Avançar para o conteúdo principal

Colecção 6 Balas – Cow-Boy – Fúria dos Bravos – Gatilho - Livrinhos de cowboyadas

 

6 balas santas nostalgia 01

Quem não se recorda dos míticos livrinhos de leitura de histórias de cowboys? Das várias colecções que foram existindo, nomeadamente nos anos 60, 70 e 80, destaco a colecção “6 Balas”, uma edição da Agência Portuguesa de Revistas”, cujo primeiro número foi publicado no final do ano de 1963. Estes livrinhos apresentavam um formato de 85 x 125 mm, com 64 páginas e com meia dúzia de desenhos salteados pelo meio, quase sempre com uma legenda que remetia para uma determinada cena da história.

Antes, porém, desta mítica colecção de livrinhos, a Agência Portuguesa de Revistas, tinha lançado em final de 1961 a colecção “Cow-Boy”. O êxito destas edições levou ao lançamento, em 1965, de uma terceira colecção, a “Fúria de Bravos” e ainda a colecção “Gatilho”, lançada em 1967, ambas com o mesmo formato, estilo e filosofia. Todas estas colecções eram de edição semanal. Desconheço em concreto a data do final destas colecções, mas pelo menos a “Cow-Boy” e a “6 Balas” foram publicadas até meados dos anos 80, portanto até quase ao final da actividade da célebre e histórica editora portuguesa, em 1987.

As histórias publicadas nestes livrinhos nem sempre tinham muita qualidade, até pelo formato que não dava para grandes enredos e desenvolvimentos. Todavia, talvez pela simplicidade, as histórias liam-se de modo relativamente rápido e até conseguiam algum suspense e prender a atenção do leitor.

Sinceramente, pela leitura de ambas, nunca cheguei a perceber em concreto as diferenças das diversas colecções.

Como curiosidade, diga-se que as colecções da Agência reproduziram em determinada altura cromos de algumas colecções também por si editadas. Por exemplo, a colecção “Cow-Boy” e “Gatilho”, chegaram a publicar cromos da colecção “História de Portugal”, desenhados por Carlos Alberto Silva. A colecção “6 Balas” publicou cromos da colecção “Cleópatra” e a “Fúria de Bravos” reproduziu cromos da bela colecção “História de Lisboa”.

Este expediente, que teve seguidores futuros em diversas revistas de banda desenhada, acabou por não resultar muito bem já que poucos coleccionadores queriam destruir as capas dos livrinhos para delas extraír os cromos. Mas pronto, poderia também funcionar como um incentivo à colecção pela via normal, comprando-se os envelopres surpresa contendo os cromos.

Para além das mencionadas edições da Agência Portuguesa de Revistas, existiam outras no mercado de leitura do tema de cowboyadas. Por exemplo, a colecção “Curral”, lançada em 1979, de tiragem quinzenal, com direcção e propriedade de M.E. Alves da Graça. O formato era semelhante às edições da Agência Portuguesa de Revistas, mas um pouco mais alto (85 x 145 mm), com 80 páginas e sem desenhos interiores. 

Com o mesmo formato e filosofia, existia ainda a colecção “Shane”, de edição mensal, com direcção e propriedade de M.A. Duarte. Pelas características semelhantes, e até pela mesma empresa de composição e impressão, suponho que ambas as colecção fossem de uma única origem apesar de proprietários com nomes diferentes. Estas duas colecções indicavam nas capas os autores dos textos. 

Nas outras colecções da APR os autores eram indicados no interior, habitualmente na primeira página, junto à ficha técnica. Pela ausência de data, não consegui apurar a simultaneidade das edições pelo que, à falta de melhor informação, poderá ter algum fundamento pensar-se que a “Shane” pode ter sido uma evolução da “Curral” para edição mensal. É apenas uma suspeição que para o caso nem é importante.

Seja como for, todas estas histórias eram típicas do western americano, com todos os clichés do tema, desde pistoleiros, lutas, duelos, vinganças, ranchos, cidades, amores e desamores, heróis e vilões. Importa referir que norma geral os leitores deste tipo de histórias eram também consumidores de Banda Desenhada na mesma temática, como era o meu caso.

Recordo-me de no barbeiro da aldeia existirem montões destes livrinhos da “6 Balas” e “Cow-Boy” pelo que ajudavam a passar o tempo quando havia que guardar vez. Actualmente disponho de alguns exemplares de ambas as colecções. Em nome da verdade, alguns foram “desviados” da barbearia, por vezes dispersos entre montões de cabelo e piolhos. Bons tempos!

6 balas anuncio

6 balas santas nostalgia 02

6 balas santas nostalgia 03

6 balas santas nostalgia 04

cowboy santa nostalgia 01

furia dos bravos santa nostalgia 01

gatilho santa nostalgia 01

shane santa nostalgia 01

shane santa nostalgia 02

curral santa nostalgia 01

curral santa nostalgia 02

6 balas santas nostalgia 05

6 balas santas nostalgia 06

Comentários

  1. Anónimo16:52

    Sobre seudónimos tipo- Lee Heldon.....¿Se escondería el nombre del prolífico Marcial Lafuente Estefanía?

    ResponderEliminar
  2. E a colecção "Condor"?
    De formato bem pequeno, mas recheado de aventuras gostosas...

    ResponderEliminar
  3. A.Pedro,
    sim é verdade.
    Li muitos dessa colecção. Ainda devem andar alguns pelo sótão.

    ResponderEliminar
  4. Cara,. adorei encontrar este blog...fui leitor assíduo de 6 balas...na minha infância, lá no Ultramar (Angola)e nunca esqueci-me disso, saudades desse tempo.

    ResponderEliminar
  5. Anónimo23:19

    Adorei tais livros e gosto de os reler, embora já saiba o seu final; por isso os procuro.

    ResponderEliminar
  6. Anónimo06:35

    Por mera curiosidade pesquisei na net sobre estas colecções e fui remetido a esta página. Foi sensasional recorder estes pequenos livros que me fizeram companhia na decada de 80. irei vasculhar por cá (Moçambique) se ainda pode ser possível recuperar alguns livros, pois estes eram trocados em tabacarias...

    Mula

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boas caro amigo, (passando a publicidade) no TralhasVarias (http://tralhasvarias.blogspot.com) podes encontrar alguns numeros destas coleccoes para ler em Tablet....

      Boas leituras,
      Gizmo

      Eliminar
  7. sim,quando eu era rapaz tinha dezenas destes livrihnos,nao os pude trazer para o us,gostaria de os encontrar outravez,se ainda for possivel.

    ResponderEliminar
  8. Agora você poderá ver o video destes pequenos livros no canal do youtube:
    "GIBIS_antigos_em_videos"
    no canal é só procurar a playlist:
    "GIBI de bolso"
    TEM VÁRIOS

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Os comentários estão sujeitos à prévia aprovação por parte do autor do blog.Comente em contexto e de forma respeitosa.

Mensagens Populares

Livrinho da Tabuada

Já aqui tinha falado da Tabuada , que tão diligentemente aprendíamos na escola primária. Pois bem, hoje dou a conhecer mais um dos livrinhos onde se aprendia a mesma Tabuada. Para além das tabuadas propriamente ditas (somar, diminuir, multiplicar e dividir), este livrinho incluía a numeração, números cardinais, numeração romana e ainda trazia noções sobre as diversas operações aritméticas, incluindo os números decimais, números fraccionários, noções de moeda, sistema métrico, medidas de comprimento, de capacidade, massa ou peso, superfície, agrárias, volumes e ainda equivalências.  Até mesmo medidas de lenha, como a Decaster, a Ester e Decister. Um pequeno grande livro onde estava toda a base de um bom aluno em aritmética. No meu tempo da escola primária, estas eram coisas que tinham que estar sempre na "ponta-da-língua". Será ainda assim actualmente?

Memórias revisitadas - Séries TV

Séries TV - Memórias por aqui publicadas: A abelha Maia AFamília Bellamy A família Boussardel - Les Boussardel A Flecha Negra - La Freccia Nera A hora de Alfred Hithcock A ilha da fantasia A Pedra Branca - Série TV A rapariga que sabia de mais Abbott and Costello Adeus Meus Quinze Anos – Série TV ALF – Uma coisa do outro mundo Allo! Allo! A Morgadinha dos Canaviais Ana e o Rei – Série TV Arthur and the Square Knights of the Round As aventuras de Flash Gordon As aventuras de Robin Hood As fábulas da floresta verde As Solteironas – Série TV As Trapalhadas de Robin dos Bosques – Série TV Automan – O Homem Automático Bana e Flapi Banacek Baretta Barbapapa – Uma família colorida e maleável Blackadder Bonanza Bozo, o palhaço mais famoso do mundo Calimero - É uma injustiça, não é? Candy Candy – Um vale de lágrimas Charlie's Angels - Os Anjos de Charlie Chefe, mas Pouco - Who´s the Boss Colditz Crime, disse ela...

Mapa administrativo de Portugal

Quem não se recorda dos antigos mapas de parede que existiam nas nossas escolas primárias, tanto o de Portugal como o dos arquipélagos da Madeira e Açores e ainda de todas as províncias ultramarinas, como Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Ango, Moçambique, Índia Portuguesa (Goa, Damão e Diu) e finalmente o longínquo Timor? Quanto de nós nessa altura não fomos chamados ao quadro para indicar cidades, capitais, províncias, rios, serras e caminhos de ferro? É certo que à conta de tanta disciplina e método, nessa altura aprendia-se mesmo, pelo que a História e Geografia tinham que estar na ponta da língua, ou seja, de cor-e-salteado, mas por vezes lá surgia a confusão: O rio Limpopo seria de Angola ou Moçambique? E o rio Cunene ? E o Kuanza ? Com esta santa nostalgia, hoje publico um desses mapas, o do Portugal Administrativo, retirado de um dos meus antigos livros escolares, com a indicação das províncias, as capitais de distrito, os rios, as serras e os caminhos d...