10/21/2008

O Livro da Segunda Classe - Edição de 1958

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Hoje trazemos à memória mais um livro de leitura do ensino primário. Trata-se de um dos populares livros únicos, dos anos 50, edição do Ministério da Educação Nacional, designado de "O Livro da Segunda Classe".

Esta versão aqui retratada refere-se à 6ª edição, impressa em 1958, pela Livraria Bertrand.
Este livro durante muitos anos fez equipa com outros populares livros únicos, alguns já aqui recordados, como "O Livro da Primeira Classe" e o "Livro de Leitura da 3ª Classe", ambos dos anos 50 e que perdurariam durante os anos 60 como livros de referência para tantos alunos portugueses dessas décadas, em pleno Estado Novo.

Tal como os seus companheiros editoriais, este livro é muito bonito, com belas e coloridas ilustrações, contendo leituras várias já adequadas à classe a que se refere e ainda com ensinamentos sobre doutrina cristã e aritmética. Por conseguinte era um livro que servia três propósitos importantes do ensino da altura.

As leituras estão impregnadas de ensinamentos e fundamentos no amor e respeito por Deus, pela família, de modo especial pelos pais e irmãos, pela Pátria bem como pelos usos, costumes e tradições, não esquecendo a terra e os animais. Hoje é uma trilogia abandonada dos manuais escolares e do ensino em geral. O que se tem ganho em liberdades e laicismo perdeu-se em valores morais e hoje o ensino é que se sabe, com muita parra e pouca uva. A sociedade, entregue aos excessos de liberdade, entrou há muito numa espiral de violência, insegurança e desrespeito geral pelo próximo. As coisas não estão para melhorar.

Para além de considerações sobre os aspectos positivos do ensino de então, comparativamente ao actual, não há dúvida que se deduz facilmente que os conteúdos presentes neste livro da segunda classe, hoje apenas se encontram ao nível de um 5º ou 6º anos. Este facto por si só já ilustra algumas diferenças substanciais do ensino ministrado em duas épocas tão diferencias da nossa sociedade. Antes o rigor, a disciplina e a exigência. Hoje, o facilitismo, o deixa-andar e a incompetência e por conseguinte, maus resultados e insucesso.

Para todos, e foram muitos, quantos aprenderam a partir deste belo livro escolar, aqui ficam algumas das suas inesquecíveis páginas, onde cada uma, estou certo, representa um naco de saudades e avivar de memórias arrancadas um dos tempos mais belos da nossa vida: A infância.

(Nota posterior - 18/06/2012): Aquando da publicação do artigo original, porque sem assinatura, desconhecia a autoria das ilustrações. Um dos nossos visitantes, o Carlos Barradas, indicou que seriam de autoria da Maria Keil. Todavia, e porque o estilo não condizia com o que conhecia desta artista recentemente falecida - 10/06/2012 - soube depois por fonte fidedigna, o Luís Filipe de Abreu, excelente artista e conhecedor do meio, que as ilustrações seriam, sem dúvida, de autoria de Mily Possoz. De facto, procurando por imagens relacionadas a esta artista, torna-se claro que o estilo é inconfundível. Está assim desfeita a dúvida inicial).

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Termino com a publicação de um bucólico poema de Francisco Palha, incluso neste livro de leitura da segunda classe:
Avé Maria
No sino da freguesia
Três badaladas ouvi.
Sobre a terra úmida e fria,
De joelhos, mesmo aqui,
Oremos, que é findo o dia,
Avé Maria!
Descendo da serrania,
Já o pastor ao curral
Os fartos rebanhos guia.
De abundância ao de hoje igual,
Dai-lhe amanhã outro dia,
Virgem Maria!
A mãe, que o filho cria,
Já no berço o vai deitar.
Um sono tranquilo envia
Sobre o seu tecto poisar
Até ao romper do dia,
Virgem Maria!
Francisco Palha

10/20/2008

Kung Fu - As aventuras de Caine

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Hoje trago à memória uma série de TV que também deixou profundas marcas à rapaziada da minha geração, ainda em idade da escola primária.
Trata-se da série Kung Fu, que passou na RTP nos anos 70, ainda a preto e branco.

A série desenvolveu-se em três temporadas, entre 1972 e 1975, com 16 episódios para a primeira, 23 para a segunda e 24 para a terceira, num total de 63 episódios, sensivelmente de 60 minutos cada, sendo que o primeiro filme, considerado o episódio piloto, teve a duração de 90 minutos.


A série tinha como actor principal David Carradine, que desempenhava o papel de Kwain Chan Caine, um monge Shaolin.

No preâmbulo da história, o jovem monge, mestre da arte marcial Kung Fu, vinga a morte do seu querido mestre Po, derrotando, numa luta mortal, o seu assassino. Po é um um idoso sábio, que apesar de ser cego, transmite grandes e profundos ensinamentos ao seu pupilo, a quem chama de Gafanhoto. Na sequência do seu acto, o governo do Império Chinês coloca a sua cabeça a prémio e Caine vê-se perseguido de morte, pelo que, tal como muitos chineses, parte refugiado para a América, deslocando-se para o chamado oeste selvagem.


Caine viaja de terra em terra, sempre sob o estigma da perseguição. Desloca-se a pé, percorrendo enormes distâncias por zonas inóspitas. Não tem cavalo, nem armas. Apenas uma simples bagagem de peregrino errante.


Em cada episódio Caine envolve-se ou vê-se envolvido na trama do quotidiano das gentes daquele tempo e daquela região, entre cowboys, aventureiros, ladrões e gente sem escrúpulos, mas também de gente simples e indefesa por quem Caine sempre se coloca ao lado, fazendo prevalecer a justiça. É claro que Caine, apesar de ser um exímio lutador Shaolin da arte do Kung Fu, evita ao máximo envolver-se em lutas ou demonstrar as suas capacidades e só como último recurso recorria à força e quase sempre apenas na justa medida, nunca optando por violência gratuita apesar de muitas vezes estar ameaçado de morte. A sua principal força residia na sua mente, na sua agilidade e  astúcia.

Uma das situações recorrentes em todos os episódios, era os interregnos narrativos, uma espécie de flash backs, onde Caine recuava à sua anterior realidade enquanto monge Shaolin, colhendo e recordando os diversos ensinamentos do sábio mestre Po. Estes ensinamentos, muitas vezes autênticos jogos mentais e de palavras, eram contextualizados a cada situação que Caine vivia em cada momento na sua peregrinação pelo oeste americano.

Mercê do êxito da série,  em 1986 foi produzido o filme "Kung Fu: The Movie", novamente com David Carradine e quase de seguida a série: "Kung Fu - A lenda continua". Mas como quase sempre acontece com as sequelas, não conseguiu ofuscar o brilho e o êxito da primeira série.

Com esta série, a arte marcial do Kung Fu tornou-se muito popular entre nós, que já vinha dos êxitos de estrelas das artes marciais, como o popular Bruce Lee e Chuck Norris, cujos filmes passavam frequentemente nos cinemas da província nas tardes de Domingo. Assim, um pouco por todo o lado, começaram a aparecer as escolas do Kung Fu e de Karate.

Esta série Kung Fu, como muitas outras da altura, das quais já aqui tenho recordado, era motivo de grandes plateias junto às poucas televisões existentes na aldeia. cada episódio prendia a atenção do primeiro ao último minuto.

Boas recordações destas noitadas a ver estas fantásticas séries. Pelo menos na altura era assim que as víamos.

10/16/2008

Cantilenas e lengalengas - A chover e a dar sol na casa do rouxinol...

 

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No Inverno, principalmente em dias de geada, o intervalo do recreio era aproveitado pelas crianças da escola primária para apanharem um pouco do sol saboroso desses dias bem frios.
Para o efeito, encostavam-se à fachada nascente da escola e ali mantinham-se como gatos ao borralho, soturnos e com as mãos no bolso.
Então sempre que alguém se colocava defronte, roubando assim o sol morno ao colega, era frequente este dizer a seguinte cantilena:

Quem está à frente do meu sol
É o diabo de Vila Maior,
Com o sangue a escorrer
E o gato a lamber.

Normalmente ninguém queria assumir o papel de Diabo, pelo que quase de imediato quem estivesse a provocar sombra mudava logo de posição.

 

Outra cantilena: Sempre que estava a chover mas em simultâneo, por entre o céu nublado, lá apareciam uns risonhos raios de sol, era comum dizer-se a seguinte cantilena:

A chover e a dar sol,
Na casa do rouxinol,
A velhinha atrás da porta
A remendar o lençol.

Esta cantilena, popular na minha aldeia, é, no entanto, conhecida noutras regiões com outras variantes. Por exemplo:

A chover e a dar sol
Na cama do rouxinol;
Rouxinol está doente
Com uma pinga de aguardente.

A chover e a dar sol
Na casa do rouxinol;
Rouxinol está no ninho,
A comer o seu caldinho.

A chover e a dar sol
À porta do rouxinol;
Rouxinol veio à janela,
Logo dar a espreitadela.

Como curiosidade, esta lengalenga, tem em comum o verso A chover e a dar sol e ainda a palavra rouxinol, daí que normalmente é conhecida pela cantilena do Rouxinol

10/12/2008

Iogurte Longa Vida


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Confesso, desde já, que não sou apreciador nem consumidor de iogurtes. Sei que faço mal, é certo, mas nunca me habituei a estes  produtos, em quaisquer das suas múltiplas variedades. Talvez por não ser habituado desde cedo, numa altura  em que os lanches ou merendas eram à base de pão de milho e caldo com couves e feijão. As lambarices, mesmo que saudáveis, eram produtos fora do alcance das carteiras de quem vivia em constantes dificuldades. É certo que muitas vezes tínhamos o privilégio de beber leite natural mesmo acabadinho de ser colhido na teta dq vaca, mas a prioridade era para entregar o leite no posto de recolha mais próximo, sendo assim uma das poucas fontes de rendimento de quem vivia principalmente das coisas da terra, como era o caso dos meus pais nesses anos onde eu ainda era criança. Claro que aos poucos as coisas foram mudando.

Neste contexto, trago à memória a marca de iogurtes Longa Vida, de modo especial pela recordação de uma das fortes imagens da marca, que é exactamente aquele velhinho ternurento, com cara de Pai Natal, segurando um iogurte Longa Vida, do tempo em que estes eram comercializados nuns tradicionais boiões de vidro. Quem não se lembra das carrinhas de distribuição com este velhinho pintado a toda a largura?
Quanto à origem da Longa Vida, de acordo com texto recolhido em documento de autoria de Jorge Fernandes Alves, L. H. Sequeira de Medeiros e João Cotta Dias, "LEITE E LACTICÍNIOS EM PORTUGAL - Digressões históricas":


(...Em 1957, três lojistas do Porto (dois irmãos e um cunhado – Humberto Leite Tavares de Pinho, Albino Tavares de Pinho e Luís Henriques da Silva), herdeiros de uma leitaria da Praça Carlos Alberto, associaram-se para comprar um terreno em Perafita que trazia associado um alvará de indústria. Começaram a distribuir manteiga e queijo dos Açores, mas quando um deles foi ao dentista, em conversa com este, tomou conhecimento da facilidade em produzir iogurtes, de digestão fácil e alimentação saudável. E o dentista, um cultor de iogurtes domésticos, foi mais longe, emprestando-lhe uma incubadora e os fermentos necessários para uma primeira produção. Foi o incentivo para o arranque em produção industrial, logo agarrada, vindo a dar origem ao iogurte Longa Vida, produto inicialmente de difícil colocação, habitual nas farmácias como remédio, mas despontando depois do 25 de abril como produto de largo consumo, embora algumas unidades industriais portuguesas já o produzissem em Portugal, mas com oferta ainda restrita.)

(... Assim, a pequena leitaria inicial, a Longa Vida, como passou a ser conhecida a empresa depois, distribuía inicialmente os seus produtos lácteos pelo caminho-de-ferro ou por uma carrinha. Alargaria depois a sua capacidade produtiva, dedicando-se paralelamente à batata frita (“Douradas”), apontando-se, em determinada altura, 533 trabalhadores e uma frota automóvel de 220 viaturas, com documentos posteriores a mostrarem que a operação já se fazia com 400 viaturas a operarem a partir de 5 delegações, cobrindo o país em cerca de seis dias. A qualidade alcançada permitiu-lhe tornar-se o distribuidor exclusivo de marcas como Cadbury e Kraft. Em 1993, a Longa Vida foi adquirida pela Nestlé Portugal.)

No decorrer do aumento do mercado dos iogurtes, a Longa Vida foi integrada em 1993 na multinacional Nestlé e hoje é uma das marcas que procura fazer frente à Danone, líder do mercado. Recorde-se que o mercado de iogurtes no nosso país tem vindo sempre a crescer. Em dez anos, triplicou-se a quantidade consumida, passando de 60 mil para 300 mil toneladas. Significa que cada pessoa consome em média entre 16 a 18 kg de iogurte por ano. Claro que como eu sou um dos que não consome, é natural que ande por aí alguém a comer a minha parte. Bom proveito. Mesmo assim ainda estamos longe do consumo de outros países, como a França, por exemplo, onde em média cada pessoa consome 30 Kg anuais. No entanto, com o constante crescimento anual verificado, na ordem de 3 a 4%, vamos a caminho de obter valores semelhantes.

A Longa Vida é vendido tanto no segmento dos iogurtes clássicos, os naturais bem como os de aromas e pedaços. A título de curiosidade, no que se refere a iogurtes de aromas, os preferidos dos portugueses são os de sabor e padaços de morango.

Bom, fica aqui a memória dos iogurtes, da Longa Vida, e de modo especial a imagem clássica do seu velhinho com ar saudável e bonacheirão, a rivalizar bem como o Pai Natal da Coca Cola. Com a mudança de imagem das marcas, aparentemente o saudável velhinho deixou de circular nas carrinhas da distribuição. Outros tempos, outro marketing, outros alvos comerciais onde os iogurtes em termos de imagem são mais conotados com as crianças e com os jovens. Os velhinhos, mesmo que bonacheirões já não vendem.

10/09/2008

Nucrema - O sabor que vence! Basta provar!

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Num anterior post, trouxemos aqui à memória a deliciosa pasta de barrar Nucrema, que no meu tempo de criança, juntamente com a Tulicreme, fazia as delícias dos lanches da pequenada.

Aqui fica, pois, mais um interessante cartaz publicitário da Nucrema, numa alusão à sua relação saudável com a prática do desporto e deste com as crianças.
Leite, cacau e avelãs. Uma delícia. Já apetecia um pão bem barrado.

Brinquedos Estrela - O sonho das crianças

 

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Fundada em 1937 como uma modesta fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira, em poucos anos, acompanhando a evolução industrial do País, a Estrela passou a ser uma indústria automatizada e a produzir brinquedos também de plásticos, metal e outros materiais. Desde a primeira boneca, a Estrela já produziu mais de 25 mil brinquedos diferentes, num total de mais de 1,2 bilhão de unidades que foram distribuídas em todo o País.
Ao longo dos anos a Estrela construiu a força de sua marca combinando qualidade, pioneirismo e inovação na oferta de brinquedos ao mercado brasileiro. A trajetória da empresa é identificada por inúmeros marcos de sua liderança, tendo sido, inclusive, uma das primeiras companhias brasileiras a abrir seu capital em 1944, constituindo-se em sociedade anônima.

Este é um bocadinho da história da fábrica de brinquedos Estrela, uma empresa brasileira fundada no longínquo ano de 1937,  mas que ainda está activa, continuando a fabricar maravilhosos brinquedos.

O resto da história pode ser lida no sítio oficial da empresa, onde este extracto foi retirado.

Hoje apeteceu-me trazer à memória os brinquedos Estrela. Muitas vezes esta marca é confundida com a Fábrica de Produtos Estrela, esta bem portuguesa, à qual é sempre feita referência à famosa rotunda da Circunvalação, entre o Porto e Matosinho. Esta fábrica, a portuguesa, foi mudada para Rio Tinto e a sua actividade, desde sempre, foram os electrodomésticos, de modo especial os fogões a gás.

Recordo sobretudo os brinquedos Estrela pela sua originalidade e qualidade e ainda porque frequentemente eram publicitados nas contra-capas das revistas da Disney, publicadas pela Editora Abril. Por conseguinte, estes brinquedos da Estrela eram o sonho de muitas crianças dessa época, no caso nos princípios dos anos 80, que mais não fosse, apenas a partir do papel. Creio que alguns desses brinquedos anunciados chegaram mesmo a ser vendidos cá em Portugal, até porque era recorrente nessas revistas serem feitos anúncios destinados ao mercado português. O caso da publicitação às edições de cromos da editora Disvenda era um exemplo.

Vejamos alguns cartazes publicitários da época:

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10/07/2008

Lancer - Série de TV com cowboys

 

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Lancer é uma série de TV, americana, produzida entre 1968 e 1970, em duas temporadas, pela 20th Century Fox Television, sendo composta por 51 episódios de 60 minutos cada. Nos Estados Unidos a série passou na CBS.
A série Lancer foi produzida uma pouco à imagem da série Bonanza que já há anos fazia sucesso na concorrente NBC.
Por conseguinte, a estrutura da trama tem muitos pontos em comum.  
A história de Lancer centra-se num típico rancho da região de San Joaquin Valley, na Califórnia, propriedade do viúvo Murdoch Lancer. A região está assolada por bandidos e um clima de violência e anarquia no sentido de fazer com que os rancheiros abandonem a região para assim se apossarem das terras. Murdoch Lancer vê partir parte dos seus vaqueiros, ficando reduzido a pouco mais de uma dezena de seguidores mas  pretende resistir no seu rancho pelo que se vê na necessidade de mandar chamar os seus dois filhos, de diferentes mulheres, há muito fora de casa. Para o efeito contrata os detectives da famosa agência Pinkerton.

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Scott Lancer é um ex-oficial do exército, a viver algures na costa leste, em Boston, onde fora criado pelo seu avõ após a morte de sua mãe. No México foi encontrado o segundo filho, Johnny Madrid Lancer, onde vive como pistoleiro.
A ambos mandou procurar e pedir para regressar a troco de promessas de dividir o rancho entre eles e ainda uma boa recompensa.
Uma vez reunidos Scott e Johnny, estes ficam a saber que são irmãos. No encontro com o seu pai, postos ao corrente da situação, decidem ficar e assim combater as ameaças que pairavam sobre o rancho Lancer.

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Faz ainda parte da família a bela Teresea O´Brien, filha do falecido capataz de Murdoch, que assim ficou como sua protegida, uma espécie de filha.
Outra personagem importante era o Jelly Hoskins, um velhote expedito que Murdoch Lancer retirara da prisão sob sua caução.
Todos os 51 episódios giram assim em torno de sagas e lutas em defesa do rancho Lancer e combate ao banditismo, tudo situações características do oeste selvagam, com todos os ingredientes, tais como duelos, lutas, tiroteios, armadilhas, etç, etç.

Elenco:

Andrew Duggan: Murdoch Lancer
Wayne Maunder: Scott Lancer
Elizabeth Baur: Teresa O´Brien
James Stacy: Johnny Madrid Lancer

Guia dos episódios: URL

Memórias do Lancer

Recordo-me de ver esta série, ainda em criança. Não tenho certeza quanto ao ano em concreto, mas creio que no início dos anos 70. Tenho também uma forte ideia de que a série passava nas sextas à noite e por isso lembro-me perfeitamente de assistir a todos os episódios, em casa de uns tios, onde na grande sala, uns sentados  em cadeiras e outros no chão, eu, o meu irmão mais velho, os meus primos e os rapazes mais vizinhos, juntamente com os adultos, assistíamos à série, numa autèntica sessão de cinema. A série era seguida com um entusiasmo e emoção do princípio ao fim. Havia episódios em que um dos Lancer tinha mais protagonismo de que os outros pelo que entre a assistência havia preferência natural por um ou outro. Assim, havia quem preferisse o estilo do Johnny Madrid, mais pistoleiro, mas também havia os apreciadores do Scott, com um feitio mais calmo e ponderado. Claro que nessa altura, ainda crianças, já nos caía o beicinho pela Teresa. Bons tempos.

A série foi produzida a cores mas passou na RTP ainda no tempo do preto-e-branco.

A par de Bonanza e Daniel Boone, foi das séries que mais recordações deixou desse tempo onde onde os cowboys povoavam os nossos sonhos, brincadeiras e fantasias.

A exemplo da reposição pela RTP Memória das séries Daniel Boone e Chaparral, esperemos que uma das próximas seja a série Lancer, pois foi muito popular entre nós. Apesar disso, a informação portuguesa sobre a série é quase inexistente. Vale-nos alguns sítios no Brasil e no estrangeiro, bem como o YouTube onde é possível visualizar vários excertos de diferentes episódios.

- Genérico de abertura da série

- Encontro dos dois irmãos Lancer, que se desconheciam

- Encontro da família Lancer

10/05/2008

O Clarim - Jornal da Cruzada e das crianças de Portugal

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"O Clarim" foi fundado em 1946 pelo Pe. Paulo Durão Alves e designava-se como Jornal da Cruzada Eucarística e das Crianças de Portugal. O seu primeiro número foi impresso em Janeiro de 1947.
Ainda se publica, pertencendo na actualidade ao Apostolado da Oração, ligado à Companhia de Jesus, e que integra a Rede Mundial de Oração do Papa.
São quatro páginas apresentando doutrina e exemplos edificantes que ajudam os leitores a crescer na fé e na confiança em Deus.

Durante muitos anos teve como director o saudoso o P. Fernando Leite e a administração e redacção ficam localizadas em Braga.

Recordo-me deste jornalinho, desde criança da catequese. Na minha aldeia, aos Domingos de tarde, logo pelas 14:00 horas, iniciavam as aulas de catequese, para ambas as quatro classes. Terminavam uma hora depois e logo de seguida tinha início a reza do Terço, orientada pelo já falecido pároco local (foi pároco da aldeia durante 60 anos).
No final do Terço, uma vez por mês, o nosso Padre lá anunciava aos mais pequenitos: - O jornal "O Clarim" está na sacristia!"
Este anúncio despoletava uma algazarra e um amontoado de mãozitas estandidas enquanto o Padre distribuía o jornal. Habitualmente aconselhava para que o jornal fosse partilhado com outros meninos depois de lido. Claro que poucos seguiam este conselho.

A minha memória relativamente ao jornalinho O Clarim, remonta a esses tempos de criança. 
O jornal tem um formato aproximado de uma folha A4 (ligeiramente superior), dobrada a meio, por isso com 4 páginas. Apresentava sempre casos e exemplos de fé e devoção para com a Sagrada Eucaristia. Tinha sempre uma secção onde eram narrados pequenos sacrifícios realizados pelos pequenos leitores, coisas muito simples mas tão difíceis para as crianças. Extraio alguns exemplos: Fiz o sacrifício de dar uma esmola a um pobrezinho; Fiz o sacrifício de lavar a louça; Fiz o sacrifício de estar atenta na Missa; Fiz o sacrifício de não ver televisão para ajudar a minha mãe.

Uma rubrica tão do agrado da criançada era o PARA RIR, com algumas anedotas e adivinhas, cuja solução era apresentada na edição seguinte.
Cada pequeno artigo era sempre acompanhado de uma simples gravura.
O jornal O Clarim denomina-se de jornal da Cruzada e das crianças de Portugal, sendo por isso dirigido de modo especial aos petizes.
O movimento da Cruzada, a exemplo de muitas paróquias de Portugal, também existiu na minha aldeia nos anos 40 a 70. É possível que na sua origem, na sua génese estejam reminiscências da lenda da Cruzada das Crianças.

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De todo o modo, sabemos que este movimento da Cruzada teve origem concreta no apelo do Papa Pio X, que, em plena I Guerra Mundial (1914/1919), pediu que as crianças, adolescentes e jovens de todo o mundo se organizassem numa Cruzada Universal, com o objectivo primeiro de rezar pela paz no mundo. Este movimento parece ter chegado a Portugal no início dos anos 20. Foi um sucesso e nos anos 30 o movimento agrupava quase três milhões de jovens, principalmente crianças.

A Cruzada Eucarística das Crianças era formada por crianças em idade da escola primária, rapazes e raparigas, que vestiam roupas brancas. Sobre a roupa, cruzando o tronco, como na figura acima, era colocada uma faixa igualmente branca, estampada com a tradicional Cruz de Cristo, a vermelho. As meninas usavam ainda uma espécie de lenço, preso à cabeça por uma cinta.
Este movimento era coordenado por mulheres, ligadas normalmente à Catequese, a quem se dava o nome de zeladoras.

Pessoalmente nunca estive integrado nesse movimento, mas recordo perfeitamente a sua existência onde participavam alguns meus colegas. Entre outras actividades, o grupo da Cruzada tinha que acompanhar os funerais, participando no respectivo cortejo fúnebre. Naquela época, e ainda durante vários anos, os funerais eram realizados em cortejo pedestre, desdo a casa do falecido até à igreja matriz. Em cada cerimónia, a cada criança da Cruzada era oferecida uma espécie de senha de presença, que mais tarde daria direito a algumas prendas ou lugar gratuito numa das excursões realizadas anualmente peló pároco.
Em meados dos anos 70, o movimento acabou por se extinguir de forma natural, entre outros motivos, devido à cada vez menor indisponibilidade das crianças em participarem com regularidade nos diversos eventos e cerimónias religiosas.
É, pois, com saudade e nostalgia que recordo o jornalinho O Clarim e a sua intrínseca ligação ao meu tempo de criança.


Capa do primeiro número do jornal "O Clarim", datada de Janeiro de 1947


Capa do último número do jornal "O Clarim". Outubro 2022

10/04/2008

Bolachas Confiança -Tipo Maria

 

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Hoje em dia existe uma enorme variedade de bolachas, tanto de fabrico nacional como importadas. Há para todos os gostos e feitios, desde as mais elaboradas até às mais simples. Temos as bolachas recheadas com chocolate e pastas de outros sabores como morango e baunilha, bolachas com pepitas de chocolate, bolachas com pedaços de cereais, bolachas altamente calóricas e bolachas mais pobres, recomendadas para quem tem preocupações com a sua linha.

Por outro lado, estão todas acondicionadas em embalagens também mais ou menos sofisticadas, todas graficamente apelativas. Enfim, todo um conjunto de situações adequadas aos modernos hábitos de consumo.

Noutros tempos, porém, quanto a bolachas, havia menos variedade e as embalagens eram muito simples. Recordo, por isso, que a bolacha raínha era a do tipo Maria, ainda hoje muito consumida. Mas recordo sobretudo a forma como eram vendidas. Na mercearia da minha aldeia, vinham embaladas em grandes caixas de cartão, sensivelmente em forma de cubo, talvez com a dimensão de 30 x 30 cm. Assim, as bolachas eram pedidas em quantidade de peso. Por exemplo, 1/4 de quilo, 100 ou 200 gramas. Então a dona da mercearia lá abria a caixa e na parte superior existia um delicado papel vegetal estampado com a marca das bolachas. Quanto a este papel, recordo-me de frequentemente pedir à merceeira que me desse o papel. Claro que ela oferecia mas apenas quando a caixa ficasse vazia, pois o mesmo servia para manter as bolachas bem conservadas, impedindo o excesso de humidade.

Dessas bolachas, havia as normais, mais macias, para os bébés e velhinhos sem dentes, e as torradas, que eram as minhas preferidas. É claro que o tipo de bolacha Maria era muito semelhante ao que ainda hoje se vende, mas quanto ao gosto e aroma...eram incomparáveis. Nessa altura as bolachas eram francamente deliciosas.

Uma das marcas que me recordo, era precisamente a Confiança, bem como a Triunfo.

Quanto à Confiança, a propósito do cartaz publicitário acima publicado, sei que era de Lisboa, também fabricava rebuçados, mas infelizmente não consegui obter grandes informações sobre a sua história, desconhecendo, por isso, se ainda funciona ou se foi agregada a outra empresa ou grupo.

Seja como for, fica aqui partilhada este memória sobre as deliciosas bolachas Confiança, do tipo Maria, vendidas em grandes caixas e revendidas de forma avulsa nas mercearias das nossas aldeias.

10/03/2008

Andar de andas - As nossas perigosas brincadeiras

 

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Quantos de nós, em criança, não já tiveram a oportunidade de se movimentar com umas andas?
As andas consistem num par de paus, com altura variável, mas em regra com cerca de dois metros e com um suporte horizontal,com uma extensão entre 10 a 20 cm, pregado ou afixado a uma certa altura de chão.
Conforme demonstra as imagens acima, os suportes servem para apoiar os pés e assim ficarmos elevados. Portanto, quanto maior a distância dos suportes relativamente ao chão, maior a altura que conseguimos obter.
Para se caminhar com as andas é necessário algum treino mas é relativamente fácil, obviamente dependendo da altura dos suportes.
Para que a anda fique completa, o ideal é ser revestida nos topos inferiores com um material anti-derrapante, como um bocado de couro ou um taco de borracha. Também os suportes dos pés devem ter alguma aderência, mas de modo a não prender demasiado os pés, pois em caso de queda fica-se sem movimento para saltar. Nos casos em que se enfiam umas calças compridas, é uma situação arriscada pelo que deve ser feita por quem tem muita experiência a caminhar com as andas.


Como não podia deixar de ser, em criança, aí pelos meus doze anitos, juntamente com os meus irmãos mais chegados, também construímos as nossas andas e, não fizemos por menos, com os suportes colocados a quase  1 metro de altura. Ficámos uns autênticos pernas-longas. Claro que tivemos um imenso êxito junto dos colegas que ficaram de boca aberta com o espectáculo. A moda pegou por alguns dias e era ver toda a rapaziada no largo da aldeia a caminhar com andas. Parecia uma terra de gigantes.


É claro que em tudo isto, o desafio e o risco estão sempre de mãos dadas, pelo que, não satisfeitos com o simples andar no terreiro plano ou com pouca inclinação, o nosso desafio era subir a escada exterior da casa de meus pais, com cerca de 16 degraus. Claro que conseguimos subir e descer várias vezes, mas quando a minha mãe descobriu o número de circo, a palhaçada acabou com um outro festival de porrada. E foi bem merecida pois era uma brincadeira demasiado perigosa. Uma queda a meio da escada era cabeça partida pela certa.


Bons tempos aqueles, mas cheios de traquinice e brincadeiras muito arriscadas. Mas como diz o ditado "à criança e ao borracho, põe Deus a mão por baixo". Seja como for, por uma brincadeira bem menos perigosa, fracturei em criança o meu tornozelo esquerdo e já com os meus dezoito anos também fracturei o meu pulso esquerdo. Mas isso será motivo para uma nova e futura memória.


Hoje em dia as andas não estão esquecidas e embora não façam parte das brincadeiras quotidianas das crianças, é comum vê-las em acção em alguns eventos ou espectáculos de rua.

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