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Deixa arder!

 

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Todos os anos, em todos os verões, Portugal arde, numa rotina tão normal e tão expectável como quem depois de uma noite espera o nascer do sol.


Não é preciso ser-se bruxo para se constatar que pelo menos nove em cada dez incêndios serão de origem criminosa, desde motivos fúteis e de vinganças mesquinhas até aos de interesse económico, em que até a malta que tem interesse no negócio do combate por meios aéreos é frequentemente tida como suspeita. Afinal ninguém ganha com as asas em terra.

Sabe-se que todos os anos são detidos e interrogados suspeitos, mas ninguém saberá ao certo quantos estarão detidos com aplicação de penas efectivas. Sabe-se que dizem que a maior parte dos autores, muitos confessos, uns serão bêbados, outros tolos, outros coitadinhos. Ainda nesta semana foram apanhados vários menores, gandulões com pouco menos de 16 anos e como tal ininputáveis, malta que não pode ser detida. Também dizem que muitos dos apanhados são reincidentes (…olha a novidade!).


Está tudo dito: Num país em que é politicamente incorrecto tratar certos males pela raíz, de chamar os bois pelos nomes, constatamos que esse mesmo país vai ardendo numa destruição de vidas e bens, incendiado por ininputáveis, bêbados, drogados, tolos e afins; afinal um circo de criaturas parecidas com quem nos (des)governa. O resto é a conversa surda do costume e que dura há décadas: Que não há verbas, que não há política florestal, que não há legislação capaz, incluindo a penal, que não há vigilância e prevenção efectivas, que todos querem mandar e ninguém manda,, que se combate de forma descoordenada, etc, etc.


Perante isto, apetece dizer: Deixa arder! The show must go on!

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