6/11/2010

E tudo o vento levou - Gone with the Wind

 e tudo o vento levou

e tudo o vento levou cartaz

Pode parecer mentira, mas só ontem, Domingo, na RTP Memória, tive a oportunidade e paciência de rever de forma completa o clássico filme "E tudo o vento levou", no original "Gone with the Wind". 

 
Em algumas oportunidades, ficaram sempre algumas partes do filme por ver, pois afinal de contas são 3 horas e 42 minutos, dentro da habitual duração de outros grandes clássicos do cinema, como CLEÓPATRA (1963) 4h03; LAWRENCE DA ARÁBIA (1962): 3h42; OS DEZ MANDAMENTOS (1956): 3h40; BEN-HUR (1959): 3h32;SPARTACUS (1960): 3h18. Mesmo assim não vi as cenas iniciais, se bem que já as tinha visto noutras anteriores oportunidades. O facto de hoje ser dia de trabalho não ajudou nada mas lá fui aguentando. 

 
Este filme é de 1939, com os principais papéis interpretados por grandes nomes de então, como Vivien Leigh (Scarlett O'Hara), Clark Gable (Rhett Butler), Olivia de Havilland (Melanie Hamilton Wilkes) e Leslie Howard (Ashley Wilkes).

O filme é por demais conhecido e sobre ele não faltam bons artigos e análises. Para mim é um grande filme e que segue a linha das grandes produções de Hollywood, com muitos figurantes e belos cenários e a clássica bela mulher e as atribulações de um romance à moda antiga.  É claro que pelos padrões actuais o filme pode parecer pouco profundo, ligeiro até, com os temas sociais e históricos da época (guerra civil, escravatura) a serem pouco espremidos, e com os aspectos banais das relações humanas a ocuparem o grosso do tempo, mas tem que se perceber o contexto e a filosofia vigentes na indústria cinematográfica da época em que foi produzido. Afinal o cinema de então, tal como hoje, era sobretudo um espectáculo e entretenimento de massas e não tanto uma coisa dada a grandes reflexões.

Por tudo isso, para além da beleza omnipresente de Vivien Leigh, o filme tem o seu valor e por tudo o que representou, é hoje justamente um dos chamados grandes clássicos do cinema hollywoodesco que sabe bem rever, mesmo que com vários anos de atraso.

Ao conseguir ver o filme na totalidade, ao fim de tantos anos, aprendi também que nunca é tarde para alguns ajustes de contas com coisas que fomos deixando passar, seja um grande filme ou um grande livro.

6/10/2010

10 de Junho – Dia de Camões e de Portugal

 

À passagem do 10 de Junho, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades, trago à memória uma das belas colecções de cromos produzidas e editadas em Portugal. Trata-se da clássica caderneta “Camões”, editada em 1966  pela Agência Portuguesa de Revistas. narrando a biografia dessa imortal figura do nosso Portugal, autor dos Lusíadas.

A caderneta, de formato quase quadrado, 220 x 225 mm, é composta por 124 cromos, estes com as dimensões de 56 x 76 mm, resultantes de belos guaches do fantástico artista Carlos Alberto Santos, profícuo pintor, desenhador e ilustrador que dedicou tantos anos à APR. Os cromos  são legendados na caderneta por José de Oliveira Cosme. Cada página, das 31,  comporta 4 cromos e possui belas ilustrações temáticas, monocromáticas, também de autoria de Carlos Alberto.

Esta caderneta de cromos, a par da “irmã” “História de Portugal” – da mesma editora e do mesmo artista - terá sido porventura uma das mais populares e duradouras, do muito quanto produziu a APR nos anos 60, cujo êxito levou à produção de diversas edições. Sendo uma colecção de muita qualidade, artística e documental, é relativamente fácil de encontrar devido às inúmeras edições que teve.

Pessoalmente, ainda me recordo de comprar algumas carteiras de cromos das edições finais. Nessa altura não cheguei a completar a caderneta (o dinheiro era escasso), mas guardei religiosamente os cromos e mais tarde tive a oportunidade de adquirir a colecção completa e em estado impecável, da qual deixo agora algumas belas imagens.

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6/09/2010

Malhas Ameal – Moda Jovem

 

ameal moda jovem sn

Cartaz publicitário da marca Ameal, publicado em 1973. Apregoada como uma linha internacional de moda jovem, igualando a mesma qualidade e o requinte de produções estrangeiras.
Ontem como hoje, Portugal produz excelentes artigos e produtos e continua actual a necessidade de valorizarmos o que é nosso.
Quanto à marca Ameal, não consegui grandes informações, mas penso que se refere à empresa Fabrica de Malhas do Ameal S.A. - Porto.
Numa altura em que ainda vigorava o velho regime, num período de censura e brandos costumes, é de registar a naturalidade com que estes anúncios em trajes reduzidos, com belas mulheres, apareciam já, tanto na televisão como nos jornais e revistas, acompanhando as tendências que vigoravam pela Europa.
Aqui tratava-se de roupa íntima feminina, e bem analisadas as peças, poder-se-á concluir que passados 40 anos,  a este nível, as modas pouco mudaram. É claro que, há uma linha mais arrojada, onde predominam as cuequinhas de "fio dental" ou "asa delta", sobretudo nas mulheres jovens, mas no essencial, pondo de lado alguma ousadia e sensualidade a favor do conforto, as cuecas ou calcinhas mais substanciais ainda continuam a imperar nos rabos das portuguesas.

6/08/2010

Mudanças

 

Para aqueles que são visitantes mais ou menos regulares deste humilde espaço, certamente que têm reparado que o layout-template do blogue tem apresentado algumas alterações. Deste modo queremos pedir desculpa, mas na realidade estamos a proceder algumas afinaçõestanto nas cores como nas dimensões base.
Em determinada altura era nossa intenção seguir com o projecto num outro domínio do Blogspot, com um layout-template totalmente reformulado, mas por questões práticas, que para o caso não interessa aqui justificar, abandonamos essa intenção.
Oportunamente o projecto seguirá em domínio próprio, mas enquanto isso não suceder nem for anunciado, continuará por aqui. As afinações ao template-layout vão continuar pelo que agradecemos a compreensão.

Tu e Eu – Leituras para o Ensino Primário – 1ª Fase

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Hoje trago à memória o manual escolar “Tu e Eu – Leituras para o Ensino Primário – 1ª Fase”, de autoria de António Branco.
O livro tem um formato de 147 x 206 mm, com 96 páginas, e está magnificamente ilustrado por Eugénio Silva.
Este livro é posterior ao 25 de Abril de 1974, uma vez que foi editado em 1976. 
 
As lições são interessantes , mas muito simples, com convém às crianças da primeira classe, de autoria de nomes conhecidos, como Irene Lisboa, Cecília Meireles, Alves Redol, António Torrado, Matilde Rosa Araújo, e outros mais.

Entre outras histórias contidas neste livro, não deixei de reparar na que narra as aventuras do Esgravata e da Bicadinha, de autoria de Cecília Gonçalves, que do meu livro de leitura da segunda classe já havíamos falado aqui.
Será que dos nossos habituais visitantes alguém aprendeu deste belo livro?

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6/07/2010

Caderno Escolar – Pêbêcê – Anos 40

 

Já temos aqui falado dos emblemáticos cadernos escolares, preciosos auxiliares no percurso da nossa escola primária. Havia-os de diferentes tipos, tais como de folha lisa, duas linhas, linha estreita e quadriculados, por isso adaptados às diferentes funções, fosse de desenho, escrita ou aritmética. Os cadernos eram assim um auxiliar efêmero já que normalmente depois de totalmente utilizados eram deitados fora.  Por isso, e porque ao longo do ano escolar eram precisos vários, era um artigo muito usado pelo que tinha que ser de preço acessível às carteiras das famílias, por regra pobres e humildes. Não admira, pois, que os cadernos escolares doutros tempos fossem muito simples, quase sempre com poucas folhas e capas de papel muito delicado. Apesar disso, tinham uma beleza quase despropositada à sua função e hoje, observados à distância, eles têm um encanto acrescido e não surpreende que sejam um produto muito procurado por coleccionadores e saudosistas.

O caderno que hoje trazemos à memória é dos anos 40, associado à Mocidade Portuguesa. É um caderno produzido pela empresa Papéis PBC, que nesta área foi muito produtiva, especialmente nos anos 40 e 50, antes do domínio da Ambar a qual ainda hoje é uma das maiores produtoras de cadernos e material escolar. Quanto à PBC desconheço o seu destino e as informações sobre a empresa são praticamente inexistentes.

Este caderno em particular, é de linha estreita, adequado à aprendizagem da caligrafia, portanto normalmente na primeira classe. Na capa, a cores, está representado um menino muito compenetrado na arte da escrita, sobre a clássica secretária da escola, vendo-se ainda alguns símbolos característicos, como o globo terrestre, o mapa de Portugal e uma bandeira da Mocidade Portuguesa.

Na contra-capa, como era usual, estão representadas as tabuadas de multiplicar e dividir e ainda uma gravura com um menino e duas meninas a brincarem à bola.

É sem dúvida um caderno muito bonito e que ilustra muito bem um conjunto de símbolos ligados ao ensino primário do tempo do Estado Novo.

Voltaremos ao tema, com novos (velhos) cadernos.

caderno pbc sn 1

caderno pbc 2

Tópicos relacionados:

Cadernos escolares - A família Pituxa
Caderno escolar - João de Deus
Tabuada

6/04/2010

Jogo de palavras

 

Do meu querido livro de leitura da segunda classe, volto a “pescar” memórias. desta vez, da página 9, uma interessante lição sobre jogos de palavras, ou lengalengas.

Como a maior parte do livro, esta lição está superiormente ilustrada pela Maria Keil.

Quem ainda se recorda destes dois jogos de palavras?  o Manuel dos Matos e a casa de Viseu?

 

jogo de palavras sn1

(clicar para ampliar)

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6/01/2010

Dia da Criança

 

criancas brincar

Ilustração: Maria Keil

donald zolan criancas 1

Ilustração: Donald Zolan

donald zolan criancas

Ilustração: Donald Zolan

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Ilustração: Donald Zolan

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Ilustração: Donald Zolan

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Ilustração: Donald Zolan

Hoje é o Dia Mundial da Criança. A data estabelecida não é uniforme, mas em Portugal, como em muitos outros países, o dia 1 de Junho foi o escolhido.
Hoje, mais do que nunca, é importante o dia e todas as evocações e reflexões que se possam fazer e estabelecer sobre a criança e todo o seu contexto, desde a sua concepção, nascimento, crescimento e formação. Afinal, ainda faz sentido a velha máxima de que as crianças são o futuro. Se queremos, pois, um futuro melhor para todos e em todos, torna-se então necessário que o seu presente seja devidamente equacionado e preparado.
Como é natural, este é um tema que merece e despoleta sempre novas reflexões e discussões e por mais que nelas nos debrucemos, fica sempre muito por falar e fazer.


Questões fulcrais, nomeadamente quanto à educação, ocupam um dos primeiros lugares das preocupações. Numa época em que as famílias perdem cada vez mais os alicerces convencionais, com uniões de facto, sem factos ou sem afectos, separações, divórcios consecutivos, famílias monoparentais e até com adopção por parte de uniões homossexuais a entrar na ordem do dia, realmente é caso para dizer que as crianças estão mais desprotegidas do que nunca, isto num sentido dos equilíbrios emocionais, dos afectos e referências. Pode não ser uma perspectiva politicamente correcta mas é o que é.
Mas pronto...isto é pano para mangas e já foge do objectivo do post, que é o de apenas lembrar a data.


Nascido em meados de 60, eu também fui criança, e este simples blogue vive muito das recordações e memórias desses tempos. Hoje, mesmo comparando com os padrões da vida das nossas crianças, em todos os seus aspectos, desde a escola às brincadeiras e aos brinquedos, não tenho dúvidas de que, como os meus 7 irmãos, fui uma criança feliz, mesmo que entre as minhas brincadeiras também houvesse lugar aos trabalhos, especialmente na ajuda aos pais, quer em casa, quer no campo.
Tive uma infância repartida entre a escola, os estudos, as lições, as brincadeiras e os jogos no recreio, as brincadeiras nos fins de semana e nas férias, sobretudo as do Verão, entre caminhos, campos e pinhais. Nessa altura as crianças eram livres como pássaros e não havia motivos para preocupações excessivas como hoje, a serem quase prisioneiras, enjauladas em casa, sem ordens para saír à rua, recostadas nos sofás de um mundo fofo, tecnológico mas quase autista.


Os brinquedos desses tempos eram feitos por nós próprios e o contacto era directo com as coisas, com os lugares, a terra, as plantas, os animais. Conhecíamos cada insecto, cada pássaro ou cada bicho. Cada dia era uma nova aventura, uma viagem pelo imaginário infantil, adoçado pelo que se via na televisão e lia nos livros. Íamos em bando a pé para a escola e cada uma dessas viagens era por si só um palco e motivo de brincadeiras, mesmo que acabassem em zaragatas e pancadaria.


Tudo mudou, para o mal e para o bem, mas uma certeza fica: As crianças são sempre crianças, mas sem dúvida que os diferentes tempos e diferentes mentalidades tiveram sempre uma importância vital na formação das suas personalidades, nomeadamente pela transmissão dos bons valores, no respeito próprio, pelos pais, irmãos, familiares, vizinhos e pessoas idosas, na disciplina e responsabilidade. Nem de outra forma poderia ser, mas pelo que vejo, e pelo que consigo abarcar nas gerações que testemunhei e nas suas enormes diferenças, conclui-se que nem toda a mudança resultou num caminho de valor acrescentado.

Felizmente muita coisa mudou para melhor, nomeadamente na questão da saúde e protecção relativamente ao trabalho infantil forçado e castrador da génese e tempo da infância, mas muitos outros valores se perderam.
O tempo tem destas coisas e se é verdade que a natureza nos ensina que há um irrevogável caminho de evolução e adaptação, também é verdade que frequentemente nos lembra que há sempre algo que se perde, que se extingue, que fica pelo caminho, quantas vezes por desmazelo, incúria e desprezo pelas regras básicas dessa própria natureza, mesmo que na versão humana. Ainda hoje, mera coincidência, soube pela minha esposa que uma nossa vizinha de 14 anitos mal feitos, grávida de alguns meses foi abortar. Por toda uma série de situações, espera-se mais do mesmo. Banalizou-se a sexualidade e o seu usufruto e agora a sociedade colhe os frutos. É esta a colheita esperada e desejável? É este o cimento dos alicerces do futuro próximo?


Aproveitemos a data para reflectir no que de bom e menos bom tem orbitado no universo da criança.

Jabberjaw - I Don't Get No Respect!

 

Hoje trago à memória a série de desenhos animados "Jabberjaw". Esta série foi produzida pela profícua Hanna-Barbera, em 1976 e exibida pela ABC entre 1976 e 1977. Em Portugal creio que passou já na era da cor, isto na primeira metade dos anos 80. 
Jabberjaw era um divertido tubarão, de dorso azul e barriga branca, com um apurado sentido de humor, baterista de uma banda de rock, Os Neptunos, composta ainda por Biff, Shelly, Bubbles e Clamhead. O ambiente da série era futurista, numa cidade no fundo do oceano. As histórias giravam assim em torno do Jabberjaw e do seu grupo de amigos.
A série foi relativamente curta, saldando-se em 16 episódios de cerca de 30 minutos cada.
Dizem que esta série foi produzida à boleia de um popular filme da época (1975), Jaws, ou Tubarão, de Steven Spielberg, mas funcionando numa espécie de desmistificação, já que o simpático Jabberjaw era tudo menos aterrador e sanguinário.
Também falam da semelhança da estrutura com o popular Scooby-Doo, da mesma produtora, o que em muitos aspectos é verdade. No fundo Jabberjaw seguia apenas a linha de sucesso de muitas das séries da Hanna-Barbera, onde um animal, assumia características e comportamentos muito humanos bem como interagia com estes, tornando-se num semelhante. Esta é uma das fortes característica de diversas séries da produtora norte-americana. Assim de repente, para além do já citado Scooby-Doo, estou a lembrar-me do Zé Colmeia, a Lula Lélé, Pepe Legal, Wally Gator e muitos outros.
Recordo-me bem da série e para memória ficou sobretudo a sua famosa frase:  I Don't Get No Respect!

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[Youtube – Link]

5/31/2010

Brindes dos cromos de caramelos - repost

 

Há tempos publiquei aqui um post sobre os famosos brindes distribuídos com as colecções de cromos de caramelos, os sempre tão apetecidos e desejados brinquedos, incluindo a alegria da rapaziada, que aream as bolas de borracha, com as quais se disputavam grandes desfios de futebol no terreiro da escola ou no largo da capela que existia junto à minha escola primária.
Hoje dou à estampa mais algumas imagens desses brindes, desses simples mas nostálgicos brinquedos a que poucos podiam chegar. Por conseguinte, para além da paixão pelos cromos da bola e seus ídolos, a compra dos cromos de caramelos era um expediente para se sonhar em possuir um dos brinquedos expostos na mercearia ou quiosque da aldeia.

Bons e saudosos tempos.

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