Avançar para o conteúdo principal

Kalar - Banda Desenhada - Revista "O Falcão"


o falcao n1

"O Falcão" Capa da edição N.º 1, 1ª Série, publicado em 18-12-1958

kalar tigre_02

kalar falcao 476_02

kalar int 1

kalar int 3

kalar int 2

kalar int 6

Como aconteceu com muitos colegas da minha geração, o meu gosto e a paixão pela Banda Desenhada surgiram logo nos primeiros anos da escola primária, fortalecendo-se nos anos seguintes e hoje, embora com outra maturidade, a sétima arte continua a exercer o mesmo fascínio. Assim, desde cedo entrei no universo dos heróis e das suas fantásticas aventuras, embora, como seria natural, com preferências bem definidas, quer quanto ao género, quer quanto ao herói e mesmo considerando os respectivos criadores.

Neste contexto, para quem tomou conhecimento com a Banda Desenhada a partir dos anos 60 e 70, conhece perfeitamente a revista juvenil "O Falcão", de tiragem semanal, hoje extinta, mas que durante muitos anos fez a delícia de todos os entusiastas das aventuras desenhadas, dos seus heróis, cenários e personagens. A par da revista Mundo de Aventuras, será talvez a edição mais conhecida e popular  de todas quanto se publicaram entre nós.

A revista foi quase sempre semanal mas também quinzenal e até mensal. Foi publicada em 3 séries, a primeira com 82 números (formato maior e com várias histórias em continuação), a segunda (formato bolso) com 1286 e a terceira, mais recente, com apenas 25 números.
Em cada edição (a partir da 2ª série) era publicada uma aventura de um determinado herói, por isso alguns ganhavam certa preferência junto dos leitores. No meu caso, sempre preferi as aventuras de Kalar, Ogan (o Viking), Sandor (o corsário) e Oliver (Robin dos Bosques). Mas muitos outros herois eram os preferidos de outros colegas, nomeadamente o muito conhecido Major Alvega (intérpido piloto da RAF) um dos mais representados na colecção), ENE 3, Arizona Jim, Caribú, Dogfight Dixon, Jim Canadá, Texas Kid e outros mais. Todas as histórias eram provenientes de diversas editoras europeias.

Do leque dos meus preferidos, hoje destaco o herói Kalar: Kalar é uma criação do mestre espanhol Tomas Marco Nadal (Marco, como nome artístico), catalão, nascido em 1929 e falecido em 2000. Marco é um dos nomes grandes da Banda Desenhada europeia e espanhola, tendo produzido sobretudo em França, onde nasceu Kalar. A sua obra é de profunda qualidade, muito vasta e o herói da selva é apenas parte dela.
Kalar começa com a a queda na selva de um avião, onde seguia um playboy milionário, Jean Calard. O avião não resistiu à tempestade que sobre ele se abateu mas Calard sobrevive. Encontra então o pigmeu Bongo, que traduz à sua maneira o nome para Kalar. Kalar rapidamente se sente atraído pela selva e por lá fica, aprendendo os seus segredos.
Kalar tem muito do herói Tarzan, nomeadamente na sua relação com a selva, os seus habitantes e toda a envolvência humana, mas mais modernizado, sempre com a sua farda de explorador tropical, com a sua espingarda e o seu jipe. Kalar tem em muitos animais grandes amigos que o ajudam em muitas das aventuras, principalmente o inseparável chimpanzé Gib e o leão Simba. Kalar também tem a sua amiga e namorada, a bela Pamela, que faz papel de médica e que é figura muito regular nas suas aventuras. O cenário de Kalar localiza-se nas frondosas selvas do Quénia, na África.

Kalar destaca-se essencialmente pelo rigor do seu desenho, o que não é muito comum na revista "O Falcão", quase sempre com arte de pouca qualidade. Marco desenvolve páginas de um rico pormenor e valor estético, com uma profunda textura, quer ao  nível da representação humana mas principalamente da fauna e cenários da selva. Cada página está sempre povoada de animais e impregnada da densidade da paisagem tropical africana. São famosos os seus desenhos de vários animais da série, que, inclusive, deram lugar a obras complementares, designadas de O Bestiário, publicadas em francês e em espanhol.
Por tudo isto, sabe sempre bem retirar da estante um dos diversos exemplares de "O Falcão" onde Kalar nos dá a conhecer mais uma aventura. Kalar, no entanto, foi publicado em outras colecções, nomeadamente a "Tigre", de formato idêntico à revista de "O Falcão" e também na Kuandor.

Comentários

  1. Anónimo14:27

    Meu Deus... os anos que este herói Kalar já leva...! Não sei o que dava por uma colectânea das aventuras dele.

    Fantásticas memórias me trouxe, caro Amigo!

    Ricardo Abreu

    ResponderEliminar
  2. Anónimo21:08

    Também gosto muito da BD do Kalar - Falcão. Falta-me o nº755, para completar todos os livros do Kalar-Falcão.

    ResponderEliminar
  3. Anónimo18:42

    O Kalar também foi publicado na coleção Condor.

    ResponderEliminar
  4. Adorava tudo o que fosse banda desenhada, além destes heróis, recordo uma série, julgo, sem certeza, que era nos livros "mundo de aventuras" protagonizado por três amigos, que andavam num sidecar, o condutor que já não recordo, um negro gordinho que andava sempre com um despertador ao pescoço e outra personagem que também não recordo, alguém se lebra do nome, já pesquisei mas não encontro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro visitante, cumprimentos.
      Certamente que a sua questão tem resposta no herói Zembla. De resto já falado por aqui.

      http://www.santanostalgia.com/2008/08/zembla-o-heri-da-selva-de-karundan.html

      Ab.
      SN

      Eliminar

Enviar um comentário

Os comentários estão sujeitos à prévia aprovação por parte do autor do blog.Comente em contexto e de forma respeitosa.

Mensagens Populares

Livrinho da Tabuada

Já aqui tinha falado da Tabuada , que tão diligentemente aprendíamos na escola primária. Pois bem, hoje dou a conhecer mais um dos livrinhos onde se aprendia a mesma Tabuada. Para além das tabuadas propriamente ditas (somar, diminuir, multiplicar e dividir), este livrinho incluía a numeração, números cardinais, numeração romana e ainda trazia noções sobre as diversas operações aritméticas, incluindo os números decimais, números fraccionários, noções de moeda, sistema métrico, medidas de comprimento, de capacidade, massa ou peso, superfície, agrárias, volumes e ainda equivalências.  Até mesmo medidas de lenha, como a Decaster, a Ester e Decister. Um pequeno grande livro onde estava toda a base de um bom aluno em aritmética. No meu tempo da escola primária, estas eram coisas que tinham que estar sempre na "ponta-da-língua". Será ainda assim actualmente?

Memórias revisitadas - Séries TV

Séries TV - Memórias por aqui publicadas: A abelha Maia AFamília Bellamy A família Boussardel - Les Boussardel A Flecha Negra - La Freccia Nera A hora de Alfred Hithcock A ilha da fantasia A Pedra Branca - Série TV A rapariga que sabia de mais Abbott and Costello Adeus Meus Quinze Anos – Série TV ALF – Uma coisa do outro mundo Allo! Allo! A Morgadinha dos Canaviais Ana e o Rei – Série TV Arthur and the Square Knights of the Round As aventuras de Flash Gordon As aventuras de Robin Hood As fábulas da floresta verde As Solteironas – Série TV As Trapalhadas de Robin dos Bosques – Série TV Automan – O Homem Automático Bana e Flapi Banacek Baretta Barbapapa – Uma família colorida e maleável Blackadder Bonanza Bozo, o palhaço mais famoso do mundo Calimero - É uma injustiça, não é? Candy Candy – Um vale de lágrimas Charlie's Angels - Os Anjos de Charlie Chefe, mas Pouco - Who´s the Boss Colditz Crime, disse ela...

Mapa administrativo de Portugal

Quem não se recorda dos antigos mapas de parede que existiam nas nossas escolas primárias, tanto o de Portugal como o dos arquipélagos da Madeira e Açores e ainda de todas as províncias ultramarinas, como Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Ango, Moçambique, Índia Portuguesa (Goa, Damão e Diu) e finalmente o longínquo Timor? Quanto de nós nessa altura não fomos chamados ao quadro para indicar cidades, capitais, províncias, rios, serras e caminhos de ferro? É certo que à conta de tanta disciplina e método, nessa altura aprendia-se mesmo, pelo que a História e Geografia tinham que estar na ponta da língua, ou seja, de cor-e-salteado, mas por vezes lá surgia a confusão: O rio Limpopo seria de Angola ou Moçambique? E o rio Cunene ? E o Kuanza ? Com esta santa nostalgia, hoje publico um desses mapas, o do Portugal Administrativo, retirado de um dos meus antigos livros escolares, com a indicação das províncias, as capitais de distrito, os rios, as serras e os caminhos d...