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4/17/2026

7UP - Beber e arrotar

 

A história da 7UP, conforme registada pela marca em Portugal, revela um percurso de inovação que começou muito antes da sua chegada à Europa. Tudo teve início em 1929, em St. Louis, nos Estados Unidos, onde Charles Leiper Grigg dedicou dois anos a testar 11 fórmulas diferentes. O objetivo era combinar sete sabores naturais num refrigerante de lima-limão único, resultando na receita que, em 1933, adotou definitivamente o nome pelo qual a conhecemos hoje.

O crescimento da marca foi fulgurante, alcançando o pódio das bebidas mais consumidas no mundo já no final da década de 40. Mais tarde, nos anos 60, a 7UP pioneirizou o segmento de baixas calorias com o lançamento da sua versão "light" (originalmente chamada LIKE), que evoluiu para a atual 7UP Zero Açúcar. Em Portugal, a marca entrou oficialmente nos anos 70, conquistando rapidamente a liderança absoluta no segmento de lima-limão, posição que mantém até aos dias de hoje no mercado nacional.

A identidade da bebida ficou também marcada por ícones da cultura popular, com destaque para o licenciamento do boneco Fido Dido pela PepsiCo em 1988, que se tornou a mascote oficial e um símbolo de irreverência nos anos 90. Mais recentemente, em 2023, a 7UP renovou a sua imagem global, adotando um design mais dinâmico e atualizando a nomenclatura dos seus produtos, mas preservando o sabor cítrico e refrescante que a define há quase um século.

4/13/2026

Seara Nova - Revista


A revista "Seara Nova" foi fundada em Lisboa em 1921 por iniciativa de Raúl Proença e de um grupo de intelectuais republicanos. O primeiro número foi publicado a 15 de outubro de 1921, após um conjunto de reuniões preparatórias realizadas nesse ano.

Na sua fase inicial, a revista assumiu-se como uma publicação de “doutrina e crítica”, com objetivos pedagógicos e políticos, procurando aproximar a elite intelectual portuguesa da realidade social.

Após o golpe de 28 de maio de 1926 e durante a Ditadura Nacional e o Estado Novo, a Seara Nova tornou-se um dos principais órgãos de oposição democrática ao regime, apesar da censura e de dificuldades financeiras. Ao longo das décadas seguintes, desempenhou um papel relevante na resistência intelectual e na renovação do pensamento da esquerda portuguesa.

A revista manteve publicação relativamente regular até 1979, atingindo então os números 1598/1599. A partir desse ano passou a editar apenas um número anual para manter o título ativo, situação que se prolongou até 1985, quando regressou com uma nova série.

Posteriormente, retomou a publicação periódica, passando por diferentes fases e formatos, incluindo uma reorganização da numeração a partir de 2004.


4/06/2026

As Pupilas do Senhor Reitor

 


"As Pupilas do Senhor Reitor" - Um Clássico da Identidade Rural: 

Publicada originalmente em formato de folhetim em 1866, a obra "As Pupilas do Senhor Reitor", de Júlio Dinis, permanece como um dos marcos fundamentais da transição entre o romantismo e o realismo na literatura portuguesa. Ambientada numa aldeia minhota em meados do século XIX, a narrativa explora o contraste entre a simplicidade da vida rústica e as influências, por vezes desestruturantes, do meio urbano.

A história centra-se em duas irmãs órfãs, Margarida (Guida) e Clara, conhecidas como as "pupilas" por estarem sob a tutela e proteção do bondoso reitor da aldeia. A trama desenvolve-se através dos seus paralelos amorosos com os filhos do abastado lavrador José das Dornas: Pedro e Daniel.

Pedro e Clara: Representam a face mais impulsiva e, por vezes, frágil da juventude. Pedro é um homem do campo, trabalhador e sério, enquanto Clara é descrita como alegre e despreocupada, vivendo intensamente o presente sem medir consequências.

Daniel e Margarida: Daniel personifica o conflito entre a cidade e a aldeia. Após anos a estudar Medicina no Porto, regressa à terra natal com a arrogância de quem se sente superior ao meio rural, negligenciando a promessa de infância feita a Margarida. Esta última, por sua vez, simboliza a virtude e a abnegação, actuando como professora e mantendo-se fiel aos seus princípios.

O romance é célebre pela sua capacidade de retratar o quotidiano de uma comunidade portuguesa oitocentista, povoada por figuras memoráveis como o excêntrico e tradicionalista Dr. João Semana. Através do desenrolar dos conflitos amorosos e sociais, Júlio Dinis defende a ideia da "regeneração pelo amor" e a harmonia dos valores tradicionais face à modernidade.

Dada a sua riqueza descritiva e popularidade, a obra foi alvo de diversas adaptações, incluindo a versão cinematográfica de 1960 realizada por Perdigão Queiroga,  cujo cartaz, acima, ilustra a estética da época e o impacto duradouro desta história no imaginário nacional.

A obra foi ainda motivo para duas telenovelas brasileiras, uma de 1970 e outra de 1994.

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