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9/27/2008

Marco - Dos Apeninos aos Andes - III

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Sinopse: Terceira parte

Finalmente Marco chegou a Tucamon. Ali pediu informações sobre o irmão do Sr. Mequinez, para quem supostamente trabalhava a sua mãe, Ana Rossi. Informaram-no onde era a casa do Engenheiro Sr. Mequinez. Ali foi informado, pelo próprio senhor Mequinez e sua esposa Cristina, que Ana estava ali, mas gravemente doente e que o médico nem se atrevia a operá-la com medo que não resistisse.  Deu-se então, finalmente, o tão ansiado encontro com a sua mãe, mas em condições dramáticas. Marco, morrendo de dor, abraçou-se comovidamnete a sua mãe e esta reconheceu-o e ficou surpreendida por este ter chegado ali.

Com a ajuda e o ânimo trazido por Marco, Ana foi recuperando as forças e assim ficou preparada para a operação.  Foi, pois, para o hospital. Sempre com Marco como companhia, Ana recuperou milagrosamente e o médico anunciou a Marco que a sua mãezinha estava fora de perigo.  Atribuiu a Marco o milagre da sua recuperação, pelo que sem ele ali, Ana não teria resistido. Valeram a pena os imensos sacrifícios de Marco, desde o momento em que se separou da mãe, em Génova, até ao momento em que a encontrou prostada numa cama, doente.

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Marco e Ana ficaram em casa dos Mequinez por uns tempos até que ficasse totalmente restabelecida.

Finalmente, um mês depois, Marco e Ana partiram de regresso para Itália. Despediram-se afectuosamente da família que os ajudara a restabelecer e pelo caminho de regresso a Buenos Aires, reencontraram muitos dos amigos que Marco conhecera durante a sua aventura, nomeadamente o professor Pepino, a amiga Filomena e suas irmãs. Finalmente o embarque de regresso a Itália. Apesar de tudo, Ana conseguira amealhar bastante dinheiro que seria suficiente para pagar as dívidas da sua família e assim iniciarem uma vida nova, repleta de esperança.

A recepção em Itália, como seria de esperar, foi feliz. Pedro ficou radiante por rever a esposa e o pequeno filho. Os negócios também corriam melhor a Pedro e António, o irmão mais velho de Marco, tornara-se um excelente engenheiro dos caminhos-de-ferro, para onde havia ido trabalhar.

Como seria de esperar, foi um final repleto de felicidade e emocionante, para toda a família Rossi e seus amigos.

Encontro de Marco com sua mãe - em espanhol

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A aventura de Marco, é pautada sempre pela tristeza, drama, sofrimento e desencontros. Há até quem lhe chame de demasiado piegas. Quem assistiu à história pela RTP, ao longo de dezenas de episódios, frequentemente choraram ou emocionaram-se. Mas, apesar de ser uma série de animação, a verdade é que Marco é uma história de coragem, preservança e amor maternal de um filho, que apesar de ser uma criança, enfrenta desafios enormes, ultrapassando obstáculos, sacrifícios e adversidades.

Marco, por tudo isso, será sempre uma série marcante entre todo o vasto conjunto de séries de animação que passaram ao longo dos tempos pela televisão, de modo especial pela RTP. Não admira, pois, que a par da série Heidi, seja uma das mais lembradas. Acima de tudo, a série representava a transmissão de um conjunto de valores humanos e éticos que hoje em dia andam muito arredados das actuais séries de animação.

O sucesso da série Marco foi explorado nos mais variados suportes, desde livros, revistas, estampagens em vestuário, bonecos, brinquedos, etç.

Entre nós, no ano de 1977, a Disvenda, com a Silna Editora e a Visão Editora, lançaram uma colecção de cromos, dividida em duas cadernetas, relativa à primeira e segunda partes da série. A primeira caderneta comporta um total de 210 cromos e a segunda parte 96 cromos.

9/26/2008

Filuminismo - Série Pelourinhos

 

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Série Pelourinhos

Colecção de 30 carteiras de fósforos, da Sociedade Nacional de Fósforos - SNF - Lisboa - Anos 70.

Série filuminística muito bonita com aguarelas de alguns dos mais belos pelourinhos portugueses.

Recordo-me dos meus tempos de criança em que coleccionei esta bela série de carteiras de fósforos. Mais tarde tive o privilégio de adquirir a série em carteiras espalmadas, produzidas especialmente para coleccionadores.

Esta, como muitas outras séries filuminísticas, demonstra uma forte componente cultural, constituindo-se com um excelente documento sobre o nosso património. Filuminismo não é apenas um hobbie ou um mero passatempo mas também um importante veículo cultural.

Abaixo reproduzimos a totalidade da colecção.

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Qual é a coisa, qual é ela? - Adivinhas

 

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As adivinhas sempre exerceram um fascínio particular, tanto entre crianças como nos próprios adultos.
No meu tempo de criança, eram muito utilizadas e faziam parte dos serões da aldeia, questionadas e adivinhadas junto à lareira, após o jantar, como passatempo das longas noites de Inverno.
Particularmente, aprendi de minha bisavó materna uma série delas que, talvez pela sua simplicidade, nunca mais esqueci. Recordo que tanto eu como os meus irmãos estávamos sempre a importuná-la pendindo-lhe que nos ensinasse novas adivinhas. Com paciência e sabedoria, tal como uma côdea na algibeira, tinha sempre uma nova para ensinar.
Hoje em dia as adivinhas perderam muita da sua importância e são poucas as crianças que despertam a curiosidade por estes enigmas decorrentes da sabedoria popular. Esporadicamente são ensinadas por algumas avós, mas muito raramente pelos pais, num sinal claro que tende a perder-se a sua importância e a sua transmissão pela via oral.
Apesar disso, as adivinhas estão bem catalogadas e até há sítios onde são devidamente divulgadas, como é o caso do Citador, que possui uma boa colecção.
Mas que sabe bem recordar, sabe.

Aqui ficam algumas das adivinhas que aprendi com a minha bisavó, correspondendo simultaneamente a algumas das mais populares, como seria natural:

1
Qual é a coisa, qual é ela:
- Uma casa tem doze meninas,
Cada uma com quatro quartos,
todas elas usam meias,
mas nenhuma rompe sapatos.

2
Qual é a coisa, qual é ela:
- Altos castelos, verdes e amarelos?

3
Qual é a coisa, qual é ela:
- Verde foi meu nascimento,
e de luto me vesti,
para dar a luz ao mundo,
mil tormentos padeci?

4
Qual é a coisa, qual é ela:
- Negros são meus trajes,
duro é o meu coração;
com as gotas do meu sangue
as trevas fugindo vão.

5
Qual é a coisa, qual é ela:
- Uma senhorinha muito ensonhorada,
nunca saí à rua mas anda sempre molhada?

6
Qual é a coisa, qual é ela:
- Que mal chega a casa
põe-se logo à janela?

7
Qual é a coisa, qual é ela:
- Uma árvore com doze raminhos,
cada raminho com seu ninho,
cada ninho com trinta pássarinhos?

8
Qual é a coisa, qual é ela:
- Sete filhos tem uma dama,
deles, seis trabalham com labor,
de manhã até à noite,
reza o sétimo ao senhor.

9
Qual é a coisa, qual é ela:
- Tenho um tio que é meu tio;
o meu tio tem um irmão;
o meu tio é meu tio;
e o irmão do meu tio não?

10
Qual é a coisa, qual é ela:
- À meia-noite se levanta o francês,
sabe das horas mas não sabe do mês,
usa esporas e não é cavaleiro,
tem serra mas não é carpinteiro,
usa picão mas não é pedreiro,
cava no chão e não acha dinheiro.

11
Qual é a coisa, qual é ela:
-Alto está, alto mora,
todos o vêem, mas ninguém o adora?

12
Qual é a coisa, qual é ela:
- Do tamanho de uma pulga,
Deita orelhas como uma burra?

13
Qual é a coisa, qual é ela:
-Pequenina como abelha,
enche a casa até à telha?

14
Qual é a coisa, qual é ela:
- Tem dentes mas não come,
tem barbas e não é homem?

15
Qual é a coisa, qual é ela:
- Sou ave, mas sem penas,
e capa de ovelha me cobre;
sou criada numa árvore,
Coitadinha, sou tão pobre?

16
Qual é a coisa, qual é ela:
- Nasci em verdes campos,
Vestidas por verdes laços,
Quem mais chora por mim,
É quem me faz em pedaços.

17
Qual é a coisa, qual é ela:
- Dentes de pau,
no chão se arreda,
por fora é mau,
por dentro é seda?

SOLUÇÔES:

1
R: Relógio e as horas

2
R: Laranjeira

3
R: Azeitona

4
R: Azeitona

5
R: Língua

6
R: Botão

7
R: Ano

8
R: Dias da semana

9
R: Pai

10
R: Galo

11
R: Sino na torre

12
R: semente de couve

13
R: Luz da candeia

14
R: Alho

15
R: Avelã

16
R: Cebola

17
R: Ouriço do castanheiro

9/25/2008

Fósforos Pátria

 

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Antigo postal publicitário aos velhinhos fósforos Pátria. Recordo-me em criança de ver estas caixas de fósforos, ainda produzidas em folha de madeira, sempre presentes junto ao pial da lareira, uma espécia de bancada de pedra, negra do fumo, na casa do meu avõ paterno, um dos grandes lavradores da aldeia.

A palavra fósforo, tem origem nos termos gregos phos (luz) e phóros (que conduz), traduzindo-se naquele que traz a luz.

A origem dos fósforos remonta a meados de séc. XVII, mais concretamente em 1669, quando Henning Brand, um alquimista alemão descobriu acidentalmente uma susbtância proveniente da urina humana que depois de seca brilhava no escuro para além de arder com intensidade.

Leia na Wikipédia a história mais detalhada do percurso da descoberta deste simples mas importante produto.

É certo que nos nossos dias os fósforos são menos utilizados, devido em grande parte à sua substituição por isqueiros, tanto na utilização por fumadores como no lar. Jà não se acende o fogão com fósforos mas com isqueiros adaptados e até os modernos fogões dispõem de sistemas de auto-acendimento. No entanto, no passado, relativamente recente, os fósforos, em caixas ou em carteiras, em palitos de madeira ou em rolinhos de papel encerado, eram presença constante nas casas mas também nos bolsos dos fumadores.

Por arrasto da mudança de hábitos de consumo, as grandes e importantes fábricas fosforeiras portugueses, que produziram durante décadas autênticos objectos de colecção, que alimentaram o filuminismo, acabaram por entrar em decadência e encerrar. Hoje a produção de fósforos já não tem a importância económica de outrora e quase não se produzem peças com valor filuminístico.

9/23/2008

Memórias do tempo de outros tempos

 

imagens: URL

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Entrámos ontem na estação do Outono. Por cá choveu e o céu esteve cinzento, mas apesar disso até esteve bastante quente, ainda sinal do efeito da forte trovoada que se fizera sentir na véspera.

Seja como for, e apesar das estações do ano estarem nitidamente a perder as suas características, levando até alguns entendidos a prognosticarem que no futuro haverá apenas duas estações, a estação das chuvas e a estação seca, a verdade é que a partir daqui já não se podem esperar os quentinhos dias de Verão, as idas à praia, os piqueniques sob deliciosas sombras ou longas noites na esplanada. Os dias já estão mais curtos e depois da habitual mudança para a hora de Inverno, no último Domingo de Outubro, vamos entrar em mais um ciclo de seis meses de adormecimento, repletos de dias tristonhos e enfarruscados, tão característicos do Outono e Inverno.

Neste constante marchar do ciclo da vida, do tempo e das estações, não tardam as primeiras geadas e com elas o tempo frio de rachar.

Recuando no tempo, até aos meus tempos de escola primária, não tenho dúvidas de que nessa altura as estações tinham mais personalidade, eram mais vincadas, pelo que o Inverno era mesmo rigoroso, com muitas chuvas, muitos ventos e muita geada e o Verão era mesmo quente. Era muito normal não se registar qualquer precipitação durante os meses de Junho, Julho e Agosto. Até mesmo Setembro era muito quente. A este respeito recordo que o povo da aldeia organizava a reza do terço na capela do largo, pedindo aos Deus e aos Santos que os contemplasse com a generosa oferta da chuva, tão precisa às pessoas, aos animais e às plantações nos campos, onde a batata queimava e o milho definhava. A diferença entre a chuva e a seca poderia resultar numa colheita abundante ou num acrescento de miséria à habitual pobreza das pessoas da aldeia.

Opostamente, durante os rigores do senhor Inverno, as rezas eram no sentido de parar o excesso de chuva de modo a permitir alimentar o gado, fazer o trabalho nos campos e nos pinhais. Por vezes chovia copiosamente durante vários dias seguidos e as mulheres nem sequer podiam ir à horta colher uma folha de couve para preparar o caldo da janta. Os caminhos andavam sempre alagados e os regatos e a ribeira da aldeia abandonavam os leitos e alagavam as margens, arrastando as medas de palha e as moreias de cana de milho, entupindo levadas e regueiros. Os ventos sempre fortes arrancavam as árvores e destapavam os frágeis telhados das casas. Recordo que no largo da aldeia, mesmo defronte da escola, existiam umas frondosas mimosas, e quase todos os anos uma delas sucumbia à fúria do vento. Claro que para a pequenada era uma alegria, brincando por entre um emaranhado de ramos e folhas da árvore caída. Tudo era pretexto para brincadeira.

Quanto ao tempo de geada, quando acontecia durava longos dias e os terrenos ficam encascados, duros de noite e enlameados de dia. Hoje em dia, de modo geral, as escolas têm alguma climatização e as próprias crianças dispõem de boas roupas adequadas ao tempo de chuva e de geada, mas no meu tempo de criança não era bem assim. As roupas eram escassas e pobres, o calçado fraco e roto e as escolas, aquele modelo clássico do Estado Novo, eram frias. Tinham até uma tradicional lareira mas muito raramente eram acendidas. No meu caso, apesar de invernos rigorosos de frio e chuva, nunca vi acenderem uma fogueira na lareira da sala de aulas. Por um lado não havia lenha e por outro a escola dessa altura não tinha pessoal auxiliar como agora pelo que as tarefas básicas de limpeza, da sala, do recreio e das retretes, eram realizadas pelos próprios alunos.

Ora nos tempos de geada, o truque para aquecer as mãos, para além do tradicional jogo da sardinha, que noutra altura desenvolverei, era aquecer em casa, no borralho da fogueira, uma pedra do tamanho de uma maçã. Esta era depois embrulhada em papel de jornal e levada para a escola no bolso. Enquanto durava o calor da pedra as mãos andavam quentes, mas esta situação nem sempre era tolerada pelas professoras, que não permitiam distracções com o constante aquecimento.

Também no terreiro exterior ao recreio, era frequente a criançada acender fogueiras para se aquecerem, aproveitando restos de lenha dos pinhais próximos. Muitas vezes queimava-se um simples jornal.

Claro que por vezes a brincadeira acabava a enfarruscarem-se uns aos outros com os carvões e a cinza. Depois, já na sala de aula, a professora completava o aquecimento com umas valentes bolachadas aplicadas nas mãos dos brincalhões.

Bons tempos, boas recordações, mas com alguma amargura misturada pelas dificuldades próprias dos rigores do tempo, das professoras e da própria pobreza da maioria das crianças e suas famílias.

Mesmo assim, sabe bem recordar estas consequências do tempo de outros tempos.

9/22/2008

Cromos soltos - Cromos de caramelos

 

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Na rubrica Cromos Soltos, hoje damos à estampa  7 cromos de caramelos, incluindo o mítico Pélé, extraídos da caderneta "Desfile dos Famosos Futebolistas Mundiais", uma edição da Carsel, do longínquo ano de 1966, da qual, na imagem de baixo, reproduzimos a respectiva capa.

Para além da representação das equipas do campeonato nacional de futebol, daquela época, a caderneta tinha uma mais valia com a representação de várias selecções. Para além da selecção portuguesa, estão representadas as selecções nacionais da Bulgária, Jugoslávia, Argentina, Hungria, Checoslováquia, Rússia, Alemanha Ocidental, Espanha, Suiça, Chile, Uruguai, Colômbia, México e Brasil. Desconhecemos o critério da escolha das selecções, mas de destacar a ausência de grandes selecções como a Inglaterra (para mais como organizadora do Campeonato do Mundo de 66), a Itália e a França.

Tal como todas as cadernetas de cromos de caramelos, esta caderneta da Carsel é extremamente rara.

9/21/2008

Melhoral - Pastilhas milagrosas

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Melhoral Infantil



Hoje trago à memória as pastilhas Melhoral.

Este medicamento ainda hoje é muito popular. Há várias décadas que faz parte da farmácia da maior parte das famílias portuguesas. Tal como a Aspirina, da Bayer, a Melhoral é um medicamento cujo princípio activo é o ácido acetilsalicílico.

No cartaz de cima, dos anos 60, refere-se "Melhoral. Um medicamento de longas tradições, registado na Direcção Geral de Saúde". Tem, de facto, muitos anos no nosso país.
Recordo-me dos meus tempos de criança e da presença constante do Melhoral na prateleira do armário da cozinha. Ao primeiro sintoma de uma indisposição, uma dor de cabaça, dor de dentes e ouvidos, mau-estar geral e sinais de constipação ou gripe, a médica da casa, a minha mãe, sacava do Melhoral e este entrava em acção como remédio milagroso. Depois o cumprimento da famosa recomendação "avinha-te, abifa-te e abafa-te", completava o resto do tratamento.

Nessa altura as idas ao médico eram extremamente raras, apenas em casos graves e só ao fim de vários dias de tratamento infrutífero  a Melhoral. Para além das idas às vacinas, não me recordo de ir ao médico antes dos 16 anos. Com os meus sete irmãos foi mais ou menos igual.

Hoje em dia, ao mínimo sinal de tosse e febre, os pais vão a correr com os meninos para a urgência dos centros de Saúde e dos hospitais, mas no meu tempo de criança, o remédio era mesmo o Melhoral Infantil, uma versão menos potente e com o sabor a laranja. As respectivas pastilhas era mais pequenas e tinham uma cor alaranjada. É verdade que a princípio as pastilhas sabiam mesmo a laranja, mas se estivesse muito tempo na boca, à laia de rebuçado, o sabor tornava-se sintético e bastante amargo.

Pesquisado a origem das pastilhas Melhoral, os resultados não foram muito esclarecedores. Pelo que li, fiquei com a ideia de que existem vários fabricantes, mas, em verdade, desconheço qual a empresa detentora da marca.
No Brasil a mesma é produzida pela Dorsay Monange. Quanto ao Melhoral Infantil, em Espanha é produzido pela Sterling Health e no Brasil pela Sydney Ross. Pessoalmente, pelo que me recordo, a marca pertencerá à Sterling e em Portugal será fabricada pela Sterling Produtos Farmacêuticos Lda. Será que alguém dispõe de informações concretas quanto a este aspecto?

Independentemente da questão quanto à origem e propriedade da marca, a verdade é que as pastilhas Melhoral e Melhoral Infantil fazem parte das nossas memórias e ainda por cima daqueles piores momentos, associados à doença, mas mesmo reconhecendo que não fazia milagres, parecia, contudo, ser um remédio eficaz para aquelas situações ligeiras e que para as quais era recomendado. É assim justo que o Melhoral seja recordado como um dos companheiros dos nossos maus momentos infanto-juvenis.

9/20/2008

Coisas do antigamente - Sacos, sacas e cestas




Hoje em dia, uma rotineira ida às compras, seja ao mini-mercado da aldeia, seja ao supermercado, seja ao que se convencionou chamar de "grande-superfície", implica trazer para casa uma boa quantidade de sacos de plástico. Para além dos estritamente necessários, é frequente a regra de se pedir à menina da caixa uma molhada adicional de sacos, "para utilizar em casa".


É certo, que numa onda de preocupações relacionadas com o ambiente, há já locais de venda que cobram por cada saco utilizado, "obrigando" assim  a um aproveitamento racional de sacos de compras anteriores. Outros locais, usam sacos de papel, com nítidos benefícios ambientais. Ambas as situações, infelizmente, são ainda muito raras.
Pessoalmente estou em crer que neste aspecto algumas coisas tendem a mudar, mas nunca mais será como noutros tempos. Senão vejamos: Actualmente as pessoas vão às compras de mãos a abanar, isto é, sem recipientes onde acondicionar as compras. Estas entrem no carrinho, saem do carrinho e passam pela caixa, depois entrem em sacas de plástico, de novo para o carrinho e deste para o carrão, isto é, o automóvel. Em casa saem directamente para a despensa.

Como contraponto, noutros tempos, as mulheres da aldeia, onde quer que fossem às compras (e estas nem eram frequentes nem abundantes) levavam consigo um saco, de pano, quase sempre, de nylon, ou mesmo uma cesta ou cabaz de vime ou verga. Havia mesmo quem levasse à cabeça uma giga, daquelas tradicionais, muito utilizadas nas aldeias.
Por outro lado, hoje em dia todos os produtos são vendidos devidamente embalados. Mesmo os que tradicionalmente o não são, como a fruta e os legumes, uma vez seleccionados e pesados são logo acondicionados em sacas de plástico. Por cada produto uma embalagem que há-de ir para o lixo.
Pelo contrário, também noutros tempos, eram poucas as coisas que se compravam embaladas. Quase tudo se adquiria a granel, fosse na mercearia, fosse na drogaria, peixaria, talho ou até mesmo na farmácia.
Recordo que durante muito tempo, ainda em criança, a ida semanal às compras à mercearia da aldeia, era executada por mim e por um irmão mais velho. Recordo, pois, muito bem, que tudo o que comprava era vendido a granel, pesado e acondicionado em sacos de papel, em vários tamanhos de acordo com o que se pretendia. Era assim com o arrroz, com a massa, o feijão, o açúcar, a farinha, as bolachas, a manteiga, o queijo, a marmelada, as azeitonas, o café, etç, etç. Até mesmo os produtos líquidos, como o vinho, o azeite e o petróleo eram vendidos de forma avulsa, pelo que tinha que se ir prevenido com garrafas ou garrafões. Mesmo o chouriço, conservado em grandes latas com azeite, era vendido a granel e embrulhado em papel vegetal. Os papeleiros eram assim grandes fornecedores das mercearias, com papel, sacos (chamávamos de cartuchos) e saquetas. Havia cartuchos para quantidades de 1/4 de quilo, meio-quilo, um quilo, dois, cinco, etç. Para coisas pequenas, principalmente para azeitonas e amendoins, era tradicional elaborar-se com uma quadrado de papel uma saqueta em cone, tipo o actual corneto, o gelado da Olá.

Como se vê, outros tempos, outras condições. Tudo funcionava bem. Hoje em dia estes procedimentos e estas formas de vender são impensáveis. É certo que hoje em dia há uma melhor conservação dos alimentos, mais cuidados de higiene e um apertado controlo de qualidade. O que é certo, é que a forma de fabricar, produzir, armazenar e vender os produtos, implica o frequente recurso a produtos adicionais como conservantes, anti-oxidantes e outras mixórdias terminadas em "antes". Claro está, com nítido prejuízo da saúde das pessoas.

É fácil concluir que noutros tempos as coisas produziam-se para consumo imediato, principalmente os produtos perecíveis. Hoje, os mesmos produtos são feitos para duraram mais tempo, nos armazéns e nas prateleiras e poderem ser manuseados por milhares de mãos nos locais de exposição e venda. Até neste aspecto as coisas mudaram, pois hoje toda a gente pega, mexe, volta a pousar, volta a pegar e por aí fora. No antigamente não: Havia uma coisa chamada balcão, que limitava o espaço entre quem vendia e quem comprava. As coisas eram pedidas pelo nome e pelas quantidades desejáveis. Só depois é que eram aviadas. Com este processo, comprava-se o que se queria ou, quase sempre, o que se podia. Hoje, pelo contrário, as pessoas compram o que precisam, é certo,  mas muitas vezes o que não precisam e o que não podem comprar. É o consumismo, o apelo da imagem e do marketing no seu melhor.

Com tudo isto, é fácil perceber que hoje em dia há situações que se valorizaram para bem do consumo e do consumidor, nem poderia ser o contrário, mas muitos dos hábitos e procedimentos do antigamente perderam-se de forma irremediável e com eles muitos aspectos e valores positivos. O caso das embalagens é apenas um deles. Os restantes, as pessoas que, como eu, viveram esse período e o actual, facilmente aquilatarão.
Como remate final, posso afiançar que nessa altura da minha meninice, as famílias quase não produziam lixo. O plástico estava a aparecer mas era muito raro. As roupas eram remendadas e aproveitadas até à exaustão, pelo menos as de criança. Eram frequentes os remendos com grandes pedaços de pano de outra cor, nomeadamente as quadras na zona do traseiro e também na zona dos joelhos e cotovelos, onde se verificava maior desgaste. O mesmo acontecia com o calçado. As roupas, o calçado, os livros e muitas outras coisas transmitiam-se dos mais velhos para os mais novos. Mesmo o papel de jornal era aproveitado para diversas situações. As ferramentas, utensílios de uso diário e equipamentos eram reparados vezes sem conta. A comida, quase sempre escassa, era aproveitada ao máximo. Os restos, poucos, eram consumidos pelos animais, cães, gatos, galinhas, porcos ou vacas. Na aldeia quase toda a gente tinha este leque zoológico.
Nada era supérfluo pelo que tudo era aproveitado. Hoje em dia, algumas estatísticas apontam para uma produção de 150 quilos por mês por família. É muito lixo, como se compreenderá. É certo que se fala em reciclar, nos eco-pontos e outras coisas interessantes mas são apenas uma tentativa de minimizar o problema da sociedade actual que é a produção excessiva e desregulada de lixo.
Outros tempos, outros usos e costumes. Uns para melhor, outros para pior. É sempre assim.

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