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Tabuada - A escola dos nossos dias

tabuada santa nostalgia

Hoje em dia a escola anda pelas ruas da amargura. São temas da actualidade a revolta dos professores, face a questões como a avaliação dos próprios, e a indisciplina nas salas de aulas, despoletadas pelo caso do vídeo no YouTube de uma cena entre aluna e professora, na Escola Carolina Michaelis, no Porto.
Noutros tempos, ditos da "velha senhora", criticava-se o sistema, entre outros males, pela falta de liberdade. Certo é que pelo menos indisciplina era coisa que não havia. Os alunos, de qualquer classe, conheciam o sentido do respeito e educação, principalmente pelos professores, mas também pelos colegas. Quando o não praticavam umas valentes palmadas e reguadas ajudavam a esclarecer os deveres do respeito e do cumprimento e hoje admitimos que todas foram bem merecidas.
Na minha escola primária, não havia pessoal auxiliar e todos os trabalhos de limpeza, no interior e exterior da escola eram realizados pelos alunos, com eficência e alegria. Havia tempo para tudo, até porque havia escola ao Sábado de manhã.
Para além de todas as recordações relacionadas com a escola primária, a tabuada vem de imediato à memória, ou não fosse ela a sustentação da aprendizagem da ciência dos números, das contas e da aritmética em geral. Quase todos a sabiam na ponta da língua, de cor-e-salteado, como se diz, da frente para trás e de trás para a frente. 2 vezes 1, dois; dois vezes dois, quatro; dois vezes trê, seis...
Hoje em dia é notória a dificuldade de qualquer aluno do 5º ou 6º ano, e por aí fora, saber devidamente a tabuada. A utilização da calculadora generalizou-se, sendo até obrigatória em certos anos da escolaridade, mas demonstra a diferença entre o ensino actual e o de há 30 anos.
Sem dúvida que os tempos são outros, os recursos e os métodos também, mas neste aspecto particular ninguém questiona que hoje em dia um aluno do 9º ano tem notoriamente menos conhecimentos do que um aluno da antiga quarta classe, mesmo sem frequentar a pré-escola.
Sinais dos tempos, onde a liberdade impera sobre a disciplina e o sentido do dever. Quando assim é....

Comentários

  1. Anónimo19:59

    Concordo plenamente consigo, tenho uma irmã mais nova que eu 14 anos, tem uma licenciatura em Inglês e literatura Moderna e por incrível que pareça não sabe a tabuada, dos 7,8 e 9. E assume isso como se fosse a coisa mais natural do mundo.
    Confesso que tive algumas dificuldades a prender a tabuada do 6 para cima. Mas esforcei-me imenso e sozinha em casa, por minha autoria fazia cada uma delas 5 vezes todos os dias até as dominar completamente. porque as réguadas e as orelhas de burro, eram castigos que eu não almejava. Tinha muito orgulho em conseguir bons resultados, fosse em que matéria fosse.

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  2. nossa !!!! que dificuldade tive para que me entre a tabuada do 6/7/8 ai ai ai !!!! quantos bolos levei nas maos para que me entrassem na cabeça !!! por fim consegui na segunda classe foi mais façil de compriender adorava a escola mesmo si era longe de minha morada , ia sozinha com minhas visinhas e colegas era uma alegria , nao avia pais nem maes para nos levarem a escola e quando os professores nos batiao era melhor nem dizer aos nossos pais ! pois para eles eram os professores que sempre tinhao razao. E deviamos os escutar. Adoraria voltar de novo a escola mais so como quando era criança ! numa escola com duas classes diferentes na mesma aula com a mesma professora , o recreio num torrero tao pequenininho ! como seria bom voltar aquele tempo

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