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25 de Abril - Comunidades Portuguesas





Passados alguns poucos meses e e assente algum pó após a revolução de 25 de Abril de 1974, em 21 de Outubro de 1974 a Secretaria de Estado da Emigração lança a revista "25 de Abril - Comunidades Portuguesas". Tinha definida uma periodicidade mensal mas ao longo dos seus 44 números, até Fevereiro de 1980, várias edições  abarcaram dois meses. Teve como directores Amândio da Conceição Silva, José Cardoso e Manuel Árias. Graficamente a revista teve três diferentes séries.

O objectivo dessa publicação está expressa no editorial que abaixo se transcreve. Percebe-se pela sua leitura e análise que o conteúdo reflectia o momento político e de um modo geral tinha uma orientação muito marcadamente de esquerda. Veja-se, como exemplo, a imagem acima com a capa alusiva a eleições livres em que o símbolo do PCP aparece sobre os demais. Sendo direccionada à comunidade emigrante, era por conseguinte distribuída em alguns países europeus, nomeadamente na França, mas em rigor desconhecemos o alcance da publicação e do seu êxito ou importância. Em rigor, apesar dessas boas intenções e paninhos quentes para com a nossa comunidade, a verdade é que no geral este pouco ou nada pode contar com o Governo central, de resto durante toda essa década, muito instável com sucessivas formações.. Não havia, pois, tempo e condições políticas e de estabilidade para grandes acções incluindo as relacionadas à comunidade emigrante. Sinais dos tempos.

De entre os vários objectivos da Secretaria de Estado da Emigração, um dos mais importantes é, sem dúvida, a correcta informação da realidade portuguesa ao Emigrante afastado do cenário central da evolução sucio-política. Num processo que se pretende de radical transformação. porque democrática tal preocupação afigura-se-nos salutar e indispensável. Salutar, porque nas comprometemos a falar o que é e não o que convém, sem mascarar as deficiências tanto da evolução política em geral como do nosso trabalho em particular. Indispensável, porque se deseja e se garante uma participação efectiva do Emigrante, o principal protagonista. e o mais importante, desta mensagem-diálogo que pretende uma conjugação de esforços, cada mês mais ampla, cada mês  mais mais efectiva. 

«25 de Abril» é o nome da vossa revista. 25 de Abril é o simbolo de tudo o que se fizer de novo em Portugal. Para além do símbolo, o 25 de Abril é uma data E também um movimento. Na data, a esperança de que a revolução democrática estava começando. No movimento, a responsabilidade de que a revolução democrática não pode parar. Mesmo que a esperança não haja sido de todos, foi com certeza do Emigrante. Mesmo que nem todos queiram ou possam assumir a responsabilidade, o Emigrante quer, pode e deve assumi-la para que, pelo menos, o seu filho possa viver em Portugal. O Emigrante merece na sua revista o titulo-símbolo de uma data-movimenta marco importante. e lutemos para que decisivo, da História de Portugal. 

O Emigrante, sofrido, desrespeitado, explorado, tem todo o direito de esperar muito do Governo Provisório, mas não pode esquecer as limitações de sua potencialidade, por contingências de um período de transição, provisório que é no nome, na acção e no tempo. Agora, se o Governo Provisório, por honestidade, é forçado a dizer ao Emigrante «Tens de ficar no estrangeiro. Não te podemos ainda dar emprego em Portugal, deve pelo menos, e já, assegurar que o Emigrante seja menos sofrido e nunca desrespeitado ou explorado. No entanto, o Emigrante tem um papel decisivo para que o Governo Provisório através principalmente da Secretaria de Estado da Emigração e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o ajude a garantir um menor sofrimento, um completo respeito e a morte da exploração. O saneamento dos fascistas, dos corruptos. dos incompetentes. dos exploradores, que grassam no estrangeiro em toda uma máquina repressiva ainda em grande parte por desmantelar. é também obra do Emigrante. Mas por ser obra, tem de ser séria e responsável. justa e eficaz. Não será dada guarida, nem encaminhada, qualquer denúncia que não esteja devidamente caracterizada e assinada, que não seja, pois, compatível com o objectivo fundamental a democratização e, como consequência, a verdade, a dignidade e a liberdade como conquista dos trabalhadores portugueses, unidos dentro e fora do Pais.

[imagens: Hemeroteca de Lisboa] 

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