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O papel-de-lustro

 

O papel-de-lustro, essas follhas delicadas com cores brilhantes e garridas, fazem parte do imaginário do meu tempo de escola primária, nomeadamente na quarta classe onde se realizavam alguns trabalhos manuais, hoje dito manualidades.

No meu tempo, o exame da quarta classe constava de uma componente escrita (durante a manhã) e outra oral (da parte da tarde) e era realizado perante um colectivo de dois ou três professores, numa aldeia próxima, pelo que implicava uma jornada especial para as crianças, que quase sempre estranhavam a mudança de ares e, diga-se de responsabilidades. Nessa altura, também se acrescente, o exame da quarta era uma coisa a sério e não estou a ver que hoje em dia um mísero 9º ano (que agora se atribui às carradas a troco da narrativa de uma experiência de vida) chegue aos calcanhares dos conhecimentos então adquiridos com a 4ª classe da escola primária.


Ora uma das obrigações do exame era apresentar ao júri um determinado trabalho manual e aqui o uso do papel-de-lustro era um material a considerar embora ao nível do exame fosse de esperar algo mais substancial e não apenas recortes, colagens e dobragens (com o clássico vira-vento ou barquinho).


Hoje, por um acaso, ao comprar alguns materias de papelaria, dei de caras com o papel-de-lustro e não deixei de ficar surprendido que ainda se fabrique (pela Ambar) e use. Os tempos conduzem à utilização de ferramentas electrónicas nas escolas pelo que não deixa de ser quase anacrónico que o papel-de-lustro sobreviva, embora certamente com menos importância, digo eu. Julgo que se usa sobretudo ao nível da Pré-Primária.

papel de lustro sn_12092010_01

- Papel recortado sob papel de lustro

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- Trabalho com papel de lustro recortado

papel de lustro sn_12092010

- O meu papel de lustro, ainda fresco

 

- Tópico relacionado (ou não):

Rendas de papel

Comentários

  1. Que memoria tao simpatica...!
    Muito obrigada.

    Sonia Luisa

    ResponderEliminar
  2. Anónimo18:21

    Para o exame da 4ª classe em 1971, levei um trabalho manual que já tinha iniciado com a minha professora. No fundo era um suporte para tachos, feito com caricas, furadas no meio, com um prego. Ficava assim um orifico no meio de cada carica. depois com uma agulha de crochet prenchia as caricas com ráfia roxa, passando pelo centro. eram depois unidas umas às outras. Formando um grande cacho de uvas. Terminava com duas folhas enormes (parras verdes) também feitas de ráfia em crochet. Lembro-me do juri, ter achado o trabalho muito original. A minha professora era fã do crochet. Aprendi com ela e as 8 anos fiz o primeiro jogo de naperons para o meu enxoval. Ainda lá anda em casa como recordação

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