasta, a indústria e o comércio começaram a generalizar o fabrico e venda de diversos produtos e artigos ao longo do ano, anteriormente confinados às tais épocas festivas determinadas pelo calendário, quase sempre com uma forte substância religiosa mas também profana. Por conseguinte, hoje come-se rabanadas, pão-de-ló e amêndoas em qualquer ocasião e em qualquer altura do ano. Não admira, pois, que assim se tenha perdido a magia de muitas coisas, diluído os sabores e desvanecidos os aromas. Creio que os meus queridos leitores compreendem isto.

Dentro desta realidade, hoje trago à memória os deliciosos "biscoitos de champanhe", em muitas regiões também chamados de "palitos" ou "palitos la reine". Claro que ainda existem e encontram-se facilmente nas prateleiras de qualquer superfície comercial, sendo fabricados tanto por casas tradicionais quer pela gigante Dan Cake.

Todos reconhecem estes simples e saborosos doces, com uma forma rectangular e com as extremidades arredondadas, com tonalidade  dourado claro, estaladiços e suaves, tradicionalmente com sabor a limão, e revestidos superiormente por açúcar granulado.

Ora estes "biscoitos de champanhe", nos meus tempos de criança, eram um luxo e consumiam-se apenas na Páscoa, e acompanhavam-se sempre com champanhe, ou vinho espumante, à maneira portuguesa. Acompanhar uma taça de resplandecente champanhe com dois ou três biscoitos, era um momento simbólico e  festivo.

Hoje, como atrás dissemos, tudo isto se acabou e bebe-se champanhe e come-se "biscoitos" em qualquer altura do ano, a qualquer pretexto, nem que seja num simples lanche nas tardes de domingo. Para além do mais, estes biscoitos são muito utilizados na confecção de certos bolos, como o conhecido Tiramisú.

Por estes dias bebi champanhe acompanhada pelos ditos "biscoitos" da mesma, mas faltava a tal magia, o tal pretexto de festividade. As coisas perdem-se com o tempo, inolvidavelmente.

Talvez seja diferente na próxima Páscoa. Talvez.

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8/19/2008

Publicidade nostálgica - Insecticida Bomba H

 

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Com Bomba H...é um ar que lhes dá. O insecticida dos tempos modernos.

Apesar da referência aos tempos modernos, este cartaz publicitário é do ano de 1966, portanto com mais de quarenta anos. Era principalmente com este insecticida que os portugueses matavam as melgas, moscas e mosquitos nas longas e incómodas noites de estio.

Claro que nessa altura já existiam outras marcas de insecticida em spray mas o Bomba H, ficou como um dos mais populares, talvez pela imponência associada ao seu nome e que alguém recordava sempre como algo fatal e destruidor.

É certo que nessas alturas usava-se e abusava-se dos químicos e estamos em crer que o uso deste insecticida em grande parte dos lares portugueses era bem mais nocivo para a saúde das pessoas do que as picadas dos insectos.

Recordo-me da minha mãe, todas as tardes de Verão, a seguir ao almoço, fechar todas as portas e janelas da casa e pulverizar todos os compartimentos com o Bomba H. Passado algum tempo era só varrer os insectos defuntos. Apesar dos efeitos nocivos para o ambiente e para as pessoas, principalmente quando respiravam o ar pulverizado, a verdade é que assim se dormia melhor  pelo que estes insecticidas tornaran-se muito populares e estavam presentes na maior parte das casas, pelo menos no Verão.

O mais engraçado, e pode parecer brincadeira, algumas pessoas na aldeia usavam-no para pulverizar as cabeças infestadas de piolhos. Parece que resultava apesar do ligeiro inchaço e ardor do couro cabeludo. Resta a desculpa de que nessa altura a informação ao consumidor era reduzida ou até inexistente.

Hoje em dia a aplicação destes insecticidas no lar está um pouco em desuso e as pessoas preferem instalar os modernos sistemas difusores, com pastilhas ou em líquido e que se ligam a uma simples tomada de electricidade, pois são mais duradouros e quase inodoros e publicitados como inofensivos para a nossa saúde. Será assim?

Tele Semana - Revista da programação da TV

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A Tele Semana, designada como revista semanal dos programas da TV, foi uma publicação iniciada em Janeiro de 1973, propriedade da Ediguia - Editora de Publicações, SARL.
A revista tinha como director Rui Ressureição, e publicava-se às sextas-feiras. A Tele Semana apresentava-se num formato de 143 x 180 mm (mais tarde foi aumentado), tendo tido variações no número de páginas.

A este propósito, no editorial de 8 de Março de 1974, da edição Nº 59, que apresentava 70 páginas mais capas, eram exprimidas as dificuldades com o custo de vida de então (aproximava-se a revolução do 25 de Abril de 1974). Fazia-se assim referência a uma diminuição do número de páginas, deduzindo-se que as edições anteriores eram mais generosas, como solução para fazer face às dificuldades, de modo a manter-se o mesmo preço de capa (5$00). Dentro do que é norma nestes exercícios de dificuldades editoriais, prometia-se que, apesar da redução de páginas, mercê de uma reestruturação, a revista teria ainda mais qualidade. Duvidamos que isso tenha correspondido de facto a uma melhoria efectiva pois tratava-se de prometer fazer mais por menos o que, convenhamos, era uma solução quase milagrosa.

A revista tinha capa e contra-capa a cores mas era publicada na sua maior parte a preto-e-branco, mas também incluía algumas páginas a cores, nomeadamente as páginas centrais e alguns cartazes publicitários.
A Tele Semana tinha como habituais colaboradores Nuno Vasco, Avelãs Coelho, na rubrica Motores, Maria Elisa, em Moda,  Francisco Nicholson, com Canal Zero, Maria João, no Tele Infantil, Maria de Lurdes, na Culinária, H. César em Mundo POP, entre outros.

Quanto à sua duração, os dados disponíveis indicam o ano de 1979, sendo depois substituída pela revista TV Guia, que também teve muita popularidade nos anos seguintes, a qual apresentava-se num formato mais generosos, com muita cor e com papel de melhor qualidade.

O objectivo primeiro da Tele Semana era a divulgação antecipada da programação da RTP para a semana seguinte, ocupando por isso o grosso da revista.
Para além disso, apresentava várias rubricas, ainda hoje muito comuns em publicações congéneres, tais como entrevistas e reportagens no mundo artístico, passatempos, concursos, horóscopo, culinária, espaço infantil, alguma banda desenhada (de que recordo especialmente "A Pipi das meias altas". Como não podia deixar de ser, a Tele Semana também publicava os cupões de acesso a alguns concursos da RTP.

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- Na imagem da programação para Sábado 16, para as 15:00 horas lá está a série SKIPPY, o Canguru, a que já fizemos aqui referência.

8/18/2008

Publicidade nostálgica - Tokalon

 

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Creme de beleza Tokalon. Com umas carinhas tão frescas e larocas, mesmo a preto-e-branco, não havia como fugir à tentação de usar o Tokalon. As adolescentes da minha geração já o usavam e de facto devia resultar porque tinham mesmo uma carinha fresca como uma maçã acabada de colher. Pelo menos os beijos que ali se colhiam sabiam a maçã.

Claro que, mesmo publicitado como milagroso, estes tipos da publicidade, mesmo os dos anos 60 e 70 sabiam-na toda, porque nestes cartazes nunca aparecia quem realmente tinha rugas e por conseguinte, precisava mesmo do creme. Ou seja, estes e outros produtos associados à beleza aparentemente eram usados por quem não precisava deles. Paradoxal. O espelho sempre foi mau conselheiro.

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Sobre o Tokalon, vejamos o texto de um anúncio ao creme, publicado no jornal O Século, em Janeiro de 1940:

HÁ UM MÊS CHAMAVAM-ME PELE DE SAPO:

Agora a minha pele é maravilhosamente clara e fresca

Milhares de senhoras tendo a tez horrorosamente feia conseguiram em quinze dias ter uma pele clara e aveludada graças a este meio simples e novo.

Há já anos que os especialistas dermatologistas recomendam o azeite especialmente preparado e o creme fresco predigeridos como sendo o meio mais natural de purificar a pele. Estes produtos estão hoje incluidos no Creme Tokalon, de côr Branca (não gorduroso). Infiltram-se nos póros e dissolvem as poeiras e impurezas profundamente incrustadas, que a agua e o sabão não podem nunca atingir. Os pontos negros são dissolvidos. O creme Tokalon, côr Branca, contem tambem elementos nutritivos e tónicos que apertam os póros, rejuvenescem a pele, tornando-a fresca, branca e aveludada. Com o Creme Tokalon, Côr Branca, obtêm-se optimos resultados pois de contrario devolve-se o dinheiro.

Á venda nas perfumarias e boas casas do ramo. Não encontrando dirija-se á Agencia Tokalon - 88 - Rua da Assunção - Lisboa

Texto algo hilariante, mas deve ter resultado porque o creme sempre teve muita aceitação. Será que alguém pediu a devolução do dinheiro?

Cartão Brinde Popular - Qual o jogador preferido?

 

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No final dos anos 60 e princípos de 70, recordo-me da existência de um jogo de sorte, chamado de  "Cartão Brinde Popular", que estava disponível tanto nas mercearias, tascas e quitanda da aldeia, como também era adquirido e despachado por alguns dos rapazes mais velhos da escola, que assim ganhavam uns tostões.

O jogo consistia num cartão com as dimensões aproximadas de 190 x 140 mm, revestido num dos lados por papel de cor. Havia de várias cores. No papel colorido eram estampados os nomes de jogadores de futebol das principais equipas do campeonato nacional, ou seja, o Benfica, o Sporting, o FC do Porto e o Belenenses, por serem os mais populares e que a malta coleccionava nos saudosos cromos de caramelos.

Os cartões que aqui se reproduzem são dos anos 60 e a equipa do Benfica é constituída por jogadores como José Henriques, Humberto, Jaime Graça, José Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Simões. O Sporting apresentava Damas, Pedro Gomes, José Carlos, Hilário, Morais e Marinho, entre outros, enquanto que o FC do Porto era representado por Américo, Bernardo da Velha, Valdemar, Atraca, Pinto, Djalma e Nóbrega, entre outros mais. No Belenenses pontuavam o J.Pereira, o Rodrigues, Abdul, Vicente, Pelezinho e Lira, entre outros colegas.

Por baixo de cada nome era indicada uma quantia em centavos de escudo. Este valor era oculto por um papel circular, também colorido. O objectivo consistia em escolher o jogador da nossa preferência, como uma espécie de aposta. Uma vez escolhido o jogador era descolado o papel circular e o apostador tinha que pagar ao dono do cartão o valor ali indicado. Por sua vez no respectivo espaço era anotado com lápis o nome do apostador. Quando todo o cartão estivesse jogado, perenta o maior número de interessados, era recortada a zona central, onde tinha um ponto de interrogação, debaixo do qual estava um papelo colado com o nome do jogador da sorte. Ao apostador que assim lograsse ter escolhido o jogador surpresa, era atribuído um "chorudo" prémio, também em dinheiro, parte da receita total do cartão, normalmente 25 tostões ou até mesmo 5 escudos, o que na época era uma pequena fortuna. Tudo dependia do valor total de cada aposta.

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Estes cartões eram produzidos por fábricas da especialidade, normalmente ligadas à venda de brindes, que também vendiam os famosos cartazes de furos. No entanto, alguns rapazes mais expeditos, produziam eles próprios os seus cartões e vendiam-nos pela classe. Normalmente eram feitos com cartão e com  o papel colorido aproveitado de alguns sacos de ração de gado, que normalmente apresentavam umas largas faixas coloridas, mostrando-se adequados para o efeito. O meu irmão mais velho era um exímio fabricante destes cartões e conseguia ganhar uns valentes tostões, que assim davam para adquirir umas lambarices aos Domingos na tasca do lugar ou numa das várias romarias da região.

Claro que nesta situação, o fabricante sabia qual o jogador surpresa pelo que, por vezes, quando o resto da malta apostadora descobria ou desconfiava de batota ou favorecimento  de alguém, ao qual era desde logo revelado sorrateiramente o jogador surpresa, aí havia batatada da brava, ou seja, porrada de "criar bicho". Portanto nessa altura já era complicado ser-se "empresário" do jogo.

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Cromos de caramelos de alguns dos jogadores indicados no Cartão Brinde Popular:

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