7/13/2009

Jorge Jesus, o futebolista

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Depois de toda a novela à volta da contratação ao S.C. Braga do treinador Jorge Jesus, pelo Benfica, afinal mais uma de muitas do futebol português, Jorge Jesus, o designado "mestre da táctica" já está a trabalhar ao serviço do Glorioso.
Esta carismática figura do futebol português tem-se distinguido como treinador de um já vasto leque de equipas. Jorge Jesus, teve, no entanto, uma relativa larga carreira e experiência como jogador de futebol, no lugar de médio, predominantemente na posição direita. Curiosamente, num dos cromos abaixo representados ao serviço do Riopele, é indicado como avançado. Quem o viu nos relvados, diz ter sido um jogador como centenas de outros, mediano quanto baste, mas a ter em conta alguns dos clubes por onde passou, nomeadamente o Sporting, o Belenenses, o Vitória de Setúbal e U. de Leiria, deduz-se que não terá sido assim tão vulgar, correspondendo a outras apreciações que o consideravam um jogador discreto, é certo, mas com boa qualidade técnica.


Jesus teve a sua formação no Sporting e depois, já como sénior, na época 73/74, foi cedido ao Peniche, a militar então na 2ª Divisão Nacional, e na época seguinte, 74/75, foi emprestado ao Olhanense (agora de regresso ao escalão maior do futebol lusitano). Regressa a Alvalade na época seguinte, não se conseguindo impor ( realizou 12 jogos, dos quais apenas 1 como titular), pelo que de seguida foi dispensado, rumando ao vizinho Belenenses, onde jogou em 76/77. O clube do Restelo tinha nessa altura um excelente plantel pelo que Jesus também não conseguiu singrar; Seguiu-se uma passagem pelo carismático clube fabril, o  Riopele, acabado de subir ao escalão principal, onde esteve na época 77/78. O Riopele não se aguentou e desceu à 2ª Divisão e na época seguinte Jesus acabou por ir para o Alentejo ao serviço da Juventude de Évora, na 2ª Divisão. Na época posterior, em 79/80 já estava na cidade do Lis ao serviço da U. de Leiria (que subiu de divisão nessa época) e em 80/81 fazia parte do plantel do V. de Setúbal, onde se manteve por 3 épocas, situação inédita, contrariando as anteriores e curtas ligações de apenas uma época. Seguiu-se um regresso ao Algarve, concretamente ao S.C. Farense que serviu na época 83/84.

Já numa fase descendente da sua carreira, como é normal no futebol, alinhou ainda ao serviço do clube da Tapadinha, o Atlético Clube de Portugal, na época 84/85.
Finda a época, um novo salto para Jesus que entrou ao serviço do Estrela da Amadora (clube da sua terra, então na 2ª Divisão),  e por ali se aguentou durante duas épocas. Segue-se uma passagem pelo Benfica de Castelo Branco (então na 3ª Divisão Nacional) e põe fim à carreira na época posterior ao serviço do Almancilense, novamente no Algarve.

A sua paixão pelo futebol não termina com o pendurar das chuteiras, enveredando de seguida pela carreira de treinador, cujo percurso é iniciado ao serviço do Amora F.C., seguindo-se o Felgueiras, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Vitória de Guimarães, Moreirense, U. Leiria, Belenenses, Braga e, actualmente, Benfica).

Não deixa de ser curiosa a sua ligação como treinador a alguns clubes onde foi jogador, como o Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, U. de Leiria e Belenenses. Quem se seguirá?

Para ilustrar parte dessa carreira como futebolista, ficam aqui alguns cromos soltos dedicados ao Jesus, hoje uma incontornável figura do nosso futebol.

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jorge jesus farense santa nostalgia

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7/09/2009

José Galvão – Comentador de peso

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Nos anos 70 e creio que ainda pelos 80s, recordo-me de José Galvão, um carismático apresentador/comentador da RTP em eventos desportivos ligados ao atletismo.

José Galvão tinha sido atleta do S.L. Benfica, especialista na modalidade de lançamento de peso. 
Recordo-o, sobretudo, pelo seu porte atlético, encorpado, pelo seu ar de bonacheirão, careca e de óculos de aros grossos, figura típica do bom-gigante.

Recordo-o desde os Jogos Olímpicos de Montreal - Canadá, em 1976, na tal edição em que o nosso Carlos Lopes perdeu a medalha na prova dos 10.000 metros para o finlandês-voador, Lass Viren ( que de resto havia vencido as provas dos 5 e 10 mil metros na edição de 1972, em Munique - Alemanha, repetindo a dose em 1976).

Infelizmente, as informações na Web sobre o José Galvão são quase inexistentes pelo que à falta de alguns dados biográficos e da sua carreira desportiva, fico-me por esta memória e por este cromo retirado da caderneta "Ases do Desporto", uma edição da Palirex.

É certo que o José Galvão por vezes metia-se em especialidades que nitidamente não dominava, mas o seu estilo irradiava simpatia pelo que tudo se lhe perdoava. Pelo contrário, hoje em dia, quem acompanha na televisão os comentários de eventos desportivos, nomeadamente na cobertura de jogos de futebol, são frequentes as “araras” que botam faladura a torto e a direito e por vezes as calinadas, agora chamadas “gafes” sucedem-se a um bom ritmo ”. Quando não, é debitar conversa de “encher chouriços”.

7/08/2009

Vestuário - roupas dos anos 60 - 11

 Agora que já estamos em pleno Verão, onde as idas à praia tornam-se deveras apetecíveis, sabe bem recordar algum vestuário de criança dos anos 60, adequado a este tempo estival.

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7/06/2009

Gervásio – O Senhor Académica

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O ex-vice-presidente e ex-jogador da Académica, Vasco Gervásio, faleceu sexta-feira aos 65 anos de idade, devido a doença prolongada.
Vasco Gervásio fez 430 jogos pela "Briosa", sendo um dos jogadores com mais jogos disputados pela "Briosa".
Para além de ter estado nas duas finais das Taças de Portugal, em 1967 e 1969, foi vice-presidente durante a presidência de João Moreno e presidente-adjunto da anterior direcção academista, liderada também pelo actual presidente José Eduardo Simões.
 
fonte: RTP

Vasco Gervásio era natural da Malveira, onde nasceu a 05 de Dezembro de 1943. Foi médio e capitão da Académica nos anos 60 e 70, tendo disputado 430 jogos ao serviço da “Briosa”, sendo um dos jogadores com mais jogos pelos “estudantes”. Foi 284 vezes capitão da equipa, suplantando a marca de Mário Wilson, que capitaneou 207 vezes.
Estreou-se a 30 de Setembro de 1962, num jogo com o Académico de Viseu e terminou a carreira a 17 de Junho de 1979 (com 35 anos), contra o Vitória de Guimarães, quando João Moreno era, na altura, presidente academista. Disputou, em 1967, a final da Taça de Portugal, com uma derrota da “Briosa” por 3-2 com o Vitória de Setúbal, após três prolongamentos, e, a final de 1969, derrota por 2-1 com o Benfica, também após prolongamento. Nesta temporada de 1968/69, a Académica alcançou o segundo lugar no campeonato nacional.
Ultimamente, foi vice-presidente da Académica entre 2002 e 2008, primeiro na era de João Moreno como presidente, e, a partir de 2003, com José Eduardo Simões como timoneiro.
O corpo vai estar hoje em câmara ardente a partir das 16h, no Pavilhão Jorge Anjinho. Domingo será realizada, pela manhã, uma missa de corpo presente. Após a cerimónia religiosa, o corpo seguirá para a Figueira da Foz, onde será cremado, segundo vontade expressa por Vasco Gervásio.

fonte: Jornal Público

Soube da notícia no próprio dia e desde logo fiquei com a obrigação de publicar um simples artigo de memória e homenagem ao Gervásio. Por imperativos de tempo, acabei por o não fazer no próprio dia mas, como mais vale tarde do que nunca, faço-o agora.
Para mim, o Gervásio é o Senhor Académica, pela sua qualidade de homem e de futebolista, pelo seu exemplo e postura e pela sua dedicação de corpo e alma à briosa. É claro que nunca o conheci pessoalmente nem com ele privei, mas todos esses atributos sempre foram unanimemente reconhecidos por todos, do futebol e não só, não apenas agora na hora do seu prematuro desaparecimento, como é habitual, mas durante todo o seu percurso. Conheço-o sobretudo pelos jogos e contexto do futebol bem como pelo facto de ser presença frequente nas minhas colecções de cromos de futebol dos anos 70. Gervásio é daqueles futebolistas que não deve ser omitido sempre que se traga à memória um bom leque de futebolistas que marcaram essa década, podendo e devendo ser recordado ao lado de outras figuras ímpares como Eusébio, Manuel Fernandes, Fernando Gomes, Chalana, Nené, Humberto Coelho, Jordão, Oliveira, Octávio, Jacinto João, Artur e muitos outros, incluindo alguns dos seus colegas, como Rui Rodrigues, Artur Jorge, Gregório Freixo, Camegim, Costa, José Freixo, etc, etc.
Como forma de homenagem, e sendo também uma das minhas paixões, publico aqui alguns dos muitos cromos que retrataram o Gervásio em inúmeras colecções dos anos 60 e 70, sempre equipado com as cores da sua Académica, quase sempre de negro mas, esporadicamente, de branco.
Que descanse em paz, Senhor Académica!

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7/03/2009

Os bois teimosos – Viagens pelos livros escolares - 13

 

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(clicar nas imagens para ampliar)

 

Esta história do Manel Jeirinhas e os seus bois teimosos, como muitas outras que fazem parte do meu livro de leitura da terceira classe, remete-me frequentemente para os meus tempos de criança e para algumas situações então vividas.


Os meus avõs paternos eram grandes lavradores da aldeia e por conseguinte o meu pai, mesmo depois de casar, seguiu no início a vida da agricultura, ou da lavoura como se dizia, dedicando-se a amanhar uma meia-dúzia de ribeiras e alguns pinhais, que lhe couberam em herança, tirando daí o parco sustento para a família. É claro que a lavoura nunca enriqueceu ninguém, tanto mais nessa época sem subsídios nem apoios estatais, pelo que quando os filhos começaram a aparecer e a crescer teve que arranjar um emprego fixo numa oficina, onde mesmo assim obtinha um magro salário, ficando a lavoura a cargo de minha mãe. No entanto, toda a família ajudava em todos os momentos que podia, quer nos tempos livres da escola quer aos sábados, um dia que se dedicava totalmente aos trabalhos nos campos.


Nessa vida muito ligada à lavoura, para além de algumas vacas leiteiras, o meu pai possuía uma junta de bois, daqueles amarelos, de raça arouquesa. Neste sentido, muitas vezes, eu, com 10 anitos e o meu irmão chegado, com 12 anos, frequentemente ía-mos levar os bois a pastar nuns pinhais da família. Enquanto os bois pastavam livremente, nós brincávamos. Quando chegava a hora de voltar a casa, porque o sino da igreja repicara o toque de meio-dia, aplicávamos uma valente varada no lombo dos bois e estes, de forma desenfreada, corriam até a casa. Quando lá chegávamos, uns largos minutos depois, os bois já estavam no curral, ou no aido como era vulgar dizer-se. Estes bois eram de facto trabalhadores, inteligentes e nada teimosos, como os do Manuel Jeirinhas. É claro, que muitas e muitas vezes cheguei a fazer o papel do Jeirinhas, conduzindo os nossos bois desde desde as ribeiras e várzeas até a casa, carreando por caminhos difíceis o pasto, milho, feijão, batatas, uvas, lenha, tojo, etc, afinal de contas os produtos que eram a razão de ser do dia-a-dia de uma família ligada à lavoura. Foram tempos de canseiras e trabalhos mas que dava tudo para voltar a reviver.


Hoje em dia, seria impensável enviar duas crianças para um pinhal afastado com a responsabilidade de cuidar de uma junta de bois. Mas nós gostávamos e o trabalho era sempre aliado à brincadeira. Éramos assim uma espécie de crianças-homens. Hoje, à custa de tanta mudança, à custa de tanta protecção, à custa de tanta dependência,  predominam os homens-criança e assim há-de continuar.

Estando agora de férias da escola, olho para o meu filho de 11 anitos, acomodado no sofá, com o portátil em cima das pernas ou a consola de jogos nas mãos, entretido horas e horas a fio com os jogos e os filmes. Imagino-me, então, com aquela idade a conduzir pela soga uma junta de enormes bois, por caminhos e quelhos à procura de viçoso pasto dos pinhais e cômoros. Meu Deus, como as coisas mudaram…


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. As coisas são como são. É a marcha imparável do Tempo.

 

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- Vaca de raça arouquesa, fotografada num destes dias na Serra da Freita - (clicar na imagem para ampliar)

 

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7/02/2009

Figuras & Figurões – Caderneta de cromos

 Nos anos 70 (76/77), a empresa IMPRELIVRO - Imprensa e Livros, SARL, proprietária do jornal diário O PAÍS, promoveu um concurso designado "Figuras & Figurões". Para participar era necessário preencher uma caderneta com um conjunto de 36 cromos ou estampas, publicadas ao longo 12 semanas (entre 05 de Novembro de 1976 a 28 de Janeiro de 1977), nas páginas do respectivo jornal.

Os cromos ou estampas tinham como tema caricaturas representativas de um conjunto de figuras públicas ligadas ao período do 25 de Abril de 1974. Cada estampa tinha ainda uma quadra cuja parte final, que correspondia ao nome da pessoa caricaturada, era necessário adivinhar e preencher, o que não era difícil já que para além da popularidade dessas figuras, o nome coincidia com a rima da quadra.

Para validar a entrada no concurso tornava-se necessário entregar a caderneta devidamente preenchida, com as estampas coladas nos seus devidos lugares e devidamente completadas na tal questão da quadra. O regulamento não o indica, mas presume-se que no final as cadernetas seriam devolvidas aos respectivos donos, ou talvez não.
Para além dos 36 cromos, a caderneta continha páginas com publicidade de algumas empresas e marcas que patrocinavam o concurso.

O concurso implicava os seguintes principais prémios: 1º: 1 automóvel Citroen GS, no valor de 196.000$00; 2º: 1 viagem ao Cairo - Egipto, para 2 pessoas, pela TWA, ida e volta em classe turística, no valor de 39.963$00; 3º: 1 jogo de maples em pele MICL, no valor de 35.000$00; 4º: Uma máquina de lavar-roupa RUTON e 1 televisor RADIOLA, com o valor total de 31.738$00. A lista de prémios continua até ao 377º lugar e incluia prémios diversos como 1 máquina de costura BERNINA, 1 máquina de tricotar, 1 bicicleta motorizada, 1 máquina de escrever, 1 fogão JUNEX, 1 rádio-gravador, 1 mala de senhora, 1 relógio de cozinha, etc, etc.

As caricaturas têm uma excelente qualidade artística, reproduzindo na perfeição as características físicas dos respectivos retratados. Na caderneta não é indicado o nome do autor, sendo que pela assinatura com as inicias ZM, que surge nalguns cromos, se supõe serem do excelente artista Zé Manel.

Tendo em conta a qualidade das caricaturas e pela importância dessas figuras no período histórico e conturbado do pós-25 de Abril de 1974, iremos publicando os respectivos cromos em futuros posts.
Acrescente-se que este tipo de concursos, baseados no preenchimento de cadernetas com estampas publicadas pelos jornais diários, conheceu vários exemplos. Recordo-me particularmente de uma colecção relacionada com ciclismo, pelo JORNAL DE NOTÍCIAS e  de uma outra  com a temática de provérbios populares, pelo jornal O COMÉRCIO DO PORTO. Num dia destes procurarei trazer mais detalhadamente o assunto à memória dando a conhecer as respectivas cadernetas que na época coleccionei.

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7/01/2009

Bernina – Máquina de costura


As máquinas de costura sempre foram um equipamento desejado pelas donas-de-casa, quer como forma de minorizar os gastos domésticos, costurando e consertando as próprias roupas da família, de modo especial dos filhos, sempre prodigiosos na arte de romper e rasgar o vestuário, quer ainda, em muitos casos, como fonte extra de rendimentos, fazendo serviços de costura para fora.

Nos anos 60 e 70, principalmente, era frequente as raparigas tirarem um curso de corte e costura, como forma de garantirem o seu futuro. Essa arte normalmente era ensinada por uma costureira profissional, a que se chamava de “mestra”. Nesse tempo, eram poucas as moças que seguiam os estudos no liceu e também eram escassos os empregos em fábricas, que aparecerem principalmente a partir dos anos 80. Nessa década, na minha zona, quase todas as raparigas empregavam-se em fábricas de calçado e de confecções, mas, até aí, prevaleciam as funções ligadas à casa e à agricultura.

Neste contexto, nas décadas de 60 e 70, as máquinas de costura eram de facto equipamentos preciosos e ambicionados mas nem sempre ao alcance da maioria das famílias. Era um avultado investimento. A minha mãe, por exemplo, adquiriu uma máquina apenas no princípio de  80, paga a prestações. Recorria-se, pois, às costureiras para confeccionar um vestido de chita para as raparigas ou umas calças para os rapazes, numa altura festiva, ou, o que era vulgar, aplicar umas quadras, joelheiras ou cotoveleiras nas roupas já gastas, na expectativa de aguentarem mais uns tempos.

É claro que nesse período, falar de máquinas de costura era falar da marca Singer, marca da máquina da minha mãe, mas havia, naturalmente, outras mais marcas. É o caso da Bernina, da qual trago à memória um cartaz publicitário de 1976.
A Bernina é uma marca já secular, com sede em Steckborn, na Suiça. Ao longo dos anos foi acompanhando os desenvolvimentos tecnológicos e necessidades de mercado e actualmente produz máquinas chamadas de quarta geração, com capacidades fantásticas de bordar desenhos a partir de ligações ao computador. A Bernina tornou-se assim numa marca reconhecida e prestigiada mundialmente.

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- Modelos actuais da marca Bernina.

6/30/2009

Cerveja Sagres e laranjada Gruta da Lomba

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O meu primeiro contacto com a cerveja não foi o mais feliz. Compreender-se-á porquê: Tinha 10 anitos e a cerveja foi surripiada a uma barraca de comes-e-bebes montada no arraial da festa anual da minha aldeia, em horário morto, isto é, pelas 6 horas da madrugada, numa altura em que o dono, cansado da faina de véspera, tinha ido dormir a casa.

O “assalto”, foi combinada previamente por mim, por um dos meus irmãos e por mais dois ou três amigos. Não teve mapa esquemático, é certo, mas obedeceu a algum rigor no planeamento em que cada elemento do "gangue" tinha uma função específica.
Para além de duas cervejas, uma Sagres e uma Cergal, a empreitada rendeu ainda duas laranjadas de litro da "Gruta da Lomba".

Depois de consumado o "assalto", fomos beber o espólio para um local escondido num pinhal vizinho. As laranjadas foram rapidamente emborcadas até à última gota. Já as cervejas não mereceram a aprovação do grupo pois eram demasiado amargas, pelo que, supunha-se, "deviam estar estragadas". Ainda houve quem fosse a casa gamar na despensa da mãe um quilo de açúcar amarelo, que se misturou à fartazana, mas nem assim a cerveja se mostrou tragável. Resultado, o verdadeiro gosto pela cerveja, que se aprende a gostar, e cuja sede se deseja, como diz o reclame acima, só chegou mais tarde, quase na maioridade. Ainda bem. Pouparam-se algumas pielas.

Importa acrescentar que o "assalto" foi logo detectado porque algum delator no grupo deu com a língua nos dentes" pelo que, para além de reparado o prejuízo em dinheiro vivo, cada um apanhou uma valente coça paternal daquelas que, hoje em dia, davam para colocar os pais na prisão acusados de violência e maus tratos a menores. Verdade se diga, foi uma boa lição, daquelas que se aprendem e jamais esquecem. Por vezes penso que se alguns dos modernos criminosos apanhassem ao primeiro delito uma daquelas valentes tareias, tinham mudado logo ali os seus destinos de criminosos. Hoje poderiam ser excelentes administradores de bancos ou directores de empresas e institutos públicos, quiçá até membros do Governo da nação ou deputados da Assembleia da República. Digo eu…

Quanto à laranjada, marca "Gruta da Lomba", era produzida por uma fábrica, situada em Guetim - Espinho e que ainda hoje se mantém em produção. Na altura era de muito boa qualidade e vendia-se em garrafas de litro, de vidro, com rótulo pirogravado.
Para além de saborosos copos que bebia nas quentes tardes de Verão, recordo-me de, várias vezes, participar em jogos de futebol, no largo da escola, contra um grupo de rapazes de um lugar vizinho, cujo troféu era precisamente uma laranjada de litro da “Gruta da Lomba”. Quando o troféu não era quebrado à pedrada ou pela fisga de alguém invejoso, já que estava exposto orgulhosamente no cimo de um cruzeiro do largo, no final da vitória lá se procedia à distribuição pelo grupo, bebendo todos da própria garrafa e com o tempo dos goles a ser bem cronometrado.

Bons tempos!

6/29/2009

Os caminhos de Noële – Parte II

 

Já depois de publicado o artigo referente ao anterior post, mexendo em alguma papelada da época, consegui obter informações adicionais e complementares.
Deste modo, constatei que a série foi adquirida pela RTP em dois pacotes, em diferentes alturas.


Inicialmente a série foi adquirida pela RTP em 21 episódios de 26 minutos cada e 1 episódio de 39 minutos, ou seja, 22 episódios, exibidos durante 1972. Soube ainda que a série poderia ser comercializada em diferentes durações, em 45 episódios de cerca de 15 minutos ou mesmo em episódios de cerca de 30 minutos ou 60 minutos. Seria assim uma forma de compatibilizar os interesses de horários das estações televisivas que adquiriam a séria.


Acontece que esta primeira parte exibida pela RTP em 1972, terminou de uma forma aparentemente inesperada, sem o tão esperado happy end, que seria o casamento de Noël com um dos dois pretendentes (o amigo de infância ou Ugo, um pianista). Esta situação, o âmago do enredo, face à popularidade da série, provocou alguma confusão e até muitas reclamações na RTP, tanto mais justificadas depois de uma revista da época ter publicado fotos do casamento de Noële, que tinha mesmo acontecido.


Esta situação levou a RTP a procurar saber junto da produtora os verdadeiros motivos, vindo a comprovar que na realidade existia uma segunda tranche de 40 episódios de cerca de 15 minutos cada. Face a esta situação, ao que parece, inesperada porque desconhecia o facto, a RTP obviamente que acabou por adquirir o segundo pacote da série  cuja exibição foi iniciada em Março de 1973, aos Sábados, por volta das 22:00 horas, em episódios de cerca de 30 minutos. Este horário posteriormente veio a ser alterado, passando para as segundas-feiras, antes do Telejornal, por volta da 21:00 horas.


Nesta segunda volta, Noële efectivamente acaba por casar com o pianista Ugo, acontecimento que ocorre logo no segundo episódio.
Face a este esperado happy end, as tele-espectadoras ficaram finalmente sossegadas. Nem de outra forma poderia ser.

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- Noël, com o pai adoptivo

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- Noël, com Ugo, no seu casamento.

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