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Crise? Qual crise?

 

Os tempos são de crise!
Dizem-nos todos os dias e os cortes nas depesas e o aumento impiedoso dos impostos reiteram esta realidade. As empresas encerram e engrossa o número de desempregados.


Todavia, desconfia-se que as pessoas, os portugueses, claro está, ainda não adequaram o seu comportamento à crise pelo que o anúncio da mesma em certo sentido torna-se ridículo.


Vejamos: Apesar de dizerem que o consumo baixou, por estes tempos os restaurantes e os bares estão repletos, as estradas pejadas de automóveis e os centros comerciais inundados de gente. Continua-se a ir de férias para o Algarve ou para o estrangeiro. Os hotéis não se têm queixado.


Mesmo os vários festivais de Verão, um pouco por todo o país, abarrotaram de gente mais nova. Ora sendo que o grosso dos jovens é da classe estudante, pergunta-se de onde virá o dinheiro para suportar tanta farra? Mesmo admitindo que dormem ao relento, onde vem o dinheiro para os transportes, para os telélés, para as muitas bejecas, para a comida, para os bilhetes? Muitos deles no desemprego e outros sem receitas porque estudam, quiçá recorrendo a bolsas de estudo (estas cada vez mais magras), de onde virá o dinheiro? Dos papás? Do céu?


Não, meus senhores, a crise, por enquanto ainda não se faz sentir e por isso quase todos ainda gozam à grande e à francesa.
É possível que a crise ainda esteja nos preliminares mas não tardará a ejaculação e então depois é que o país, terminado o êxtase, cairá em si.


Crise? Qual crise?

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