Ilustração de Maria Keil - Do "Livro de leitura da primeira classe"
A Lusalite - Sociedade Portuguesa de Fibrocimento, S.A.R.L. foi fundada por 1933 pela Corporação Mercantil Portuguesa, L.da, do empresário Raúl Abecassis, com instalações na Cruz Quebrada - Algés no município de Oeiras.
O seu principal produto, que se tornou sinónimo do próprio nome da empresam eram as chapas onduladas em fibrocimento com aplicação em revestimentos de fachadas mas sobretudo de coberturas, em cuja composição entrava o amianto. Mas o leque de artigos fabricados pela Lusalite era naturalmente mais alargado, como tubagens para abastecimento de água e redes de esgotos, depósitos de água, etc.
O quase monopólio do fabrico e comercialiação dos produtos em fibrocimento era detido pela Lusalite e pela Cimianto, esta fundada em 1942. Neste contexto fundiram-se ambas as empresas em 1945 de que resultou a Novinco - Novas Indústrias de Materiais de Construção, S.A. com instalações em Leça do Balio. Pelo 25 de Abril de 1974 a Lusalite empregava perto de 800 funcionários o que atesta da sua importância.
Actualmente está comprovada a perigosidade para a saúde do amianto, com incidência cancerígena, e proibido pela União Europeia desde 2004. Esta decisão comunitária desferiu um rude e fatal golpe nesse material e foi inevitável o encerramento das empresas que dependiam da sua incorporação, como foi o caso da Lusalite e depois mesmo a Novinco, encerrada por insolvência em 2009, à qual anteriormente havia sido vendida a marca.
Apesar disso, e desse material já não ser fabricado nem utilizado e estarem a ser realizadas acções da sua remoção, sobretudo em edifícios públicos, num processo que as associações ambientalistas e de saúde dizem ser lento, a verdade é que ainda faz parte de muitos milhares de construções, incoproradas as placas da Lusalite sobretudo nas coberturas de edifícios de habitação, como fábricas e ainda em muitas escolas.
Em todo o caso, a Lusalite é uma das grandes marcas associadas à nossa memória colectiva e exemplo de que certos produtos ou conceitos tidos como quase milagrosos numa determinada época, acabam, como o tempo, por ser postos de lado, no caso por questões de saúde, mas tantas vezes por meras modas ou hábitos de consumo ou ainda por outros motivos menos sustentados.
Um destes dias, em férias, tive a oportunidade de visitar a fábrica de engarrafamento da clássica água Campilho, em Vidago, para além das instalações da fonte e da unidade original edificada no final do séc. XIX. Esta em estado de abandono e quase ruína. Felizmente, parece que há projecto para a sua requalificação em respeito pela traça original. A ver vamos e na esperança de que sim, pois importa que tão importante e histórico património da região e do país não seja desbaratado.
Quanto à agua da fonte Campilho, com excelente propriedades, ainda fora de certos circuitos comerciais, é das melhores que já provei das nossas águas naturalmente gaseificadas, mesmo daquelas que modernamente tendo sabores a frutos e limões, nunca se viu entrar nas suas instalações um quilo de tal frutaria. Nem sempre o que parece, ou sabe, é.
Cartaz publicitário - 1985 Sobre a marca: Quando pensamos na evolução da moda, o foco recai quase sempre nas silhuetas exteriores, nos ves...